Manifesto em Defesa do Verdadeiro Movimento Emo (seja lá o que ele for…)

“Qual a diferença entre um emo e um clubber?
Coloque os dois em um quarto escuro.
Se brilhar, é cluber.
Se chorar, é emo”
- Autor Desconhecido

(Texto escrito em momento meio a uma Tempestade Cerebral. Tenham noção de que autor optou por escrever ao invés de almoçar, fumar ou bater punheta)

Lembre-se dos “punks” que vemos ao ir ao Cervejazul. Dos “góticos” que lotam o Theatro dos Vampiros e o Madame Satã. Ou dos “hippies” que infestam as faculdades. E por que não dos “wiccans” que fazem rituais no Parque Trianon?

Alguns de nós sentem pena dos “entre aspas” acima. Outros acham engraçado e tiram sarro deles. Alguns realmente os acham desprezíveis. Poucos os odeiam com todo o âmago do seu ser. Mas todos adoramos falar mal deles.

E por que?

Porque eles pegaram o visual e o que acham que é a idéia principal de um movimento e pura e simplesmente copiaram sem entendê-lo, assim acreditando que fazem parte dos mesmos.

Os “punks” vestem couro e coturnos e chutam tudo que pertence ao Sistema (seja lá o que isso signifique para eles). Os “góticos” adotam vestimentas vampíricas, são melancólicos e fazem visitas noturnas a cemitérios para beberem vinho barato e transarem. Os “hippies” de faculdade se vestem de maneira brega, fumam maconha e querem transar com todo mundo. E os “wiccans” se vestem como alunos de Hogwarts, colecionam títulos de origem duvidosa e querem poder para falar que têm poder.

Todos os exemplos acima são deturpações de movimentos musicais/culturais/sociais. Excluí os clubbers até agora nesse texto porque ao meu ver eles são um movimento puramente sonoro/estético sem nenhuma filosofia profunda por trás disso. Pelo menos são sinceros.

(Sim, existem que existem “n” teorias comparando os clubbers, com sua tatuagens, piercings, danças e batidas eletrônicas aos índios, mas meu foco aqui é outro).

Voltando ao assunto, apesar de não podermos provar empiricamente quando alguém se encaixa nessas tribos ou não, temos informações o suficiente para diferenciar os paga-paus de quem é “true”.

Aqui que entra minha teoria: o que nós chamamos de Emo é a deturpação de um movimento que foi assimilado e deturpado tão rapidamente que nem chegamos a conhecer o movimento “original”!

E agora, quem poderá nos esclarecer?

13 Respostas para “Manifesto em Defesa do Verdadeiro Movimento Emo (seja lá o que ele for…)”


  1. 1 Raul O'Bedlam

    Texto legal.
    Mas sério devemos admitir que ser um verdadeiro pseudo(soa contraditório eu sei.) é uma arte.^^

  2. 2 jan

    Ai, mas realmente precisa de esclarecimento?
    oO

    hehehehe

  3. 3 Ju

    Muito bom, muito bom :D

    ahahhahaa

  4. 4 rev. Beraldo

    Pode ser, mas qual o movimento original do qual saiu o emo? Às vezes, a coisa já nasce deturpada ou sem sentido.

  5. 5 Rê***

    Não sei os emos lá fora, mas para mim, que os emos daqui do Brasil, aparentam ser uma mistura de clubbers, com punks e góticos, com uma pitada de black metal (????) tão misturada, que nem eles mesmos sabem explicar de onde vieram e para onde vão, se é que isso faz diferença.

    em tempo, não estou levando em conta o teorema da “diferênssia’, onde calculamos que existe muita pouca diferença entre a “diferênssia” e a diferença!

  6. 6 Mário Henrique

    Agora eu entendi a piada do Dr. Pepper.
    http://blog.drpepper.com.br/2008/08/07/como-diferenciar-um-emo-de-um-clubber/

    E sobre o movimento emo e tudo o mais, eu já tentei lhe explicar uma porrada de vezes, mas nunca fui muito bem compreendido. O que a gente chama de emo é realmente a deturpação, e os caras que foram os true emos são hoje aqueles que dizem gostar de rock alternativo. Se você pegar algumas bandas como At The Drive-In, AFI, Funeral for a Friend e A Static Lullaby, verá que todas tem mais de 10 anos de existência. O que fodeu tudo, realmente, foi a pivetada que começou a imitar os cortes de cabelo, roupas e maquiagem – levando-as ao extremo (do ridículo). A mesma coisa acontece com outros estilos musicais, só que o nível de grotesco da pivetada emo é tão grande que realmente dá uma vontade absurda de espancá-los. E eu não duvido nada isso ter começado pelos próprios “true” emos, que odeiam paga-paus.

