À deriva

Não pise na grama

Não pise na grama

Acordei e ainda estava escuro. Mesmo considerando o Horário de Verão, fazia tempo que não acordava cedo assim. Por mais que eu já tenha chegado de balada neste período da matina. O cenário não é o mesmo de quando você acabou de despertar. Talvez seja a ausência de álcool e de cansaço, mas é diferente.

A primeira coisa que me impressionou foi a quantidade de pássaros cantando. Existem vários animais que o barulho e o movimento da cidade escondem. E é interessante também o quanto muda o cenário de uma rua quando tudo está fechado. Experimente um dia ir na Rua Augusta durante o dia e volte lá à noite. Parece um outro universo.

Eu tinha uma consulta médica de rotina e resolvi marcar o mais cedo possível, assim aproveitava o dia. Como marquei para às 07h12, acordei à 05h40. Já havia visto todo o trajeto no Google Maps e sabia que teria que pegar um ônibus e andar cerca de meia hora. Achei que compensaria mais do que perder tempo esperando dois ônibus.

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O Lado Negro de uma Comic Shop

Ilustração – Camaleão

Ilustração – Camaleão

(Publicado originalmente no Contraversão)

Toda vez que me perguntam qual foi o pior emprego que tive na minha vida, a resposta vem de bate e pronto: ter trabalhado em uma comic shop.

Não que o emprego não tenha me trazido nada de útil. Além de poder ler praticamente todas as HQs de graça, pude conhecer grandes nomes do cenário editorial / autoral nacional de quadrinhos. Percebi que era um nerd socialmente aceitável e até mesmo tive uma transa no estoque da loja.

Mas é fato que minha resposta surpreende todo mundo, já que para muitos que me conhecem minimamente esse seria meu emprego dos sonhos. O problema é que a realidade se mostrou mais sombria do que uma edição de “Contos da Cripta”…

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Energia Suja – Parte I

FAZENDA SOLAR ATACADA NO INTERIOR DA PARAÍBA

Situação nas cidades próximas é cada vez mais tensa

Da reportagem local

Diversos painéis solares foram destruídos na noite passada nas proximidades da cidade de Boqueirão, no interior da Paraíba. Segundo testemunhas, um grupo armado invadiu a fazenda durante a madrugada, destruiu cerca de 15 painéis e fugiu antes da polícia chegar. Houve troca de tiros entre os invasores e a segurança da fazenda. Um dos seguranças foi baleado e encontra-se no hospital, seu estado é grave.

Apesar de não haver provas concretas, a polícia acredita que este ataque tenha sido feito pelo mesmo grupo que tem atacado outras fazendas solares da região. Segundo o coronel Danilo Mainardi ‘é um grupo descontente com as desapropriações de suas famílias para a implantação das fazendas e querem fazer valer sua opinião à força’.

Na região, o único município ainda sem prazo para ser desapropriado é Cabaceiras, próximo de onde os ataques tem ocorrido. Apesar da prefeitura estar de acordo com os governos federal e estadual para que todos os seus moradores sejam alocados no município de Campina Grande, a população tem sistematicamente recusado as ofertas, preferindo permanecer em seu local de origem. Questionado sobre esta situação, o prefeito Horácio Novaes afirma que ‘é questão de tempo até a população perceber que o melhor é mudar-se’.

Líder informal da população de Cabaceiras, José Gomes, quando foi perguntado sobre a crescente onda de ataques na região, respondeu ‘Não sei quem está fazendo isso e com qual interesse, mas garanto que nenhum dos cidadãos de Cabaceiras tem algo a ver com isso. Não queremos abandonar nossa cidade, mas iremos garantir nossa permanência aqui dentro da Lei’.

Mesmo com a declaração de Gomes, a situação é tensa, com aumento do policiamento na cidade. Mainardi afirma que ‘isso visa garantir tanto a segurança dos munícipes quanto a integridade das fazendas’.

As fazendas solares da região são mantidas por uma Parceria Público-Privada, onde o governo cede as terras para que empresas instalem a façam a manutenção os painéis solares. Atualmente a empresa Helio Center é a responsável pelas fazendas da região. Através de sua assessoria de imprensa, Marcos Tavares, o presidente da empresa, declarou: ‘Estou chocado que a situação tenha tomado este rumo. Conto com o Poder Público para que as leis sejam cumpridas e os responsáveis por estes atos de vandalismo sejam exemplarmente punidos’”.

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- Conta mesmo com o Poder Público, Tavares?

