A Torre de Feiticeiro – Cap. II – Um Novo Companheiro

Mário ia a frente dos dois, segurando sua espada e seu escudo, enquanto Sir Hamilton ia logo atrás segurando uma tocha e um escudo. A luminosidade era mínima na passagem rochosa, que tinha cerca de dois metros de largura por três de altura. Ambos seguiram com passos cuidadosos por algum tempo. De repente, Mário se abaixa. Sir Hamilton pergunta, assustado:

- O que foi? O que aconteceu?

- Fale baixo! – responde Mário. – E abaixe um pouco a tocha.

O nobre abaixa e seu escudeiro vê algo no chão de terra. Diversas pequenas pegadas, como de crianças.

- São de goblins. Tenho certeza. – comenta o rapaz.

- Dá pra saber quantos são?

- Não. Mas são muitos. Vamos prosseguir.

Eles prosseguem pela passagem, o chão de terra desaparece, cedendo lugar a um piso rochoso e andam alguns metros até que chegam a uma caverna. Ela é enorme, tendo forma circular e grandes pedras se encontram encostadas em diferentes pontos de sua parede. Exatamente no meio da caverna se encontra um poço e na parede oposta a pouca luz permite ver que há outra passagem. Mário se dirige até a beira do poço, pega uma pedra e joga em seu interior. Ouve um baque.

- Está seco. – ele conclui.

De repente, diversas criaturas surgem de trás de rochas nas paredes. Seres com cerca de um metro de altura, pele esverdeada e enrugada, narizes e orelhas pontudas. Trajavam pedaços de armaduras presas a suas roupas de couro e portavam pequenas espadas de metal, que refletiam a luz da tocha. Seus malignos olhos vermelhos brilhavam enquanto corriam em direção aos heróis, gritando:

- Rumanos! Rumanos! Matar eles tudo!

- Essa não! – comenta Mário, surpreso. – Goblins!

- AAAAAHHH! – berra Sir Hamilton, se entregando ao pânico. Ele solta a tocha e sai correndo de volta pela passagem pela qual entraram.

- Seu gordo covarde! – berra Mário. – Volte!

Mas ele não volta. Raciocinando rápido, Mário também corre de volta pela passagem, assim só teria que enfrentar duas das criaturas por vez. Não iria fugir como um covarde. Os pequenos e asquerosos seres param na entrada do corredor rochoso e ficam encarando o guerreiro, que está com sua arma preparada. Então surge uma grande chama atrás dos goblins. Eles se viram e começam a gritar, apavorados:

- Grande fogo!

- Ele ser bruxo!

- Todos correr!

As criaturas começam a correr de volta para suas tocas, totalmente assustadas. Mário aproveita a confusão e joga uma pedra em um dos goblins, desmaiando-o. Depois que todas as criaturas voltam para suas tocas, finalmente Mário vê o que tanto as assustou: ao Sir Hamilton largar a tocha, ela caiu sobre um monte de feno, que agora estava pegando fogo. Ele apaga a chama com sua bota, tira uma corda da sua mochila e amarra o ser que desmaiou. Assim que termina de dar o nó, espera a criatura acordar enquanto pensa. “Hamilton fugiu e não deve voltar. O que faço?”. Senta-se na beira do poço. “Com certeza aquele covarde não irá me pagar mais nada. E eu continuo sem uma moeda em meus bolsos”. Então ele tem um estalo. “Isso! Eu resgatarei a princesa sozinho e ganharei a recompensa que seria de Hamilton! Não terei que enfrentar o feiticeiro mesmo…”. Mas seus pensamentos são interrompidos pelo goblin, que desperta.

- O… onde tô? – a criatura acorda e vê o Mário. – AAAHH! O bruxo! O bruxo!

- Cale a boca! – diz Mário. – Não vou fazer nada.

O goblin se acalma um pouco.

- Cê num vai fazê nada cumigo?

- Não. Só te amarrei porque não quero que você fuja. – responde o guerreiro, tentando um tom de voz mais calmo possível. – Só quero algumas informações sobre seu… mestre.

- O bruxo véio?

- Deve ser esse mesmo. Sabe como posso encontrá-lo?

O rosto de goblin é tomado por uma expressão de pavor novamente.

- Lá em cima. Subindo as escada. Mas ninguém sobe lá pra cima. Fogo gigante num deixa.

- Fogo gigante? – Mário não entende mais nada.

- É. Por isso nóis não sobe.

Mário fica pensativo. Era óbvio que ele teria que subir as escadas de pedra da passagem adiante, sabia disso antes do goblin falar. Aquela criaturinha não tinha mais nenhuma serventia. Só havia uma coisa a ser feita. O guerreiro saca sua espada e prepara o golpe.

- Peraí! O que cê vai fazê? – pergunta a criatura mais assustada do que nunca.

- O que tem que ser feito. – responde Mário, sério.

O goblin fecha os olhos, suando frio. Então houve o som da espada cortando o ar em sua direção e… não sente nada? Ele abre os olhos e percebe que as cordas foram cortadas.

- Ué? – diz sem entender nada.

- Pode ir embora. – fala o guerreiro.

Mas a pequena criatura verde permanece parada.

- Eu disse que pode ir embora. Vá!

O ser continua parado.

- O que foi? Por que continua parado? – pergunta Mário, já ficando irritado.

- Cê é o primero rumano que num me bate.

A frase tem um impacto de uma patada de Dragão aos ouvidos de Mário. Ele não esperava ouvir isso. Nem sabe o que responder. Mas então vem algo a sua mente. Apesar de idéia parecer estúpida, ele resolve levá-la adiante. Pergunta ao goblin:

- Qual é o seu nome?

- É Tazloy. – ele responde, sorrindo.

- Gostaria de ser meu escudeiro?

O goblin estranha a pergunta.

- Seu o que?

- Escudeiro. Você me ajuda em minhas aventuras e eu te pago para isso.

Tazloy se empolga.

- Paga? E paga muito?

Mário pensa um pouco.

- Hum… Uma moeda de ouro está bom?

O goblin parece medir se está bom. Mas qualquer um perceberia que ele está fingindo. Por fim, fala:

- Uma de oro mais cumida!

- Certo. Agora segure a tocha e vamos subir as escadas.

(baseado no livro “Dungeoneer”, de Marc Gascoigne e Pete Tamlyn. Esse livro por sua vez é baseado no cenário de RPGAventuras Fantásticas”, desenvolvido por Steve Jackson e Ian Livingstone. Por sua vez esse romance também de baseia em uma campanha de RPG que no seus primórdios só contava comigo e o Mario jogando.)

1 Resposta para “A Torre de Feiticeiro – Cap. II – Um Novo Companheiro”


  1. 1 Mário Henrique

    apesar das licenças poéticas, tô adorando a história. Poxa, é como se eu estivesse revivendo aqueles primeiros jogos todos novamente!

    Valeu cara… muito foda!

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