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	<title>O Protagonista 2.0 &#187; Contos do Saravejo</title>
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	<description>&#34;O Alessio é que nem um Hentai com tentáculos: bizarro, mas legal.&#34; - Kaimbra</description>
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		<title>Limão</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 22:12:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Contos do Saravejo]]></category>
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		<description><![CDATA[Eita porra! Cadê todo mundo? Devem ter descido para ver o show ou pegar uma bebida. Eu falei que ia mijar e já voltava, custava esperar? Bem, vamos procurar a galera&#8230; 
Descendo o primeiro lance de escadas, quase trombo com uma garota. Só depois daquele pedido de desculpas meio automático é que eu reparo nela. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eita porra! Cadê todo mundo? Devem ter descido para ver o show ou pegar uma bebida. Eu falei que ia mijar e já voltava, custava esperar? Bem, vamos procurar a galera&#8230; </p>
<p>Descendo o primeiro lance de escadas, quase trombo com uma garota. Só depois daquele pedido de desculpas meio automático é que eu reparo nela. Loira, menor que eu, corpinho legal&#8230; e que olhos! E olhando diretamente nos meus. Fico meio sem jeito.</p>
<p>- Oi! – ela diz com uma voz meiguinha.</p>
<p>- Oi. – respondo, ainda sem graça.</p>
<p>- Quer limão?</p>
<p>O que? Limão? Só então reparo que ela segura em uma das mão um pedaço de limão. A garota pega o pedaço e enfia na boca.</p>
<p>- Vai querer o limão ou não? – insiste.</p>
<p>Peraí, ela quer que eu pegue o limão que ela está chupando? Ainde sem entender direito, respondo:</p>
<p>- Hã&#8230; Sim.</p>
<p>A loirinha me agarra, tasca um baita beijo e passa o limão pra minha boca. Sorri, fala um &#8220;valeu&#8221; e sobe as escadas, me deixando pasmo por alguns segundos. Resolvo voltar a procurar a galera, ainda tentando entender o que aconteceu&#8230;</p>
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		<title>Menta</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 14:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um grupo de amigos, três rapazes e duas garotas, conversando perto do guarda-volumes. Estão sentados num dos cantos da sala. Um dos rapazes, fumando, comenta:- Já reparam como o gosto de um chiclete de menta e de uma bala de menta são parecidos?
- Dã! Mas é claro que sim, o dois é de menta! &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um grupo de amigos, três rapazes e duas garotas, conversando perto do guarda-volumes. Estão sentados num dos cantos da sala. Um dos rapazes, fumando, comenta:- Já reparam como o gosto de um chiclete de menta e de uma bala de menta são parecidos?</p>
<p>- Dã! Mas é claro que sim, o dois é de menta! &#8211; responde outro.<br />
Então uma das garotas diz:</p>
<p>- Gente, tenho uma camisinha de menta na bolsa. Será que o gosto é igual?</p>
<p>Todos se olham em silêncio até que o cara do cigarro se manifesta:</p>
<p>- Simples. É só a gente experimentar!</p>
<p><span id="more-134"></span></p>
<p>Mais uma vez todos se olham, só que agora com cara de nojo. O autor da idéia se defende:</p>
<p>- Gente, é só abrir a camisinha e mascar!</p>
<p>- Putz meu, cê vai mascar uma camisinha? &#8211; perguntam.</p>
<p>- E daí? Deve ser um plástico com gosto, quem nem chiclete. Aliás, sabendo como o preservativo é feito, deve ser muito mais higiênico.</p>
<p>Todos continuam se olhando.</p>
<p>- Dá logo essa porra aqui! &#8211; ele fala.</p>
<p>A garota dá a camisinha, ele abre e começa a mascar. A dona da camisinha resolve experimentar também:</p>
<p>- Passa aqui. &#8211; eles se beijam e o preservativo vai pra boca dela. &#8211; Alguém mais?</p>
<p>- Ah, dá aí vai. &#8211; resmunga outro dos rapazes e a garota passa a camisinha pra ele. Após experimentar, vira a segunda garota e pergunta. &#8211; Vai aí?</p>
<p>- Eu não, cê tá é louco! &#8211; ela responde com cara de nojo.</p>
<p>- Belesma. &#8211; vira pro cara que sobrou. &#8211; E tu, não vai experimentar?</p>
<p>- Vou, mas não da sua boca.</p>
<p>Todos caem na risada. A camisinha volta para a dona, que então beija o cara e ele experimenta. Finalmente a conclusão:</p>
<p>- Realmente tem gosto de menta.</p>
<p>E todos concordam.</p>
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		<title>A Garotinha Ruiva</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2008/06/18/a-garotinha-ruiva/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 05:50:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Contos do Saravejo]]></category>
		<category><![CDATA[bar]]></category>
		<category><![CDATA[Rua Augusta]]></category>
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		<description><![CDATA[Merda. Plena sexta-feira a noite e ninguém a fim de sair. Quem manda ser o único solteiro da turma? Devem estar todos beijando, se abraçando, de repente até transando eu aqui na Paulista andando à esmo. Acho melhor eu pegar o metrô e ir pra casa.
