AVISO 1: Caso você não use o microblog Twitter ou não o conheça, saiba que nele o caractere “#” serve para indicar uma tag. Se um assunto é muito postado dentro da “twittosfera” ele pode acabar nos famosos Trending Topics (ou TTs, como são chamados), que são os “assuntos do momento” no Twitter.

Umas das capas da HQ.
AVISO 2: Lendo este texto e meu post sobre Transmetropolitan, posso dar a entender que sou um entusiasta do assim chamado “ativismo virtual”. Pois que fique bem claro que não sou e farei um post sobre isso em breve.
AVISO 3: Para entender melhor esse post seria legal você ler o post anterior.
A idéia inicial de campanha #PublicaTRANSMET era fazer barulho em cima de obra de Warren Ellis e Darick Robertson para mostrar que havia pessoas interessadas nela e assim incentivar a editora Panini a publicá-la. Mas uma série de decisões equivocadas movidas por impulso quase colocaram tudo a perder, a ponto do próprio Ellis pedir para os fãs brasileiros pararem de importuná-lo e pessoas da área como Maurício Muniz e Levi Trindade dizerem que houve exagero.
Mas o que de fato houve?
Tudo começou com um bate papo informal entre no Twitter entre eu @andresama, @audacijr e o @panini_vertigo sobre a possibilidade da obra ser publicada após começarmos a campanha. A editora comentou que cerca de 42 pessoas postaram a hashtag #PublicaTRANSMET, número pequeno para sequer pensar em publicação e nos desafiou a intensificar a campanha. Na hora comentei que podíamos fazer algo a longo prazo, com blogueiros comentando a HQ e colocando um banner que faríamos para a campanha. Mas a editora através do seu perfil nos desafiou a colocarmos em até 2 dias a hashtag nos TTs do Brasil. Caso conseguíssemos poderíamos até ganhar um exemplar da futura revista.
Topamos, mas meu maior medo era ver um monte de gente publicando a hashtag sem nem explicar o que ela era ou sua relação com a revista. Por isso mesmo pedimos ajuda a pessoas da área e amigos que sabíamos que curtiam quadrinhos. Alguns entraram na onda, outros ignoraram e tudo dava a entender que não conseguiríamos nada.
Como o próprio Warren Ellis tem perfil no Twitter, mandei uma mensagem para ele explicando a campanha e pedindo “ajuda” na mesma. Fiz o mesmo com o Neil Gaiman e com o Kevin Smith.
Até aí tudo bem, o problema foi que parece que TODO MUNDO resolveu mandar mensagens para o cara, pois cerca de duas depois o próprio Warren Ellis diz no micro blog: “Queridos fãs brasileiros, aprecio o carinho de vocês, mas não tem como eu ‘fazer’ a @panini_vertigo publicar minha obra. Talvez nem gostem do meu trabalho. Por favor parem de pedir ajuda.”

Warren Ellis.
Ele foi mal educado? Não sei. Não tenho noção de quantas pessoas mandaram mensagens para ele nem do conteúdo das mesmas, mas deve ser realmente chato do nada um monte de gente te pedindo algo que efetivamente você não pode fazer. Mas ele poderia ao menos ter postado a hashtag, dizendo que apoiava sim a republicação da obra no Brasil.
Na hora alguns especialistas no assunto criticaram os fanboys brasileiros pelo exagero, inclusive membros da própria Panini comentaram isso. Para o próprio Ellis ter que postar que não pode fazer nada e pedir para pararmos, é óbvio que houve um exagero, porém é muito importante lembrar o que motivou esse mesmo comportamento e para isso teremos que trabalhar com datas e horas.
A conversa informal entre eu, meus colegas e a editora rolou em uma quarta-feira (24/02) e a essa altura a campanha já tinha quase uma semana. Até o momento toda a atuação da campanha se resumia em postar a hashtag ao comentar a obra e alguns blogs publicando textos sobre a mesma. Quando foi proposto o desafio de até sexta-feira a hashtag TER que entrar nos TTs, era por volta de 18 horas. Warren Ellis postou sua reclamação cerca de 3 horas depois, por volta das 21 horas. Ou seja, o desafio foi proposto e o pessoal que queria ter Transmet em mãos atirou pra tudo quanto é lado. O desafio foi exagerado e alguns responderam de maneira exagerada.
Acredito que a Panini não tinha noção de como o pessoal se empenharia e também acredito que as mensagens mandadas ao Warren Ellis não tinham a intenção de importuná-lo. O Twitter ainda é uma ferramenta nova para empresas, autores e usuários em geral, erros aconteceram e muitos outros ainda vão ocorrer e cabe a nós aprendermos a não repeti-los.
Mas nem tudo foi em vão. Neil Gaiman entendeu a campanha e publicou a hashtag e na quinta-feira mesmo a própria Panini mandou uma mensagem ao Ellis dizendo que apreciava sim o trabalho dele e que até o fim do dia haveria novidades para seus fãs. E as novidades eram a publicação de dois trabalhos do roteirista escocês: Ocean e… TRANSMETROPOLITAN! Ainda não há data certa, mas foi anunciado que o primeiro volume será lançado em livrarias, o que significa capa dura e um preço maior, mas tratamento de luxo.
Ficou claro que a Panini já tinha algo engatilhado e parece que a campanha adiantou os planos. Não tanto pelo número de adeptos, mas sim para mostrar ao Ellis que a editora aprecia e confia no trabalho do autor. O lance deu certo pelo motivo errado, mas o que interessa é que teremos Transmet no Brasil!
E agora a hashtag é #CompraTRANSMET!

Agora sim podemos ter a coleção porra! Espero que essa bagaça vá até o final desta vez…
que bacana.
HEY! FINALMENTE!
Ei! Cadê as atualizações?
Bjos!!