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	<title>O Protagonista 2.0 &#187; Entrevistas</title>
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		<title>Rogério Saladino</title>
		<link>http://oprotagonista.com/2008/06/22/rogerio-saladino/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Jun 2008 23:43:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
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		<category><![CDATA[Dragon Magazine]]></category>
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		<category><![CDATA[Tormenta]]></category>

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		<description><![CDATA[(entrevista realizada em 2003, quando Saladino era editor-assistente da Dragão Brasil. Atualmente ele é um dos editores da Marvel pela Panini Comics e colaborador de Dragon Slayer.)
Alessio &#8211; Gostaria que falasse um pouco sobre seu passado, onde nasceu, no que é formado, o que fazia antes de trabalhar com RPG&#8230;
Saladino &#8211; Bom, sou nativo aqui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(entrevista realizada em 2003, quando Saladino era editor-assistente da</em><a href="http://www.dragaobrasil.com.br/" target="_blank" title="Site oficial da revista."><em> Dragão Brasil</em></a><em>. Atualmente ele é um dos editores da </em><a href="http://www.marvel.com/" target="_blank" title="Site oficial da Marvel Comics."><em>Marvel</em></a><em> pela </em><a href="http://www.paninicomics.com.br/Home.jsp" target="_blank" title="Site oficial da editora."><em>Panini Comics </em></a><em>e colaborador de </em><a href="http://www.dragonslayer.com.br/" target="_blank" title="Site oficial da revista."><em>Dragon Slayer</em></a><em>.)</em></p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Gostaria que falasse um pouco sobre seu passado, onde nasceu, no que é formado, o que fazia antes de trabalhar com <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/RPG_(jogo)" target="_blank" title="RPG no Wikipedia.">RPG</a>&#8230;<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Bom, sou nativo aqui de São Paulo mesmo, capital. Freguesia do Ó, pra ser mais específico ainda. Nasci em 1971, sou veião já, tô cruzando o&#8230; o carro. E sou formado em jornalismo pela <a href="http://www.facasper.com.br/" title="Site da faculdade." target="_blank">Faculdade Casper Líbero</a>, Faculdade de Comunicação Social Casper Líbero e já trabalhei com outras coisinhas envolvendo jornalismo. Já trabalhei com assessoria de imprensa&#8230; Mas aí apareceu a oportunidade de trabalhar na revista Dragon Magazine, da Abril, da <a href="http://www.abril.com.br/br/home/" title="Site da editora." target="_blank">Editora Abril</a>. Eles tavam começando a trabalhar com RPG eles queriam alguém que conhecesse a revista. E na época eu colecionava a Dragon Magazine.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E você já trabalhava na Abril?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Não, não. Eu trabalhava na acessoria de imprensa e nessa acessoria de imprensa tinha pessoas que trabalhavam na Abril. E esse pessoal &#8220;Porra, conheci um amigo meu que trabalha lá na Abril e que precisa de alguém que conhece, que jogue <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/RPG_(jogo)" title="RPG no Wikipedia." target="_blank">RPG</a>&#8220;. Aí eu falei &#8220;Eu conheço&#8221;. &#8220;Aí então vai lá e fala com ele.&#8221; Aí beleza, eles tavam desesperados, com a revista pra sair daí há um mês, dois meses e não sabiam nada do assunto. Pegaram, falaram &#8220;ô você quer vir aí&#8221;, conversei com ele, tudo e fiquei lá pra trabalhar com a revista.</p>
<p><span id="more-122"></span></p>
<p><strong>Alessio </strong>- Todo o material da revista era traduzido ou haviam matérias nacionais?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Havia um contrato que dizia que 60% da revista era de material traduzido e o restante era material nosso, quadrinhos, matérias feitas aqui. Tinha muito material feito aqui e isso foi umas das coisas que eu realmente bati o pé pra ter, porque Dragon americana era feita pra um público totalmente diferente do nosso. Se vocês forem fazer pro mesmo público vocês vão estar jogando dinheiro fora, porque a Dragon já existe há 25, 20 anos, nem tanto, algo assim. E pegar todos esses 20 anos e chegar aqui &#8220;O leitor que não sabe o que é RPG, tá aqui&#8221; com materias avançadas não ia dar certo. Então eu precisava de matérias nacionais mais próximas do leitor daqui.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E quais foram as diferenças entre o leitor nacional e o norte-americano que você notou enquanto trabalhava na Dragon?