Em uma mesa nos fundos de um café, Marcos Tavares, fechou seu jornal e olhou para o homem em pé em frente à sua mesa, visivelmente irritado.

- Já pedi mais de uma vez para não dizer meu nome quando nos encontramos publicamente. – comentou e apontou para uma das cadeiras. – Sente-se.

O sujeito sentou-se e disse, sorrindo sarcasticamente:

- Preciso te chamar de alguma coisa. Como não inventamos “codinomes”, vai ser pelo nome mesmo.

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A Morte da Azeitona Andante

Segue a Azeitona pela rua,
Pensando na vida,
Com a cabeça na lua.

Seu pensamento era tão escroto,
Que não viu o buraco
E caiu rumo ao esgoto.

Ela rolou, ralou a bunda.
E depois deste sofrimento
Espatifou-se na água imunda.

Sem saída, começou a andar.
Súbitou, veio a vontade,
E agachou-se para cagar.

Então, aconteceu.
Depois do alívio,
A merda se mexeu.

Ela cresceu,
Inchou
E a atacou.

Enfim, sua vida acabou.
Que triste fim teve a azeitona,
Na merda ficou.

Esse texto faz parte da antologia “P.O.E.M.A.S. – Palavras Ontológicas e Extenuantes Mas Ainda Semânticas”.

Fique por dentro!

Vamos acompanhar o que andei escrevendo por aí:

- HQ nacional nova na área: Gemini 8!: resenha da nova HQ infanto-juvenil da Abril Jovem para o Nerdevils;

- BABACA DA SEMANA: Eduardo Alves: descubra porque este deputado federal pelo PMDB é um verdadeiro babaca. Claro que foi pro NerDevils!

- Quem passou dos limites? Os estudantes ou nossa falta de atitude?: uma análise para o Contraversão do movimento contra o aumentop das passagens de ônibus em Teresina e Vitória;

- A Horda chega ao Brasil – Blizzard lança “World of  Warcraft” em português! – e eu estava na festa de lançamento pelo Contraversão;

- A busca pela Sacra Birra e a Iluminação pelo excesso: saiba como atingir a divindade bebendo cerveja! Texto para o Contraversão;

- Insectron, a nova coleção a revista Recreio! – eis uma dica de revista para crianças que diverte e ensina! Resenha no NerDevils;

- A Revolução não será shareada: texto no Contraversão analisando porque a ocupação na USP errou;

- Zombie Walk 2011: os mortos caminham por São Paulo: saiba como foi o evento em um texto exclusivo para o Zumblorg;

- Um dia diferente na vida de um Zumbi – uma visão inusitada da Zombie Walk para o Contraversão;

- O fim da zona de conforto e a orkutização do nazismo (ou porque eu defendo as vaias em shows): manifesto no NerDevils contra esses músicos mimizentos que não sabem lidar com a rejeição do público;

- Lançamento do livro “Vagabundo sem Nome”: o colega do NerDevils Agostinho Torres lançou seu livro e aqui ele fala um pouco sobre seu processo de criação;

- “Liga da Justiça 1″ é um “foda-se” para os nerds reclamões”: minhas impressões sobre o primeiro título do reboot da DC para o NerDevils.

Com grandes mulheres vem grandes prazeres

- Reparou que a estagiária tá te dando mole, né?

A pergunta veio cheia de malícia. Rogério tinha acabado de sair da agência e estava no metrô, escolhendo no seu iPad o que ouvira até chegar em casa, quando foi interrompido por Guilherme, seu colega de setor. Ele suspirou com certo ar de desaprovação pela pergunta. Sim, já tinha reparado que a menina sempre fazia questão de cumprimentá-lo, sempre perguntava se precisava de alguma coisa, sempre estava sorrindo em sua direção.

- E você lembra que eu namoro, né? – retrucou Rogério. – Além do mais, não curto gordinhas…

Guilherme puxou um dos fones de ouvido de seu colega para poder falar mais baixo:

- Eu sei que você namora. Vive reclamando da sua namorada pra mim. Que tal variar um pouco o cardápio? Nada contra arroz e feijão, mas uma macarronada de vez em quando não mata ninguém. Além do mais, tá na cara que você nunca pegou uma gordinha. Senão não desperdiçaria a oportunidade.

