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	<title>O Protagonista 2.0 &#187; Crônicas do Caostidiano</title>
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		<title>Meu Marco Zero</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2010 22:23:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;&#8220;Imaginação é mais importante que inteligência&#8221;.
- Albert Einstein
Quando ando pelo centro de São Paulo, tenho o hábito de colocar a mão no monumento do Marco Zero da cidade e dizer “Olá São Paulo, tudo bem?”. Em meio aquela junção de músicas nordestinas, crentes berrando, músicos itinerantes se apresentando e outros barulhos da cidade, às vezes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-795" title="DSC03088" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2010/10/DSC03088-280x420.jpg" alt="DSC03088" width="210" height="315" /><em>&#8220;<span>&#8220;Imaginação é mais importante que inteligência&#8221;.</span><br />
- Albert Einstein</em></p>
<p>Quando ando pelo centro de São Paulo, tenho o hábito de colocar a mão no monumento do Marco Zero da cidade e dizer “Olá São Paulo, tudo bem?”. Em meio aquela junção de músicas nordestinas, crentes berrando, músicos itinerantes se apresentando e outros barulhos da cidade, às vezes eu quase ouço a cidade tentando me responder, mas nunca consegui entender. Mas é como se a alma da cidade ou seu coração estivesse ali, então sempre realizo esse ritual, como aquelas senhoras fazem com estátuas de santos católicos.</p>
<p>Outro dia li na Internet que o Marco Zero atual é o terceiro de uma tentativa de delimitar onde a cidade começou de fato. Também já ouvi que o Marco Zero na Praça de Sé é na verdade algo somente colocado lá como curiosidade ou atração turística e que no verdadeiro ponto inicial da cidade está a Catedral da Sé. Segundo essa mesma teoria, ficaria em um lugar escondido, mais abaixo que a igreja que existe dentro da Catedral, talvez onde estivessem enterrados todos aqueles arcebispos e um índio.</p>
<p><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-797" title="Marco_Zero_SP" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2010/10/Marco_Zero_SP-280x373.jpg" alt="Marco_Zero_SP" width="221" height="294" />A verdade é que nunca fui atrás da historia oficial não. Para muita gente que passa pela praça diariamente aquele é o Marco Zero e aquilo me basta. Mesmo que não seja, tanta gente acredita que aquilo passa a ser um fato. E sem contar que não sabendo o que realmente houve e mesmo assim achando que lá está onde tudo começou tudo fica mais bonito e complexo. A história se enche de simbologia e se torna lendária, mítica.</p>
<p>Por exemplo, temos no monumento em hexágono indicando que em cada lado dele fica um estado do Brasil. Fizeram isso com base em mapas ou alguém saiu andando/cavalgando/dirigindo/voando e constatou que saindo daquele ponto em direção “x” saio em tal estado? Caso eu pegue uma bússola e um mapa ou resolva tentar seguir essa linha imaginária vai dar certo?</p>
<p>Sem contar o formato de pedestal do monumento. Lembra totens indígenas, monumentos de civilizações perdidas ou até extraterrestres. Ele foi construído ou quando os jesuítas e bandeirantes chegaram já estava ali? Caso já estivesse ali, a quem interessava denomina os nomes de cidades e estados daquela maneira? Os índios residentes ali há milênios o adoravam como um deus e recebiam algo em troca dessa adoração?</p>
<p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-799" title="Mapa do Marco Zero na Sé - 22 12 09 - RMG" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2010/10/Mapa-do-Marco-Zero-na-Sé-22-12-09-RMG-280x257.jpg" alt="Mapa do Marco Zero na Sé - 22 12 09 - RMG" width="215" height="197" />Também já ouvi dizer que o monumento na verdade é uma espécie de trava para correntes místicas que passam pela região e foi colocado ali pela Igreja Católica para bloquear/controlar esse fluxo de pura magia. Segundo essa teoria o que determina o centro de uma cidade é seu lugar e papel dentro desses caminhos de energia e por isso que sempre nos centros das cidades tem uma igreja e algum monumento na frente, em uma espécie de Feng Shui planetário.</p>
<p>Por isso mesmo nunca fui atrás da “Verdadeira História do Marco Zero da Cidade de São Paulo”. Deve ser algo tão chato envolvendo política e conchavos mesquinhos que prefiro ficar com minhas teorias malucas. Assim posso continuar tentando entender o que São Paulo quer me dizer.</p>
<p><img class="alignright size-medium wp-image-800" title="2001_Odisseia_no_espaco_10" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2010/10/2001_Odisseia_no_espaco_10-480x226.jpg" alt="2001_Odisseia_no_espaco_10" width="480" height="226" /></p>
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		<title>Sexo, Suor e Samba (e Rock´n Roll!)</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2010/02/22/sexo-suor-e-samba-e-rock%c2%b4n-roll/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 01:52:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Adoniran Barbosa]]></category>
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		<description><![CDATA[ 
“Esse ano eu vou sair de diabo
Já tenho o chifre
Só falta o rabo
Mas se você me der o rabo
Vou de diabo pra curtir o Carnaval”
- Velhas Virgens, “A Marcha do Diabo”

Parecia mais uma noite comum no Inferno, balada rocker na Rua Augusta, mas na fila já temos sinais de que algo está&#8230; diferente, por assim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em> </em></p>
<p style="text-align: right;"><em></em><em>“Esse ano eu vou sair de diabo<br />
</em><em>Já tenho o chifre<br />
</em><em>Só falta o rabo<br />
</em><em>Mas se você me der o rabo<br />
</em><em>Vou de diabo pra curtir o Carnaval”<br />
</em><em>-</em> <a title="Site oficial da banda." href="http://www.velhasvirgens.com.br/">Velhas Virgens</a>,<em> “A Marcha do Diabo”</em>
</p>
<p style="text-align: left;">Parecia mais uma noite comum no <a title="Site oficial da balada." href="http://www.infernoclub.com.br/" target="_blank">Inferno</a>, balada rocker na <a title="Mais sobre a Rua Augusta no meu site." href="http://oprotagonista.com/?s=Rua+Augusta" target="_self">Rua Augusta</a>, mas na fila já temos sinais de que algo está&#8230; diferente, por assim dizer. Podemos ver um cara fantasiado de <a title="Mais sobre o Chapolim no Wikipedia." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/El_Chapul%C3%ADn_Colorado" target="_blank">Chapolin</a>, uma guria com um daqueles colares de flores. Entrando no no local, tudo parece normal, mas após algum tempo começa a tocar algumas marchinhas de Carnaval antigas. É “alalaô” pra cá, “se você pensa que cachaça é água” pra lá. Então finalmente sobe ao palco a atração da noite, a banda Velhas Virgens. O vocalista Paulão está fantasiado de diabo e o resto da banda parece q fugiu de algum baile do Havaí. Então eles começam a tocar MAIS MARCHINHAS DE CARNAVAL!</p>