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Por exemplo, é&#8230; depende da área de assunto. A Dragon nasceu com muito leitor de wargame e era muita mais uma revista de wargame do que só de RPG. Então você falava muito sobres jogos de miniatura, falava de muitos jogos que aqui na Brasil a gente nem sabe o que vem a ser. Então falar sobre esses jogo era meio&#8230; inútil. Não vou falar, por exemplo, de tipos de personagens pra Top Secret, que é um jogo que a TSR lançou, não foi sucesso lá, mas teve suplementos e aqui no Brasil cinco pessoas tinham esse jogo! Então pra quê eu vou colocar esse matéria aqui? E tem outra coisa, o leitor americano, ele tinha uma centena a mais de títulos que a gente. Agora a gente tá com uma variedade grande de títulos, mas lá era muito, muito, muito, muito mais.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Como você conheceu o RPG?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Eu tenho duas versões pra essa resposta. A primeira, aquela romântica, bonita, é que a muito tempo atrás eu passava numa exposição de livros portugueses da Marques Saraiva e eu vi, não eram livros portugueses, mas achei que eram por causa do formato, os livros-jogos. Eu achei a idéia dos livros jogos-genial! Era um livro que você mudava&#8230; Mas assim, eu vi e nunca mais achei. Pensei &#8220;pô, interessante isso aqui&#8221;. Aí, quando eu tava fazendo faculdade, o namorado de uma colega minha jogava, então ele me explicava mais ou menos e eu, infelizmente, não entendia. Até que um deles, um dos caras da faculdade, que fazia parte da <a href="http://www.frotaestelar.com.br/" title="Site oficial do fã-clube do Star Trek." target="_blank">Frota Estelar Brasil</a>, me chamou pra ir numa convenção de Star Trek, e eu falei &#8220;tá bom, né?&#8221; e tinha uma mesa em que o pessoal tava jogando RPG, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/GURPS" title="GURPS no Wikipedia." target="_blank">GURPS</a> Star Trek. Aí eu fiquei do lado tentando entender o que era o jogo e foi qí que eu falei &#8220;Ah! É assim!&#8221;. Fui dar palpite, falar com o pessoal e eles falaram &#8220;você não quer vir semana que vem já começar a jogar?&#8221;, aí beleza, comecei a jogar e tô aí até hoje. Por isso não sei dizer pra você se o primeiro contato foi com o livro-jogo ou com o Star Trek RPG, por isso ao seu cargo.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Qual o RPG que você gosta mais?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Tecnicamente eu não poderia dizer como editor, né? Mas eu sou um fã assumido de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dungeons_&amp;_Dragons" title="D&amp;D no Wikpedia." target="_blank">D&amp;D</a>, Dungeons &amp; Dragons, o Advanced. Agora, com a terceira edição do D&amp;D eu acho que ele está coerente eu sou um cara que, na dúvida, eu sei jogar bem D&amp;D.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Tem algum RPG que você não gosta?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Olha, é difícil porque normalmente o que eu não gosto não é o jogo em si, mas é o mestre que joga ruim, aquela aventura que tá sem graça. Dificilmente eu boto a culpa no jogo, boto muito mais a culpa no mestre&#8230; Existem jogos que não me atraíram jogar. Por exemplo, Wraith é um jogo que não me atraiu. Eu olhei e falei &#8220;tá, mas&#8230; qual é a graça?&#8221;, eu acho que não dá pra você se divertir. O Wraith a proposta não é divertir, é terror e tal, então aquilo não me atraiu. E tem outros, assim, que não apresentam nada, algum outro é melhor. Por exemplo, o Trinity&#8230; eu vi, conversei com o autor e mesmo assim não me bateu jogar.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E a Dragon Magazine? Acabou por que?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Ela acabou&#8230; acho que seria errado dizer uma burrice editorial, mas eu acho que a Abril queria muito mais da Dragon Magazine do que ela poderia dar no momento. Haviam umas idéias toscas que foram mantidas, a idéia de sempre ter um pôster, a idéia de você sempre dar um brinde, fazer sempre capas lindas e maravilhosas e todas essas filmagens que eram usadas eram pagas. Então, de repente, a revista acabou ficando cara e o retorno dela não era suficiente pro que ela gastava. Então você precisava de alguém pra fazer o que eu chamo de &#8220;picaretagem&#8221;, pra reaproveitar uma imagem, de fazer uma matéria mais, mais&#8230; útil pro jogador do que simplesmente botar alguém lá que diz &#8220;ó, essa matéria é mais interessante&#8221; e eunão vou falar que &#8220;eu saí de lá e por isso a revista fechou&#8221;, mas você concorda que é estranho você manter uma revista sobre RPG e não ter ninguém que saiba sobre RPG. Porque teve um corte de pessoal na Abril eu saí porque eu era novo lá. Imediatamente pensei &#8220;bom, se você vai cortar o cara que manja de RPG, corta a revista também&#8221;. A revista durou mais dois números usando pautas que eu já tinha definido e depois, dava muito trabalho pra fazer aquela revista. Dá muito trabalho fazer revista e a redação não tava preparada pra aquilo. Então eu não sei se a abril talvez tivesse ritmo pra fazer uma revista de RPG.