Arquivos para a Categoria 'Contos'

Tequila, Tatuagens & Traição

Eu realmente não estava a fim de sair de casa, mas meu camarada insistiu pra porra, vinha me pegar de carro, me deixava em casa na volta, de modo que acabei topando. No caminho pergunto a ele qual é o “brieffing” da missão. Ele parece irritado:

- Porra, já te falei três vezes! Ela divorciou e tá fazendo uma festinha na casa dela, só.

Aí os convidados levavam as bebidas e ela cuidaria das comidas. Como anfitriã faz gastronomia, acreditava que não teria do que reclamar. Paramos em um posto para comprar duas caixas de cerveja e finalmente chegamos ao local. Parece que somos uns dos últimos a chegar. A casa é grande e mesmo assim está relativamente cheia. Cumprimento nossa colega, fazia um bom tempo que não a via. Passo então o olho pela sala…

Putaqueopariu. Que morena era aquela? Cabelos pretos lisos até a cintura, olhos azuis, seios fartos e bunda idem. Me lembra na hora a Priscila do BBB. Meu número, pelamor. Perfeita… exceto pela aliança dourada na mão. Suspiro entristecido, era bom demais para ser verdade. Não que eu fosse efetivamente tentar algo, mas sonhar não custa nada, né?

De volta à realidade, a anfitriã chama meu camarada para ver um problema no PC dela, de modo que logo estou sozinho na sala com os outros convidados. O pessoal parecia simpático, mas aparentemente todos se conheciam, de modo que algum papo rolava solto. Resolvo ocupar as mãos para parecer menos deslocado e pego um copo de wiskhey sem gelo. Então finjo ver a coleção de CDs da casa enquanto pesco o papo deles a procura de uma brecha para poder participar. Mas uma das meninas pergunta, entusiasmada:

- Mais uma rodada de tequila?

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Lei Natural

A fila pra entrar na balada já está na esquina. Aqui não costuma lotar muito, mas fiquei sabendo na hora em que cheguei que hoje vai ter show do Copacabana Club, a banda indie do momento. Dizem que é um Cansei de Ser Sexy mais sério, mas eu ficaria extremamente puto se fosse do Copacabana Club e me comparassem com aquela merda de banda.

Meia hora de fila depois, finalmente minha garota consegue sair de lá para me fazer companhia. Graças aos deuses, porque o papo dos moderninhos na fila está de dar no saco. Estou com uma garrafa de Jose Cuervo na mochila, resolvi dar uma de patrão hoje. Saímos um pouco da fila e damos uns goles de canto, para evitar os tradicionais pidões. Quando voltamos pra fila, o rapaz deixa a gente voltar aonde estávamos. Gente boa. Quem sabe mais tarde lhe ofereça um gole de tequila.

Duas horas depois estamos na escada que dá acesso a porra da balada. E umas seis gurias resolvem furar fia na minha frente. Me manifesto:

- Na minha frente você não entra, querida.

- Mas nós tamo com ele aqui.

- Não tão não. Tô aqui desde as onze e meia e esse cara tava sozinho. Nem vem que não tem.

O “cara que tá com elas” finge que o papo não o envolve. A líder das fura-fila tenta argumentar:

- Mas um monte de gente entrou na frente.

- Na minha frente ninguém passou. Se teve otário que fez isso, eu não vou fazer. Você pode ver com o pessoal atrás de mim se deixam você passar, mas na minha frente não.

- Cara , é a lei natural.

Eu não acredito que ouvi uma merda dessas. A resposta sai sem pensar:

- Lei natural é o caralho.

Realmente tem coisas que só o palavrão expressa. Parece que elas entendem o recado e vão para o fim da fila.

Eu devia parar de ler Bukowski

É sério. O título acima não é brincadeira. Toda vez que leio algum livro do Velho Safado a merda se acumula ao meu redor. Da outra vez eu tinha lido “A garota mais bonita da cidade”. Larguei meu curso de Administração de Empresas no último semestre para trabalhar de assessor de imprensa em uma loja de artigos esotéricos nos fins de semana e em um barzinho perto da Faculdade São Judas durante a semana.

Havia várias festas pagãs nessa loja em que eu trabalhava. No final de quase todas eu estava um uma das salas de Ioga transando com a dona da lugar. Ainda tenho nas costas as cicatrizes das chicotadas que ela me deu na época. Já quando o bar fechava o dono sentava com os funcionários e ficávamos bebendo até altas horas da madrugada. Praticamente chegava em casa quase toda noite bêbado.

Em casa eu ficava ouvindo música, tomando café, fumando e escrevendo. Desse período saíram dois livros não publicados e algumas poesias que fariam parte de uma antologia anos depois. A editora dessa antologia eu conheci em um sarau gótico onde eu declamava letras de músicas do Rogério Skylab e de desenhos infantis dos anos 80. Também declamava minhas poesias, mas só as piores.

