Tequila, Tatuagens & Traição

Eu realmente não estava a fim de sair de casa, mas meu camarada insistiu pra porra, vinha me pegar de carro, me deixava em casa na volta, de modo que acabei topando. No caminho pergunto a ele qual é o “brieffing” da missão. Ele parece irritado:

- Porra, já te falei três vezes! Ela divorciou e tá fazendo uma festinha na casa dela, só.

Aí os convidados levavam as bebidas e ela cuidaria das comidas. Como anfitriã faz gastronomia, acreditava que não teria do que reclamar. Paramos em um posto para comprar duas caixas de cerveja e finalmente chegamos ao local. Parece que somos uns dos últimos a chegar. A casa é grande e mesmo assim está relativamente cheia. Cumprimento nossa colega, fazia um bom tempo que não a via. Passo então o olho pela sala…

Putaqueopariu. Que morena era aquela? Cabelos pretos lisos até a cintura, olhos azuis, seios fartos e bunda idem. Me lembra na hora a Priscila do BBB. Meu número, pelamor. Perfeita… exceto pela aliança dourada na mão. Suspiro entristecido, era bom demais para ser verdade. Não que eu fosse efetivamente tentar algo, mas sonhar não custa nada, né?

De volta à realidade, a anfitriã chama meu camarada para ver um problema no PC dela, de modo que logo estou sozinho na sala com os outros convidados. O pessoal parecia simpático, mas aparentemente todos se conheciam, de modo que algum papo rolava solto. Resolvo ocupar as mãos para parecer menos deslocado e pego um copo de wiskhey sem gelo. Então finjo ver a coleção de CDs da casa enquanto pesco o papo deles a procura de uma brecha para poder participar. Mas uma das meninas pergunta, entusiasmada:

- Mais uma rodada de tequila?

A maior parte do pessoal se dirige para a cozinha. Então uma garota magra me nota:

- Quer participar?

- Como não? É tequila, pô! – respondo num acesso de entusiasmo, ao mesmo tempo em que lembro que ainda tenho um bom tanto de whisky no copo. Não tenho noção do quanto posso ficar bêbado aqui.

Um corta o limão, outro coloca sal em pires, copos são distribuídos e enchidos. Então a magrinha solta:

- Não sei se tomo mais essa… Vai ser a terceira rodada já…

Tento me enturmar e digo ironicamente:

- Cuidado, mulher e tequila é problema…

- Não, não. Mulher e tequila é solução.

Essa frase sapiencial foi emitida por ninguém mais, ninguém menos que a morena. Ela está olhando pra mim e sorrindo. Tento deixar de ser idiota, ela só foi simpática e comentou minha frase de maneira inteligente. Não é hora de começar a viajar em fantasias egocêntricas. Todos brindam e viram os copos. Assim que retomo meu copo de whisky, a morena se aproxima:

- Adorei sua camiseta.

Da origem da minha camiseta, o papo vai para de onde conhecemos nossa amiga em comum. Daí estamos falando de faculdade e baladas. Cacete, tudo aquilo na minha frente, e ainda era simpática e inteligente pacas. Bom, se o máximo de contato que eu teria com ela seria esse, iria aproveitar. Bem ou mal, esse mulherão tava me dando a maior atenção e isso não era nem um pouco ruim. Então uma das meninas a chama pra conversar. A morena pede licença e sai. Meu camarada se aproxima com um sorriso maroto:

- Vai pegar, tigrão?

- Nem. – respondo desanimado. – A guria é casada. O papo ta bem legal, mas parece que vai ficar nisso só.

Ele parece surpreso:

- Sério? Pra mim tava o maior clima já.