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Como foi sua transição pra Dragão Brasil?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Foi leve e eu acho até engraçada. Porque desde que eu entrei na Dragão Brasil, eu sempre tive uma relação muito boa com qualquer um que escrevesse em outra revista. Eu conheci o Marcelo Cassaro logo nos primeiros dias, ele já foi um colaborador da Abril, já fez vários trabalhos pra Abril e o pessoal de lá conhecia ele e ele chegou a colaborar com a Dragon, com algumas histórias que ele escreveu e a gente conversava, batia papo sobre &#8220;n&#8221; coisas e mesmo as pessoas que faziam outras revistas, eu sempre conversei, nunca tive problemas nenhum. Quando eu saí da Dragon, passado aquele período de depressão, que eu fiquei assim &#8220;ninguém gosta de mim&#8221;, aí o Cassaro veio falar comigo, que eu já tinha feito umas colaborações pra ele, e &#8220;meu, vem pra cá, trabalha com a gente! Você se importa de escrever uns negócios pra gente?&#8221; e eu falei &#8220;não!&#8221;. Aí a gente começou a trabalhar e pegar o ritmo porque a Dragon Magazine era uma coisa, a Dragão é outra, outra forma de escrever, tudo. Depois que eu entrei &#8220;fica aí, começa a trabalhar mais, fica como editor durante um tempo, editor-assistente&#8221; e acabei ficando.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Como você define a linha editorial de Dragão Brasil?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; A Dragão Brasil é uma revista pra jogador de RPG em geral pra principiante em especial. Ela pode ser&#8230; ela não é necessariamente uma revista muito profunda, mas ela é o que eu chamo de &#8220;interessador&#8221;. Por exemplo, a gente escreve matérias pro jogador principiante pra que ele tenha pelo menos uma noção do que ele pode fazer. Ela não dá a palavra final sobre um assunto, mas é ela quem fala &#8220;ó, começa a discutir sobre isso&#8221;. Muita gente fala &#8220;Ah, mas a Dragão não é tão boa agora quanto era antes&#8221;. Na verdade, ela é. Na minha opinião, ela é tão boa quanto antes, mas é que aquele cara que lia antes cresceu. A Dragãoo existe a 6, 7 anos, então se o cara começou a ler a Dragão com 15 anos, ele tá com 21, 22 agora. Ele tem acesso a revistas importadas, outros materiais, ele quer mais. A Dragão não é revista pra esses caras, é revista prum garoto de 10, 12 anos que fala &#8220;Meu, quero jogar RPG, mas tudo que eu sei é <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pok%C3%A9mon" title="Pokémon no Wikipedia." target="_blank">Pokémon</a>, e aí?&#8221;. A gente tenta falar de uma forma mais simples, sem chamar o leitor de retartado, tá? Mas a melhor forma de definir, foi uma coisa que eu ouvi a respeito do Star Trek. O cara que lê Dragão é um cara que mora longe, que acha que é o único da cidade dele que curte RPG e que encontra na Dragão um colega, um cara que senta do lado dele e conversa com eles sobre assuntos que ele gosta, de RPG, de jogo, etc.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Vocês tentaram fazer alguma coisa pra agradar os rpgistas veteranos?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Nós tentamos. Nós tentamos e foi um fracasso.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Qual foi a tentativa?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Não sei se você lembra, mas durante um tempo a gente teve uma revista-irmã, chamada Só Aventuras. A gente sempre se perguntou &#8220;Pô, vamos fazer um negócio mais profundo, né?&#8221; e na época tanto eu quanto o <a href="http://doutorcarecalab.blogspot.com/" title="Blog do J. M. Trevisan." target="_blank">Trevisan</a> participávamos de listas de discussão e falamos &#8220;Vamos fazer uma revista com o material que o pessoal de lista fala que é legal a gente fazer&#8221;. A gente fez um número da Só Aventuras só com esse material. Foi a revista que menos vendeu.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Qual era a matéria da capa?<br />