Grande, o metrô fechou. Só então me toco de olhar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Merda. Plena sexta-feira a noite e ninguém a fim de sair. Quem manda ser o único solteiro da turma? Devem estar todos beijando, se abraçando, de repente até transando eu aqui na Paulista andando à esmo. Acho melhor eu pegar o metrô e ir pra casa.</p>
<p>Grande, o metrô fechou. Só então me toco de olhar no relógio e vejo que já é meia-noite e meia. Só volto pra casa agora depois das quatro da matina, nem fodendo vou pegar ônibus agora. Não tô com saco pra ficar pulando de terminal em terminal. Acendo um cigarro e fico esperando que alguma coisa aconteça. Um sinal, algo, uma mina, sei lá.</p>
<p>Hum, mina. Bem pensado. Nessas horas malditas sempre dizem que uma transa resolve tudo. E que melhor lugar para arrumar uma transa que na Augusta? Tá certo que nunca fiz isso, mas tudo tem uma primeira vez na vida. E sempre me falaram que tem umas putas da hora por lá. Só espero que meu dinheiro dê.</p>
<p><span id="more-120"></span><br />
Não estou exatamente &#8220;descendo a rua Augusta a cento e vinte por hora&#8221;, mas pelo menos não vou passar a noite em branco. Então sentada num barzinho de esquina, algo me chama a atenção. Ruiva, gostosa, olhos cinzas (deve ser lente, mas ficou legal mesmo assim), toda de preto e fumando. Um charme só. Só que ela está com três caras. Será que é puta? Não parece. Tem mais jeito de amiga deles. Mas e se um dos caras for namorado? Quase por instinto, paro para fingir que vou amarrar meu tênis. Ela mais a trupe se levantam e seguem Augusta abaixo. Eu vou atrás. Devo estar ficando louco. Seguir uma mina que está com três caras é pedir pra arrumar confusão. Ah, foda-se. Sempre se dá um jeito de escapar.</p>
<p>Então eles entram em uma porta, todos. Paro em frente e analiso. Uma porta de ferro aberta. Sem placas, adesivos, luminosos. Nada indica que lugar é esse. A porta dá num corredor pintado de laranja, onde antes de uma escada tem um cara numa mesinha. A ruiva mais a turma param lá e parecem pegar comandas. Será que isso é um bar? Curioso com tudo e ainda querendo a ruiva, resolvo entrar.</p>
<p>O rapaz da mesa, um cabeludo, me diz um simpático &#8220;boa-noite&#8221; e pergunta meu nome. Diz que hoje o preço é cinco de entrada, que inclui uma hora de internet grátis, guarda volume e o ingresso do show de hoje. Pego a comanda e finalmente descubro o nome do lugar. Saravejo Internet Bar. Nome exótico. Ponho a porcaria da comanda no bolso e subo as escadas.</p>
<p>Saio num lugar que me dá duas opções de ir. Uma pra uma sala escura que possui outra escada e uma sala grande que termina no que parece ser o bar. Resolvo ir buscar uma bebida. Depois eu caço a ruiva.</p>
<p>O som do lugar é legal, parece que deixaram o rádio sintonizado em alguma estação de rock, provavelmente a Kiss. A caminho do bar, dou uma olhada na galera que frequenta o local. Um pessoal meio hippie, outros com cara de intelectual, alguns com pinta de heavy metal e até uns manos e patricinhas por aí. O lugar tem um quê underground, mas parece eclético o bastante para aceitar qualquer um.</p>