    Um termo para descrevê-los é Klippoth, que significa algo como concha, envólucro. Na Cabala, a Klippoth é aquilo que contém a essência de cada Sephiroth, mas não é a Sephira em si. O termo é usado comumente para descrever o vazio de uma Sephira sem a sua essência. Desta forma, os cabalistas descrevem seus demônios.

    Agora licença que eu vou por minha roupa de Hogwarts e ir pro Trianon.

  7. 7 Iêda

    Nem todas as pessoas que pertencem as respectivas tribos desconhecem o significado das mesmas, pode ser uma identificação pessoal com um estilo de arte e um estilo de vida, e portanto respeitem os mesmos, pois se conversarmos com eles comprovamos que são muito mais inteligentes do que os tipos “normalzinhos”, só que são mais criativos, mais jovens, mais contestadores, querem curtir a vida, chamar a atenção através de gritos visuais, é muito fácil analisar o outro sem conhecê-lo realmente.

  8. 8 alessio

    Hã… Eu desrespeitei alguém???

    Eu não acredito q pessoas q pura e simplesmente querem “chamar a atenção através de gritos visuais” sejam necessariamente mais contestadoras, mais inteligentes e mais criativas q o “normaizinhos”…

    Aliás, se vestir como alguma tribo sem saber o q vc está fazendo nem o pq para mim é mais um sintoma de burrice.

    E acho melhor vc reler meu texto antes de dizer q saí julgando a torto e direito…

  9. 9 Luís Guilherme

    AFI, Funeral for a Friend e A Static Lullaby não são Emotional Hardcore!!

    As bandas emo pré-2000 que eu conheço são Rites of Spring, Embrace, Fugazi, Jawbreaker, Hot Water Music, Small Brown Bike, Jawbox, Sunny Day Real Estate, Cap’n Jazz, Knapsack, The Gloria Record, Christie Front Drive, The Appleseed Cast, At the Drive-In, Braid, Mineral, Quicksand Slip, American Football, Joan of Arc, Texas Is the Reason, Jimmy Eat World, The Promise Ring e The Get Up Kids. Convencionou-se chamá-las de Real Emo (o antônimo de Fake Emo).

    Emo é uma melódica, expressiva e confessional forma de punk rock que surgiu por volta de 1985/1986 – o ‘Revolution Summer’ -, a sua terceira geração (a segunda é o Hardcore Punk, a quarta é o que chamam atualmente de “emo” e está mais centrada na estética, na moda e numa sonoridade mais pop, e reflete os alienados tempos modernos que destruiu todos os movimentos citados no texto).

    Foi a combinação de vários gêneros, o Post Hardcore, o Hardcore Punk e o Melodic Hardcore, numa forma de mídia independente de gravadoras, ou que só funcionava com gravadoras independentes (o Indie Rock, nada a ver com o que chamam atualmente de indie – Arctic Monkeys, Oasis, Placebo – que é puramente comercial, na verdade um rótulo apenas para chamar atenção), e com o tempo, o Pop/Punk, pois o Emotional Hardcore foi ganhando contornos cada vez mais líricos, românticos e sensíveis com o passar dos anos 90, porém sem abandonar suas origens (a polêmica atual é se o que abandonou demais as origens tornando-se um mero Pop/Punk pode ser chamado de Emo, na minha opinião, NÃO).

    Então, o que a galerinha fã desse gênero fazia? O Emotional Hardcore surgiu quando jornalistas e leigos criticaram a banda Embrace, uma das sucessoras da pioneira Rites of Spring, dizendo que seu tema lírico/romântico era um Hardcore emocional que se afastava da proposta mais militante original do HC. O Hardcore Punk Old School era bem diferente. As propostas deles eram parecidas com as dos punks, pregar a anarquia, combater tabus e preconceitos, arranjar confusão, coisas rebeldes e intelectuais, e não falar das emoções, angústias e experiências mundanas. E o que eu quero dizer com crítica? “Vejam Embrace e Rites of Spring, elas falam de amor, de ódio, de amizade, de traição, de depressão, de morte, de suicídio, de macumba, da droga que seja, esse bando de emotivos não são Hardcore, isso é banda de alienado, vamos isolá-los”. O termo surgiu como uma OFENSA.

