(Publicado originalmente por Eduardo Nasi no Universo HQ)
Os quadrinhos, frequentemente, são considerados uma forma de arte vulgar ou infantil. Seus leitores são vistos como portadores de alguma debilidade. Na melhor das hipóteses, chamam-nos de nerds.
Não são poucos os relatos de gente que se sente perseguida no trabalho, na escola e até mesmo no ônibus por ler HQs. Quando a imprensa em geral vai falar de quadrinhos, muitas vezes se sente na obrigação de alertar seu leitor de que gibi nem sempre é coisa de criança.
Dizem até que fã de quadrinhos não “pega” ninguém.
Diante de uma situação dessas, os leitores não se cansam de listar bodes expiatórios. O preconceito, o desconhecimento e a falta de cultura da população são os culpados costumeiros. Mas há outros: o péssimo trabalho de marketing das editoras, a ausência de uma disciplina de quadrinhos nos currículos escolares e por aí vai.
Quem escapa, sempre, é o umbigo do próprio leitor, imune à autocrítica.
Muitos leitores esquecem que são eles mesmos – e as porcarias que leem – que reforçam dia após dia essa perseguição.
São eles que alimentam um mercado tomado por lixo, que compram mês a mês as piores revistas e que, muitas vezes, olham o que é novo e diferente com desdém.
Ainda que as editoras sejam verdadeiras caixas pretas no que diz respeito a números de venda, não é preciso ser nenhum Einstein para estimar que qualquer edição de X-Men vende mais que qualquer álbum da Zarabatana.
Encaremos a verdade: a situação dos quadrinhos é medonha.
Por isso, decidi fazer uma proposta: a criação de um Dogma para salvar os quadrinhos.
Tenho certeza de que se cada leitor deste Dogma se propuser a cumprir à risca todos os itens a partir do momento da leitura, em cinco anos teremos um mercado completamente diferente: mais arejado, leve e divertido.
Além disso, estou certo de que a percepção dos não leitores vai se transformar completamente, acolhendo as HQs como uma forma válida de expressão, arte e entretenimento.
Ao Dogma, portanto:
