“A política é a arte de impedir as pessoas
de participar de assuntos que são do seu interesse.”
- Paul Valéry
Quando comentei em outro texto deste site que ia anular meu voto nas eleições municipais deste ano, alguns leitores me pediram maiores explicações da minha parte. Resolvi então que iria revelar minha opção pelo anarquismo e pela autogestão. Acontece que usar termos como esses hoje em dia não gera reações muito positivas, seja pelas risadas efusivas ou pelo descaso pela minha “inocência política”.
Já que iria me definir como anarquista, seria melhor então contar minha trajetória política para que minha opção não soasse pueril e descontextualizada. Já estava na terceira página da minha trajetória política quando notei duas coisas: a primeira é que um texto juntando a história com minhas impressões iria ficar tão longo que teria que dividi-lo em mais de uma parte. A segunda é que eu estava na verdade era punhetando em cima das coisas que fiz. Então apaguei tudo e resolvi ir para questões mais práticas.
(Se um dia a massa dos meus leitores resolver ler a referida punheta político-textual, peçam que eu publico).
A principal questão para eu anular meu voto é que o dito sistema eleitoral brasileiro é de tal maneira mal-feito que permite o monte de fatos absurdos que vimos nessa eleição. O sistema de alianças entre partidos define desde o começo quem está realmente disputando uma eleição e quem está lá meramente para “parecermos democráticos”.
Tomemos São Paulo como exemplo. Quem estava no páreo DESDE O COMEÇO eram Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM). Eles tinham mais tempo na TV. Tinham mais recursos (vindos saba-se lá Deus daonde). Tivemos surpresas? Ô se tivemos, mas elas se ativeram a esses três nomes. Porém voltando ao assunto, o preço dessas alianças que permitiram todos esses ganhos dos acima citados foi alto, conforme já mostrado. E falemos sério, tirando uma ou outra perfumaria, as propostas nem eram tão diferentes assim.
Quem tinha propostas diferentes não tinha o mesmo tempo por ter menos alianças. E como atualmente a TV é o principal veículo de propaganda política, soa no mínimo hipócrita dizer que esse quadro vai se alterar tão cedo.
“Um voto faz a diferença.”, disseram isso mais de uma vez. Analisando o histórico das últimas eleições, temos realmente expressa a vontade do povo ou a vontade das alianças partidárias? Tomando mais uma vez São Paulo como exemplo, ouvi muita gente dizendo que gostou das propostas Soninha (PPS), mas não votaram nela porque a mesma não tinha chance. Se gostaram dela, não votaram nela por que? Por que ela não tinha chance?
Uma das respostas era que como ela não tinha uma base de aliados forte, e caso fosse eleita não conseguiria fazer muito coisa, já que a câmara dos vereadores (em sua maioria composta pelos ditos partidos majoritários) iria boicotar seus projetos. E isso não só é possível dentro dos trâmites legais como JÁ ACONTECEU com a ex-prefeita Luiza Erundina (ex-PT e atual PPS). Todos abrem a boca pra dizer que sua gestão foi um fiasco, mas poucos se dão ao trabalho de saber do porque ter sido um fiasco.
Portanto eu anulo meu voto desde 2002. A vitória de Lula nas eleições de 2000 mostrou que ele só ganhou porque soube “jogar o jogo” (ou alguém se esqueceu que o vice dele é do PL?). Qual a real mudança que a vitória de um partido de esquerda trouxe ao país? Aumento do auxílio ao pobres e o peleguismo da CUT, MST e UNE. De resto é mais do mesmo.
“E qual a alternativa que você propõe?”, muitos podem me perguntar. Sinceramente nenhuma. Mas não vou usar isso como desculpa para não demonstrar meu descontentamento com sistema eleitoral na hora do meu voto.
Anarquismo. Taí talvez a única coisa que nunca discordamos… E como todo bom anarquista, eu “tô comigo e não abro”.
O divertido do seu texto é que você escreve que deletou três páginas de feitos pessoais por ser pura punheta e logo em seguida diz que as publicará caso haja interesse. Alguém tá ouvindo Alanis tocando de fundo?
Eu discordo do Mário.
Só para não perder o costume
Mario, eu realmente achei q estava ficando um porre, mas se os leitores quiserem MESMO assim ler esse porre, quem sou eu pra dizer não???
Ou vc ralmente acredita q NA MINHA OPINIÃO “A Morte da Azeitona Andante” é meu melhor poema?
Agora dá licença q eu vou ouvir Mamonas Assassainas!
Anulei também.
O que eu acho foda é essa coisa de brasileiro, o tal jeitinho que manifesta até nessa hora. Sempre querer levar vantagem, só se fode mas posa de malandro, daí não admite perder nem em uma eleição, “Tenho que votar em alguém que vai ganhar”, “Aí ó, meu candidato ganhou, hahaha”. Essa parada da Soninha é a mesma coisa, muuuuita gente gostou dela, mas não quis perder a eleição. Tosco, mas deve ser a tal brasilidade.
Acredito na anarquia, mas não me dou o trabalho de me explicar pra ninguém, isso cada um tem aprender sozinho, do seu jeito.