Peida, Peida!

Um belo dia da minha vida pensei em fazer minha própria tira de quadrinhos. Fiz uns esboços, bolei um eixo central e comecei a treinar um pouco pra ver se melhorava meu traço. Então conheci o trabalho do Allan Sieber e desencanei de vez. O cara fazia EXATAMENTE o que eu queria fazer e já tinha uns bons anos de estrada. Pra que me dedicar a aprender algo novo se o resultado que eu queria já foi alcançado por alguém?

Aí me convidaram para ser vocalista e letrista de uma banda. A idéia era fazer algo bem caótico e desconexo, misturando magia do caos, mindfucking e ofensas gratuitas e sem sentido. Mas para isso já temos Rogério Skylab (tá, ela não é magista, mas vocês já vão entender).

Rogério Skylab.

Rogério Skylab.

Conheci o trabalho dele em 2003 através de Luiz, irmão de uma (na época) namorada minha. Era o Skylab II. Praticamente é igual ao Skylab I, só que ao vivo. Melodias muito bem arranjadas com letras totalmente… totalmente… me faltam palavras exatas para definir. Você ouve “Matador de Passarinhos” e acha graça pela mistura de lirismo e violência. Aí você ouve “Música Suave” e algumas idéias que só podiam ter saído da mente de um sádico o fazem rir com um certo nervosismo. Você ouve “Convento das Carmelitas” e começa a achar o sujeito realmente estranho. Então ouve “Vitiligo” ou “Derrame” e fica realmente pensando em como alguém consegue chegar em tal nível de demência e ofensas gratuitas. Ele não poupa nada nem ninguém. A letra de “Câncer no Cu” cita os nomes de Mário Covas e Ana Maria Braga. Outra música sua chama-se “Fátima Bernardes”, e é daí pra baixo.

Tudo parece louco, aleatório, mas não. Há um certo padrão em seu trabalho. Ele parece saber exatamente qual nervo seu está apertando. E pode ter plena certeza de que algo em você será atingido. Ouvir um álbum inteiro dele gera um misto de riso e inconformismo e ao final de tudo você pensa: “De onde ele tira isso?”.

O trabalho dele é tão insano que quando fui declamar as letras de suas músicas em um sarau gótico, fui literalmente proibido de continuar declamando algumas coisas dele. Insisti e os donos da balada acabaram de vez com o negócio, proibindo o sarau de vez. Gente, era em sarau GÓTICO.

Rogério Skylab.

Rogério Skylab.

Aí então você resolve ir vê-lo ao vivo. E é tão bizarro quanto. Temos uma banda mais do que completa que toca horrores. Então entra a figura dele. Cabelos compridos e presos, mas desarrumados. Camiseta e calça jeans. Óculos. Você acha patético. Tem-se a impressão de que ele vai ter um ataque epilético a qualquer momento. A interação com o público é mínima. Apresenta os convidados. Corta quando começam a bater palma no meio de alguma música. Diz obrigado e sai do palco. E acabou. Nem espere porque não vai ter bis.

Hoje ele já está no oitavo álbum e recentemente gravou um DVD no Centro Cultural São Paulo. O lugar estava lotado, com gente sentada no chão. Para um cara que não toca em rádios e não vende em grandes lojas, não é pouca coisa.

Ou seja, o cara faz EXATAMENTE o que eu quero fazer e já tem uns bons anos de estrada. Pra que me dedicar a aprender algo novo se o resultado que eu queria já foi alcançado por alguém?

Só espero que o Hunter S. Thompson não me faça desistir de ser jornalista, pois nesse campo eu ainda acho que tenho algo e acrescentar…

OUVI ESSES DIAS:

From Dusk Till Dawn – Vários: trilha sonora do filme “Um Drink no Inferno“, do grande Robert Rodriguez. Qualquer um que já tenha visto um filme dele ou do Tarantino sabe que eles são mestres na hora de selecionar músicas para seus filmes. Não só pelas músicas em si, mas pelas cenas em que as usam.

Big Dance Rarities – Vários: coletânea dos saudosos “putz-putz” dos anos 90. Clássicos como “More And More”, “People Talk”, “Mr. Vain”… Pra ouvir lembrando dos foras que você levava nos bailinhos de ginásio (você não levava foras? Desculpa aê…).

Pearl Jam - Unplugged MTV: álbum muito bem executado com a banda tocando seus clássicos em versão acústica. E de bônus temos 3 músicas com o Sr. Vedder cantando com The Doors!

6 Respostas para “Peida, Peida!”


  1. 1 Mário Henrique

    Legal… um Ouvi Por Aí novo!!! (eraesse o nome da coluna, né?)

  2. 2 alessio

    Era esse mesmo!!!

  3. 3 Jacob

    Anime-se, falta muita coisa neste país que estamos.

    Fique bem meu caro.

  4. 4 Raul O'Bedlam

    Esse cara é insano ao extremo.Vem cá mas esse Tompson não tinha se matado?(Então viu ele não tem como fazer tu desistir de ser jornalista, afinal é um cadáver.Deus minha poca noção ja tá acabando.)
    PS:Pelo que eu me lembro de ver num programa do Jo, o trabalho normal deste cara eé *rufem os tambores* Bancário!Ou ao menos era…

  5. 5 Mário Henrique

    Sim, ele trabalha na compensação do Banco do Brasil, se não me engano. Cheguei a procurá-lo no sistema quando fui estagiário lá, mas não sabia seu sobrenome correto.

  6. 6 Bruno/DG

    Hunter Thompson suicidou-se com um tiro de espingarda na cabeça em 20 de fevereiro de 2005. Ele deixou um bilhete em que se mostrava deprimido e sofrendo de terríveis dores após uma cirurgia na região da bacia. Seu corpo foi cremado e as cinzas foram lançadas ao céu por um pequeno foguete, em uma cerimônia bancada pelo ator Johnny Depp, seu amigo e que interpretou o personagem Raoul Duke na versão para o cinema de Medo e Delírio em Las Vegas.

    Mesa branca, ué…

    Tá cheio de jornal espírita por aí…

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