A Não-Cena Caótica

“A Natureza da Vida é o Caos”
Dante Sólon
 

Após ver uma palestra sobre Vampyrismo e a Cena Vampyrica, me peguei pensando se existe uma “cena caótica” no mundo e no Brasil e qual seria o meu papel e da Associação Filhos do Caos nela.

Para podermos pensar juntos, vamos definir “cena” como uma espécie de subcultura, com termos próprios, baladas, encontros, ações e objetivos.

O maior conjunto de caoístas reunidos em algum lugar é a lista de discussão Kaos-Brasil, do Yahoo! Grupos. Lá existem mais de mil pessoas que conversam sobre a prática e a filosofia da Magia do Caos. Sim, todo mundo sabe que em lista de discussão quem posta mesmo e discute não é nem metade da lista, mas mesmo assim é um bom contigente de indivíduos em torno do tema Magia do Caos.

Mas temos um fator complicador aí. Uma suposta “cena caótica” deveria incluir adeptos da Teoria do Caos, Matemática do Caos, Discordianistas, Arte-Terroristas e outros.

Ouso falar que até pouco tempo atrás essa cena se limitava à Kaos-Brasil. Mas era tudo praticamente virtual. Apesar da troca de idéias, raramente ocorriam encontros, mesmo entre pessoas da mesma cidade.

Porém o Orkut mudou um pouco as coisas.

Além de permitir que pessoas mostrassem seus rostos ou se escondessem atrás de falsos profiles e tivessem mais liberdade de conversar, graças a opção “comunidades relacionadas” uma cadeia de comunidades sobre temas correlatos começou a se formar. Com a mesmas pessoas participando de diversas comunidades e os temas saindo de lá e de cá, finalmente começaram a acontecer alguns encontros. Ainda poucos participantes, nada grandioso ou muito organizado, mas ainda assim encontros.

Organização, eis aí o ponto.

O título fala de uma “não-cena” porque ao contrário de outros grupos, NÃO TEMOS OBJETIVOS NEM GRANDES ORGANIZAÇÕES. Podemos até pensar que queremos divulgar o Caos, mas é muito mais para mostrar que ele existe do que para conversão. As comunidades do orkut e listas de discussão não visam pregação de nada e sim a troca de idéias. Os encontros não visam a organização de entidades ou organizações e sim o puro e simples encontro, tanto que costumam acontecer em bares e baladas. Sem contar que o caos abrange tanta coisa que fica difícil falar de “baladas caóticas”, “locais caóticos” e coisas do gênero.

Sem contar que a “não-cena” rola de maneira tão desencanada que não ocorrem as tradicionais disputas por poder ou briga de egos, de modo que até hoje não vi cisões ou rixas acontecendo.

A título de exemplo de como a coisa se desenrola, vou mostrar o que ocorreu com o grupo ao qual faço parte, a Associação Filhos do Caos.

Começamos como um grupo de 10 pessoas ligadas a laços de amizade e magia do caos, arte-terrorismo e coisas do gênero. Abrimos uma comunidade no Orkut por puro e simples prazer de mostrar que existíamos.

Hoje temos ”300-cacetada” membros e estamos ligados a outras comunidades do gênero, como a Kaos-Brasil, Magia do Caos, Pop Magik, I.O.T. Brasil, S:.H:.I:.M:.O:., Nossa Senhora da Discórdia entre outras e continuamos sendo um grupo de amigos ligados a laços de amizade e assuntos ligados ao caoísmo. Tenho certeza que se fosse alguma outra filosofia mágica, já teríamos virado algum tipo de ordem de mistérios, hehehehehhehehe…

Acho que justamente por causa desse nosso espírito de “não estou nem aí” que tem feito nossa “não-cena” se desenrolar tão bem.

1 Resposta para “A Não-Cena Caótica”


  1. 1 Dante

    Bem, o texto eu conhecia, mas agradeço pela citação, tão simples, e sempre presente, na minha mente, e creio de todos também. Apesar de alguns não saberem ou aceitarem. Ou algo assim, deve ser.

Deixe um comentário