Quem participou dessa edição: Igor Ras, Jorge “Jozz” Zugliani, Potira Cunha, Thiago Feba e Vinícius Silva.
O que é: um fanzine sobre quadrinhos, com direito a histórias, reportagens, entrevistas e ilustrações.
Quando: 2005
Onde encontrar: no site www.zineroyale.tk ou no e-mail zineroyale@gmail.com
Antes de falar sobre o fanzine em si, é interessante dizer como foi que a obra veio parar em minhas mãos. Para quem não me conhece pessoalmente ou para quem me conhece mas é desligado, eu trabalho em uma comic shop. Lá vendemos fanzines e quando o trabalho é realmente bom dá-se um certo destaque para o mesmo. E em uma das primeiras arrumações em que fazia no acervo da loja acabei achando o Zine Royale, que me chamou a atenção pelo desenho da capa, (uma ótima ilustração de Marcelo “Brücke” Caribé). Comprei um exemplar para mim, enfiei na mochila e deixei para ler depois da janta, naquele momento em que você quer mais é acender um cigarro, descansar e esquecer da correria do dia-a-dia. Mas vamos lá.
As ilustrações de Thiago Feba e de Potira que recheiam algumas páginas estão muito boas, mostrando diversas técnicas do primeiro e uma certa abstração minimalista da segunda.
A primeira HQ é “O Perigoso Mundo do Fast Food”, de Igor Ras. Em uma rápida e divertida mistura de lendas urbanas com lanchonete, o autor nos faz rir de nossos medos.
Depois temos “Tudo Está Bem, Quando Acaba Bem”, de Thiago Feba, onde vemos uma briga de casal. Destaque para o traço soturno e a boa narrativa do autor.
Marcelo Caribé é o entrevistado dessa edição. Para quem não o conhece é bom saber que o cara é um ilustrador de mão-cheia, tendo já trabalhado na Playboy, Superinteressante, Dragão Brasil, Folha de São Paulo, entre outras. A entrevista está dentro do padrão de autores de quadrinhos, falando sobre origens, influências e afins. Nada demais, mas interessante mesmo assim. Só a diagramação ficou um tanto confusa. Você tem que ir virando a revista para poder lê-la e o resultado não ficou bonito nem funcional.
Temos então “(Re)Lapso” de Jorge Zugliane. Na melhor história da edição na opinião deste escriba, um rapaz que esqueceu sua agenda em um teatro tem que encontrar a moça que a achou em uma lanchonete. Tendo como cenário diversos locais conhecidos de São Paulo, vemos até onde a paranóia humana pode chegar. Já a li umas cinco vezes.
Em seguida vem “O Que Foi Paula?”, de Igor Ras. Uma história surreal sobre uma menina que acorda e percebe que todos ao seu redor viraram desenhos de pauzinho!
A reportagem é sobre Dave Sim, bastante conhecido pela sua criação, “Cerberus”. Vinícius Silva acerta a mão na escolha do tema ao escolher um artista de renome que ainda não teve seus trabalhos publicados fora dos EUA, dono de um bom traço e de uma trama para lá de interessantes. A matéria está bem completa, citando a trajetória do artista e nos dando um resumo de sua obra. O resultado é que você vai querer sair correndo para ler “Cerberus”!
E fechando está edição temos “Amor ao Próximo”, também de Igor Ras. Com um traço mais infantilizado, (melhor e mais estiloso que seu traço nas outras histórias), ele brinca com as pessoas que se preocupam demais com os problemas do mundo.
Portanto fecho dizendo que vale a pena ir atrás desse fanzine. Ele é bem feito, tem HQs com roteiros e desenhos muito bons e ainda duas boas reportagens de canja.
O certo não seria Cerebus?
PS: quero uma cópia disso!
Vou checar e se estiver errado, corrijo…