Eis o Questão – Parte II

imagem1-662x1024Após sua participação no mix da revista mensal Caçadores, o Questão ficou por um bom tempo esquecido aqui no Brasil. Mas o sucesso do herói tanto no desenho animado “Liga da Justiça Sem Limites” quanto seu retorno ao primeiro escalão do Universo durante a maxi-série “52” fizeram com que o interesse no personagem aumentasse. De olho nesse filão a Panini Comics lançou em formato encadernado o primeiro arco de histórias do herói pelas mãos do roteirista DennisDennis O’Neil: “Questão – Zen e a Arte da Violência”.

Dennis O’Neil já havia conquistado fama em sua parceria com Neal Adams em uma série de histórias do Arqueiro Verde e Lanterna Verde. Em uma saga que mudou para muitos o modo como o heróis deveriam agir perante o mundo, O’Neil e Adams fizeram os heróis esmeralda enfrentar problemas bem realistas. Drogas, racismo, superpopulação, fanatismo religioso, trabalho escravo. Estes foram somente alguns dos temas abordados pela dupla criativa. O’Neil e Adams também foram responsáveis por trazer o Batman de volta às suas origens sombrias e violentas após a fase “camp” do Homem-Morcego do seriado dos anos 80 ter contaminado as HQs. E foi com o desenhista Denys Cowan que o roteirista levou o Questão ao lado mais sombrio do Universo DC.

Em “Questão – Zen e a Arte da Violência”, somos apresentados a um herói que combate o crime de Hub City muito mais pela sede de emoção do que necessariamente por um elevado senso de Justiça. A cidade onde o personagem reside é um antro de corrupção e violência que chega em algum momentos a ser pior que Gotham City. Temos um prefeito alcoólatra é manipulado por um pastor fanático que leva a cidade cada vez mais ao caos por motivos obscuros. E quando as matérias do repórter Vic Sage e as ações de seu alter ego começam a incomodar, a assassina Lady Shiva é convocada para cuidar do caso.

imagem2Esse é o inicio de um arco que vai mudar não somente a forma como o Questão encara a forma como ele combate o crime, mas também sua visão de mundo e toda a cidade de Hub City. Com uma certa liberdade por estar trabalhando com um personagem de “segundo-escalão”, O’Neil não faz concessões, com realismo e violência que até hoje causam impacto. Artes marciais, filosofia zen, aceitação paterna, maternidade, religião, vingança, responsabilidade. Mais uma vez o roteirista usa suas HQs para tratar de assuntos caros a todos nós. E ainda temos uma participação impagável do Batman em um dos melhores momentos da obra.

A Panini lançou a revista pelo selo Panini Books, em formato de luxo, com capa dura e papel couché. Não se deixe assustar pelo preço e compre sem medo. É uma daquelas histórias que você vai querer reler de tempos e tempos. Fica o aguardo para que a Panini lance o restante das histórias!

(Semana que vem: as aventuras De Reneé Montoya como Questão.)

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3 Respostas para “Eis o Questão – Parte II”


  1. 1 Jacques

    O Questão é um personagem curioso.
    Assim como Arqueiro Verde e Batman, ele não tem poder nenhum,mas não se deixa rebaixar por isso.
    Lembro das hqs dele nas revistas do Batman em formatinho, já o gibi Os Caçadores eu infelizmente não cheguei a ler (estava gastando meu dinheiro em Sandman, X-Men e DC 2000 na época).
    Não entendi porque o mataram e o substituíram pela René Montoya na ótima série 52, mas fazer o quê?
    Até mais.

  2. 2 alessio

    O que gosto em personagens como o Questão é que por serem do “segundo escalão” da DC seus autores tem mais liberdade para trabalhar com ele. Ele morreu de câncer de tanto fumar e antes de partir resolveu treinar alguém para ficar em seu lugar.

    Montoya é uma personagem bem redonda, com ótimo background e desenvolvimento e acredito que o fato dela estar perdida após ter saído da Polícia de Gotham e mesmo assim querer “fazer Justiça” foi o que motivou o Questão a escolhê-la. Se eu fosse você daria uma lida nesta nova fase do(a) Questão e garanto que vai gostar!

  3. 3 Solon

    Comprei essa HQ há uns meses atrás… Espetacular. Penso exatamente da mesma forma, Alessio; o fato do Question ser do segundo escalão, faz com que os autores tenham mais liberdade. O clima noir é sensacional… Acho incrível que a maioria das pessoas não saiba apreciar algo desse tipo.

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