O sujeito continuou esmurrando a porta do banheiro e parecia impaciente. John Constantine voltou-se para o vampiro:
- Que tal terminarmos nosso papo em uma mesa, bebendo algo?
Cassidy não acreditava no que estava ouvindo:
- Tá achando que sou otário? Na primeira oportunidade, vai querer fugir! E cê não sai daqui sem me responder tudo sobre a morte do Brendan!
Do lado de fora continuavam esmurrando a porta. O inglês suspirou antes de dizer:
- Escuta, daqui a pouco a porta vai abrir de qualquer jeito, e acredito que quanto menos chamarmos a atenção é melhor para nós dois, certo?
O vampiro pareceu pensar sobre o assunto e John continuou:
- Além disso, você já me viu, sabe onde moro. Nada te impede de me encontrar de novo. Eu só quero sair desse banheiro imundo e desfazer esse mal-entendido de maneira mais civilizada.
Realmente, as palavras do mago tinham certo sentido. Cassidy havia captado o cheiro dele e poderia rastreá-lo facilmente. Teria suas respostas de um jeito ou de outro, portanto a idéia de resolver isso sentado e bebendo não era tão ruim. Caminhou até a porta do banheiro e a abriu. Um homem grande, careca e barbudo parecia bem irritado.
- As duas bichas já acabaram de se chupar pra eu poder usar o banheiro, porra?
Cassidy agarrou o sujeito pelo colarinho e o puxou para dentro do banheiro, fechando a porta novamente.
Alguns momentos depois, John Constantine atravessou o bar apressado, seguido por Cassidy, que estava com um sorriso satisfeito no rosto. Sentaram-se em uma mesa nos fundos do bar e o mago nervosamente acendeu um cigarro:
- Precisava ter enfiado a cara dele na privada até o sujeito desmaiar?
- Não, mas eu tava puto e precisava descontar em algo. – respondeu Cassidy ainda sorrindo. – E melhor nele que em você, não?
O inglês se viu obrigado a concordar:
- É, há males que vem para o bem. Vai beber o que?
- Uma cerva pra mim tá de bom tamanho. Quero ficar sóbrio, sabe?
Constantine levantou-se e retornou com um copo de whisky e uma cerveja. Sentou-se e comentou:
- Nunca tinha visto um vampiro bebendo algo que não fosse sangue…
O vampiro deu um belo gole e retrucou:
- Foda-se. Não estamos aqui pra falar de mim, certo?
O mago deu uma longa tragada no cigarro parecendo pensar, e então começou:
- Certo… Na época, eu fui diagnosticado com câncer terminal. Nos pulmões. A proximidade da morte me fez repensar um monte de coisa e então me lembrei do velho Brendan. Talvez no meio das tralhas dele ou dos livros houvesse algo que pudesse me ajudar. E ele tinha os contatos dele também… Bom, me pareceu uma ótima opção. Mas, chegando na casa dele, descubro que o filho da puta está com uma cirrose fodida de tanto beber e que também estava morrendo. Pior, ele estava pensando em me procurar para pedir ajuda!
- Hum… – Cassidy parecia pensativo. – Então vocês eram amigos de longa data, é isso?
- Exato, chefe. Um dos poucos que tinha. – respondeu o inglês, sem nem pensar. – Fizemos vários golpes juntos, tanto aqui quanto nos EUA. Tivemos que aprender a confiar um no outro ou estaríamos mortos na época.
- Golpes nos EUA? – interrompeu o vampiro. – Quando o conheci ele estava lá e reclamando sobre um golpe que deu errado…
Constantine fechou a cara:
- Ah… O Ás dos Matadores… Era uma arma rara que iríamos repassar para um colecionador inglês. Mas deu tudo errado e um dos nossos acabou morto. – ele acende outro cigarro. – Mas não viemos falar disso…
Cassidy se levantou:
- Vou pegar mais uma breja e na volta você continua.
Ele voltou momentos depois e sentou-se, sem falar nada. O inglês prosseguiu:
- O problema é que a cirrose do Brendan estava muito pior que meu câncer. Ele estava para morrer a qualquer momento, mal se agüentava. Então fizemos a única coisa possível naquele momento irônico: descemos para a adega secreta dele e tomamos um porre do que ele tinha de melhor lá. Bebi até desmaiar. Quando acordei, ele tava morto. Cambaleei até encontrar o primeiro táxi e voltei pra a Terra da Rainha.
Cassidy encarou Constantine por alguns momentos. Faltava muita coisa nesta história. O sujeito que visitou a casa depois, por exemplo. Mas, aparentemente, o inglês estava contando tudo o que podia contar e não parecia que iria conseguir arrancar nada dele. Então o vampiro pegou um cigarro e acendeu:
- Mas peraí… Cê disse que te deram câncer de pulmão terminal… Como tá vivo ainda?
Constantine amassou a ponta do cigarro no cinzeiro e retomou seu ar de desdém. Sorrindo, respondeu:
- Desculpe meu chapa, mas os mágicos não revelam todos os seus truques. Só alguns para ganhar a confiança da platéia.
O vampiro não acreditava na ousadia da resposta, mas antes que pudesse pensar em uma reação, percebeu um murmurinho perto do banheiro. Então viu que estavam carregando o sujeito que ele afogou. Parecia que está semi-acordado e procurando algo. Achou Cassidy e apontou para ele:
- Ali! De óculos escuros! Foi ele o filho da puta que me afogou na privada!
Então os quatro sujeitos que pareciam ser amigos dele começaram a se aproximar. Constantine nem se mexeu:
- Eu sabia que essa merda ia feder…
- Cê se acha muito engraçado, né? – retrucou Cassidy. – Mas veja um profissional em ação…
O inglês sabia que vampiros eram mais resistentes e rápidos que simples seres humanos, mas antes que John sequer entendesse a sequência dos eventos, um dos rapazes já havia levado um soco e desmaiado, com uma fonte de sangue jorrando de onde deveria ser o seu nariz. Logo outro foi agarrado e alçou voo até a parte de trás do balcão, quebrando diversas garrafas. E Cassidy parecia estar se divertindo com tudo aquilo. Divertindo-se demais até.
Após nocautear os quatro valentões colocar o sujeito que estava na privada de volta ao seu devido lugar, Cassidy resolveu sentar na mesa, mas John Constantine não estava lá!
- FILHO DA PUTA! – gritou Cassidy esmurrando uma mesa, que se partiu.
O mago disse o que ele precisava saber, sabia que Brendan havia morrido em paz… Mas queria saber alguns detalhes ainda… Subitamente o som de sirenes se aproximando indicavam que era hora dele cair fora do bar. Deixou o dinheiro em cima da mesa e saiu pelos fundos, xingando Constantine por ter que pagado toda a conta sozinho.
ahhhhhhhh, foda demais cara!!! curti muito a estória hehe
Há, adorei.. *-*
Finalmente, e tudo se resolve numa mesa de bar…
Muito boa a historia.
Valeu a pena ler.