Para quem não é de São Paulo ou é desta enorme cidade, mas esteve em coma nos últimos anos, a Virada Cultural é um evento que a Prefeitura de São Paulo organiza em abril/maio. Das 18 horas de sábado até as 18 horas do domingo seguinte, diversas atrações culturais se espalham pela cidade, todas gratuitas. Quando eu digo diversas atrações, são diversas mesmo. Há palcos de rock, MPB, pagode, samba, música estrangeira, música erudita, festivais de filmes, teatros, exposições, performances, enfim, literalmente de tudo um pouco.
O mais interessante é ver que o evento literalmente entrou na agenda da cidade. No primeiro ano a maior parte das grandes atrações se restringiu ao chamado “centro expandido”, mas ano após ano, o evento se espalha cada vez mais. Digo isso tanto no sentido oficial, com atrações ocorrendo em todos os CEUS, quanto no sentido periférico. Diversos teatros, lojas, cinemas e afins entram no clima da virada e também fazem programações especiais nesse dia.
Em 2007 a Virada Cultural quase acabou em tragédia devido a uma briga entre espectadores e Tropa de Choque durante o show dos Racionais MC´s. Apesar de o confronto ter sido realmente feio, ele só se restringiu a Praça da Sé e imediações, mas mesmo assim a imprensa como um todo deu mais exposição a essa briga do que ao resto do evento. Houve quem duvidasse de que haveria outras edições. Mas graças aos deuses houve.
No primeiro ano em que eu fui, devido ao conflito em si e a uma (na época) namorada ultra-ciumenta, só consegui ver os shows do Rogério Skylab e do Pato Fu. Já no segundo ano, eu estava mais organizado e em melhor companhia e consegui ver Mutantes, Paul DIanno, Teatro Mágico e Cachorro Grande, além de uma paradinha pra dançar ao som do DJ Marky.
Para esse ano, minha programação inicial era:
- 00h10 – Camisa de Vênus na Praça da República;
- 02h10 – Velhas Virgens na Praça da República;
- 03h00 – B-Negão, Thalma, Dafé e Instituto tocando Tim Maia Racional na Avenida São João;
- 04h15 – Alex Vincenzi & The Hideaway Cats tocando Raul Seixas na Estação da Luz;
- 06h50 – Matanza na Praça da República;
- 09h00 – Cordel do Fogo Encantado na Avenida São João;
- 10h10 - CPM 22 na Praça da República;
- 12h00 – Nação Zumbi na Praça da República.
Tudo lindo, não? Mas aí começam os problemas. Você esquece que na vai pra Virada sozinho e quando vai conversar com galera que ficou de ir com você percebe que quase ninguém quer ver as mesmas coisas. Quando nos encontramos a 22 horas na Estação da Luz, a trupe inicial era: eu, Mô, Sté, Bruno, Maria e Foguinho. Alguns amigos da Mô e da Sté tentaram se juntar a nós, mas a busca por outras pessoas que eles queriam ver não permitiu encontrar esse povo de novo.
A primeira atração que fomos ver era uma exposição de arte envolvendo fogo na Praça da Luz. Eram várias armações, torres, bolas de vidro, bonecos se movimentando… mas em tudo havia algo pegando fogo. Com o frio que estava, até que o clima estava agradável, mas também tinha fumaça para caramba! Em certo, momento, eu, Bruno e Foguinho ficamos parados com nossos isqueiros acesos e algumas pessoas realmente pararam para ver! Adoro essas exposições de arte…
De lá fomos para a XV de Novembro, onde as meninas iriam encontrar um pessoal e passar um tempo dançando ao som dos DJs locais, mas o povo não apareceu e fomos então para a República encontrar outro povo antes do show do Velhas Virgens. No meio do caminho vimos uma performance inusitada. Uma mulher vestida de bruxa em cima de uma vassoura passeava entre os prédios da prefeitura e do Shopping Light suspensa por cabos! Foi tão inesperada a coisa que tinha gente achando que era um boneco e não uma pessoa de verdade. Perto do Teatro Municipal, encontrei meu velho conhecido Danilo e finalmente consegui um maldito mapa do evento.
Conseguimos encontrar uma galera em um boteco na esquina da Basílio da Gama com a Ipiranga: Mario, Chibi, Manson, Zaralho e mais alguns outros que foram surgindo. Mas na hora de efetivamente irmos ao show, o povo se dispersou e voltamos à galera inicial, mas com a adição do Die Go e Dani.