<p>O que está acontecendo? Estamos em um<a title="Veja e tenha medo." href="http://www.youtube.com/watch?v=mRbvDKAtZl4" target="_blank"> universo paralelo</a>? É um episódio do <a title="Mais sobre essa série no Wikipedia." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Twilight_Zone" target="_blank">Twiligth Zone</a>? Não. É pura e simplesmente o Carnavelhas, uma singela homenagem da banda Velhas Virgens aos sambas sacanas e aos bailes das antigas. Mais que isso, é um verdadeiro baile de Carnaval, com confete, serpentina, gente sambando de indicador levantado, gente passando mal porque bebeu demais, e por aí vai. São roqueiros curtindo o carnaval mais que muito sambista por aí.</p>
<p><span id="more-699"></span></p>
<p>Fui à edição do ano passado do Carnavelhas, mas o excesso do álcool no sangue não me permitiu lembrar muita coisa do show (nada que eu nunca tenha feito antes). Esse ano resolvi beber menos. Nunca fui de pular Carnaval e dessa vez resolvi observar mais “antropologicamente” a parada toda.</p>
<p>Não é um show comum do Velhas, eles até tocam músicas próprias, mas todas são &#8220;de carnaval&#8221;. Nada do setlist de sempre. E há covers, muitos covers. Esse ano eles fizeram uma homenagem aos 100 anos do <a title="Mais sobre Adoniran Barbosa." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adoniran_Barbosa" target="_blank">Adoniran Barbosa </a>(coisa que NENHUMA Escola de Samba Paulistana fez), tocando versões rock de algumas músicas dele. Mas estilo baixo e as atitudes machistas que fizeram a história da banda estão tão presentes como nunca. Palavrões, garotas se agarrando, cerveja e whiskey molhando o palco, homenagens ao CUríntia&#8230; Tudo isso está lá.</p>
<p>Particularmente, achei o maior barato ver conhecidos meus que dizem “odiar o carnaval” pulando ao som de “Maria Sapatão” e cantando em alto e bom som o “Samba do Ernesto”. Um amigo meu vive me dizendo que sou uma mistura de <a title="Mais sobre Cartola." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cartola_(compositor)" target="_blank">Cartola </a>com <a title="Site oficial do Rei." href="http://www.elvis.com/" target="_blank">Elvis</a> e nessa noite eu consegui entender. Se ano que vem eu não viajar, estarei no Inferno para o próximo Carnavelhas!</p>
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		<title>Na Noite Mais Densa</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2009/11/12/na-noite-mais-densa/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 01:48:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>

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		<description><![CDATA[“Medo do escuro
Medo do Escuro
Tenho um medo constante
De algo que está ali.”
- Iron Maiden, “Fear of the Dark”
Tudo as luzes apagadas até onde a vista alcança. Linhas de celulares congestionadas. Pessoas passam andando tão rápido que quase correm. Carros ou se movem muito devagar por não saber o que há na próxima esquina ou muito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>“Medo do escuro<br />
Medo do Escuro<br />
Tenho um medo constante<br />
De algo que está ali.”<br />
- Iron Maiden, “Fear of the Dark”</em></p>
<p>Tudo as luzes apagadas até onde a vista alcança. Linhas de celulares congestionadas. Pessoas passam andando tão rápido que quase correm. Carros ou se movem muito devagar por não saber o que há na próxima esquina ou muito rápido em frenesi para saber se tudo está bem em casa. O sinistro silêncio é ocasionalmente interrompido por sirenes de ambulâncias e carros de bombeiros. Algumas pessoas ficam nas portas de casa ou próximas a pontos de ônibus, esperando por alguém que não sabem se vai chegar. E no horizonte há uma forte luminosidade laranja oscilando entre colunas de fumaça, indicando um incêndio.</p>
<p>Sinopse do novo filme-catástrofe que vai arrebentar nessa temporada nos cinemas? Não. Isso foi o que eu vi da janela do meu quarto durante o blecaute que houve em São Paulo e boa parte do país. E olha que onde eu moro ele durou somente duas míseras horas.</p>
<p><span id="more-684"></span></p>
<p>É nessas momentos que percebemos como esquecemos de algumas coisas básicas. Quantos tinham rádio de pilha pra poder ouvir o que estava acontecendo? Quem sempre ficou feliz com os baixos custos de um Netfone se deu mal porque eles NÃO FUNCIONAM na falta de energia. Telefones sem fio também não. Aí foi todo mundo usar o celular e o serviço sobrecarregou. O metrô parou e quase ninguém sabia indicar rotas alternativas. Pelo rádio via celular ficamos sabendo que a luz acabou em grande parte do país e ainda não se sabia toda a extensão do apagão. Recomendam que ninguém saia de casa.</p>
<p>Meu irmão ficou preocupado que a namorada dele não chegava da faculdade e foi pra rua esperá-la com receio de que ela andasse sozinha por dois quarteirões. Depois de meio hora, minha mãe começou a ficar preocupada com ele sozinho ma rua e lá fui eu ficar com ele. Não que minha forte presença fosse fazer qualquer diferença em caso de confusão, mas pelo menos minha mãe ficava menos histérica. E eu tinha uma ótima desculpa para ver como as coisas realmente estavam. “A história está nas ruas.”, como diz Spider Jerusalem.</p>
<p>Fiquei cerca de uma hora com meu irmão. O problema de andar nas ruas durante um blecaute não é a escuridão, mas sim uma luz da carro na sua cara justamente quando seu olho já estava ficando acostumado. Ou seja, se você anda na contramão fica com a vista ofuscada a maior parte do tempo. Outro problema é a paranóia. Qualquer um que está andando subitamente vira em assassino-ladrão-etc e você tenta evitar até passar perto. E o engraçado é que a pessoa que passa por você tem o mesmo medo. Qualquer pássaro ou bicho que passa voando na sua cabeça ou é uma coruja ou um morcego, bichos usualmente relacionados à coisas ruins.</p>
<p>E os carros? Parece que os motoristas perdem noção de espaço pela falta de luz nas ruas. Andam devagar ou rápido demais. Fazem curvas muito fechadas ou muito abertas. Não estava em nenhuma via movimentada e quase presenciei três acidentes.</p>
<p>Meu irmão ficava cada vez mais preocupado. Ligava para a namorada de minuto em minuto e sempre dando “REDE OCUPADA”. Ele sequer sabia se ela havia conseguido sair do metrô. Passava da meia-noite, em breve os ônibus encerrariam suas atividades e nada da garota. E a espera sem nenhuma notícia mata. Até eu que estava relativamente calmo comecei a me preocupar. Mas no final todos foram dormir são e salvos. Pelo menos em casa. Nem todos tiveram finais felizes.</p>
<p>Explicações oficiais sobre “descargas elétricas” e afins, independente de serem verdadeiras ou não, nunca serão suficientes. Paranóicos já associam esse evento com o iminente fim do mundo em 2012, distração para encobrir eventos mais sinistros e por aí vai. Governantes e companhias elétricas despejam comunicados oficiais através de suas assessorias e tudo vai acabar ficando por isso mesmo. Mas pelo menos o Lula já tem seu próprio apagão.</p>