Saladino &#8211; Se eu não me engano, era uma azulada com um punk, que falou do Anarch Cookbook, que não tinha regra, foi a que menos vendeu! E volta e meia a gente acompanha as revistas, quanto vende, porque é necessário, a gente precisa saber disso.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Como é feita a Dragão Brasil?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Normalmente, o Cassaro tem uma idéia e fala &#8220;Olha, eu acho que ia ser legal fazer isso, isso e isso&#8221;, aí ele vem, conversa comigo, ou com o Mauro, ou, quando dá, com os dois juntos. Aí depois da conversa, então fica &#8220;você escreve isso&#8221;&#8230; Geralmente, a gente já pensa a matéria pensando em quem vai escrever. Têm coisas que o Mauro escrevre, têm coisas que eu entendo melhor que o Mauro, tem coisas que o Cassaro fala &#8220;Já tô com a idéia e vou escrever&#8221;. Acaba sendo um pouco mais natural, porque estamos no número oitenta e tralalá, então a gente já sabe quem escreve melhor sobre isso. resenha é que é uma briga. Chegou tal livro, então quem é que vai resenhar? Se o livro é legal, todo mundo quer pegar, né?</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E vocês decidem como? Palitinho, duelos&#8230;<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Não tem muita briga não. Fica aquela coisa &#8220;Eu resenho esse, você resenha aquele&#8221;, então tá bom, né? Não precisa rolar roleta pra isso.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Em relação aos desenhos, vocês costumas dar alguma indicação ou fica uma coisa meio livre?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Depende do desenhista. Depende do que a gente tá passando. Eu, Rogério Saladino, prefiro chegar pro desenhista e falar &#8220;Olha, é legal fazer uma coisa assim&#8221; quando eu tenho tempo. &#8220;Eu prefiro fazer um negócio assim&#8221;, &#8220;Faz o cara assim, segurando o braço&#8230;&#8221;. O Cassaro, dependendo de qual desenhista ele vai pegar, ele faz. Por exemplo, o <a href="http://www.comicspace.com/joe_prado/" title="Joe Prado no Comic Space." target="_blank">Joe Prado</a>, ele também joga RPG, então as vezes só passando o texto pra ele, o cara já tem uma idéia legal do que fazer. O Vazzios é um tremendo criador, então você passa e diz &#8220;Olha, eu quero uma coisa assim&#8221;. Depende muito de desenhista e da matéria em si.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Quando surgiu a idéia inicial de<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tormenta_(RPG)" title="Tormenta no Wikipedia." target="_blank"> Tormenta</a>? Como você se sentiu quando a coisa estourou?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; O Tormenta tem um nascimento retroativo, como costumo dizer, porque a gente começou a ver, lá pelo número 40, que tinha que fazer alguma coisa especial no número 50! Porque, pô, 50 números são 50 números, não é toda revista que tem isso. Aí a gente pensou &#8220;Pô, a gente tem quase um mundo pronto&#8221;. Porque depois de tanto tempo de aventura, suplemento, NPCs, armas mágicas, tudo, meu, a gente já tem um mundo pronto! Aí surgiu a idéia da gente juntar isso, costurar um mundo, criar o que precisa, porque, se juntar, vai dar uns buracos mesmo e se preparar pra aí, criando a partir do que já tava feito, ir alterando até encaixar nesse mundo. Ele é um mundo colcha de retalhos que a gente tá fazendo o máximo pra dar uma unida. Tem coisas que a gente só vao conseguir resolver agora com o Reinado e depois quando a gente for falar dos deuses. É bem fazer um mundo extra. Porque cenário de fantasia medieval a gente tem, tinha, muito pouco no Brasil. É uma boa idéia, o jogador vai ter&#8230; e ia facilitar pra gente, porque as matérias, as aventuras, já iam ficar no mundo de Tormenta. Em vez de dizer &#8220;Olha, essa vila fica onde você quiser. Não, essa vila fica aqui&#8221;. Depois, se você quiser mudar, você pega o lugar e coloca. Só que aí aconteceu um boom, o pessoal, um monte de gente comprou Tormenta, deu mais interesse do que a gente imaginava. A gente começou a receber carta pedindo mais coisa. Aí que a gente reparou que colocando em banca de jornal, essas coisas, o leitor acabou tendo muito acesso. Então dá pra gente investir, tanto que a gente acabou fazendo revista, mais produtos pra essa linha. A gente tem um interesse muito grande de fazer livros de RPG pra Tormenta fora da Dragão, coisas mais diferentes.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Costuma se falar que é muito fácil achar as referências do que inspirou Tormenta.<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Depende.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Qual a sua opinião sobre isso?<br />
