Para quem não sabe, meu trabalho fixo é em uma loja de HQs (Histórias em Quadrinhos para os leigos) e umas das vantagens de se trabalhar lá é que eu posso levar as obras para casa para ler e depois devolvo. Ou seja, eu leio MUITOS quadrinhos.
Peguei algumas coisas que queria ler fazia um tempo já, obras “undergrounds” como “Omaha“, “Valentina“, “Druuna” e outras coisas mais usuais que queria ler fazia tempo, como a “DC Especial Alan Moore“, “Caçadores” e por aí vai.
Então me descubro um leitor de quadrinhos um tanto quanto clichezento.
Das “undergrounds” acima citadas, nenhuma eu compraria. “Omaha” é legal por tratar de maneira franca assuntos como prostituição e sexo, mas é só. “Valentina” tem bons desenhos e seus roteiros são uma viagem psicodélica, mas nenhum dos dois me empolgou. “Drunna” tem uma das mulheres mais gostosas dos quadrinhos e suas histórias amarram bem ficção científica, sonhos e sexo explícito e sacana. Talvez essa última eu compraria por render boas punhetas, mas é só.
“DC Especial Alan Moore” trouxe uma coletânea de boas histórias, nas quais se destacam aquelas com personagens mais obscuros da DC, como membros da Tropa dos Lanternas Verdes ou o Vingador Fantasma. Todas fudidamente bem escritas, mas li mais porque eram feitas pelo Titio Moore do que por qualquer outra coisa. Se um dia achar isso bem barato, quem sabe eu compre.
“Caçadores” traz alguns de meus personagens favoritos da DC: Arqueiro Verde, Batman e Questão em histórias que exploram o lado mais obscuro desse universo. Nada de supervilões e/ou eventos cósmicos, aqui a coisa é como eu gosto, mais pé-no-chão. Nas primeiras edições tivemos um pedófilo atrás de sua única vítima que sobreviveu, conspirações políticas, conflitos entre amor e obrigação e coisas do tipo. Gostei. Vou comprar, mas de uma edição pra outra não sinto aquele comichão para querer ler o que virá.
Eis que resolvo ler “Liga da Justiça e Vingadores – Edição Definitiva“. É algo feito só para lucrar em cima dos dois supergrupos e mais nada. Todo mundo sabe que eles vão se enfrentar até descobrir a ameaça comum, então farão as pazes e socam o babaca. Simples. Para piorar, cada grupo iria ser de uma dimensão, o tipo de “crossover” que odeio. Mas como é lançamento, tem um monte de comprando e eu curto conhecer as coisas que vendo, comecei a ler.
Logo de cara, mais dois clichês. Uma introdução de Stan Lee e outra de Julius Schwartz! O Stan ainda tem a cara de pau de falar que eles vão se socar e fazer as pazes depois! Apreciei a sinceridade, mas mesmo assim…
O roteiro é de Kurt Busiek e ele trabalha bem dentro do gênero de super-heróis, totalmente ruim o roteiro não seria. Ainda mais porque o desenhista era o Sr. George “Uso Camisas Floridas” Pérez, um cara mega detalhista e que sabe transpor de maneira “realista” os heróis que desenha.
Mas eis que vejo que o traço dele está um pouco mais refinado que o normal. Mais detalhista que o usual. Toda uma atenção em sobrancelhas, cabelos, olhos. A primeira aparição dos Vingadores na página 28-29 me pegou de surpresa. Perdi bons minutos observando os detalhes dali (incrível como ele deixa a Feiticeira Escarlate gatíssima!). O traço já havia me fisgado.
Mas e a história? Estava bem amarrada, fluindo legal, respeitando a peculiaridades de cada personagem e universo. Foi engraçado ver Superman & Cia chocados com coisas como a Latvéria, Genosha e o Batman espancando o Justiceiro, assim como Capitão América e os seus espantados em como a Liga da Justiça é bem aceita em seu mundo, com direito à embaixadas, museus para seus heróis e coisas do gênero.
Então quando os dois supergrupos se encontram frente a frente e Thor manda seu martelo na fuça do Superman com as palavras “Vinde Vingadores, mostremos a esses biltres o que pensamos deles!” eu vibro como um moleque e não paro de ler até chegar ao fim.
Sim, é clichezento, mas é bom demais!
Acho que foi o Mario quem me disse uma vez que não interessa se a história é original ou não, mas sim se ela é bem contada. E nesse caso ela é muito bem contada e muito bem desenhada.
Ela não vai mudar sua vida. Não vai te acrescentar nada. Não vai te fazer ficar filosofando sobre assunto algum. Mas vai te garantir bons momentos de diversão e acho que isso a torna ótima!

meu, “valentina” ser “underground” é boa ein!?
mas tá, eu até entendo que não é tão mainstream, a tah, quer saber, foda-se os rótulos!
pago um pau para Valentina acho que mais pelo desenho mesmo… mas bom, eu sou um desenheiro, né!
Por issmo mesmo a palavra underground está entre aspas…
Abraços e valeu o coment!!
eu pensei que tava entre aspas por ser uma palavra estrangeira, ou qualquer coisa assim…