Monthly Archive for abril 2009

Tudo Errado

Três horas da manhã. Marcos está sentado no sofá da sala, abatido, lamentando sua vida. “Minha vida? Que piada!” – ele pensa. Ainda não se conformava do fato de Sílvia ter ido embora. Não se conformava do porquê ela ter ido embora. Amaldiçoava o dia em que se tornou um vampiro. E amaldiçoava ainda mais a ordem de vampiros ao qual pertencia. Por ordem de seus superiores, ele e mais alguns amigos se arriscaram para salvar Sílvia. Ela também era uma vampira e havia sido capturada por um laboratório farmacêutico. Para manter a existência dos vampiros em segredo, foi necessário resgatá-la e destruir alguns arquivos do laboratório. A missão foi um sucesso.

Então começaram os problemas. Sílvia não tinha mais onde ficar e Marcos ofereceu sua casa. Ela aceitou. Com o tempo, os dois se apaixonaram. Mas ela era uma Desgarrada, uma paria. Não pertencia a nenhum dos grupos vampíricos da cidade. Os superiores de Marcos não viram com bons olhos o fato dele ter oferecido abrigo a ela, mas ficaram quietos. Um romance, porém, era mais do que poderiam admitir. Um romance poderia nublar a mente de Marcos e fazê-lo esquecer que a Ordem está acima de tudo. Poderia fazê-lo até trair a Ordem. E tudo por causa de uma Desgarrada! Eles foram bem claros: “A expulse de sua casa e a deixe só, ou nós mesmos cuidaremos disso”. Marcos não queria vê-la morta pelos seus próprios erros. Acabou o relacionamento e a mandou embora.

Ele ainda se encontrava perdido em pensamentos quando sua campanhia tocou. Ao abrir a porta, uma surpresa:

- Zé?

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“Pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga-pinga. PLOFT. Quantas cores pode ter uma merda cagada por uma só pessoa? A verdade está nas letras das músicas dos Secos & Molhados.”

- Extraído do grande tomo de sabedoria “PENSO, LOGO D.E.S.I.S.T.O.”, de autoria creditada ao Buda Desertor

Diário de um Mago – 27 de Maio

Recebi outra mensagem de meu amigo Magus Rharius. Parece que ele mais alguns amigos vão invadir a Fortaleza Orc. Por isso mesmo considero de bom grado reproduzir aqui na íntegra (com pequenas correções feitas por mim) o livro “Orcs”, de autoria de Loki Flamedart, membro da renomada guilda Dark Souls. Contém informações detalhadas sobre essa ameaça e pode ser deveras útil para quem pensa em invadir a infame Fortaleza Orc.

ORCS

Criação

Dizem as lendas que o deus maligno Zathroth, em sua ânsia por transmitir maldade e perpetrar seus atos condenáveis, criou a raça dos orcs. A Zathroth não fora concedida o dom da criação, então ele, em sua perversidade, capturou alguns exemplares da raça dos elfos e os corrompeu. Usando lentas artes de tortura e magia negra, Zathroth transformou os até então belos e sábios elfos na terrível raça dos orcs, que se tornariam uma das maiores ameaças aos reinos dos homens.

Características Físicas

Orcs são mais robustos e altos que humanos, propícios a se tornarem guerreiros ferozes. Normalmente os machos medem entre 1,75m e 1,90m, e as fêmeas entre 1,60 e 1,80. Sua pele é esverdeada, dentes proeminentes e seus olhos possuem um sinistro brilho vermelho, o que os torna facilmente reconhecíveis. Os orcs costumam se alimentar de qualquer coisa que os mantenham vivos, e raramente podem ter o luxo de escolher a refeição; porém é certo que a maioria tem um gosto especial por carne fresca humana.

