Monthly Archive for setembro 2009

Lei Natural

A fila pra entrar na balada já está na esquina. Aqui não costuma lotar muito, mas fiquei sabendo na hora em que cheguei que hoje vai ter show do Copacabana Club, a banda indie do momento. Dizem que é um Cansei de Ser Sexy mais sério, mas eu ficaria extremamente puto se fosse do Copacabana Club e me comparassem com aquela merda de banda.

Meia hora de fila depois, finalmente minha garota consegue sair de lá para me fazer companhia. Graças aos deuses, porque o papo dos moderninhos na fila está de dar no saco. Estou com uma garrafa de Jose Cuervo na mochila, resolvi dar uma de patrão hoje. Saímos um pouco da fila e damos uns goles de canto, para evitar os tradicionais pidões. Quando voltamos pra fila, o rapaz deixa a gente voltar aonde estávamos. Gente boa. Quem sabe mais tarde lhe ofereça um gole de tequila.

Duas horas depois estamos na escada que dá acesso a porra da balada. E umas seis gurias resolvem furar fila na minha frente. Me manifesto:

- Na minha frente você não entra, querida.

- Mas nós tamo com ele aqui.

- Não tão não. Tô aqui desde as onze e meia e esse cara tava sozinho. Nem vem que não tem.

O “cara que tá com elas” finge que o papo não o envolve. A líder das fura-fila tenta argumentar:

- Mas um monte de gente entrou na frente.

- Na minha frente ninguém passou. Se teve otário que fez isso, eu não vou fazer. Você pode ver com o pessoal atrás de mim se deixam você passar, mas na minha frente não.

- Cara , é a lei natural.

Eu não acredito que ouvi uma merda dessas. A resposta sai sem pensar:

- Lei natural é o caralho.

Realmente tem coisas que só o palavrão expressa. Parece que elas entendem o recado e vão para o fim da fila.

Eu devia parar de ler Bukowski

É sério. O título acima não é brincadeira. Toda vez que leio algum livro do Velho Safado a merda se acumula ao meu redor. Da outra vez eu tinha lido “A garota mais bonita da cidade”. Larguei meu curso de Administração de Empresas no último semestre para trabalhar de assessor de imprensa em uma loja de artigos esotéricos nos fins de semana e em um barzinho perto da Faculdade São Judas durante a semana.

Havia várias festas pagãs nessa loja em que eu trabalhava. No final de quase todas eu estava um uma das salas de Ioga transando com a dona da lugar. Ainda tenho nas costas as cicatrizes das chicotadas que ela me deu na época. Já quando o bar fechava o dono sentava com os funcionários e ficávamos bebendo até altas horas da madrugada. Praticamente chegava em casa quase toda noite bêbado.

Em casa eu ficava ouvindo música, tomando café, fumando e escrevendo. Desse período saíram dois livros não publicados e algumas poesias que fariam parte de uma antologia anos depois. A editora dessa antologia eu conheci em um sarau gótico onde eu declamava letras de músicas do Rogério Skylab e de desenhos infantis dos anos 80. Também declamava minhas poesias, mas só as piores.

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