<p>Mas o que fica mesmo de episódios como esse é que agimos por puro instinto. Fazemos o que temos que fazer independente de tudo. Eu e meu irmão não nos damos muito bem faz um tempo já, mas fiquei lá com ele o tempo necessário para ele e minha mãe ficarem menos tensos. Mal trocamos palavras, mas estávamos juntos naquela esquina escura. Meu outro irmão pura simplesmente foi dormir. Quanto a mim, quando soube que o apagão estava muito além da cidade de São Paulo, a primeira coisa que fiz foi ligar para Americana para saber se tudo estava bem com ela. E fiquei aliviado quando soube que ela não estava sozinha e sim na casa de uns amigos esperando a luz voltar. Citando King Mob: “É horrível quando você percebe que é igual a todo mundo.”</p>
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		<title>Imparcialidade de cu é rola!</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2009/10/29/imparcialidade-de-cu-e-rola/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 09:30:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Assessoria de Imprensa]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Sinto uma matéria vindo. Sinto nos meus testículos de jornalista&#8230;&#8221;
- Warren Ellis, Transmetropolitan
Como assessor de imprensa, é meu dever assistir o show da banda que me contratou e fazer uma matéria sobre o que vi e ouvi. Mas meu lado jornalista-idealista se nega e fazer uma simples resenha de show falando bem de uma banda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Sinto uma matéria vindo. Sinto nos meus testículos de jornalista&#8230;&#8221;<br />
- <a title="Site oficial do autor." href="http://www.warrenellis.com/" target="_blank">Warren Ellis</a>, <a title="Transmetropolitan no Wikiedia." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Transmetropolitan" target="_blank">Transmetropolitan</a></em></p>
<p>Como assessor de imprensa, é meu dever assistir o show da banda que me contratou e fazer uma matéria sobre o que vi e ouvi. Mas meu lado jornalista-idealista se nega e fazer uma simples resenha de show falando bem de uma banda e dane-se o resto. Porra, o show costuma rolar em um lugar que tem história, as pessoas que foram ver esse show estão lá por vários motivos além da banda em si. E quase sempre a banda que você vai cobrir divide o palco com pelo menos outra banda. Não vejo porque deixar tudo isso de fora de uma matéria só porque você é assessor de imprensa.</p>
<p>Então eu faço questão de ser um dos primeiros a chegar ao local, assim eu &#8220;sinto&#8221; o ambiente e as pessoas que estão nele. Bebo um pouco, interajo, observo. E faço questão também de ver todos os shows do dia e comentá-los na matéria. Essas bandas não estão juntas a toa, nenhum produtor que se preze é burro de fazer isso. Tudo ali faz parte de um mesmo conjunto de obra, de uma mesa idéia. Portanto me vejo na obrigação profissional de relatar tudo isso. Como minha chefa até agora não fez objeção aos meus textos, sigo assim enquanto puder.</p>
<p><span id="more-669"></span></p>
<p>E lá fui eu cobrir um show da <a title="Site oficial da banda." href="http://www.barangarock.com.br/" target="_blank">Baranga</a> na festa de aniversário do <a title="Site oficial da balada." href="http://www.blackmore.com.br/" target="_blank">Blackmore</a>. Duas bandas iam dividir o palco com eles: <a title="Site oficial da banda." href="http://www.crackerblues.com/" target="_blank">Cracker Blues</a> e <a title="Tomada no MySpace." href="http://www.myspace.com/tomada" target="_blank">Tomada</a>. Fuçando na net sobre essas bandas, achei interessante o estilo de som do Cracker Blues: country e blues texano. Essa era com certeza uma banda que eu iria gostar, já que ando ouvindo muito country esses dias. O Blackmore é um bar bem legal quando a lotação não o torna uma sauna e eu estava indo em companhia de dois ótimos amigos: Gafanhoto e Kiba. A noite prometia.</p>
<p>A primeira surpresa foi constatar que reformaram o lugar e ele estava bem mais arejado. A segunda foi reencontrar uma antiga &#8220;amiga&#8221; e&#8230; bem&#8230; &#8220;matar saudades&#8221; por assim dizer (ninguém é de ferro, certo?). Então o Cracker Blues sobe ao palco. Todos com um visual cowboy-Tarantino. E o som era realmente bom. Minto, achei o som pra lá de foda! Tanto que logo depois que o Tomada começou a tocar fui trocar idéia com o Paulo Coruja, vocalista da banda. O cara super gente boa, conversamos um tempinho sobre música e tal e depois voltei para ver o show e poder escrever a matéria.</p>
<p>Quase duas semanas depois recebo um e-mail do próprio Paulo agradecendo minha <a title="A maldita matéria." href="http://oprotagonista.com/2009/06/16/so-deu-mulher-no-show-da-baranga/" target="_self">matéria</a> sobre o show no Blackmore. Trocamos algumas mensagens e finalmente adquiri o álbum de estréia da banda, &#8220;Entre o México e o Inferno&#8221;. E ouso dizer que é tão bom quanto o som da banda ao vivo!</p>
<p>Enfim, tudo isso foi escrito para poder explicar como conheci a banda e adquiri seu álbum sem tornar a resenha que vou fazer do mesmo demasiadamente grande nem posar de imparcial. Sim, conheço os caras pessoalmente e vou fazer uma resenha de um álbum que achei do caralho. Caso você não goste disso, sinta-se a vontade para dar &#8220;Alt+F4&#8243;, tá? Ou pode ler coisas mais imparciais como a <a title="Revista Veja On Line" href="http://veja.abril.com.br/" target="_blank">Veja</a> ou o <a title="Versão On Line do Jornal." href="http://www.estadao.com.br/" target="_blank">Estado de São Paulo</a>&#8230;</p>
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		<title>É Proibido Fumar</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2009/10/20/e-proibido-fumar/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 09:00:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Fumar agora só lá fora.&#8221;
- Jingle da propaganda de divulgação da lei Antifumo
&#8220;A única coisa pior que um não-fumante é um ex-fumante.&#8221;
- Algum fumante anônimo
De acordo com Lei 13.541 de 07 de maio de 2009, é totalmente proibido fumar em qualquer ambiente fechado, seja ele privado ou público. Não só não se pode mais fumar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Fumar agora só lá fora.&#8221;<br />
- Jingle da propaganda de divulgação da lei Antifumo</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;A única coisa pior que um não-fumante é um ex-fumante.&#8221;<br />
- Algum fumante anônimo</em></p>
<div id="attachment_634" class="wp-caption aligncenter" style="width: 290px"><img class="size-thumbnail wp-image-634" title="antifumo" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2009/10/antifumo-280x190.jpg" alt="Logotipo de Lei Antifumo." width="280" height="190" /><p class="wp-caption-text">Logotipo de Lei Antifumo.</p></div>
