Quando Surgem as Dúvidas – Parte 15

O policial começa a se irritar:

- Qualé a tua? Quer ir pra parede também?

É o sujeito que sorri agora:

- Acredite, isso só iria prejudicar a sua pessoa…

Finalmente o oficial se irrita e saca sua arma:

- Tá certo então, machão! Pra parede agora!

Dito isso, o sujeito fixa seus olhos nos olhos do guarda, que dá um grito de puro horror, deixa sua arma cair ao chão e sai correndo. O parceiro dele presencia a cena e aponta a arma na direção do homem enquanto grita:

- Deita no chão e põe as mãos na cabeça!

Ele não se mexe:

- Não. Quem dá as ordens aqui sou eu. Solte a arma e não se mexa.

Para o espanto de todos. O policial obedece. O homem então caminha em direção dos quatro, que estão espantados e diz, sorrindo:

- Um pouco de hipnotismo ajuda nessas horas, não?

Eles não falam nada. O sujeito insiste:

- Não vão agradecer seu salvador?

Fabiana responde, sem graça:

- Bem… A gente não te conhece…

- Mas que falha a minha! Sou conhecido como Santyago, minha cara. – ele estende sua mão para a garota, que iria retribuir o gesto, mas é impedida por Jacó.

- Não!

Ela não entende e pergunta:

- O que deu em você?

Jacó parece assustado:

- Não sei… Esse… esse cara tem algo estranho!

Santyago ri e diz:

- Ora, é normal temermos o que não conhecemos. Mas tudo bem. Meus negócios não são com todos vocês, só com a sua amiga ali. – e aponta para Aline.

Fabiana, sem entender nada, pergunta:

- Como assim? Você conhece a Aline?

- Pode se dizer que… sim, eu a conheço.

A garota fica desconfiada:

- Pode se dizer? Aline, você conhece esse cara?

Ela, hesitante, responde:

- Bem. Que eu me lembre, não. Mas como eu não me lembro de nada… Ah! Sei lá!

Santyago se aproxima de Aline:

- Bom, o que me interessa é que a partir de agora essa mulher está sob minha tutela e virá comigo.

Ele vai pegá-la, mas é impedido por Fabiana, que fica entre os dois:

- Não senhor! Até explicar direitinho o que está acontecendo, ninguém sai daqui!

O sujeito suspira, agarra a garota pelo braço e diz:

- Menina,está começando a me irritar…

Mas Santyago é surpreendido por André, que o agarra pelo colarinho e grita:

- Qualé qui é, hein cara? Cê chega aqui do nada e quer vim mandando! Melhor baixar a bola, por que senão vai sobrar pra você! E olha como fala com a Fabiana na minha frente, certo?

O homem finalmente se irrita:

- Mortal idiota! Como ousa me ameaçar!

André sente que se deu mal, mas, antes que possa esboçar uma reação, recebe um tapa e desmaia. Fabiana tenta ajudá-lo, porém, é interrompida por Jacó:

- Calma Fabiana. Esse cara é mais do que parece…

Santyago observa André desmaiado e esboça um sorriso. Vira-se para os outros e diz:

- Não sei se lhes disse, mas a viagem até aqui e a busca por nossa amiga me deixou um tanto quanto entediado e faminto. Já estou tendo diversão. Agora, vamos resolver o segundo problema.

Então ele se ajoelha ao lado de André, agarra sua cabeça e deixa seu pescoço a vista. Para o espanto de todos, Santyago abre sua boca e exibe dois enormes caninos, que são enterrados no pescoço da vítima. Jacó e Aline ficam estáticos, Fabiana grita:

- Um… um vampiro! Meu Deus! André!

Jacó se recupera do susto, pega as mãos das duas e ensaia correr, mas Fabiana tenta não ir:

- Não! O André! Ele… ele…

O rapaz começa a se apavorar:

- Aline! Me ajuda, pelamordedeus!

- Hã… tá bom!

Com sua ajuda, os três saem correndo. O vampiro, assim que tira os dentes do pescoço do garoto, vê os outros dobrando uma esquina. Calmamente, se levanta, tira um lenço do paletó e limpa a boca. Só depois que vai atrás deles enquanto pensa: “Está certo. Vamos brincar de gato e rato. Vai ser interessante…”.

(continua…)

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