<p>Sou atendido no bar por um sujeito que é a cara do Lenny Kravits e para minha surpresa o preço da garrafa da breja é barata. Resolvo dar uma de gringo e pedir uma Bohemia. Dou um gole, acendo outro cigarro e estou pronto pra voltar a procurar a ruiva.</p>
<p>Na volta pelo salão, nem sinal da ruiva, me resta a sala escura. No caminho até as escadas, acho uma outra salinha e resolvo dar uma olhada. Um carrinho de mercado transformado em cadeira, luzes vermelhas e um casal se amassando. Acho que não é esse o lugar.</p>
<p>Do lado das escadas acho o anteriormente falado guarda-volumes. E só agora paro pensar que cinco paus de entrada, show, internet mais guarda-volume sai realmente barato.</p>
<p>Então reparo que, atrás de um monte de gente embolada, tem uma outra sala. Pelo som, acho que o show é ali. Como paguei por essa porra também, resolvo dar uma conferida. Empura daqui, &#8220;com licença&#8221; dali, entro na sala. Ela é iluminada com uma luz azul, suficiente só pra ver quem está tocando. E lá no meio da outra parede, tem um cara que parece fugido do Led Zepellin tocando cítara. Olho ao redor nada da ruiva. Uma coisa que me chama a atenção é que não tem ninguém conversando. Todos estão vendo o cara tocar. Sem entender nada, tento ver o que há de tão especial no cara. Realmente, o cara manda bem e o clima favorece a apresentação. Fica até meio surreal, hipnótico&#8230;</p>
<p>Só volto a mim quando a cítara pára e o pessoal aplaude. Acho que viajei demais no som. Valeria até a pena ficar mais um pouco, mas não entrei pra ver o show.</p>
<p>Subindo as escadas, descubro os banheiros e mais algumas surpresas. Tem um brechó aqui e uma sala de cinema. Não parece muito grande, que tipo de filme rola aqui? Dou uma rápida olhada no brechó. Um monte de roupas e acessórios e umas minas bonitinhas. Nem vou entrar.</p>
<p>Subo mais um lance de escadas e saio em outro salão. O som mudou aqui, tá rolando algo meio anos 80. Finalmente encontro os computadores para acessar a net. Num bar desses, cheio de gente, tem quem resolve ir ao mundo virtual. Vai entender. Ao lado de uma mesa cheia de livros em várias línguas, encontro quem eu procurava, e infelizmente com os três amigos.</p>
<p>Sigo analisando a situação. Não está de mãos dadas com ninguém. Não usa aliança. Parece tratar os três de forma igual. Mas pode rolar algo com algum deles. Preciso dar um jeito de descobrir.</p>
<p>Ela se levanta e desce as escadas. Foi ao banheiro. Reparando nos caras, um deles está com uma camiseta do Chê. Posso colar nele como quem não quer nada para falar dele e aí papo vai, papo vem, descubro sobre a ruiva. Bem pensado.</p>
<p>Dando uma de mané, me aproximo fingindo que estou interessado nos livros. Um dos três, um cabeludo, me pergunta:</p>
<p>- Sabe se dá pra comprar esses livros?</p>
<p>Yes! A chance que eu esperava! Respondo:</p>
<p>- Ixi cara, primeira vez que venho aqui, nem sei.</p>
<p>Os dois ficam se olhando com aquela cara de &#8220;pois é né&#8221;. O da camiseta se aproxima:</p>