<strong>Saldino</strong> &#8211; De forma alguma isso denigre o mundo de Tormenta. Se você for pegar qualquer mundo medieval, qualquer mundo de RPG, você identifica as referências tão fácil quanto eu ou qualquer outra pessoa. Eu sempre cito Forgotten, porque se você pegar o mapa de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Forgotten_Realms" title="Forgotten Realms no Wikipedia." target="_blank">Forgotten</a>, é a Europa, não tem muito o que mudar, só falta a África ali. Se você pegar o mapa completo, tem a Europa, a América, só falta a África. Então eu não vejo demérito nenhum, porque quando a gente pensou o mundo de Tormenta, a gente falou &#8220;Olha, vai ter que ter um lugar oriental&#8221;, porque é pra poder ter samurai, porque senão aparece neguinho falando &#8220;Quero jogar com samurai&#8221;. Vai ter que ter deserto porque o cara vai querer jogar no deserto e a gente acabou pegando e&#8230; É impossível pra mim escrever sem fazer referência, que é divertido, que é legal. Por exemplo, tem um reino em Arton chamado Hershey. Eu falei &#8220;Ah!Vamos fazer um negócio tipo Suíça&#8221; Beleza! Vai se chamar Hershey, porque é um chocolate que eu acho legal, tudo. E no meio do texto, se você ler o Reinado, você vai ver que tem algumas referências a chocolate no meio, a nomes de chocolates e eu faço isso porque? RPG é pra você se divertir, sabe? É pra você dar risada, é pra você, pra você&#8230; se sentir bem! E, se eu me sinto bem enquanto estou escrevendo, tenho certeza de que essa sensação legal, agradável, vai passar pro leitor. &#8220;Ah, mas vai ficar uma coisa ridícula&#8221;, naõ vai ficar ridícula, garanto pra você que não vai. As referências são ruins? &#8220;Ah, mas eu não gosto do Paladino&#8221;, então não usa aquela referência. Se acha que é ridícula, não usa, usa outra. Eu tenho um mundo inteiro, um continente gigantesco, mas &#8220;Ah, eu não gosto de Hershey&#8221;. Tá bom! Faz ele ficar do outro lado. Não tenho problemas com isso.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E quais são os personagens de Tormenta que você criou?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; É engraçado porque têm vários personagens que a gente acabou criando conjuntamente, um pouco eu, um pouco o Cassaro, um pouco o Mauro. Algumas coisas seguiram um rumo contrário. O Vladslavi não era um personagem, era um pseudônimo. Ele virou um personagem e eu adoro o Vladslavi! Falei com o Cassaro, quero ver se escrevo histórias daquele grupo do Paladino antes dele virar Paladino. Eu gostei muito do Galtran! Em particular, eu gostei muito dos vilões que eu criei.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Quais seriam?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Em especial gosto muito do Nekapeth, que é clérigo de Sszzazz. Gosto muito do Sszzazz, que eu acho excelente, um vilão maravilhoso, gosto pra caramba dele. Eu gosto muito do Camaleão, qu eu escrevi uma história com ele, uma só. Eu falei &#8220;Me dá esse vilão na minha mão que ele vai fazer um arraso!&#8221;, e tem vários outros pequenos personagens que eu vou olhando e vou falando &#8220;Meu, esse cara é legal. Se eu tiver tempo, se eu tiver como mexer com ele&#8230; &#8220;. Por exemplo, o Príncipe Yuden, acho que é um personagem que dá umas coisas legais. No Reinado a gente tá fazendo, eu pelo menos, tô escrevendo um reino e toda vez que eu cito um personagem que eu acho interessante eu separo e guardo em outro arquivo que é pra poder futuramente fazer um livro só com os NPCs famosos de Arton. Eu acho que nessa hora vai dar pra desenvolver muito isso e isso vai ficar legal.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Quais são seus próximos planos pra Tormenta?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Bem, eu costumo dizer que os próximos planos de Tormenta a gente só vai saber depois que acabar o Reinado, mas não é bem verdade. A gente já tá fazendo Reinado, que é um trabalho hercúleo, porque é coisa pra chuchú e depois a gente quer fazer o Tormenta pra<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/D20" title="Sistema D20 no Wikipedia." target="_blank"> D20</a> e pra isso aí a gente vai ter que pensar muita coisa e vai dar algumas dores de cabeça. Em seguida, a gente quer pegar os clérigos e os deuses, também vai ser muita coisa, vai ser bastante coisa&#8230; Até aí a gente vai ter um bom tempo passado e agente vai ver o que tá brotando. Existe uma idéia de fazer um materail pegando Tamu-ra antes de ser destruída pela Tormenta, mas por enquanto é só uma idéia. Um colaborador meu tá pegando no meu pé que ele quer fazer o Deserto da Perdição, ele quer a Grande Savana e o Deserto da Perdição e a gente tá esperando pra ver. Vamos primeiro acabar o Reinado que é a base e depois vem os clérigos.