Maldito Irlandês – Parte III

Algo desperta a mente de Constantine. Tinha alguma coisa estranha no local. Alguma coisa não humana. Com o tempo você aprende a sentir isso. É uma espécie de cheiro, mas não no sentido físico. É algo espiritual mesmo. Havia aprendido a técnica para perceber espíritos não visíveis, mas com a prática era possível ver e identificar qualquer coisa não humana. O problema não é que havia algo não humano no pub. O que realmente deixou o mago preocupado foi sentir esse algo olhando diretamente pra ele! Agora precisava saber quem e o que era e sem deixar o observador perceber que fora notado. Esfrega os olhos e finge pegar um cigarro enquanto se concentra no cheiro. É um vampiro.

John achava que não veria nunca mais um deles, não após ter conseguido matar o Rei dos Vampiros. Foi na época em que tinha terminado com Katherine. O baque foi tão grande que Constantine largou tudo e passou a beber pelas ruas de Londres. Após dias e dias bebendo é fácil esquecer seus problemas e quem você é. Quando sua maior preocupação é arrumar dinheiro para uma refeição decente e encontrar um lugar quente e seco pra dormir, você mal se lembra da pessoa amada que te deixou. E assim foi por quase um ano.

O Rei dos Vampiros foi o primeiro de sua raça e ele se alimentou do primeiro homem a caminhar sobre a terra. Seus filhos se multiplicaram e vivem nas sombras do mundo conhecido, ora nos tratando como gado, ora nos tratando como brinquedos. Mas ele queria aumentar seu poder e para isso precisava saber o que acontecia no Paraíso e no Inferno. E nenhum espião seria melhor que John Constantine. O Rei dos Vampiros procurou o mago e lhe ofereceu a vida eterna em troca de seus serviços. Constantine não só recusou como ainda fez desdém tanto da oferta quanto do pretenso contratante. E seres como o Rei dos Vampiros nunca ficam felizes ao ouvirem algo diferente do que queriam.

Qual foi a surpresa do primeiro dos sanguessugas ao encontrar o bruxo inglês como um pobre e imundo mendigo nas ruas da capital inglesa? Todo o seu orgulho, pompa e sarcasmo haviam morrido. O imortal então disse algumas verdades a Constantine e resolveu acabar com sua vida sugando todo o seu sangue. O que ele não sabia é que o bruxo inglês havia feito um pacto anos atrás e havia sangue de demônio em suas veias. E esse sangue não alimenta e sim destrói o vampiro que o consome. Foi então que a vingança definitiva do Rei dos Vampiros transformou-se em sua derrota definitiva.

John acende o cigarro e discretamente analisa o vampiro que o observa. Cabelos castanhos grosseiramente penteados para trás, óculos escuros, barba por fazer. Usa um colete jeans, camiseta surrada, calça jeans e botas. Era magro e pálido, como se estivesse doente. Não dava pra chutar a idade dele e nesse caso era irrelevante. Olhava para John com um certo ar de satisfação. Por fim o vampiro se levanta e vai em direção ao banheiro. O mago então pondera o que fazer. Poderia fugir, mas se o vampiro o encontrou na Irlanda o encontraria bem mais facilmente na Inglaterra. Porém John lembra a si mesmo que havia matado o primeiro dos vampiros, um ser mais velho que muitos deuses. Por que agora estava temendo um deles? Sem contar que com toda certeza o maldito tentaria sugá-lo e então seria destruído de vez. Afunda a ponta do cigarro no cinzeiro, acende outro e se dirige ao banheiro.

Cassidy havia acabado de se aliviar e assoviava calmamente. Foi quando ouviu alguém entrando e trancando a porta. Já ia xingar algum maldito viciado em cocaína que havia feito isso quando dá de cara com John Constantine encostado na porta! O inglês dá um trago no cigarro e friamente diz:

- Desiste, meu chapa. Não vale a pena, é sério.

(continua…)

3 Respostas para “Maldito Irlandês – Parte III”


  1. 1 Carol

    Gostando muito e esperando a próxima parte!! Adoro esses dois.

  2. 2 Andreas

    tá ficando massa!

  1. 1 Tweets that mention Maldito Irlandês – Parte III em O Protagonista 2.0 -- Topsy.com
    Pingback em 19 jul 2010 às 12:03

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