Faço cara de quem não ta entendendo nada e resolvo acender um cigarro. Como não tem ninguém fumando lá dentro, vou até a lavanderia bronzear os pulmões. Logo estou pensando no que meu camarada disse. Porra, será que ela tava dando mole? Recapitulo nosso papo e noto que em nenhum momento ela citou que era casada ou sequer comprometida. Mas também não tinha dado nenhuma indireta e era normal as pessoas em volta confundirem um papo animado com “clima”. Concluo que é melhor eu ficar na minha pra evitar problemas.

- Me arruma um cigarro?

Putaqueopariu de novo. Era ela. Sorrindo. Olhando nos meus olhos. E agora só eu e ela sozinhos nessa maldita lavanderia. Pego um cigarro e dou a ela. Ela coloca naquela boca perfeita e no que vou acender, noto que a aliança que deveria estar lá não está! Hora de reavaliar tudo. Ela passa por mim e se apóia no muro. Noto que ela tem um pedaço de um desenho de tatuagem descendo pela nuca. Parece uma planta. Vai ser esse o papo usado pra ganhar tempo.

- Quer dizer que você tem uma tatuagem?

Ela se vira para mim:

- Sim, sim. Quer ver?

A morena se vira se costas novamente e desce pelos ombros a blusa até o meio das costas. Era como se fosse uma trepadeira desenhada em estilo tribal. Muito bem feito. Mas logo minha tara por costas começa a tornar a situação um tanto quanto tensa para mim. Após alguns segundos que parecem uma eternidade, ela arruma blusa:

- Você tem alguma?

Respondo que sim e ela pede pra ver. Mostro pra ela a do meu braço e digo que as outras estão no peito. Ela insiste que quer ver. Ligeiramente sem graça, levanto a camiseta pra mostrar. Ela olha e dá uma mordida leve no lábio:

- Posso mexer?

Então sou atingido por um satori, nirvana, epifania ou qualquer nome que você para a maldita iluminação momentânea. Me pego sorrindo e respondo:

- Isso tá ficando perigoso, não?

- Adoro perigo. – ela responde sorrindo.

Nos agarramos ali mesmo. Foda-se que ela era casada. Foda-se que alguém dentro da casa poderia ver. Beijos, mordidas, arranhadas de leve, mãos aqui e ali… Paramos um tempo para dar uma respirada e aproveitamos para outro cigarro. Falamos algumas amenidades, trocamos telefones. Então ela me dá um beijo leve e diz que vai falar com as meninas um pouco. Acho que ela resolveu dar uma disfarçada. Podia ter tirado a aliança, mas ainda era casada. Entro também para encher meu copo de novo e parece que ninguém notou nada. Quer dizer, meu camarada ta me olhando com aquela expressão de “Tô ligado, viu?”, mas acho melhor deixar pra contar os detalhes pra ele mais tarde.

De repente reparo que a morena atende o celular, conversa baixo com alguém e quando desliga disfarçadamente coloca a aliança de novo. Depois de uns 20 minutos toca a campainha e entra um rapaz que ela vai correndo cumprimentar com um beijo na boca. Caceta, era o marido dela!

Ela ainda me apresenta o cara. Deveria me sentir mal com isso, mas na verdade e quero mesmo é rir da cara dele. Todo se achando ao lado dela, praticamente falando “podem pagar pau, mas é meu” e mal sabe ele. Eles ficam na festa mais uns 15 minutos e vão embora. Já estou lamentando não ter podido dar um malho de despedida, mas meia hora depois recebo um SMS:

“Sexta tem bar depois da faculdade. Quero você lá.”

É, acho que tá na hora de explicar o que aconteceu pro meu camarada e agradecer imensamente a insistência dele em me trazer aqui.

2 Respostas para “Tequila, Tatuagens & Traição”


  1. 1 Raul O'Bedlam

    lol pobre do guri:(
    Mas “Por que não pegou, tigrão?”È foda \o

  2. 2 Alex Koti

    Essa ‘quase’ te deu o direito de dar uma risada-de-jim-morrison-no-elevador, mas um dia você vai fazer uma bem caprichada que justifique :D ahauhauahauhauahau

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