Rogério pensava em algo para retrucar, mas a estação onde Guilherme desceria chegou e ele se despediu com aquela expressão de “pense no que te falei”. Resolveu não dar bola, colocou seus fones de ouvido e foi alegremente ouvindo Franz Ferdinand até chegar em casa.

crumbmulheres2Ao chegar em casa havia um pacote do Correio em cima da sua cama, provavelmente deixado pela sua mãe. O rapaz abriu avidamente e empolgou-se quando viu que o tão aguardado “Meus problemas com as mulheres” de Robert Crumb havia finalmente chegado. Sentou-se na cama e começou a folhear. Então percebeu como todas as mulheres que Crumb desenhava eram “volumosas”, por assim dizer… Seios fartos, com bicos salientes. Pernas grosas. Bundas enormes. Tudo muito grande, mas nada sobrando. Em mais de uma ocasião Crumb estava trepando com elas de diversas maneiras. Maneiras que Rogério nunca havia sequer cogitado que existissem. Quando deu por si já estava excitado vendo tudo aquilo.

“Além do mais tá na cara que você nunca pegou uma gordinha. Senão não desperdiçaria a oportunidade”.

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Fique por dentro!

Conforme eu havia prometido, eis meus últimos textos publicados em outros sites e blogs para vocês acompanharem o que ando escrevendo por aí:

- Medo, loucura e suspense em 140 caracteres: resenha da coletânea de microcontos “Insólito – Microalucinações”, de Paulo Fodra no Contraversão;

- As Pirações de Pedro: Capítulo 3 – Correndo entre os mortos: Pedro não fica nem um pouco feliz de saber que sua amiga Gláucia estava ficando com Fernando, primo dele e canalha de marca maior. E ainda: nosso “herói” conhece o amigo do Caolho! Saiba tudo desta novela adolescente romântica do Novelasteen;

- Lulanomicon, as teorias da conspiração sobre a doença do ex-presidente: uma análise nem um pouco convencional sobre os riscos da fama e do poder, no Contraversão.

Divirtam-se!

Tirando o Pó

Uma vez li em um desses blogs com receitas para se fazer um blog dar certo que não devemos fazer posts explicando os motivos de ausência curtas ou longas entre as postagens. Não saberia explicar o porquê disso agora, mas esta dica e as outras que tinham nesta lista (perdida em alguma listagem de sites “favoritados” por aí) me pareceram pertinentes, de maneira que concordei e aderi à muitas delas. E talvez este seja o motivo pelo qual demorei tanto para postar este texto. Afinal este é um texto onde eu explico minha ausência.

Eu criei este blog com o intuito de mostrar ao mundo minha produção textual. Queria algo mais profissional que um mero blog sobre meu dia à dia, de modo que isto é meio que um portfólio dos meus trabalhos como jornalista, poeta e escritor. Nestes três anos de blog temos 205 textos. Sei lá se é muita coisa, considerando estes blogs frenéticos com posts diários, mas é coisa pra cacete. E isso gerou resultado.

No último ano passei a contribuir de maneira mais ativa em 4 blogs: o extinto Cultura Nerd, o caótico NerDevils, o corrosivo Contraversão e o fofo Novelasteen. No Cultura Nerd eu era colunista de histórias em quadrinhos, mas os donos do blog mudaram de emprego e ficaram sem tempo para manter o blog. O NerDevils é um blog coletivo que surgiu de uma reunião sincrônica caótica via Twitter. O Contraversão é um blog (também coletivo) sobre cultura pop que tenta uma visão mais crítica sobre todo esse meio, fugindo de lugares-comuns. E o Novelasteen é um blog com histórias romântico-adolescentes. Tirando o NerDevils, onde cada um escreve quando dá na telha, o outros blogs tem prazos e exigem postagens periódicas. Junte isso ao meu trabalho e outras coisinhas mais e temos a razão do acúmulo de poeira por aqui. Ou seja, estou produzindo muito, mas para quem me acompanha por aqui, parece que não.

Acontece que muita gente conheceu minha produção através deste canto aqui. E vira e mexe me perguntam “E o Protagonista, largou?”. Bom, é fato deixei este blog de lado sim. Mas eu abria a porta deste quartinho aqui às vezes, olhava com certo saudosismo tuda a bagunça aqui e pensava “preciso dar um jeito nisso”. E creio eu que chegou a hora. Então vai rolar uma reforma e vou voltar a utilizar este espaço. A idéia é eliminar o que não é utilizado e acabar projetos que estão pela metade por aqui.