Habitat

Os orcs são mais freqüentemente encontrados nas profundezas; em cavernas subterrâneas e túneis inexplorados, usando-os como refúgio e para se esconder da luz do sol, que os incomoda bastante. Porém, muitos deles aprenderam a suportar a luz solar e passaram a perambular pela superfície, destruindo e saqueando o que quer que atravesse seus caminhos. De todos os reinos orcs de Pacera, o maior deles é a enorme Fortaleza Orc , localizada ao norte de Venore. Rumores dizem que lá vive o supremo Rei Orc, que comanda muitos de sua raça, arquitetando planos perversos sobre seu trono. Outros dizem ser o Rei Orc um vassalo direto do deus Zathroth, ou até mesmo ele próprio. Muitas foram as tentativas de invadir e destruir a fortaleza, mas todas falharam, com exceção de alguns grupos de aventureiros valorosos, pois esta é guardada por inúmeras torres e o maior exército de orcs jamais visto. Uma das maiores preocupações dos reinos dos homens de hoje é a ascensão da Fortaleza Orc e a possibilidade de um ataque repentino de orcs nas principais cidades. Nos covis dos orcs são freqüentemente encontradas armas enferrujadas, lixo de todos os tipos, corpos em decomposição (tanto de orcs quando de outras criaturas) e muitas outras coisas, incluindo tesouros de antigas pilhagens.

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Enciclopédia HellBlazer

Finalmente começo a postar esse projeto que estava parado! A idéia é destrinchar o universo do mago inglês detalhando mais sobre suas histórias publicadas no Brasil.

O material ainda está um tanto quanto cru, mas vou destilando conforme o projeto for ganhando corpo. Seguem-se explicações sobre as seções que já tenho prontas:

CRONOLOGIA: resumo das histórias de revista Hellblazer já publicadas no Brasil. Para efeitos de linha do tempo, eu considero a data de publicação original em inglês;

PERSONAGENS: descrições tão detalhadas o quanto me foi possível das personagens que já atuaram ou somente apareceram pelas páginas de Hellblazer.

O texto será editado conforme eu for acrescentando informações. Por ora não haverão sub-categorias por aqui.

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Dogma 2009

(Publicado originalmente por Eduardo Nasi no Universo HQ)

Dogma 2009

Dogma 2009

Os quadrinhos, frequentemente, são considerados uma forma de arte vulgar ou infantil. Seus leitores são vistos como portadores de alguma debilidade. Na melhor das hipóteses, chamam-nos de nerds.

Não são poucos os relatos de gente que se sente perseguida no trabalho, na escola e até mesmo no ônibus por ler HQs. Quando a imprensa em geral vai falar de quadrinhos, muitas vezes se sente na obrigação de alertar seu leitor de que gibi nem sempre é coisa de criança.

Dizem até que fã de quadrinhos não “pega” ninguém.

Diante de uma situação dessas, os leitores não se cansam de listar bodes expiatórios. O preconceito, o desconhecimento e a falta de cultura da população são os culpados costumeiros. Mas há outros: o péssimo trabalho de marketing das editoras, a ausência de uma disciplina de quadrinhos nos currículos escolares e por aí vai.

Quem escapa, sempre, é o umbigo do próprio leitor, imune à autocrítica.

Muitos leitores esquecem que são eles mesmos – e as porcarias que leem – que reforçam dia após dia essa perseguição.

São eles que alimentam um mercado tomado por lixo, que compram mês a mês as piores revistas e que, muitas vezes, olham o que é novo e diferente com desdém.

Ainda que as editoras sejam verdadeiras caixas pretas no que diz respeito a números de venda, não é preciso ser nenhum Einstein para estimar que qualquer edição de X-Men vende mais que qualquer álbum da Zarabatana.

Encaremos a verdade: a situação dos quadrinhos é medonha.

Por isso, decidi fazer uma proposta: a criação de um Dogma para salvar os quadrinhos.

Tenho certeza de que se cada leitor deste Dogma se propuser a cumprir à risca todos os itens a partir do momento da leitura, em cinco anos teremos um mercado completamente diferente: mais arejado, leve e divertido.

Além disso, estou certo de que a percepção dos não leitores vai se transformar completamente, acolhendo as HQs como uma forma válida de expressão, arte e entretenimento.

Ao Dogma, portanto:

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