Monthly Archive for outubro 2010

Os Invisíveis – E.S.P. – Parte II

Dante Sólon entra na sala

Leósias entra na sala

Noname entra na sala

Dante Sólon fala para todos: Ice!

Leósias fala para todos: Chaos!

Noname fala para todos: Chaos! E aí, quais as informações que vocês conseguiram?

Leósias fala para todos: Bem, o encontro que vai rolar domingo agora é o ESP, Encontro Social Pagão. Quem organiza é uma lista de discussão chamada Gaia-Paganus, que existe faz uns anos já e tem membros do Brasil inteiro. Esses encontros rolam aqui em Sampa, no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Porto Alegre e estão organizando pra começar um em Lisboa, Portugal.

Dante Sólon fala para todos: Portugal? Eita porra! O bagulho não é pequeno não!

Leósias fala para todos: Essa lista não é nenhuma ordem ou coisa do tipo. Quem fundou a parada é uma bruxa natural que atende pelo nick de Freya e ela é do Rio. Até onde pude ver, não trabalha pro outro lado. Ela até ajuda a gente meio que sem querer…

Noname fala para todos: Então por que a Mamãe nos mandou dar uma olhada?

Leósias fala para todos: Porque aqui em Sampa esse encontro virou alvo de disputa de algumas facções do paganismo. Parece que a Associação Brasileira de Bruxos (Abrabru) está tentando tomar o controle do evento, que se diz independente de qualquer ordem. Além disso parece que as organizadoras daqui estão tretadas com a tal Freya e pra piorar, temos maçons e rosacruzes comparecendo ao encontro.

Noname fala para todos: Será influência deles a briga?

Leósias fala para todos: Não dá pra saber… A questão é que é quase certeza que o próximo encontro vai ser o último que essas minas vão organizar e aí teremos uma brecha na organização e um monte de gente babando pra pegá-la. A tal de Freya parece que até tenta escolher quem organiza a parada aqui, mas como ela tá no Rio, nada é certo.

Dante Sólon fala para todos: Tá, vamos ter que ir para lá. Além de nós, alguém mais para chamar?

Leósias fala para todos: Bem, acho bom chamar a Drafenna e a Camis para termos o toque feminino na parada. E Noname, não rola chamar uns Ice Knigths pro caso de rolar alguma treta?

Noname fala para todos: Rola sim. Chamo o Ogrinho e o Lord Gustaf.

Dante Sólon fala para todos: Belesma então. Nos encontramos no domingo no horário e local combinado. Leósias avisa os outros e Noname chama os Ice.

Noname responde para todos: Certo então! ICE!

Dante Sólon fala para todos: CHAOS!

Leósias fala par todos: CHAOS!!

Noname sai da sala.

Dante Sólon sai da sala.

Leósias fala para todos: Por que eu sou sempre o último a sair?

Leósias sai da sala.

(continua…)

Os Invisíveis – E.S.P. – Parte I

Praça Sílvio Romero, bairro Tatuapé, cidade de São Paulo, Brasil. No coreto estão sentados um sujeito cabeludo, barba por fazer, sobrancelhas grossas, camisa xadrez, calça jeans, sapatos e uma bolsa preta a tiracolo e um outro de cabelos pretos penteados para trás, suíças, óculos vermelhos e camiseta e calça jeans pretas. Ambos estão fumando e parecem impacientes. O cabeludo pergunta:

- Caceta, o Noname nunca é pontual.

O de óculos responde:

- Isso não é novidade, Dante. Ele vindo tá bom. Mesmo porque é ele quem sabe da missão.

- Certo… É que eu trouxe umas brejas e não queria que elas esquentassem, Leósias, só isso…

Então se aproxima um sujeito de cabelos encaracolados, óculos, barba por fazer, camiseta do Blind Guardian, calça jeans, tênis adidas e mochila nas costas. Os dois na praça sorriem ao vê-lo:

- Aleluia!

Noname sorri de volta e fala:

- Tentei vir na hora, mas minha mãe queria que eu comesse antes de sair e…

- Tá bom, tá bom! – interrompe Dante. – Vamos ao que interessa!

Ele tira umas cervejas da bolsa, todos abrem, brindam e dão o primeiro gole. Noname começa:

- Recebi uma mensagem da Mamãe Caos. Temos uma nova missão. – gole na cerveja. – Parece que tem uma nova egrégora se formando aqui em Sampa e temos que checar se tá tudo rolando bem.