    Os anti-emos, nessa época, não estavam completamente errados. Não que eles não sentissem emoções ou na época tivesse um estereótipo homofóbico sobre nós, é que o Hardcore tinha outra função. Eles viviam [e vivem] numa das sociedades mais individualistas, moralistas e preconceituosas de todo o Ocidente, a dos Estados Unidos. Se alguém quisesse ouvir Emocore, que fosse fazer isso longe deles.

    E fomos. Até cerca de 1992, o Emocore (que surgiu em 1985) era apenas uma pequena cena alternativa DENTRO DO HARDCORE. Os fãs de Emocore eram exatamente os mesmos fãs de Hardcore Punk, só que davam atenção ao gênero porque não tinham preconceito quanto à ausência de ideologia do Emocore.

    Daí, o Emotional Hardcore foi ficando mais lírico, romântico e sensível, talvez só por causa do nome. O estereótipo de quem ouvia isso era um menino nerd, com óculos de aro grosso, corte de cabelo fora de moda, camisa xadrez, que eram motivo de bullying e discriminação na época”’ (apesar de ainda sofrerem, os nerds não são mais desprezados por quase todas as pessoas que não eram assim), esses meninos geralmente eram românticos, poéticos e sensíveis, mas eram desprezados pelas garotas por quem se apaixonavam. Sim, o “segundo estilo emo” era nerd.

    Quando surgiu esse atual e terceiro “estilo emo”, o gênero não estava mais com pegada Hardcore. Na verdade ele estava enjoado. Algumas bandas até falavam apenas de temas adolescentes extremamente fúteis, só para vender mesmo, não falavam de amor, amizade de uma forma poética, romântica (bandas adolescentes geralmente são só aparências, como Restart por exemplo que é o KLB da nova geração mas chama atenção pelo estilo e porque são bonitos, eu tenho um treco quando chamam os fãs disso de emos).

    Na realidade, o Emocore tinha morrido quando surgiu isso. Quem usa essas roupas, esses acessórios, esse corte, geralmente são pessoas que nem Emocore ouvem, ouvem sim um tipo de Pop/Punk renomeado de Emocore porque o rótulo hoje em dia chama atenção, existem fãs posers que não sabem nada sobre o assunto, e a mídia não ajuda divulgando informações errada. Não se enganem. Emocore além de ter instrumental Hardcore (coisa que Simple Plan, Tokio Hotel e afins não tem), deveria ter uma essência artística e romântica mais sincera.

    Eu acho esse negócio de estilo uma grande bobagem. Sabe, existe uma função de identificação nisso com os punks, os fãs adaptaram sua forma de ver o mundo à moda e à forma de se comportar, a ideologia punk era quebrar tabus por meio do choque e da utilização do bizarro, por isso começaram a usar penteados exagerados e roupas destruídas e sujas (criticando o consumismo).

    Já quando isso é só para alimentar uma futilidade, sem nenhum ideal de vida ou proposta em comum, fica apenas mostrando como os seguidores são alienados e superficiais. Mesmo com os “emos” isso é válido, porque não há nenhum motivo em querer se integrar como parte desse grupo, “emo” significa em tese simplesmente alguém que ouça Hardcore sem ideologia, não necessariamente romântico ou depressivo.

    Por isso, se é pra me vestir como pessoas que podem ser completamente diferentes de mim, e ficar com a minha individualidade, eu prefiro a última. Só não faço juízo de pessoas com isso, porque preconceito é uma coisa horrível. Mas que acho fútil, acho. Então, não existe alguma ideologia muito comum para chamar o Emo de “movimento”. E é por isso mesmo que acho que tanto emos quanto anti-emos são causas tolas. Vamos simplesmente ouvir música. E que seja boa e sincera. :)

  10. 10 Luís Guilherme

    Caramba, falei muito!! Ninguém vai ler. xD

  11. 11 alessio

    Cara, MUITO FODA seu comment. Posso colocar como um post aqui no site? Devidamente creditado, é claro…

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