<p>De acordo com Lei 13.541 de 07 de maio de 2009, é totalmente proibido fumar em qualquer ambiente fechado, seja ele privado ou público. Não só não se pode mais fumar em prédios, bares ou baladas, como também estão proibidos os &#8220;fumódromos&#8221;. Todos aplaudiram esta bela iniciativa do governador do estado de São Paulo <a title="José Serra no Wikipedia." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Serra" target="_blank">José Serra</a> (<a title="Site oficial do partido." href="http://www.psdb.org.br/" target="_blank">PSDB</a>) e que contou com o apoio massivo do prefeito de São Paulo <a title="Gilbertp Kassab no Wikipedia." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilberto_Kassab" target="_blank">Gilberto Kassab</a> (<a title="Site oficial do partido." href="http://www.democratas.org.br/" target="_blank">DEM</a>) e outros políticos da base aliada estadual.</p>
<p>Na esteira do estabelecimento da nova lei choveram dados estatísticos sobre os males do fumo ativo e passivo, assim como pesquisas de opinião mostrando o grande apoio da população em geral à restrição do fumo. E não podemos esquecer também que diversas celebridades manifestaram sua opinião favorável. Tudo muito lindo e maravilhoso.</p>
<p>Não vou discutir aqui se o cigarro faz mal ou não. Não vou discutir aqui se essa nova lei fez o numero de ataques cardíacos diminuir ou não. Não vou discutir aqui se os bares e baladas estão amargando prejuízos com a lei ou não. Todos esses dados estão disponíveis na Internet e são facilmente acessíveis. O que vou questionar aqui é o que levou essa lei a ser criada e que essa &#8220;preocupação com a saúde da população&#8221; é motivada muito mais pela propaganda política que tudo isso gerou do que com a questão da Saúde Pública.</p>
<p><span id="more-632"></span></p>
<p>É preciso ter claro desde já que ano que vem é ano eleitoral. E é eleição para presidente da república, governador, senador, deputado estadual e deputado federal. A prévia dessa disputa foi feita nas eleições municipais e o PSDB saiu ganhando, em especial a ala do partido que apóia a candidatura de José Serra.</p>
<p>Vale lembrar que José Serra foi ministro da saúde durante a era <a title="Fernando Henrique Cardoso no Wkipedia." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Henrique_Cardoso" target="_blank">FHC</a> e não cansa de nos lembrar disso. Foi o &#8220;homem dos <a title="Lista de Medicamentos Genéricos." href="http://www.genericos.med.br/" target="_blank">remédios genéricos</a>&#8221; e &#8220;lutou&#8221; contra as grandes empresas farmacêuticas norte-americanas pela quebra de patente dos remédios que compõem o coquetel para portadores de HIV. Todas medidas muito lindas e que geram ótimas propagandas institucionais. Essas realizações foram importantes? Foram. Mas você lembra algo mais que Serra fez de lá pra cá? E esse de &#8220;lá pra cá&#8221; já faz mais de 8 anos. Complicado isso, não é? E agora nosso &#8220;homem da saúde pública&#8221; vai poder acrescentar na sua campanha o título de homem que &#8220;proibiu&#8221; o fumo em lugares públicos em São Paulo.</p>
<p>Essa lei vai pegar? Cinco meses depois da sua criação/implantação, está mais que claro que essa lei pegou. Mas porque subitamente todo mundo tomou consciência dos malefícios do fumo?  Não. Pegou porque foi muito bem elaborada.</p>
<p>Ao contrário da<a title="Lei Seca brasileira no Wikipedia." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Seca" target="_blank"> Lei Seca</a>, que depende de efetivo policial para a fiscalização, a Lei Antifumo terceirizou a fiscalização para os donos de estabelecimentos, que temendo as multas e sanções legais cumpriu tudo como manda o figurino. Caso um estabelecimento seja denunciado, recebe uma multa de R$750,00. Em uma segunda denúncia essa multa praticamente dobra e se houver uma terceira o estabelecimento é fechado por 30 dias. Você dono de bar ou balada vai querer arriscar? Claro que não. Então para que contratar gente do governo se os donos dos estabelecimentos fazem a fiscalização de graça?</p>
<p>E todo mundo aplaudiu a lei e suas propagandas, mas você sabia que o cartaz OBRIGATÓRIO da nova lei teve que ser impresso/comprado pelos próprios donos de estabelecimentos? Você também sabia que TODO estabelecimento é OBRIGADO ter o formulário de denúncia? Caso você peça esse formulário e eles não esteja disponível no local, mais multa. E claro que o modelo do formulário se encontra disponível no <a title="Site oficial da nova lei." href="http://www.leiantifumo.sp.gov.br/" target="_blank">Portal da Lei Antifumo</a> pra você baixar e imprimir.</p>
<p>Assim é fácil qualquer lei pegar. O governo obteve fiscalização e divulgação a custo zero e ainda leva o dinheiro das multas. E ainda somos obrigados e ler e ouvir por aí: &#8220;Governo de São Paulo: trabalhando por você.&#8221;. Nesse caso o slogan deveria mudar para &#8220;Governo de São Paulo: fazendo mais uma vez você trabalhar para ele.&#8221;. E antes que você me pergunte, não há dados seguros que dinheiro o arrecadado com as multas esteja sendo encaminhado para a verba da saúde pública.</p>
<p>Mas a questão mais grave nem é essa. Afinal, se o cigarro faz assim tão mal a ponto de uma lei desse tipo ser criada, por que não proibi-lo de vez? Porque 76,5% do preço do cigarro é imposto. Isso mesmo, IMPOSTO. É dito que essa taxação absurda é uma medida para desestimular o consumo. Pergunte a algum fumante se ele deixou de fumar por causa do preço e você comprovará que isso é mentira. Se nossas autoridades fossem REALMENTE preocupadas com nossa saúde, teriam proibido de vez o cigarro, mas é muito mais interessante lucrar com o vício alheio, não?</p>
<p>Eu já era um fumante consciente desde antes dessa lei aparecer e no final nem a acho tão ruim assim. Grande parte da culpa de uma conjuntura que permitiu que essa lei fosse criada é dos próprios fumantes. Mas devemos ter em mente quais são os reais interesses marqueteiros e econômicos que levaram José Serra e sua trupe a criar essa lei e não só levar isso em conta na eleição presidencial, mas também em futuras medidas que ele tomará caso venha a se eleger.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-636" title="antifumocharge" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2009/10/antifumocharge.jpg" alt="antifumocharge" width="460" height="309" /></p>
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		<title>20 de Novembro: Dia da Hipocrisia Branca</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2008/11/21/20-de-novembro-dia-da-hipocrisia-branca/</link>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 17:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[estereótipos]]></category>
		<category><![CDATA[feriados]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>

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		<description><![CDATA[“Negro rico, no Brasil, é branco.