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A IMPERATRIZ ATACA!

Dark Chinelo corre o mais rápido que pode. Seus músculos estão chegando ao limite. Suas vestes em estilo grego e seus longos cabelos azuis praticamente se esticam, tamanha é a sua velocidade. Junto a ele estão seus companheiros de batalha: Foca Maravilha, um japonês moreno e bem torneado, surfista de tsunamis, os famosos maremotos japoneses, Xana, uma morena de corpo escultural e trajes minúsculos, gostosa por natureza e guerreira por vocação e o Maníaco da Silver Tape, rapaz da cabelos e olhos cinzas e trajes negros que fez dessa fita adesiva uma arma mortal. Todos correm como se suas vidas dependessem disso. Bem, quase todos:

- Ô mano! – diz um cansado Foca Maravilha. – A gente precisa correr tanto assim? É difícil manter a “velô” com essa prancha na mão…

- É preciso sim! – responde um determinado Dark Chinelo. – A vida de Ying depende disso. Se não formos rápidos, Yang irá matá-la!

Ying e Yang são duas irmãs gêmeas caçadoras de recompensas intergalácticas. Foram contratadas pela Imperatriz do Mal para capturar e matar os heróis e resolveram começar por Dark Chinelo. O plano era simples: Ying seduziria o herói e, depois que o levasse para a cama e tivesse “exaurido suas forças”, o atacariam. Só não deu certo por um detalhe: Ying se apaixonou por Dark Chinelo. As irmãs brigaram. Yang ganhou e trouxe sua irmã para um galpão abandonado. E é para esse local que os heróis se dirigem agora.

Chegando na porta do local, notam que ela está trancada. Isso não é problema para nossos heróis. Dark Chinelo se prepara e dá seu golpe:

- Tatsumaki Chutei Seu Saco! – e a porta cai.

Quando todos entram, encontram alguém que não esperavam encontrar. Não tão cedo. A sua frente estava uma mulher com um vestido armado nobre de cor verde e um rosto de inseto com enormes olhos vermelhos. Era ninguém mais ninguém menos que a Imperatriz do Mal.

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Tudo Errado

Três horas da manhã. Marcos está sentado no sofá da sala, abatido, lamentando sua vida. “Minha vida? Que piada!” – ele pensa. Ainda não se conformava do fato de Sílvia ter ido embora. Não se conformava do porquê ela ter ido embora. Amaldiçoava o dia em que se tornou um vampiro. E amaldiçoava ainda mais a ordem de vampiros ao qual pertencia. Por ordem de seus superiores, ele e mais alguns amigos se arriscaram para salvar Sílvia. Ela também era uma vampira e havia sido capturada por um laboratório farmacêutico. Para manter a existência dos vampiros em segredo, foi necessário resgatá-la e destruir alguns arquivos do laboratório. A missão foi um sucesso.

Então começaram os problemas. Sílvia não tinha mais onde ficar e Marcos ofereceu sua casa. Ela aceitou. Com o tempo, os dois se apaixonaram. Mas ela era uma Desgarrada, uma paria. Não pertencia a nenhum dos grupos vampíricos da cidade. Os superiores de Marcos não viram com bons olhos o fato dele ter oferecido abrigo a ela, mas ficaram quietos. Um romance, porém, era mais do que poderiam admitir. Um romance poderia nublar a mente de Marcos e fazê-lo esquecer que a Ordem está acima de tudo. Poderia fazê-lo até trair a Ordem. E tudo por causa de uma Desgarrada! Eles foram bem claros: “A expulse de sua casa e a deixe só, ou nós mesmos cuidaremos disso”. Marcos não queria vê-la morta pelos seus próprios erros. Acabou o relacionamento e a mandou embora.

Ele ainda se encontrava perdido em pensamentos quando sua campanhia tocou. Ao abrir a porta, uma surpresa:

- Zé?

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Eu, meu melhor amigo, duas putas e nossas ex-namoradas

Sempre costumo dizer que quanto menor a sua expectativa em relação a algo, mais chances você tem de ser dar bem. É uma simples questão de lógica: você não espera nada, logo qualquer coisa que vier é lucro, certo?

Então imaginem quais eram minhas expectativas em uma quarta-feira, faltando apenas dez minutos para encerrar meu expediente. Para ser bem sincero, eram que nenhum cliente entrasse, que o ônibus estivesse vazio e que meus irmãos tivessem saído, assim poderia jogar vídeogame. Sim, não sou um cara muito ambicioso. Mas também tinha levado um pé na bunda da minha namorada e estava mesmo a fim de me trancar no mundinho alegre e feliz de GTA San Andreas. Nada como violência gratuita e imaginária para sublimar um coração machucado.

