““Imaginação é mais importante que inteligência”.
- Albert Einstein
Quando ando pelo centro de São Paulo, tenho o hábito de colocar a mão no monumento do Marco Zero da cidade e dizer “Olá São Paulo, tudo bem?”. Em meio aquela junção de músicas nordestinas, crentes berrando, músicos itinerantes se apresentando e outros barulhos da cidade, às vezes eu quase ouço a cidade tentando me responder, mas nunca consegui entender. Mas é como se a alma da cidade ou seu coração estivesse ali, então sempre realizo esse ritual, como aquelas senhoras fazem com estátuas de santos católicos.
Outro dia li na Internet que o Marco Zero atual é o terceiro de uma tentativa de delimitar onde a cidade começou de fato. Também já ouvi que o Marco Zero na Praça de Sé é na verdade algo somente colocado lá como curiosidade ou atração turística e que no verdadeiro ponto inicial da cidade está a Catedral da Sé. Segundo essa mesma teoria, ficaria em um lugar escondido, mais abaixo que a igreja que existe dentro da Catedral, talvez onde estivessem enterrados todos aqueles arcebispos e um índio.
A verdade é que nunca fui atrás da historia oficial não. Para muita gente que passa pela praça diariamente aquele é o Marco Zero e aquilo me basta. Mesmo que não seja, tanta gente acredita que aquilo passa a ser um fato. E sem contar que não sabendo o que realmente houve e mesmo assim achando que lá está onde tudo começou tudo fica mais bonito e complexo. A história se enche de simbologia e se torna lendária, mítica.
Por exemplo, temos no monumento em hexágono indicando que em cada lado dele fica um estado do Brasil. Fizeram isso com base em mapas ou alguém saiu andando/cavalgando/dirigindo/voando e constatou que saindo daquele ponto em direção “x” saio em tal estado? Caso eu pegue uma bússola e um mapa ou resolva tentar seguir essa linha imaginária vai dar certo?
Sem contar o formato de pedestal do monumento. Lembra totens indígenas, monumentos de civilizações perdidas ou até extraterrestres. Ele foi construído ou quando os jesuítas e bandeirantes chegaram já estava ali? Caso já estivesse ali, a quem interessava denomina os nomes de cidades e estados daquela maneira? Os índios residentes ali há milênios o adoravam como um deus e recebiam algo em troca dessa adoração?
Também já ouvi dizer que o monumento na verdade é uma espécie de trava para correntes místicas que passam pela região e foi colocado ali pela Igreja Católica para bloquear/controlar esse fluxo de pura magia. Segundo essa teoria o que determina o centro de uma cidade é seu lugar e papel dentro desses caminhos de energia e por isso que sempre nos centros das cidades tem uma igreja e algum monumento na frente, em uma espécie de Feng Shui planetário.
Por isso mesmo nunca fui atrás da “Verdadeira História do Marco Zero da Cidade de São Paulo”. Deve ser algo tão chato envolvendo política e conchavos mesquinhos que prefiro ficar com minhas teorias malucas. Assim posso continuar tentando entender o que São Paulo quer me dizer.