Branco pobre, no Brasil, é negro.”
- Elza Soares, “A Carne”
(AVISO: se por um infeliz acaso você é uma pessoa que se julga “politicamente correta”, passe longe desse texto.)
Tenho sérios problemas com feriados/ datas comemorativas dedicados às minorias. A impressão que me passam é que nós brancos-machos-capitalistas-heterossexuais-cristãos somos tão legais que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>“Negro rico, no Brasil, é branco.<br />
Branco pobre, no Brasil, é negro.”<br />
- </em><a title="Mais sobre Elza Soares." href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/elza.soares/" target="_blank"><em>Elza Soares</em></a><em>, “A Carne”</em></p>
<p>(AVISO: se por um infeliz acaso você é uma pessoa que se julga “politicamente correta”, passe longe desse texto.)</p>
<p>Tenho sérios problemas com feriados/ datas comemorativas dedicados às minorias. A impressão que me passam é que nós brancos-machos-capitalistas-heterossexuais-cristãos somos tão legais que até damos um dia pra vocês, tá? E parece que isso resolve tudo e todo mundo fica feliz.</p>
<p>Hoje por exemplo é o “Dia da Consciência Negra”. O primeiro fato estranho é que esse feriado só rola aqui na capital paulista. O resto do estado ou do país não tem essa mesma consciência? Por que esse feriado foi aprovado aqui em São Paulo e em outros lugares não? Temos um ministério só para esse assunto e mesmo assim nada?</p>
<p><span id="more-356"></span></p>
<p>Aí fui almoçar com a Aline no centro e nosso benevolente governo estadual promoveu um show gratuito para celebrar esse dia. Fui dar uma conferida na programação e só vi bandas / grupos de rap, hip-hop, samba, reggae e pagode. E se eu sou negro e curto rock, eletrônico ou música clássica?</p>
<p>O que dizer do público? Tirando os moradores de rua (esses em sua maioria negros, infelizmente), o que eu mais vi foram brancos com “roupas-afro” de grife bebendo cerveja e dançando e universitários maconheiros metidos a regueiros. Honrosa exceção a hora em que rolou rap e hip-hop e o público cativo compareceu, mas por uma estranha coincidência, a maioria dos branquelos sumiu. Não foi a toa que me peguei rindo com os trombadinhas fazendo a festa.</p>
<p>Até o staff do show era composto em sua maior parte por pessoas cujo fenótipo não era nem classificável como mulato. Mas as bandas que tocavam eram todas formadas por negros. Só eu vejo algo errado aí?</p>
<p>Então chego em casa e o<a title="Site oficial da rádio." href="http://radiobandeirantes.terra.com.br/sobre.asp?PDT=36&amp;ID=116" target="_blank"> Rádio Band </a>está promovendo um debate sobre preconceito e racismo com&#8230; <a title="Site oficial do artista." href="http://www2.uol.com.br/chicocesar/" target="_blank">Chico César</a>(?). Colocar o Chico César para debater sobre racismo é que nem me chamar para debater sobre miopia só porque uso óculos. E me pego ouvindo as mesmas coisas que ouvi quando participei da “Semana da Consciência Negra” na <a title="Site do Universidade Estadual Paulista, Câmpus de Bauru." href="http://www.bauru.unesp.br/" target="_blank">Unesp de Bauru</a>. O problema foi que ouvi isso há 7 anos atrás.</p>
<p>Há quantos anos elite branca dá um feriado para os negros e promove uma série de eventos e debates? E quais os avanços concretos de lá pra cá? O grande equívoco é justamente esse: brancos querendo pensar como negros. Não deveria existir essa coisa de “pensar como eles pensariam”. O resultado acaba sendo esse “Dia da Caricatura Negra”. Onde se finge debater um assunto quando na verdade se reafirma uma série de estereótipos. E estereótipos são a principal fonte do preconceito.</p>
<p>O pior é a imagem de tolerância que essa simples data trás. O pior é quem tem gente que se preocupa com a causa nesse dia, mas a esquece no resto do ano. Vai aos shows, participa de debates e o caralho a quatro, mas de efetivo não faz nada.</p>
<p>Até quando vamos tapar os olhos para o fato do problema aqui no Brasil ser econômico e não étnico? Dando melhores condições de vida (educação, saúde e trabalho, pra ficar no mínimo) para população em geral irá produzir um efeito muito mais benéfico do que cotas, feriados e debates. Olhe para o seu ambiente de trabalho ou para a sala de aula da sua faculdade e conte quantos negros estão lá. Aí passe pelo setor de manutenção e faxina e vejam quantos negros estão lá. Entendem o que eu quero dizer?</p>
<p>Mas não, é muito mais bonito fazer toda essa festa e depois voltar para casa achando que fizemos nossa parte pela “tolerância racial” no país. E o que me deixa realmente preocupado é o fato dos próprios negros apoiarem esse tipo de iniciativa. É que nem os metaleiros que pagam pra ver um show do <a title="Massacration no Wikipedia." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacration" target="_blank">Massacration</a>. Estão tirando sarro de cara de todo mundo, pagamos por isso e ainda achamos o maior barato! E assim caminha a humanidade&#8230;</p>
<p><em>(Agora só falta algum idiota ficar ofendido com meu texto e me chamar de elitista, preconceituoso e racista. Pelo menos abram um processo contra mim e me deixem famoso.)</em></p>
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		<title>Eu anulei meu voto. E você?</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2008/11/11/eu-anulei-meu-voto-e-voce/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 02:55:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
		<category><![CDATA[anarquia]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
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		<description><![CDATA[“A política é a arte de impedir as pessoas
de participar de assuntos que são do seu interesse.”
