“Você quer saber sobre eleição. Eu tô aqui pra falar sobre eleição.
Faz de conta que você tá em uma imensa boate subterrânea cheia de pecadores, putas, malucos e coisas inomináveis que estupram pit-bulls só de farra. E você não pode sair, não até que todo mundo vote no que vocês vão fazer esta noite.
VOCÊ que pôr os pés pra cima e assistir a reprise do seu seriado favorito. ELES querem trepar com uma pessoa normal usando facas, revólveres e novos órgãos sexuais que você nem sabia que existiam. Então você vota na TV, e o resto, até onde você consegue enxergar, vota em te comer com canivetes.
Isso é eleição. Bem-vindo.”
- Spider Jerusalém, Transmetropolitan
Warren Ellis disse uma vez: “Não sou maluco por política. Acontece que a política é um dos poucos esportes de arena para o qual eu tenho tempo”. Concordo com ele, com a exceção de que sou maluco por política sim. Grande parte da população mundial vibra a cada 2 anos com a Copa do Mundo e com as Olimpíadas. Eu vibro a cada 2 anos com as Eleições Municipais e Federais.
Meus irmãos são malucos por futebol. Acompanham as tabelas dos campeonatos, quem vai para qual time e assistem Sport TV e ESPN o dia inteiro. Já eu pego os cadernos de política dos jornais, assisto TV Senado e TV Câmara e acompanho a campanha política com afinco.
E por que isso? Bem, mesmo não praticando esportes com regularidade, eu consigo apreciar a beleza de um bom jogo de futebol. Boas jogadas, estratégias… Até tenho momentos de histeria quando acompanho jogos do meu time, o São Paulo Futebol Clube. Mas tenho plena convicção de que tudo isso é mera diversão, circo. São as nossas arenas romanas modernas. E tem a mesma função que sempre tiveram: distração e catarse. Vemos pessoas se reunindo em protestos contra técnicos, vemos pessoas literalmente se matando pelos seus times. E eu vejo energia sendo mal-canalizada.
Digo isso porque por mais que me irrite ver o São Paulo perder, isso não influencia em nada a minha vida. Eu não pago o salário dos jogadores. Não participo do processo de escolha de ninguém no time. E dependendo do desempenho dos atletas e comissão técnica, tudo muda em questão de meses.
Já na política a coisa é bem diferente. Por mais questionável que seja, temos sim participação direta na escolha de quem vai ocupar as cadeiras. Só que se a gestão de quem colocarmos lá não estiver a contento, é bem mais complicado tirar o maldito de lá. E se gestão do cara for uma porcaria, as conseqüências são bem mais graves do que seu time cair para a Segunda Divisão de qualquer campeonato que seja.
“Mas para qual time então você torce na política?” – perguntam meus fiéis leitores. E eu respondo de bate-pronto: nenhum. Sendo bem sincero eu vou anular meu voto pela terceira eleição consecutiva (esse é um assunto que explicarei melhor em outra coluna). Mas mesmo assim fico atento ao que rola, afinal, independente de quem ganhar, teremos que aturar os sujeitos no mínimo por quatro anos. Eu tendo votado ou não. Sendo os sujeitos os meus candidatos ou não. Por isso concordo plenamente com as palavras de Spider Jerusalém que abrem esse texto. Acompanho tudo que rola sim, nem que seja para poder xingar os políticos com mais propriedade.
Eis a razão pela qual sou maluco por política: é nela que reside o verdadeiro poder. É nela que temos o poder de mudar algumas questões que influenciam nossas vidas. E se você acompanhar essas eleições com o mesmo espírito com o qual acompanhou a olimpíadas, garanto que vai se divertir o tanto quanto, ou até mais, já que os personagens dessa tragicomédia da democracia brasileira são muito mais bizarros e engraçados.
esperando sua explição numa outra coluna, sobre os motivos de você anular sew voto pela 3ª eleição consecutiva…
quando você militava no m.e. devia “torcer” pralgum “time”…
É muito fácil entender porque se anula um voto no Brasil, dificil é entender porque criticar todos criticam mas a cada dois anos a palhaçada se repete; eu sei que é impossivel agradar a todos , e conheço todos os fatores que impedem a evolução politica nacional, não entendo o comodismo alheio;