A fila pra entrar na balada já está na esquina. Aqui não costuma lotar muito, mas fiquei sabendo na hora em que cheguei que hoje vai ter show do Copacabana Club, a banda indie do momento. Dizem que é um Cansei de Ser Sexy mais sério, mas eu ficaria extremamente puto se fosse do Copacabana Club e me comparassem com aquela merda de banda.
Meia hora de fila depois, finalmente minha garota consegue sair de lá para me fazer companhia. Graças aos deuses, porque o papo dos moderninhos na fila está de dar no saco. Estou com uma garrafa de Jose Cuervo na mochila, resolvi dar uma de patrão hoje. Saímos um pouco da fila e damos uns goles de canto, para evitar os tradicionais pidões. Quando voltamos pra fila, o rapaz deixa a gente voltar aonde estávamos. Gente boa. Quem sabe mais tarde lhe ofereça um gole de tequila.
Duas horas depois estamos na escada que dá acesso a porra da balada. E umas seis gurias resolvem furar fila na minha frente. Me manifesto:
- Na minha frente você não entra, querida.
- Mas nós tamo com ele aqui.
- Não tão não. Tô aqui desde as onze e meia e esse cara tava sozinho. Nem vem que não tem.
O “cara que tá com elas” finge que o papo não o envolve. A líder das fura-fila tenta argumentar:
- Mas um monte de gente entrou na frente.
- Na minha frente ninguém passou. Se teve otário que fez isso, eu não vou fazer. Você pode ver com o pessoal atrás de mim se deixam você passar, mas na minha frente não.
- Cara , é a lei natural.
Eu não acredito que ouvi uma merda dessas. A resposta sai sem pensar:
- Lei natural é o caralho.
Realmente tem coisas que só o palavrão expressa. Parece que elas entendem o recado e vão para o fim da fila.