- Paul Valéry
Quando comentei em outro texto deste site que ia anular meu voto nas eleições municipais deste ano, alguns leitores me pediram maiores explicações da minha parte. Resolvi então que iria revelar minha opção pelo anarquismo e pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“A política é a arte de impedir as pessoas<br />
de participar de assuntos que são do seu interesse.”<br />
- Paul Valéry</em></p>
<p>Quando comentei em <a href="http://oprotagonista.com/2008/08/30/eleicoes-%e2%80%93-o-maior-espetaculo-da-terra/">outro texto </a>deste site que ia anular meu voto nas eleições municipais deste ano, alguns leitores me pediram maiores explicações da minha parte. Resolvi então que iria revelar minha opção pelo anarquismo e pela autogestão. Acontece que usar termos como esses hoje em dia não gera reações muito positivas, seja pelas risadas efusivas ou pelo descaso pela minha “inocência política”.</p>
<p>Já que iria me definir como anarquista, seria melhor então contar minha trajetória política para que minha opção não soasse pueril e descontextualizada. Já estava na terceira página da minha trajetória política quando notei duas coisas: a primeira é que um texto juntando a história com minhas impressões iria ficar tão longo que teria que dividi-lo em mais de uma parte. A segunda é que eu estava na verdade era punhetando em cima das coisas que fiz. Então apaguei tudo e resolvi ir para questões mais práticas.</p>
<p><span id="more-336"></span></p>
<p>(Se um dia a massa dos meus leitores resolver ler a referida punheta político-textual, peçam que eu publico).</p>
<p>A principal questão para eu anular meu voto é que o dito sistema eleitoral brasileiro é de tal maneira mal-feito que permite o monte de <a href="http://oprotagonista.com/2008/09/20/eleicoes-2008-%e2%80%93-o-cenario-na-capital-paulista/">fatos absurdos </a>que vimos nessa eleição. O sistema de alianças entre partidos define desde o começo quem está realmente disputando uma eleição e quem está lá meramente para “parecermos democráticos”. </p>
<p>Tomemos São Paulo como exemplo. Quem estava no páreo DESDE O COMEÇO eram Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM). Eles tinham mais tempo na TV. Tinham mais recursos (vindos saba-se lá Deus daonde). Tivemos surpresas? Ô se tivemos, mas elas se ativeram a esses três nomes. Porém voltando ao assunto, o preço dessas alianças que permitiram todos esses ganhos dos acima citados foi alto, conforme já mostrado. E falemos sério, tirando uma ou outra perfumaria, as propostas nem eram tão diferentes assim.</p>
<p>Quem tinha propostas diferentes não tinha o mesmo tempo por ter menos alianças. E como atualmente a TV é o principal veículo de propaganda política, soa no mínimo hipócrita dizer que esse quadro vai se alterar tão cedo.</p>
<p>“Um voto faz a diferença.”, disseram isso mais de uma vez. Analisando o histórico das últimas eleições, temos realmente expressa a vontade do povo ou a vontade das alianças partidárias? Tomando mais uma vez São Paulo como exemplo, ouvi muita gente dizendo que gostou das propostas Soninha (PPS), mas não votaram nela porque a mesma não tinha chance. Se gostaram dela, não votaram nela por que? Por que ela não tinha chance?</p>
<p>Uma das respostas era que como ela não tinha uma base de aliados forte, e caso fosse eleita não conseguiria fazer muito coisa, já que a câmara dos vereadores (em sua maioria composta pelos ditos partidos majoritários) iria boicotar seus projetos. E isso não só é possível dentro dos trâmites legais como JÁ ACONTECEU com a ex-prefeita Luiza Erundina (ex-PT e atual PPS). Todos abrem a boca pra dizer que sua gestão foi um fiasco, mas poucos se dão ao trabalho de saber do porque ter sido um fiasco.</p>
<p>Portanto eu anulo meu voto desde 2002. A vitória de Lula nas eleições de 2000 mostrou que ele só ganhou porque soube “jogar o jogo” (ou alguém se esqueceu que o vice dele é do PL?). Qual a real mudança que a vitória de um partido de esquerda trouxe ao país? Aumento do auxílio ao pobres e o peleguismo da CUT, MST e UNE. De resto é mais do mesmo.  </p>
<p>“E qual a alternativa que você propõe?”, muitos podem me perguntar. Sinceramente nenhuma. Mas não vou usar isso como desculpa para não demonstrar meu descontentamento com sistema eleitoral na hora do meu voto. </p>
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		<title>Eleições – O Maior Espetáculo da Terra!</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2008/08/30/eleicoes-%e2%80%93-o-maior-espetaculo-da-terra/</link>
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		<pubDate>Sat, 30 Aug 2008 22:51:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[eleições]]></category>
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		<description><![CDATA[“Você quer saber sobre eleição. Eu tô aqui pra falar sobre eleição.
Faz de conta que você tá em uma imensa boate subterrânea cheia de pecadores, putas, malucos e coisas inomináveis que estupram pit-bulls só de farra. E você não pode sair, não até que todo mundo vote no que vocês vão fazer esta noite.
