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A Morte da Azeitona Andante

Segue a Azeitona pela rua,
Pensando na vida,
Com a cabeça na lua.

Seu pensamento era tão escroto,
Que não viu o buraco
E caiu rumo ao esgoto.

Ela rolou, ralou a bunda.
E depois deste sofrimento
Espatifou-se na água imunda.

Sem saída, começou a andar.
Súbitou, veio a vontade,
E agachou-se para cagar.

Então, aconteceu.
Depois do alívio,
A merda se mexeu.

Ela cresceu,
Inchou
E a atacou.

Enfim, sua vida acabou.
Que triste fim teve a azeitona,
Na merda ficou.

Esse texto faz parte da antologia “P.O.E.M.A.S. – Palavras Ontológicas e Extenuantes Mas Ainda Semânticas”.

Olho para o meu o corpo

Olho para o meu corpo,
Ele jaz sem vida.
Olho para o meu corpo,
Só vejo podridão.
Meu corpo está apodrecendo,
E nada posso fazer.
Olhos para o meu corpo,
Os vermes estão me devorando,
De forma lenta e nojenta.
Já não sinto mais nada.
E é melhor assim, pois se sentisse,
Já teria vomitado.
Olho para o meu corpo,
Ele jaz sem vida,
Está apodrecendo,
E nada posso fazer,
Além de observar…

Entregue-se

Sim, minha cara.
Eu a estou convocando.
Não resista.
Você não pode,
Você não quer.
Se aproxime,
Sinta o meu gélido toque,
Sinta o arrepio que ele causa,
Á sua pele mortal.
Sinta meus lábios nos seus.
Se entregue totalmente.
Deixe o prazer tomar conta de você.
Só assim você não sentirá.
Não sentirá quando meus caninos
Afundarem em seu pescoço,
Sugando toda e essência da sua vida.
Se entregue ao prazer.
Só assim você não sentirá.
Não até ser tarde demais.

(Poesia também publicada na revista virtual Informais)

Templos da Morte

As pessoas morrem.
Os sobreviventes constroem túmulos.
Túmulos onde se pensa,
Lembrar dos que já se foram.
Mas, na verdade,
Túmulos são templos.
Templos de adoração.
Templos de devoção.
Templos da Morte.
Sim, ao construirmos túmulos,
Estamos celebrando a vitória.
A vitória da Morte sobre a vida.
Consentimos com isso,
Ao mesmo tempo em que aguardamos
A hora de sucumbirmos
Sob a benção da Morte.

Por quê? (2.0)

Desde o primeiro sarau ao qual eu vim
Eu tenho feito de tudo para ofender
Chocar
Traumatizar
Não queria aplausos, elogios.
Queria reações de nojo, espanto.
Xinguei vocês de filhos da puta
Os mandei tomar no cu
Simulei masturbação.
E cada vez mais era mais aplaudido.
Virei mito.
Era aguardado em cada edição do evento.
Minha não presença fazia falta.
E eu vos pergunto
Por quê?
Mais de metade das poesias que declamei
Nem minhas eram.
Me admiram pela minha atuação?
Acreditem
Eu passo o mês inteiro ensaiando.
Qualquer um aqui faria melhor
Mesmo porque tenho problemas de dicção.
E em vez de se mexerem
Serem melhores que eu
Um estranho que invadiu o espaço de vocês
O que fazem?
Me dão mais e mais espaço.
Ficaram chocados porque no último evento
Estapeei e fui estapeado
E depois beijei um homem?
O que vão esperar para retomar o que é seu?
Que eu mije na cara de todos?
Que eu cague no palco e jogue em todos?
Acordem, mexam-se.
O sarau é de vocês
Não só meu.
Usem seu espaço, seus merdas.
E até a próxima.

Meu Jogo

Pobres Mortais.
Não fazem a mínima idéia da verdade.
Pensam que vivem suas próprias vidas,
Que agem por conta própria,
Que mandam em si mesmos.
Doce ilusão.
Melhor que pensem assim.
Seria por demais doloroso,
Saber que não vivem o que querem,
Não fazem a sua vontade.
Os tolos vivem a fazem o que eu quero.
Eles não passam de simples peças de jogo.
Um jogo onde eu dou as regras.
Um jogo onde eu sou o único e eterno vencedor.

Esse texto faz parte da antologia “P.O.E.M.A.S. – Palavras Ontológicas e Extenuantes Mas Ainda Semânticas”.

Tempo

Não há nada que o tempo não cure
Não há nada que o tempo não resolva
O Tempo é um aliado valioso
E, quando bem utilizado,
Traz grandes benefícios
Portanto não há nada melhor
Que dar tempo ao Tempo
Ter fé e perseverar
Ser chato e insistir
Só assim conseguirá tudo que almeja
E talvez até mais

Eu só queria

Por muito tempo procurei
Muitas vezes quase encontrei
Mas era tudo uma ilusão
O que eu queria elas não me davam não.

Sempre mentem para mim
E eu descubro só no fim
Mas até lá muita coisa aconteceu
E quando acaba o culpado sou eu.

Eu só queria um boquete
Mas você quer namorar
Isso não vai funcionar
Por isso eu vou te largar.

Dor pela Arte

Não sou pervertido.
Não posso ser louco.
Diferente sim.
Louco, não.
Está certo que, para mim,
A Dor e a Arte caminham juntas.
Mas e daí?
Todos têm uma inspiração.
A minha é a Dor.
A Dor me ilumina,
Me incentiva.
Da Dor faço Arte,
Na Arte retrato a Dor.
Maldito o mundo onde estou.
Maldita a pós-vida que eu levo.
Odeio tudo aqui.
E de tudo isso,
Vem mais e mais Dor.
Assim minha Arte durará para sempre,
Pois a Dor nunca acaba.

Esse texto faz parte da antologia “P.O.E.M.A.S. – Palavras Ontológicas e Extenuantes Mas Ainda Semânticas”.

Depois da festa

Estou no chão de novo.
Tento levantar.
O mundo gira a minha volta.
Minha cabeça ta pra explodir.
Me apoio no muro e me levanto.
Dou um passo cambaleante.
Meu estômago revira.
Paro,
Respiro fundo.
Não adianta nada,
O jantar está no chão.
O mundo gira de novo.
Eu giro junto e beijo o chão.
Sinto algo na boca.
Acho que é sangue.
Não consigo mais levantar.
Deito no chão e me ajeito.
Acho que vou ficar por aqui mesmo…

Esse texto faz parte da antologia “P.O.E.M.A.S. – Palavras Ontológicas e Extenuantes Mas Ainda Semânticas”.