- Tipo, qual é a egrégora? – pergunta Leósias.

- Basicamente tão rolando diversos encontros pagãos no Parque Trianon, lá na Paulista. Quase todo fim de semana algum tipo de pagão, neo-pagão ou qualquer merda do tipo está se reunindo lá a tarde.

Dante não entende:

- Eita porra! Mas isso não é bom? Não enfraquece a egrégora cristã?

- Mais ou menos… – explica Noname. – Parece que quem está puxando isso é um pessoal da wicca meio dogmático. Existe um receio de se substituir um padrão por outro. E, tipo, imaginem adolescentes querendo usar magia para catar seus amores ou se vingar de qualquer merdinha!

Dante e Leósias ficam pensativos. O segundo diz:

- Verdade, verdade… Quais os procedimentos?

- Os de sempre. Vamos fazer nossas pesquisas usuais e chegar como quem não quer nada. O encontro é no domingo que vem. Então proponho um encontro sexta a noite no nosso canal do MIRC para trocarmos o que conseguimos, beleza?

- Belesma! – respondem os dois.

(continua…)

Meu Marco Zero

DSC03088“Imaginação é mais importante que inteligência”.
- Albert Einstein

Quando ando pelo centro de São Paulo, tenho o hábito de colocar a mão no monumento do Marco Zero da cidade e dizer “Olá São Paulo, tudo bem?”. Em meio aquela junção de músicas nordestinas, crentes berrando, músicos itinerantes se apresentando e outros barulhos da cidade, às vezes eu quase ouço a cidade tentando me responder, mas nunca consegui entender. Mas é como se a alma da cidade ou seu coração estivesse ali, então sempre realizo esse ritual, como aquelas senhoras fazem com estátuas de santos católicos.

Outro dia li na Internet que o Marco Zero atual é o terceiro de uma tentativa de delimitar onde a cidade começou de fato. Também já ouvi que o Marco Zero na Praça de Sé é na verdade algo somente colocado lá como curiosidade ou atração turística e que no verdadeiro ponto inicial da cidade está a Catedral da Sé. Segundo essa mesma teoria, ficaria em um lugar escondido, mais abaixo que a igreja que existe dentro da Catedral, talvez onde estivessem enterrados todos aqueles arcebispos e um índio.

Marco_Zero_SPA verdade é que nunca fui atrás da historia oficial não. Para muita gente que passa pela praça diariamente aquele é o Marco Zero e aquilo me basta. Mesmo que não seja, tanta gente acredita que aquilo passa a ser um fato. E sem contar que não sabendo o que realmente houve e mesmo assim achando que lá está onde tudo começou tudo fica mais bonito e complexo. A história se enche de simbologia e se torna lendária, mítica.

Por exemplo, temos no monumento em hexágono indicando que em cada lado dele fica um estado do Brasil. Fizeram isso com base em mapas ou alguém saiu andando/cavalgando/dirigindo/voando e constatou que saindo daquele ponto em direção “x” saio em tal estado? Caso eu pegue uma bússola e um mapa ou resolva tentar seguir essa linha imaginária vai dar certo?

Sem contar o formato de pedestal do monumento. Lembra totens indígenas, monumentos de civilizações perdidas ou até extraterrestres. Ele foi construído ou quando os jesuítas e bandeirantes chegaram já estava ali? Caso já estivesse ali, a quem interessava denomina os nomes de cidades e estados daquela maneira? Os índios residentes ali há milênios o adoravam como um deus e recebiam algo em troca dessa adoração?

Mapa do Marco Zero na Sé - 22 12 09 - RMGTambém já ouvi dizer que o monumento na verdade é uma espécie de trava para correntes místicas que passam pela região e foi colocado ali pela Igreja Católica para bloquear/controlar esse fluxo de pura magia. Segundo essa teoria o que determina o centro de uma cidade é seu lugar e papel dentro desses caminhos de energia e por isso que sempre nos centros das cidades tem uma igreja e algum monumento na frente, em uma espécie de Feng Shui planetário.

Por isso mesmo nunca fui atrás da “Verdadeira História do Marco Zero da Cidade de São Paulo”. Deve ser algo tão chato envolvendo política e conchavos mesquinhos que prefiro ficar com minhas teorias malucas. Assim posso continuar tentando entender o que São Paulo quer me dizer.

2001_Odisseia_no_espaco_10