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Tanto na Dragão Brasil quanto na Tormenta, como que funcionam as colaborações? É com as pessoas que vocês conhecem pessoalmente, ou um cara tem uma idéia boa e vocês chamam depois&#8230;<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; É um pouco dos dois, um pouco dos dois mesmo. Porque eu falo &#8220;Você quer trabalhar com RPG? Quer trabalhar na DB? &#8221; Manda texto pra gente! Manda texto, vai mandando. Pode até não ser publicado logo em seguida, mas se o texto for bom, for legal, a gente entra em contato, por e-mail, por telefone e fala &#8220;Ó, gostei do texto, quer ainda publicar?&#8221; e a gente conversa. De repente, se o cara escreveu uma, duas vezes e o texto tá legal, a gente acaba pedindo &#8220;Ô, vamos pedir pra cara de lá fazer aquela texto lá, que ficou bom daquela vez&#8221;. O Marco Poli, por exemplo, é um amigo meu antigo, eu já jogava RPG com ele, tudo e volta e meia ele me dava umas sugestões muito boas, escrevia umas coisas muito boas. Uma vez eu perguntei se podia usar um material dele, ele falou que podia, só precisava passar pro papel. Ele passou, ficou bom. Como é amigo meu e tenho contato, eu passo coisa pra ele, o que tá ficando cada vez menos frequente, porque ele é médico&#8230; Mas é um pouco dos dois. A gente sabe quem escreve bem sobre determinado assunto e a gente recebe o material. Por exemplo, no próprio Reinado, teve um rapaz que escreveu sobre os halflings, que foi o cara que escreveu a matéria dos halflings que saiu na DB. Agora que a gente escreveu o Reinado, a gente falou &#8220;Pô, vamos passar pro cara, né? Ele falou dos halfings, vamos dar o reino deles pra ele escrever!&#8221;. E foi o que aconteceu.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Vocês recebem muita coisa?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; A gente recebe bastante material, mas não sei dizer pra você quanto seria muito.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E qual a qualidade da maioria dele?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; É mediana, mediana. Não falando que os meus colaboradores são ruins. Eu costumo falar brincando que se eu ganhasse 1 real pra cada clã de Vampiro que eu recebo que mexe com fogo, eu não precisava mais trabalhar.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Vocês lançaram o Temporada de Caça, ele teve a mesma repercusssão do Tormenta, ou foi mal aceito pelo público?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Olha, a gente fez o Temporada de Caça porque muita gente falou &#8220;Faz o mesmo que vocês fizeram, porque é legal&#8221;. Bem, vamos fazer! O retorno foi razoavelmente&#8230; indiferente. Teve gente que falou que teva legal, teve gente que falou que tava uma porcaria e o número de vendas da edição onde veio o Temporada de Caça foi o mesmo número de vendas normais da DB, quer dizer, a gente não sabe se o jogador de Vampiro não quis comprar, ou se tava ruim ou bom. Não dá pra saber.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Não seria porque o Tormenta funciona você não tendo as DB ou não e no Temporada de Caça você precisa ter as revistas?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Nem tanto, nem tanto. A gente reuniu no Temporada de Caça o que saiu nas edições anteriores de Vampiro e a gente achou que podia juntar e, na minha opinião, ele tem muito material novo ali, só que ele precisa do Vampiro, lógico! Então o pessoal quer mais detalhes? Realmente, o pessoal vai querer o mapa do Masquerade, vai querer ver outra aventura. Eu não caho que ele seja tããão incompleto. É que depois saíram mais matéiras que, se gente tivesse tempo, tinha colocado no Temporada da Caça, com a dos golens, aventura, mas&#8230; não acho que ele seja tão incompleto assim. Eu acho que é porque não havia tanta carência, porque o Tormenta chegou numa área que tinha carência, você não tinha monstros e cenário de fantasia medieval. O Tagmar não era publicado fazia muito tempo, o GURPS Fantasy não era publicado fazia tempo, o AD&amp;D tava longe de vir pra cá. Mesmo o AD&amp;D só tinha as regras, não tinha cenário. Você compra o AD&amp;D e tá, vai jogar aonde? O Vampiro não, já tinha cenário, tava no livro. Então, o Temporada de Caça era só um negócio a mais, que nem sempre interessa pra você.