Graças às obras do metrô, chegar ao palco estava um verdadeiro martírio. Não tínhamos esperanças de conseguir ver o show, mas o som estava tão ruim que mal conseguíamos ouvir. Só quem conhecia mesmo som da banda pra saber o que estava rolando, e mesmo assim com certo esforço. E nem estávamos tão longe assim do palco!
Acabado o show, a galera novamente se divide. Bruno e Maria resolvem ir embora, Foguinho vai trombar outros amigos, Mô, Sté, Dani e Die Go vão pra Anchieta dançar ao comando do DJ da Trash 80´s e eu fui pra São João ouvir B-Negão e uma trupe tocando as músicas do Tim Maia Racional.
Andando sozinho o deslocamento é bem mais fácil, de modo que quando cheguei ao palco o show nem tinha começado ainda. Esperei o povo que ficou de ver o show comigo e nada. Então liguei o foda-se e saí pro meio da muvuca pra poder ver o show de um lugar minimamente bom. Dessa vez o som estava bem melhor e tinha um telão para você ter uma mínima noção do que estava rolando no palco. Achei um lugar massa, comprei uma garrafa de vinho vagabundo, acendi um cigarro e entrei no clima. Foi o melhor show da noite! Os caras mandaram bem tanto no repertório quanto no som e cantei todas as músicas junto. Acabou que conheci uma galera no meio do show e ficamos curtindo o som todos juntos.
Fim do show e hora de voltar para o boteco para achar o povo. Acredito que tomar aquela garrafa de vinho sozinho não fez muito bem e cheguei ao local ligeiramente alterado. Não tinha ninguém conhecido por lá. Acende um cigarro, espera, manda mensagens… nada. Então me encostei em um canto e cochilei. Acordo com um flash. A Luana havia tirado uma foto do meu estado lastimável e já havia um povo por lá. Voltei para o bar, tomei um café e comi um lanche para ver se dava uma melhorada, haja vista que tudo ainda estava muito confuso…
Mô, Sté e companhia ressurgem e lá vamos nós para a República tentar achar um lugar bom para pelo menos ouvir o Matanza. Encontramos o povo da comunidade e achamos um lugar bom. Ouvi o show sentado mesmo e fiquei surpreso de ver como tinha gente lá pra ver a banda. Tinha uma guria na minha frente que pulou o show inteiro! O som estava bem melhor, mas o Donida fez falta nas guitarras. De qualquer maneira só de ouvir o Jimmy falando “Nunca pensei que fosse dizer isso, mas bom dia e esse é o Matanza!” já valeu o show.
A essa altura todos já estavam cansados demais e a minha galera resolveu ir embora, deixando os bravos que resolveram ficar para trás. Mas quem pensa que eu cheguei em casa e dormi, está triplamente enganado, mas isso já é outra história…
Um bom resumo de QUALQUER Virada Cultural foi feito pelo Mário no Twitter dele. Segue-se o intitulado “Ensinamentos Básicos Para a Virada Cultural”:
1- Não faça programações extensas. Todas elas falham no final;
2- Apesar de ter combinado de se encontrar com Deus e o mundo, somente o acaso define quem você vai encontrar na Virada;
3- Se você levar blusa, passará calor. Se não, passará frio. Se levar blusa e entregar para alguém por estar calor, ficará frio;
4- De todas as pessoas que você combinar para passar a Virada, será com a turma mais improvável que você passará a madrugada;
5- Não existem shows depois das 11. Se existem, você não terá pique nenhum para vê-los;
6- Você se enturmará facilmente com mendigos e moradores de rua. Não posso dizer o mesmo a respeito das outras pessoas;
7- Não importa o quão merda seja a sua noite. Você vai voltar para a próxima Virada Cultural!
(agradecimentos a Luana, Carlinha e Die Go pelas fotos!)





concordo em grau, número e gênero com os ensinamentos…
Não importa o quão merda seja a sua noite. Você vai voltar para a próxima Virada Cultural (esse comentário foi o melhor)
Parabens aí, pelo que tú escreveu, tb concordo com tudo
Hahaha, belo texto, Alessio…Bom uso das fotos tbm!! ^^
hahahahaha depois da lama que vc descreveu,falar que o show do matanza valeu a pena só porque o jimmy deu bom dia foi hilário hahahah
Bom humor sempre, meu caro…
Não gostei das mudanças do seu site.
Na verdade a única mudança mesmo foi o logo e as propagandas. O resto foi pq atualizamos a nova versão do Wordpress e precisamos arrumar as configurações…