Os animais da Floresta de Darkwood se encontravam inquietos e assustados. Não é todo dia que uma comitiva de quase trinta humanos a cavalo atravessa essas terras de grama verde e numerosas árvores. Pareciam pertencer a um exército, já que quase todos usavam a mesma armadura de placas completa e um escudo com uma letra C estilizada. Na frente de todos estavam quatro sujeitos e estes usavam roupas diferentes. O que ia mais a adiante tinha um ar de nobreza e usava belas vestes azuis. Seu cabelo negro e liso está cortado reto na altura do queixo, tem um fino cavanhaque e porta um florete a tiracolo. Ele é ninguém menos que Barinjhar, príncipe da cidade-estado de Chalice. O nobre suspira e diz:
- Meu caro Morval, ainda não posso acreditar no que aconteceu. Minha noiva raptada por um feiticeiro maligno!
Morval, um homem na casa dos quarenta, com a barba por fazer e chefe da guarda de Chalice, veste uma armadura similar à dos soldados, só que mais ornamentada. Olhando com uma certa vergonha para seu superior, fala:
- Eu também não, ó príncipe. Esta estrada nunca teve problemas, a não ser pelo ocasional ataque de lobos ao gado da região. Quem poderia imaginar que justo no dia em que levávamos a princesa Sarissa, filha do regente da cidade-estado de Salamonis, seríamos atacados?
- Isso não interessa! – diz o príncipe. – Deveria estar preparado para situações como essa!
- O ataque foi muito bem planejado, senhor. Viajávamos tranqüilamente quando um bando de goblins surgiu das árvores ao lado da estrada. Não nos intimidamos e fomos fazer o que tinha de ser feito: matá-los. Já fizemos isso diversas vezes, é quase uma manobra de rotina – o capitão fica com o semblante pesaroso. – Foi então que aconteceu. Enquanto lutávamos com aquelas asquerosas criaturas, apareceu no ar um feiticeiro montado em um grifo! Ficamos pasmos e ele destruiu a carruagem que levava sua noiva, erguendo-a pelas patas e subindo em direção àquela torre. – e aponta para uma sinistra construção no alto de uma colina. – Ainda mandei meus homens preparar os arcos, mas quando nos livramos dos goblins já era tarde. Ele será um oponente astuto.
O príncipe continua irritado:
- Eu não preciso ouvir essa vergonhosa história novamente! Só sei que, como o maldito feiticeiro não manifestou sobre suas reais intenções e o porquê deste ato nefasto, devemos resgatar minha adorada noiva.
O capitão comenta:
- Mas não sabemos se nossos homens serão páreo para os poderes desse feiticeiro!
Barinjhar abre um sorriso:
- Por isso mesmo que contratei esses dois bravos heróis!
E ele aponta para os sujeitos que cavalgavam atrás dele. Um deles era um senhor na casa dos quarenta, gordo, com um bigode marrom reto. Trajava um peitoral de ferro, um elmo com uma pena branca, um escudo metálico e uma bela espada longa ornamentada. O outro era um jovem com seus vinte e poucos anos, cabelos castanhos penteados para trás, vestia uma armadura de couro e portava uma espada e um escudo. O príncipe prosseguiu com sua fala:
- Enquanto nós iremos pela porta da frente da torre para negociar com o feiticeiro, quando na verdade o estaremos mantendo ocupado, esses dois corajosos homens irão entrar na construção por uma caverna aos pés da montanha. Essa entrada secreta foi revelada pelos deuses a nossos sacerdotes. Através dela, e desses homens, minha amada será resgatada! Correto, Sir Hamilton?
O cavaleiro de elmo enche o peito e responde:
- Com toda certeza, nobre senhor! Eu e meu fiel escudeiro enfrentaríamos até o próprio mago, se necessário! – ele saca sua espada e a brande no ar.
- Fico feliz ao ouvir essas palavras. – fala o príncipe. – Agora sei que contratei os melhores homens do meu reino.
Todos cavalgam por mais um tempo, até que param ao pé da colina. No alto dela se encontra uma torre feita de pedra, apontando para os céus como um dedo nefasto. Os cavaleiros ficam observando-a, como se estivessem imaginando o que fossem encontrar em seu interior. Por fim, Barinjhar anuncia:
- Aqui nos separamos, bravos guerreiros. Que Titan olhe por vocês!
- Em frente homens! – grita o capitão da guarda, e o príncipe mais seus homens cavalgam colina acima. Sir Hamilton olha para seu escudeiro e diz:
- Mário, vamos para a caverna!
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Os dois heróis cavalgam por meia hora em uma trilha a muito não muito usada e chegam a entrada da caverna, que está coberta com algumas folhagens. Mário desce de seu cavalo e examina o local, dizendo:
- A caverna está escondida. Se o príncipe não nos tivesse dito que se encontrava aqui, nunca a acharíamos. – ele retira as folhas. – Ela é muito escura, vamos precisar de tochas. Sir Hamilton?
O escudeiro se vira e percebe que o cavaleiro está rezando. Mário suspira, aborrecido.
- SIR HAMILTON!
- AAAHH! O-o que foi? Goblins? – ele saca sua espada, assustado.
Mário suspira mais uma vez.
- Escute aqui, Hamilton. – ele fala, taxativo. – Não tenho culpa que você é um farsante e nunca lutou em toda sua vida. Mas agora estamos em uma missão e não sabemos o que nos espera caverna acima e torre adentro. Portanto, se não quiser morrer, fique atento de agora em diante e siga minhas instruções! – o escudeiro fica mais calmo. – Amarre sua montaria em algum lugar, ela não nos acompanhará pela caverna. E acenda uma tocha.
- C-correto. Mas fico pensando se minha honra vale mais que minha vida…- responde o nobre.
Mário se vira para seu cavalo, um magnífico garanhão branco e fala em seus ouvidos:
- Não vou te amarrar, Vahla. Só aguarde meu retorno.
O cavalo relincha, como se tivesse entendido o que seu dono falou. Sir Hamilton finalmente acende a tocha. “Nem isso esse idiota sabe fazer! E pensar que sou ‘escudeiro dele. Pelo menos, paga bem” – pensa Mário. Ele ajeita sua mochila nas costas, saca sua espada, verifica o fio e arruma o escudo. Se vira para seu “mestre” e diz:
- Vamos! – eles adentram na caverna.
(baseado no livro “Dungeoneer”, de Marc Gascoigne e Pete Tamlyn. Esse livro por sua vez é baseado no cenário de RPG “Aventuras Fantásticas”, desenvolvido por Steve Jackson e Ian Livingstone. Por sua vez esse romance também de baseia em uma campanha de RPG que no seus primórdios só contava comigo e o Mario jogando.)
Nossa, esse escudeiro é realmente fodão!!!
ÊÊÊÊÊÊÊÊÊ – Queremos mais!!!