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; O que você faz além da DB?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Atualmente, com essa brincadeira de fazer coisas pra Tormenta, tanto pra DB quanto pra <a href="http://www.daemon.com.br/" title="Site oficial da editora." target="_blank">Daemon</a>, eu vivendo só disso. Antes eu também fazia traduções, alguma coisa de adaptação, já fiz diagramação de manual pro <a href="http://www.senac.br/home.asp" title="Site oficial do Senac." target="_blank">Senac</a>, mas da parte editorial e gráfica.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E quais são suas principais referências?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; É bem difícil dizer, porque é muita coisa, muita, muita coisa. Sou um leitor ávido de livros. Tenho lido muita coisa, muita coisa clássica.</p>
<p>Alessio &#8211; Tem lido muito algum autor?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Eu poderia dizer Tolkien mas aí eu ia estar sendo muito oportunista, porque na verdade eu li muito pouco de Tolkien. Atualmente, estou gostando muito de ler Terry Prechet, do Discworld, que eu acho divinamente fantástico. Neil Gaiman é uma referência, não dá pra falar que não leu o cara. E quase tudo de clássico eu tenho lido. E, de fantasia medieval, eu sou muito fã de Michael Morcook, autor do Elric. Sou fã de carteirinha, se eu souber que ele vem pro Brasil e só vai passar no Acre, eu vou lá falar com ele. Mas eu acabo pegando referências de muitas outras coisas, filmes&#8230; Shakespeare, por incrível que pareça, e ninguém percebe. Vários filmes clássicos, Terry Gillian, filmes de terror antigo, desenhos antigos, gibi antigo,muita, muita coisa.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Você já acostumou com esse negócia de ser uma estrela no mundo rpgístico?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Eu acho isso divertido, não vejo isso tanto como estrela. Eu vi uma vez o Zico falar isso e eu concordo com ele, nós que trabalhamos com isso, a gente meio que invade a privacidade de pessoas, do leitor, do espectador. A gente não pede permissão, a gente invade, tá lá. Então é meio obrigação dar atenção pro leitor quando a gente tem tempo. Quando o cara encontra na rua e pede autógrafo, eu ainda acho meio engraçado. Poxa, eu tenho os meus autores, atores que eu gostaria de pedir autógrafos e não acho que sou um cara assim pra dar autógrafo, não sou, assim, ator da Globo, cara de Holywwod, nem são tão bonito quanto o Leonardo de Caprio. Eu tô acostumado porque trato isso como uma brincadeira séria. Não que eu vá desprezar alguém, mas é uma brincadeira, acontece. Eu não considero o cara que vem falar comigo um reles mortal, o cara tá pagando meu salário! É minha obrigação tratar bem o cara.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Vocês recebem muitas críticas pelos trabalhos de vocês, tanto na DB quanto em Tormenta? Quais são as mais comuns e como vocês respondem a elas?<br />
<strong>Saladino</strong> &#8211; Aí varia basatante. A gente recebe sim muita crítica construtivas, destrutivas e totalmente negativas. Tem um pessoal que fala &#8220;Olha, a DB tá legal, mas vocês podiam fazer isso, isso e isso&#8221; e fala com propriedade. Na maioria das vezes a gente presta atenção, pode não parecer, mas a gente presta muita atenção nisso. A gente recebe muita carta, muito e-mail. A gente lê com calma, o pessoal não acredita, mas a gente lê as cartas. Eu participei de lista de discussão por iniciativa própria, porque não dá tempo de responder quase tudo, mas eu acho muito importante ouvir e saber diferenciar o pessoal que tá falando &#8220;Olha, a DB tá ruim nisso&#8221; ou então virar e falar &#8220;Vocês são ruins e&#8230; acabou!&#8221;. E se o cara virar e falar assim &#8220;Vocês são ruins então eu não compro a DB!&#8221;, então tá bom, eu não me deixo abalar por isso. Porque sempre vai ter gente que não vai gostar do que eu faço, não queo obrigar todo mundo a gostar do meu trabalho. Quando a crítica é razoável, eu paro pra pensar &#8220;Opa! Será que não era legal a gente fazer o contrário primeiro dar uma lida com mais calma&#8221;, eu sempre presto muita atenção, sempre tento melhorar cada vez mais.</p>
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		<title>Douglas Quinta Reis</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 06:17:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Douglas Quinta Reis é um dos sócios da Devir Editora. Essa entrevista foi realizada em 2003 durante o Sampa RPG.