VOCÊ que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“Você quer saber sobre eleição. Eu tô aqui pra falar sobre eleição.</em></p>
<p><em>Faz de conta que você tá em uma imensa boate subterrânea cheia de pecadores, putas, malucos e coisas inomináveis que estupram pit-bulls só de farra. E você não pode sair, não até que todo mundo vote no que vocês vão fazer esta noite.</em></p>
<p><em>VOCÊ que pôr os pés pra cima e assistir a reprise do seu seriado favorito. ELES querem trepar com uma pessoa normal usando facas, revólveres e novos órgãos sexuais que você nem sabia que existiam. Então você vota na TV, e o resto, até onde você consegue enxergar, vota em te comer com canivetes.</em></p>
<p><em>Isso é eleição. Bem-vindo.”</em></p>
<p><em>- Spider Jerusalém, Transmetropolitan </em></p>
<p>Warren Ellis disse uma vez: “Não sou maluco por política. Acontece que a política é um dos poucos esportes de arena para o qual eu tenho tempo”. Concordo com ele, com a exceção de que sou maluco por política sim. Grande parte da população mundial vibra a cada 2 anos com a Copa do Mundo e com as Olimpíadas. Eu vibro a cada 2 anos com as Eleições Municipais e Federais.</p>
<p><span id="more-185"></span></p>
<p>Meus irmãos são malucos por futebol. Acompanham as tabelas dos campeonatos, quem vai para qual time e assistem Sport TV e ESPN o dia inteiro. Já  eu pego os cadernos de política dos jornais, assisto TV Senado e TV Câmara e acompanho a campanha política com afinco.</p>
<p>E por que isso? Bem, mesmo não praticando esportes com regularidade, eu consigo apreciar a beleza de um bom jogo de futebol. Boas jogadas, estratégias&#8230; Até tenho momentos de histeria quando acompanho jogos do meu time, o São Paulo Futebol Clube. Mas tenho plena convicção de que tudo isso é mera diversão, circo. São as nossas arenas romanas modernas. E tem a mesma função que sempre tiveram: distração e catarse. Vemos pessoas se reunindo em protestos contra técnicos, vemos pessoas literalmente se matando pelos seus times. E eu vejo energia sendo mal-canalizada.</p>
<p>Digo isso porque por mais que me irrite ver o São Paulo perder, isso não influencia em nada a minha vida. Eu não pago o salário dos jogadores. Não participo do processo de escolha de ninguém no time. E dependendo do desempenho dos atletas e comissão técnica, tudo muda em questão de meses.</p>
<p>Já na política a coisa é bem diferente. Por mais questionável que seja, temos sim participação direta na escolha de quem vai ocupar as cadeiras. Só que se a gestão de quem colocarmos lá não estiver a contento, é bem mais complicado tirar o maldito de lá. E se gestão do cara for uma porcaria, as conseqüências são bem mais graves do que seu time cair para a Segunda Divisão de qualquer campeonato que seja.</p>
<p>“Mas para qual time então você torce na política?” – perguntam meus fiéis leitores. E eu respondo de bate-pronto: nenhum. Sendo bem sincero eu vou anular meu voto pela terceira eleição consecutiva (esse é um assunto que explicarei melhor em <a href="http://oprotagonista.com/2008/11/11/eu-anulei-meu-voto-e-voce/">outra coluna</a>). Mas mesmo assim fico atento ao que rola, afinal, independente de quem ganhar, teremos que aturar os sujeitos no mínimo por quatro anos. Eu tendo votado ou não. Sendo os sujeitos os meus candidatos ou não. Por isso concordo plenamente com as palavras de Spider Jerusalém que abrem esse texto. Acompanho tudo que rola sim, nem que seja para poder xingar os políticos com mais propriedade.</p>
<p>Eis a razão pela qual sou maluco por política: é nela que reside o verdadeiro poder. É nela que temos o poder de mudar algumas questões que influenciam nossas vidas. E se você acompanhar essas eleições com o mesmo espírito com o qual acompanhou a olimpíadas, garanto que vai se divertir o tanto quanto, ou até mais, já que os personagens dessa tragicomédia da democracia brasileira são muito mais bizarros e engraçados.</p>
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		<title>Manifesto em Defesa do Verdadeiro Movimento Emo (seja lá o que ele for&#8230;)</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2008/07/30/manifesto-em-defesa-do-verdadeiro-movimento-emo-seja-la-o-que-ele-for/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Jul 2008 03:54:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[emo]]></category>
		<category><![CDATA[manifesto]]></category>
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		<category><![CDATA[tribos]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Qual a diferença entre um emo e um clubber?
Coloque os dois em um quarto escuro.
Se brilhar, é cluber.
Se chorar, é emo&#8221;
- Autor Desconhecido
(Texto escrito em momento meio a uma Tempestade Cerebral. Tenham noção de que autor optou por escrever ao invés de almoçar, fumar ou bater punheta)
Lembre-se dos &#8220;punks&#8221; que vemos ao ir ao Cervejazul. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><em>&#8220;Qual a diferença entre um emo e um clubber?<br />
Coloque os dois em um quarto escuro.<br />
Se brilhar, é cluber.<br />
Se chorar, é emo&#8221;<br />
- Autor Desconhecido</em></p>
<p>(Texto escrito em momento meio a uma Tempestade Cerebral. Tenham noção de que autor optou por escrever ao invés de almoçar, fumar ou bater punheta)</p>
<p align="left">Lembre-se dos &#8220;punks&#8221; que vemos ao ir ao Cervejazul. Dos &#8220;góticos&#8221; que lotam o Theatro dos Vampiros e o Madame Satã. Ou dos &#8220;hippies&#8221; que infestam as faculdades. E por que não dos &#8220;wiccans&#8221; que fazem rituais no Parque Trianon?</p>
<p align="left">Alguns de nós sentem pena dos &#8220;entre aspas&#8221; acima. Outros acham engraçado e tiram sarro deles. Alguns realmente os acham desprezíveis. Poucos os odeiam com todo o âmago do seu ser. Mas todos adoramos falar mal deles.</p>
<p>E por que?</p>
<p><span id="more-156"></span></p>
<p>Porque eles pegaram o visual e o que acham que é a idéia principal de um movimento e pura e simplesmente copiaram sem entendê-lo, assim acreditando que fazem parte dos mesmos.</p>
