Madrugada e Meia no Inferno

Show da banda Velhas Virgens lota notória
casa noturna de São Paulo

Sábado,  1° de março. Rua Augusta. Velhas Virgens. Uma casa noturna chamada Inferno. Melhor combinação seria impossível. Admito que a princípio eu não iria nesse show. Estava com alguns free-lancers para fazer e resolvi tirar o sábado para adiantar tudo. Mas foi em vão. Praticamente todo mundo que eu conheço ia nesse show, inclusive pessoas que eu nunca desconfiei que estariam por lá. Se eu não fosse, me sentiria como aquele garoto de castigo na janela da sala olhando sua turma jogar bola na rua. E lá fui eu descer a Rua Augusta a menos de 120 por ora, ainda me recuperando da ressaca do dia anterior.

Cheguei no Ponto de Encontro por volta das 23 horas e parte do pessoal já estava lá. Esta noite eu iria ficar somente nos destilados porque havia exagerado na cerveja na noite anterior e meu estômago ainda não estava 100%. Algumas doses de conhaque depois e lá fomos nós encarar a fila, que andou muito mais rápido que o esperado.

O Inferno é uma boa casa de shows. O som lá é rola legal, há bastante espaço tanto para o bate-cabeça quanto para quem quer ver o show de boa. Os preços estão na média de qualquer balada. Mas repito: o Inferno é uma boa casa de shows. Se você não curte a banda (ou as bandas) que forem tocar no dia em que você for, vai ouvir a maldita banda, querendo ou não. Nesse ponto eu prefiro o Outs, que tem uma pista no segundo andar e se a banda não for de seu agrado, dá pra ficar dançando a noite inteira.

De qualquer maneira, os DJs mandam muito bem no som antes e depois dos shows: Twisted Sister, Nirvana, System of a Down, Guns´n Roses… clássicos e mais clássicos. Só queria mesmo era entender o que anda acontecendo com o público roteiro que freqüentam esses lugares. Eu e mais dois amigos fomos começar um bate-cabeça durante “Shut I stay or shut I go”, do The Clash, e ficamos praticamente sozinhos! Como nenhum dos três eram grandes ou fortes, confesso que fiquei decepcionado em como o pessoal anda com medo.

Graças aos deuses não teve banda de abertura. Sejamos francos que isso é uma coisa ingrata tanto para a banda quanto para o público, mas como eu ainda não tenho uma solução para resolver esse dilema secular, vamos aplaudindo quando a banda é legal e vaiando e jogando latinhas quando a banda não agrada, afinal “nada como o feedback”.

Eu, Mamilo, Metadinha e Romani. E Paulão cantando ao fundo. Eis uma visão do Inferno!!A banda Velhas Virgens se intitula “a maior banda independente do Brasil”. Concordemos ou não, o fato é que eles dificilmente aparecem na “Grande Mídia” e estão na estrada há mais de 20 anos, lotando casas noturnas país afora e mostrando que ainda tem muito fôlego pela frente. O som dos caras se resume ao bom e velho “roquenrôu”: duas guitarras, baixo, bateria e ubá eventual gaita. Os caras falam de sexo, drogas, sexo, bebidas, sexo, mulheres, música e caso ainda não tenho ficado claro, sexo. Com músicas singelas como “Eu Amo a Sua Mãe”, “Siririca Baby”, “Madrugada e Meia de Amor” ainda me impressiona a quantidade de mulheres que vai aos shows deles. Nessas eu realmente acho que estou ficando velho.

Os relatos em relação ao show em si serão vagos, primeiro porque havia acabado a bateria do meu celular e segundo porque depois de algumas doses de energético com whisky a realidade tende a ficar um tanto quanto difusa.

O vocalista Paulão entrou na palco vestido de pirata, roupa que logo abandonou após duas músicas devido ao calor. O público masculino foi ao delírio com as perfomances de Lili, vocal feminino da banda. Não me lembro do set list, mas vários clássicos foram tocados (apesar de ter faltado alguns músicas). A banda saiu, voltou para um já esperado bis, rolou uma “jam session” com vários clássicos do rock, com palhinhas de Metallica, Deep Purple, Iron Maiden, Black Sabbath, entre outras. Ainda ao final a banda Baranga foi convidada a subir ao palco onde rolou a clássica “A Minha Vida é o Rock´n Roll”, da banda brazuca Made In Brazil.

Enfim, tirando uma poça enorme que se formou embaixo do ar condicionado e transformou meu tênis numa piscina e uma gordinha que xavecou praticamente todo mundo que estava perto dela (eu incluso) foi um bom show. Foi como eu ouvi muita gente dizendo: “Estava literalmente um Inferno e sobrevivi!”.

3 Respostas para “Madrugada e Meia no Inferno”


  1. 1 Lilian

    Ah, se eu soubesse desse show…rs…..

  2. 2 Ivy

    “E lá fui eu descer a Rua Augusta a menos de 120 por ora, ainda me recuperando da ressaca do dia anterior.”

    Culpada, assumo!

    Realmente…foi memorável…

  1. 1 Campinas City - I em O Protagonista 2.0
    Pingback em 14 jul 2008 às 22:06

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