Spider Jerusalem no Brasil?

Hunter Thompson

Hunter Thompson

Imaginem se o jornalista Hunter Thompson fosse arremessado centenas de anos no futuro. Um futuro onda a moda não tem limites. Você pode ter cara de cachorro, ser meio ET, virar uma nuvem de nano robôs, ter a cara do Brad Pitt e o corpo da Angelina Jolie. Um futuro onde ninguém sabe o que é viver fora das cidades porque o ar fora dela é tão menos poluído que você passaria mal. Um futuro onde ninguém sabe qual é o ano ou se importa com isso. Um futuro onde você pode ter um gato de duas cabeças fumante!

Pois este é o mundo em que vive Spider Jerusalem, um jornalista que tem sua aposentadoria interrompida e se vê obrigado a voltar para a Cidade para ter que escrever e pagar as dívidas que deixou para trás. Ele conhece bem a Cidade, suas pessoas e seus vícios e por isso mesmo a odeia profundamente, coisa que faz questão de deixar mais do que claro em suas colunas diretas e mal-educadas.

Um dos encadernados da série.

Um dos encadernados da série.

As desventuras desta peculiar personagem são descritas na revista Transmetropolitan, com roteiros de Warren Ellis e desenhos de Darick Robertson, ambos afiadíssimos no que fazem. Publicada nos EUA pela DC Comics, originalmente fazia parte de um selo de ficção científica chamado Helix, mas a empreitada não deu muito certo. Porém Transmetropolitan foi um sucesso e a revista continuou, migrando para o selo de quadrinhos adultos Vertigo.

No Brasil a revista teve suas três primeiras edições publicadas como minissérie e depois virou uma revista mensal pela Brainstore em 2002, onde foi publicada até a edição 19 da numeração original. Mas a editora fechou e com isso a série foi parar no Limbo.

Em 2007 com a DC/ Vertigo tendo fechado contrato com a Pixel Media, os fãs da série viram reacender a esperança de vê-la publicada novamente, mas em 2009 a “Maldição do Preacher” mais uma vez vingou e a Pixel não renovou seu contrato com a editora norte-americana.

Quando tudo parecia não ter mais volta para a Vertigo no Brasil, eis que a Panini assume as rédeas do selo e faz um excelente trabalho, tanto com sua série mensal quanto com os encadernados, mas nenhuma notícia da volta de Transmet, como a série é chamada pelos seus fãs.

Só que através do micro-blog Twitter @audacijr e @andresama resolveram mobilizar os fãs de série e criaram um movimento pela republicação da série no Brasil através de hashtag #PublicaTRANSMET. O que inicialmente parecia mais um chilique de fanboys acabou ganhando repercussão dentro do site, ganhando nomes de peso como do site Universo HQ e do jornalista Maurício Muniz e eis que Levi Trindade, um dos responsáveis pela DC Comics no Brasil, nos afirma através de seu Twitter: “Opa! E você acha que já não cogitamos isso? Hehehehehe… Aguarde!”!

O movimento também repercutiu fora da “twittosfera”, com blogs fazendo propagandas da série ou resenhas sobre a obra. E é óbvio que esse texto faz parte dessa campanha. Havia algum tempo já que eu queria escrever sobre esta série e agora parece o momento ideal.

Para quem está acostumado com super-heróis, narrativas líricas como as de Neil Gaiman ou densas como as de Alan Moore, a primeira impressão sobre Transmet é que ela é escatologia pura, dada a enorme quantidade de palavrões e atitudes escrotas promovidas por Spider Jerusalém. E nesse ponto é oito ou oitenta. Você ama ou odeia o sujeito. Mas tanto parar de ler por causa disso quanto continuar lendo só por causa disso são erros enormes.

Temos um protagonista carismático que entrou para o Hall da Fama dos Carecas Fodões das HQs? Sim, temos, mas estenda seus olhos para além disso e verá um dos futuros mais plausíveis já imaginados para a humanidade. Após ler Transmet e conhecer alguém como o Rafa Gnomo, você entende o quão Warren Ellis foi visionário. E ele usa esse futuro “hipotético e exagerado” para tecer criticas ferrenhas à cultura, política, religião e muito mais.

Transmetropolitan tem um bom roteiro, bons desenhos, personagens carismáticas e tramas bem amarradas. O que falta para os bastardosa publicarem por aqui? Saberem que existem pessoas interessadas em comprar a revista. Portanto, #PublicaTRANSMET, seus chupadores de bosta de cachorro!

spider

3 Respostas para “Spider Jerusalem no Brasil?”


  1. 1 Audaci Junior

    Parabéns pelo ótimo texto, Alessio! Disse tudo e um pouco mais! Já, já vou postar o meu também! E #PublicaTRANSMET !!!!! =)

  2. 2 Gaby

    Muito bom o texto Lé… legal mesmo..

    Então esse é o tal do “gibi” amaldiçoado?? :P

    Que orgulho do meu namorado… Bom escritor.. Tá de parabéns..

    =**

  1. 1 #PublicaTRANSMET: do Desastre ao Triunfo em O Protagonista 2.0
    Pingback em 2 mar 2010 às 0:33

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