<p>Os &#8220;punks&#8221; vestem couro e coturnos e chutam tudo que pertence ao Sistema (seja lá o que isso signifique para eles). Os &#8220;góticos&#8221; adotam vestimentas vampíricas, são melancólicos e fazem visitas noturnas a cemitérios para beberem vinho barato e transarem. Os &#8220;hippies&#8221; de faculdade se vestem de maneira brega, fumam maconha e querem transar com todo mundo. E os &#8220;wiccans&#8221; se vestem como alunos de Hogwarts, colecionam títulos de origem duvidosa e querem poder para falar que têm poder.</p>
<p>Todos os exemplos acima são deturpações de movimentos musicais/culturais/sociais. Excluí os clubbers até agora nesse texto porque ao meu ver eles são um movimento puramente sonoro/estético sem nenhuma filosofia profunda por trás disso. Pelo menos são sinceros.</p>
<p>(Sim, existem que existem &#8220;n&#8221; teorias comparando os clubbers, com sua tatuagens, piercings, danças e batidas eletrônicas aos índios, mas meu foco aqui é outro).</p>
<p>Voltando ao assunto, apesar de não podermos provar empiricamente quando alguém se encaixa nessas tribos ou não, temos informações o suficiente para diferenciar os paga-paus de quem é &#8220;true&#8221;.</p>
<p>Aqui que entra minha teoria: o que nós chamamos de Emo é a deturpação de um movimento que foi assimilado e deturpado tão rapidamente que nem chegamos a conhecer o movimento &#8220;original&#8221;!</p>
<p>E agora, quem poderá nos esclarecer?</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Etiqueta, ter ou não ter?</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2008/05/29/etiqueta-ter-ou-nao-ter/</link>
		<comments>http://oprotagonista.com/2008/05/29/etiqueta-ter-ou-nao-ter/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 May 2008 05:10:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[etiqueta]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;De fim a fim com trabalho árduo;
E aqui, pobre imbecil, com todo meu saber
Eu não sou mais sábio do que antes.&#8221;
- Johann Wolfgang von Goethe, &#8220;Fausto&#8220;
Dizem por aí que a educação nos torna pessoas melhores. Até acho que tendo acesso a uma educação formal (que usa moldes pra lá de ultrapassados, mas isso é uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><em>&#8220;De fim a fim com trabalho árduo;<br />
E aqui, pobre imbecil, com todo meu saber<br />
Eu não sou mais sábio do que antes.&#8221;<br />
- <a target="_blank" href="Alan Lucena de Lima" title="Goethe no Wikipedia.">Johann Wolfgang von Goethe</a>, &#8220;<a target="_blank" href="http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/faustogoethe.html" title="Edição on-line da obra.">Fausto</a>&#8220;</em></p>
<p>Dizem por aí que a educação nos torna pessoas melhores. Até acho que tendo acesso a uma educação formal (que usa moldes pra lá de ultrapassados, mas isso é uma outra história) lhe permite ter acesso a mais coisas e lhe abre mais oportunidades. Mas daí a dizer que as pessoas escolarizadas são melhores que as menos escolarizadas eu acho um absurdo.</p>
<p><span id="more-103"></span></p>
<p>O argumento que mais ouço por aí é que pobre é desbocado, mal educado, não sabe conversar sem abaixar o nível e coisas do tipo. Isso pode até ser verdade, mas será que é errado? A maioria das pessoas, quando está num ambiente onde ficar a vontade é tão desbocada quanto qualquer um. Exemplo clássicos são mesas de bar e brigas de família.</p>
<p>Em torno da mesa de um bar todos se transformam. Você se refere a sua chefe bonitinha e simpática como uma &#8220;boceta do caralho&#8221;, o presidente gasta mais com seu avião do que com saúde e vira um &#8220;filho da puta&#8221;, seu amigo fala bobagem e você manda ele &#8220;se foder&#8221; e coisas do gênero. Sem contar as brigas por motivos fúteis que, ao contrário do que dizem, nem sempre são motivadas pela bebida.</p>
<p>E em casa? Aquele cara que trabalha todo engravato com certeza arranca meleca do nariz enquanto vê &#8220;Jornal Nacional&#8221; e gruda a bendita debaixo do sofá, isso quando não anda de cueca pela casa coçando o saco por dentro da mesma. Tem gente que limpa a latinha antes de beber algo, mas bebe água no gargalo da garrafa (que a família inteira bebe) e coloca de volta na geladeira.</p>
<p><em>&#8220;Mas o bar é um lugar para se ficar a vontade&#8221;</em>, dirão alguns. <em>&#8220;Se não posso ficar a vontade nem casa, vou ficar aonde?&#8221;,</em> dizem outros. Percebem? Quando você fica a vontade, é tão chulo e porco quanto qualquer um! E isso que chamamos de boa educação na verdade é uma amarra para parecermos pessoas sérias e confiáveis! Quem aqui nunca quis passar o dedo no bolo? Correr pelado pela casa? Gritar até ficar rouco? Beber qualquer bebida no gargalo? Mas não, a &#8220;boa educação&#8221; nos diz que tudo isso é errado.</p>
<p>Pode até ser que numa construção de obra os trabalhadores se ofendam e soquem muito mais que num escritório. Mas será que isso é realmente pior que toda aquela intriga e fofoca que rola onde você trabalha? Eu não acho. Na obra pelo menos eu tenho mais chances de saber quem me odeia ou não. Sem contar que eu prefiro ouvir um &#8220;vai tomar no seu cu&#8221; do que um &#8220;eu sou doutor em [acrescente qualquer disciplina] e sei do que estou falando, você não&#8221;. E o filho da mãe Phd diz isso mesmo quando o assunto não tem nada a ver com o que ele estuda.</p>
<p>E isso gera um círculo vicioso onde achamos que nós graduados, pós-graduados e afins nos achamos melhores que quem faz serviços ditos &#8220;braçais&#8221;, pagamos pouco e não valorizamos seu trabalho. Eles por sua vez nos acham patrões e se colocam como vassalos a nosso serviço, não se permitindo evoluir em sua totalidade.</p>
<p>Só pra citar um exemplo, imagine se só os padeiros e lixeiros entrassem em greve. É fácil achar uma receita de como se faz um pão. Mas você conseguiria acordar as cinco da matina pra fazer seu pão de cada dia? Você pode até saber onde fica o depósito de lixo da sua cidade, mas teria tempo de ir lá no mínimo duas vezes por semana? É meu amigo, da próxima vez que topar com algum desses &#8220;trabalhadores braçais&#8221; agradeça e valorize o trabalho deles, pois diversas facilidades da sua vida não são obra de seu <em>marketing pessoal</em>.</p>
<p>E, por favor, pare de usar o termo &#8220;lixeiro&#8221; para ao futuro de alguém que não tira notas altas na sua sala de aula. Já seria um bom começo.</p>
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