<p>- Sem querer abusar mas já abusando, poderia me arrumar um cigarro?</p>
<p>A coisa está saindo melhor que o esperado! Logicamente, dou o cigarro pro cara e começo meu plano:</p>
<p>- Louca sua camiseta.</p>
<p>- Valeu. Nem uso muito, sabe? Essa imagem ficou muito pop.</p>
<p>Putz, vai ver que o cara é meio revolucionário. Fico meio sem saber o que responder, mas eis que a ruiva volta, me olha e diz:</p>
<p>- Olá. Quem é? Amigo de vocês?</p>
<p>Todo mundo se olha e o da camiseta diz:</p>
<p>- Bem, a gente se conheceu agora, nem sabemos os nomes um do outro.</p>
<p>- Verdade. &#8211; respondo sem jeito.</p>
<p>Então nos apresentamos e eles apresentam a ruiva como &#8220;amiga&#8221;. Se Deus existe, ele está do meu lado hoje. Vem aquele papo básico de &#8220;como descobriu o lugar&#8221;, &#8220;de onde você é&#8221;, &#8220;que som você curte&#8221;, etc e tal. O pessoal é bastante simpático e o papo vai ficando interessante. Aproveito as deixas possíveis para lançar olhares para a ruiva. A certa altura, o terceiro dos caras se levanta e diz, meio que rindo:</p>
<p>- Acho que vou descer pra ver banda, alguém mais vai?</p>
<p>Será que dei muito na cara e eles perceberam? E agora? O cabeludo e o da camiseta olham um pro outro, dão uma risadinha cínica, levantam e acompanham o cara, falando que &#8220;iam pegar uma brejas e já voltavam&#8221;. Me encontro sozinho com ela. É agora ou nunca. Respiro fundo e mando:</p>
<p>- Sabia que entrei aqui só por sua causa?</p>
<p>- Como assim? &#8211; ela responde intrigada.</p>
<p>- Bem, eu tava descendo a Augusta, te vi num botequinho e, bem, te segui pra ver no que dava. Acabei vindo pra cá.</p>
<p>- Sério? Que meigo! &#8211; diz sorrindo.</p>
<p>Me aproximo um pouco mais e coloco meu braço atrás dela no sofá. Mudo de assunto:</p>
<p>- Legais seus amigos.</p>
<p>- Gosto muito deles. A gente sempre sai junto.</p>
<p>- Já conhecia aqui?</p>
<p>- Só um deles. Ele falou tanto que resolvemos vir. Gostei, sabe?</p>
<p>Hora de retomar o xaveco.</p>
<p>- Também gostei, mas não só do bar.</p>
<p>Ela faz uma cara de &#8220;você está me cantando e eu sei&#8221; e pergunta:</p>
<p>- E do que mais você gostou?</p>
<p>- Acho que é um pouco óbvio&#8230; &#8211; me aproximo e rola o beijo. Não é que ela beija bem? Mas no meio do segundo beijo, sou interrompido por um grito.</p>
<p>- Score!</p>
<p>Olho e estão os três amigos dela cascando o bico. Ela então explica que aquele grito é uma gíria deles para &#8220;faturou&#8221;. Acho que devem ter percebido minha cara de &#8220;boiei&#8221;. Eles então voltam a descer. Quer dizer que os filhos da puta subiram só pra zoar? Devo ter dado muito na cara mesmo. De novo a sós, voltamos a ficar.</p>
<p>No final de tudo, apesar de não ter transado (os banheiros eram muito lotados, não tinham trinco e ela não deu a menor brecha pra isso) e ter voltado pra casa só as cinco da matina, dormi feliz. Conheci um lugar supimpa, uma galera legal e sabe o melhor de tudo? A ruiva mora perto da casa! Acho que domingo vou na missa agradecer a alguém&#8230;</p>
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