Mas bem-vindos as “Aventuras de Alessio Esteves no Mundo do Caos, onde tudo pode acontecer…”

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Limão

Eita porra! Cadê todo mundo? Devem ter descido para ver o show ou pegar uma bebida. Eu falei que ia mijar e já voltava, custava esperar? Bem, vamos procurar a galera…

Descendo o primeiro lance de escadas, quase trombo com uma garota. Só depois daquele pedido de desculpas meio automático é que eu reparo nela. Loira, menor que eu, corpinho legal… e que olhos! E olhando diretamente nos meus. Fico meio sem jeito.

- Oi! – ela diz com uma voz meiguinha.

- Oi. – respondo, ainda sem graça.

- Quer limão?

O que? Limão? Só então reparo que ela segura em uma das mão um pedaço de limão. A garota pega o pedaço e enfia na boca.

- Vai querer o limão ou não? – insiste.

Peraí, ela quer que eu pegue o limão que ela está chupando? Ainde sem entender direito, respondo:

- Hã… Sim.

A loirinha me agarra, tasca um baita beijo e passa o limão pra minha boca. Sorri, fala um “valeu” e sobe as escadas, me deixando pasmo por alguns segundos. Resolvo voltar a procurar a galera, ainda tentando entender o que aconteceu…

O Mestre das Armas

Os três caminham pela mata fechada, com árvores altas que só deixam passar raios do Sol, que brilha acima da floresta. Um dos três é um oriental de olhos puxados, careca, trajando vestes azuis, tem uma mochila a tiracolo e uma faixa branca amarrada na cintura. Ele caminha na frente, com sua espada kataná em punho. Cada passo é cuidadoso, evitando fazer qualquer barulho sobre o solo coberto de folhas secas. Logo atrás vem uma criança de treze anos, olhos e cabelos castanhos. Veste uma armadura de couro e segura uma espada curta. Cuidando da retaguarda, temos um sujeito de longos cabelos e barba comprida, ambos castanhos. Também veste uma armadura de couro e segura uma maça em uma mão e um escudo na outra. Seria um sujeito normal, mas possui uma longa e grossa cauda! Abrindo um sorriso, o barbudo fala para o oriental:

- Ei, Akira! Apesar de não sabermos nada sobre nossa mestra, ela é bonita pra caramba, né?

Akira se vira e pára, sério:

- Tazloy, não sei ao certo como nem porque viemos parar nessa ilha, mas com certeza não foi para isso! Se concentre no que temos que fazer!

O garoto resolve falar:

- Calma Akira! Já cumprimos a tarefa que ela nos passou! Passamos um mês na floresta e estamos voltando vivos pra cabana dela. Não precisamos ser radicais. O pior já passou. Certo Tazloy?

- Com certeza. – ele concorda.

Akira não se dá por vencido:

- Escute Luk. Você está sob minha tutela, se lembra?

- O quê? Agora sou aluno de Lady Elek! Ou já se esqueceu que ganhei aquele duelo contra você com um único golpe?

- Ora, aquilo foi sorte! E além do mais… – mas Akira pára de falar e se volta para o céu.

- O que foi? – pergunta Tazloy.

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A loura, a morena e eu

“Cê tá ficando louco!”

“Isso é perda de tempo!”

“Não vai dar em nada!”

Era o que todo mundo me falava desde que eu tinha resolvido que ia comer uma mulher muito mais velha que eu. E que ia procurar essa mulher em salas de bate-papo da Internet.

Tudo começou quando um amigo meu me mostrou um site chamado ‘MILF Hunter”. MILF é uma sigla para “Mothers I´d Like to Fuck”. Mães que Eu Gostaria de Foder, numa tradução livre. Foi como se um novo mundo novo se abrisse para mim. Tava pouco me lixando se as mulheres que o cara comia no site eram mães de verdade ou não. O que realmente me impressionou é que existem mulheres muito mais velhas gostosíssimas! Eu tinha que comer uma delas! Claro que eu não tinha grana pra freqüentar baladas que coroas freqüentavam. Aliás, eu nem sabia em que tipo de balada eu deveria ir! A solução rápida e barata estava bem ali no meu quarto: Internet.

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Pregando

Puta que o pariu. De novo não. Agora toda vez que estiver indo pro trampo vou encontrar esse mala? Tento fingir que não vi e atravessar a rua, mas é em vão. O servo do Senhor me vê e acena:

- Oi cara! Tudo bem?

Tudo bem o caralho! Como é que vai estar tudo bem se logo de manhã tenho que ouvir a pregação estúpida do seu grupo de jovens? Dou meu melhor sorriso e respondo:

- Na correria, mas tudo bem sim.

Torço para ele estar com pressa, mas lógico que não está. E vem a tão esperada pergunta:

- Então cara, quando que você vai aparecer lá no grupo de jovens da nossa paróquia?

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