Além disso, vou toda sexta-feira colocar aqui o que produzi durante a semana para vocês possam acompanhar o que ando produzindo! Espero então nos encontrarmos aqui ao menos duas vezes por semana…

Social Playing Game

(Ou como os RPGistas são mais sociáveis do que parecem)

Muita gente não acredita quando eu me rotulo de nerd ou quando digo que jogo RPG. São pessoas que me vêem nas baladas e botecos, ligeiramente alcoolizado cambaleando pelas ruas de São Paulo, que sabem que conheço um monte de gente, e aí dizem que sou “sociável demais” para um nerd. Ao mesmo tempo essas pessoas ficam chocadas quando toda sexta-feira digo que só vou pra balada depois do jogo de RPG (estou mestrando uma campanha de “Mago: A Ascensão” 3° Edição).

TODOS aqui jogam RPG. E fomos expulsos do bar às 4 da matina porque o dono queria dormir.

TODOS aqui jogam RPG. E fomos expulsos do bar às 4 da matina porque o dono queria dormir.

Jogo RPG desde os meus 12 anos (estou com 29 agora) e desde que me conheço por gente o RPG me ajudou tanto a ampliar minha rede de contatos quando a interagir melhor com as pessoas. E notei isso com diversos jogadores que passaram pelas minhas sessões de jogo. Talvez por culpa de estereótipos propagados pela mídia em geral achamos que os RPGistas correspondem ao “nerd babões” que só jogam e não fazem mais nada da vida. Ainda vejo muito disso em fãs de HQ, mas entre os RPGistas esse povo é minoria. Esse estereótipo é calcado em cima do público RPGista lá dos EUA, mas aqui no Brasil a coisa é bem diferente. Minha análise é muita mais baseada em um olhar e conversar com profissionais da área do que necessariamente uma pesquisa acadêmica, mas alguns aspectos podem ser apontados.

Primeiro que são poucos os jogadores de RPG quem tem somente um único grupo de jogo. Normalmente se jogam sistemas diferentes com pessoas diferentes e não é raro esses grupos se misturarem, seja por que um grupo acabou ou por querer experimentar um sistema novo. Daí seu círculo de amizades envolvendo o jogo aumenta.

Depois temos o fato de que são pouquíssimos os jogadores fiéis a um único sistema/cenário de RPG. Mas como nem todos os estilos agradam a todos os jogadores, cada vez que mudamos de sistema/cenário mudamos de jogadores com alguns entrando e outros saindo.

Só uma pessoa aqui não joga RPG. Consegue adivinhar quem?

Só uma pessoa aqui não joga RPG. Consegue adivinhar quem?

Por fim temos nosso saudável hábito de jogar RPG em locais públicos, como lanchonetes, praças, parques, shoppings, etc. Isso não só desmistifica o jogo para quem nunca viu como também permite que curiosos “cheguem junto” e comecem a jogar.

Logo é comum grupos de jogo marcarem de pegar balada juntos, surgirem namoros (ou qualquer outra relação dessas novas que inventam a cada dia) em mesas de jogo. O mesmo pessoal que joga RPG joga bola em outro dia da semana. Ao final desses grandes eventos de RPG o que mais rola são baladas lotadas.

Portanto se quer conhecer gente interessante, divertida e com vida social pra lá de ativa, eu “super recomendo” você começar a jogar RPG. A não ser que esse tipo de coisa só aconteça comigo e meus chegados…

Eis o Questão – Parte II

imagem1-662x1024Após sua participação no mix da revista mensal Caçadores, o Questão ficou por um bom tempo esquecido aqui no Brasil. Mas o sucesso do herói tanto no desenho animado “Liga da Justiça Sem Limites” quanto seu retorno ao primeiro escalão do Universo durante a maxi-série “52” fizeram com que o interesse no personagem aumentasse. De olho nesse filão a Panini Comics lançou em formato encadernado o primeiro arco de histórias do herói pelas mãos do roteirista DennisDennis O’Neil: “Questão – Zen e a Arte da Violência”.

Dennis O’Neil já havia conquistado fama em sua parceria com Neal Adams em uma série de histórias do Arqueiro Verde e Lanterna Verde. Em uma saga que mudou para muitos o modo como o heróis deveriam agir perante o mundo, O’Neil e Adams fizeram os heróis esmeralda enfrentar problemas bem realistas. Drogas, racismo, superpopulação, fanatismo religioso, trabalho escravo. Estes foram somente alguns dos temas abordados pela dupla criativa. O’Neil e Adams também foram responsáveis por trazer o Batman de volta às suas origens sombrias e violentas após a fase “camp” do Homem-Morcego do seriado dos anos 80 ter contaminado as HQs. E foi com o desenhista Denys Cowan que o roteirista levou o Questão ao lado mais sombrio do Universo DC.

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