“Esse ano eu vou sair de diabo
Já tenho o chifre
Só falta o rabo
Mas se você me der o rabo
Vou de diabo pra curtir o Carnaval”
- Velhas Virgens, “A Marcha do Diabo”
Parecia mais uma noite comum no Inferno, balada rocker na Rua Augusta, mas na fila já temos sinais de que algo está… diferente, por assim dizer. Podemos ver um cara fantasiado de Chapolin, uma guria com um daqueles colares de flores. Entrando no no local, tudo parece normal, mas após algum tempo começa a tocar algumas marchinhas de Carnaval antigas. É “alalaô” pra cá, “se você pensa que cachaça é água” pra lá. Então finalmente sobe ao palco a atração da noite, a banda Velhas Virgens. O vocalista Paulão está fantasiado de diabo e o resto da banda parece q fugiu de algum baile do Havaí. Então eles começam a tocar MAIS MARCHINHAS DE CARNAVAL!
O que está acontecendo? Estamos em um universo paralelo? É um episódio do Twiligth Zone? Não. É pura e simplesmente o Carnavelhas, uma singela homenagem da banda Velhas Virgens aos sambas sacanas e aos bailes das antigas. Mais que isso, é um verdadeiro baile de Carnaval, com confete, serpentina, gente sambando de indicador levantado, gente passando mal porque bebeu demais, e por aí vai. São roqueiros curtindo o carnaval mais que muito sambista por aí.
Fui à edição do ano passado do Carnavelhas, mas o excesso do álcool no sangue não me permitiu lembrar muita coisa do show (nada que eu nunca tenha feito antes). Esse ano resolvi beber menos. Nunca fui de pular Carnaval e dessa vez resolvi observar mais “antropologicamente” a parada toda.
Não é um show comum do Velhas, eles até tocam músicas próprias, mas todas são “de carnaval”. Nada do setlist de sempre. E há covers, muitos covers. Esse ano eles fizeram uma homenagem aos 100 anos do Adoniran Barbosa (coisa que NENHUMA Escola de Samba Paulistana fez), tocando versões rock de algumas músicas dele. Mas estilo baixo e as atitudes machistas que fizeram a história da banda estão tão presentes como nunca. Palavrões, garotas se agarrando, cerveja e whiskey molhando o palco, homenagens ao CUríntia… Tudo isso está lá.
Particularmente, achei o maior barato ver conhecidos meus que dizem “odiar o carnaval” pulando ao som de “Maria Sapatão” e cantando em alto e bom som o “Samba do Ernesto”. Um amigo meu vive me dizendo que sou uma mistura de Cartola com Elvis e nessa noite eu consegui entender. Se ano que vem eu não viajar, estarei no Inferno para o próximo Carnavelhas!
Realmente, foi uma noite inesquecível. Como disse o Paulão: “Esse sim é o verdadeiro carnaval, não aquela porra de axé que colocam no trio elétrico.” Espero ano que vem poder ir novamente.
que máximo. Eu gostaria de conhecer, no mínimo divertido. ^^
Agora vc me deixou arrependida de não ter ido esse ano =(
Bom ver que você não morreu…A marchinhas de carnaval clássicas são legais *.* principalmente a Mascara Negra.