O Mestre das Armas

Os três caminham pela mata fechada, com árvores altas que só deixam passar raios do Sol, que brilha acima da floresta. Um dos três é um oriental de olhos puxados, careca, trajando vestes azuis, tem uma mochila a tiracolo e uma faixa branca amarrada na cintura. Ele caminha na frente, com sua espada kataná em punho. Cada passo é cuidadoso, evitando fazer qualquer barulho sobre o solo coberto de folhas secas. Logo atrás vem uma criança de treze anos, olhos e cabelos castanhos. Veste uma armadura de couro e segura uma espada curta. Cuidando da retaguarda, temos um sujeito de longos cabelos e barba comprida, ambos castanhos. Também veste uma armadura de couro e segura uma maça em uma mão e um escudo na outra. Seria um sujeito normal, mas possui uma longa e grossa cauda! Abrindo um sorriso, o barbudo fala para o oriental:

- Ei, Akira! Apesar de não sabermos nada sobre nossa mestra, ela é bonita pra caramba, né?

Akira se vira e pára, sério:

- Tazloy, não sei ao certo como nem porque viemos parar nessa ilha, mas com certeza não foi para isso! Se concentre no que temos que fazer!

O garoto resolve falar:

- Calma Akira! Já cumprimos a tarefa que ela nos passou! Passamos um mês na floresta e estamos voltando vivos pra cabana dela. Não precisamos ser radicais. O pior já passou. Certo Tazloy?

- Com certeza. – ele concorda.

Akira não se dá por vencido:

- Escute Luk. Você está sob minha tutela, se lembra?

- O quê? Agora sou aluno de Lady Elek! Ou já se esqueceu que ganhei aquele duelo contra você com um único golpe?

- Ora, aquilo foi sorte! E além do mais… – mas Akira pára de falar e se volta para o céu.

- O que foi? – pergunta Tazloy.

- Esse barulho… Parecem asas… algo bem grande.

Os três então vêem um enorme vulto passar por cima deles. Assustado, Luk pergunta:

- O que era aquilo?

- Não sei! – responde o oriental. – Mas está indo em direção à cabana de nossa sensei! Vamos!

Eles correm o mais rápido que podem em direção à clareira onde fica a cabana de sua mestra e, quando chegam ao local, a identificação do vulto os assusta: um enorme dragão de escamas negras. Alguns pequenos chifres saem das laterais de sua cabeça, seguidos por dois chifres bem maiores que saem do alto dela. Mas há algo que os surpreende mais. Um sujeito com uma armadura de placas completa de cor lilás, um elmo que não permite ver seu rosto e capa verde, segurando um escudo do tamanho de um homem, está, com uma mão, levantando Lady Elek. Ela, uma linda elfa de pele morena, olhos e longos cabelos negros, orelhas pontudas e trajando uma simples veste de couro, tenta se livrar da potente mão que aperta seu pescoço, mas não consegue. Após alguns minutos, desmaia, provavelmente morta por sufocamento. Só então os três se recuperam. Akira é o primeiro a fazer algo, correndo em direção ao sujeito de armadura, enquanto grita:

– Shinê!

O homem de armadura nota a aproximação do bravo guerreiro, mas permanece parado. Akira então desfere um poderoso golpe com sua espada bem no peito do adversário, mas percebe que sua espadada sequer arranhou a armadura de seu inimigo. Este, com uma voz poderosa, diz:

- Tolo! Achou que poderia me derrotar?

Akira então toma um tapa que quase arranca sua cabeça e desmaia.

Quando acorda, sentindo uma enorme dor, encontra Tazloy desmaiado junto a uma árvore. Procura por Luk, mas não o encontra em lugar algum. O enorme dragão negro ainda está no lugar em que pousou, mas ele não parece se importar muito com a presença de Akira. Então ele corre até Lady Elek. Ajoelhando-se e levantando a cabeça dela, ele pergunta, preocupado:

- Sensei! A senhora está bem?

Ela abre os olhos e diz, com esforço:

- Akira… minhas armas… na cabana… pegue… – e desmaia novamente. Ele tenta acordá-la, mas não consegue.

Resolve pegar as armas na cabana e, entrando nela, encontra mais uma vez o sujeito de armadura. Ele se encontra pegando todas as armas que estavam penduradas na parede e as está colocando em uma grande sacola de pano. “Será que ele sabe que essas armas são mágicas?” – pensa Akira. Mas então o oriental tem um plano. Pega uma corda na sua mochila e faz um laço, enquanto aguarda que seu adversário acabe de recolher as armas. Assim que ele acaba, Akira joga sua corda e enlaça a sacola, puxando-a com toda sua força. O vilão, surpreso, vira-se e, mais surpreso, diz:

- Já despertou? Acho que lhe subestimei… Mas isso não acontecerá novamente!

E para o espanto da Akira, um enorme martelo de guerra se materializa na mão de seu inimigo. Como se isso não bastasse, ele ainda vem voando em sua direção! Pensando rápido, nosso herói tira o laço da sacola e espera o sujeito se aproximar. Quando ele está bem perto, Akira se desvia pulando para o lado e arremessa o laço em um dos pés do vilão. Mais uma vez puxando com força, usa contra seu inimigo o próprio impulso do vôo e o arremessa contra uma das paredes da cabana, que desaba com o impacto. Aproveitando o tempo que ganhou, pega a sacola e começa a correr o máximo que pode. Mas não ganhou tanto tempo assim, pois mal Akira se aproxima da floresta, seu adversário já se encontra voando vários metros acima do chão.

- Maldito! Agora me irritou de verdade!

E ao fim dessas palavras, de seu martelo sai um raio em direção ao oriental, que apesar de desviar do raio, é arremessado longe pela explosão que ele causa. Mas, para a sorte de Akira, é arremessado em direção a floresta. Ele se levanta rápido e continua a correr. Após uma boa corrida, já considera que despistou o vilão. Mas então o mesmo se materializa na sua frente! Levanta-se e começa a correr na direção oposta, mas ele surge na sua frente de novo! Vira para outra direção, mas seu adversário já está lá! Sem saída, enfia a mão em seu bolso e retira uma bomba de fumaça, que atira ao chão. Usufruindo a chance, Akira se esconde em um tronco de árvore que, apesar de oco, permanece em pé. Um pequeno buraco o permite ver o que acontece do lado de fora. Com um gesto, seu inimigo dispersa a fumaça e começa a olhar atentamente em volta. Quando o sujeito de armadura bate o olho no tronco onde Akira está escondido, começa e vir em direção a ele! Amaldiçoando seu azar, o guerreiro começa a subir pelo tronco, para fugir por cima dele, mas um golpe de martelo derruba seu esconderijo e acaba com seus planos. Quando já está quase saindo, o martelo destrói parte do tronco, a centímetros da cabeça de Akira! Desesperado, ele começa a recuar, com o martelo batendo cada vez mais perto. Finalmente sai, e encontra seu inimigo em pé na sua frente.

- Deveria matá-lo. – ele fala, fazendo um frio percorrer a espinha do oriental. – Mas você se mostrou um adversário inteligente. Portanto, irei poupá-lo. Só peço que me entregue as armas.

Akira se levanta e diz, com firmeza:

- Nunca! Terá que me matar!

- Você pediu por isso.

E com um golpe de seu martelo, o vilão derrota Akira.

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