Alessio &#8211; Primeiramente, como você conheceu o RPG?
Douglas &#8211; Bom , a gente importava histórias em quadrinhos, né? E umas das empresas com que a gente trabalhava distribuía também revistas de RPG, Dungeons &#38; Dragons e&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left">Douglas Quinta Reis é um dos sócios da <a target="_blank" href="http://www.devir.com.br/" title="Site oficial da Devir.">Devir Editora</a>. Essa entrevista foi realizada em 2003 durante o Sampa RPG.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Primeiramente, como você conheceu o RPG?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Bom , a gente importava histórias em quadrinhos, né? E umas das empresas com que a gente trabalhava distribuía também revistas de RPG, <a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dungeons_&amp;_Dragons" title="D&amp;D no Wikipedia.">Dungeons &amp; Dragons </a>e&#8230; alguns jogos. Então a gente começou a exportar essas coisas mais como experiência, não tinha a menor idéia do que acontecia, né? E nisso eu descobri que tinha um cara na banca Domingos de Morais que comprava a Dragon, no Rio de Janeiro tinha não sei quem que comprava Dungeon e fui descobrindo que tinha alguma coisa que poucas pessoas no Brasil conheciam. E simultaneamente, a gente tinha um boletim publicado sobre histórias em quadrinhos e tava sendo lançada uma séria chamada Wild Cards e eu precisava escrever sobre aquilo e fui buscar informação e descobri que tinha sido publicado um jogo baseado na mesma série, aí fui atrás do jogo e descobri a Steve Jackson Games, aí eles me mandaram um monte de informação e eu pensei &#8220;isso aqui é legal&#8221;. Começamos a trabalhar com RPG.</p>
<p><span id="more-76"></span></p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Eu ouvi uma espécie de lenda sobre o jogo ter chegado na Devir sem querer numa encomenda de quadrinhos&#8230;<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Não, não.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Isso não aconteceu então?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Por engano não. A gente encontrou algumas coisas pra descobrir o que era. A gente não sabia o que era e precisou descobrir. Simultaneamente, enquanto a gente tava procurando informações sobre aquela série, Wild Cards, que o Steve Jackson tinha criado um RPG sobre aquilo, ele me mandou um monte de informação, inclusive um monte de livros. Aí &#8220;opa, vamos estudar isso aqui, né?&#8221; e a curiosidade matou o gato, né?</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Como que surgiu a Devir?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; A Devir tem 4 sócios. Esses 4 trabalhavam juntos, com computação e gostavam de ler histórias em quadrinhos. Na verdade, a gente mais tinha idéia de ter uma livraria. Aí a gente viu que, mais importante que ter um ponto, era ter uma organização. História em quadrinhos é uma coisa seriada e precisava ter continuação então precisava de um trabalho mais&#8230; mais árduo nessa área e a gente começou a desenvolver. Então a gente começou com o Recado, com as listas de assinatura, na direção de oferecer um serviço que a gente queria pra gente mesmo.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; A escolha do GURPS como primeiro sistema a ser traduzido se deve ao contato com a Steve Jackson Games através de Wild Cards ou houve algum outro fator?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Bom, o contato certamente ajudou, antes do contato eu não tinha a menor noção do que era GURPS, então o fato de ter recebido os livros ajudou a ter contato. Quando a gente foi escolher, a gente já trabalhava a essa altura com bastante gente que conhecia RPG, três anos depois do 1o contato, aí as propostas eram outras. O pessoal que a gente conhecia queria que fizessem Shadowrun, ou fizesse Guerra nas Estrelas. E a gente &#8211; a gente que eu digo era eu, o Mauro e a Débora &#8211; a gente procurando alguma coisa que tivesse mais a ver com o Brasil, porque a gente achava assim, que Guerra nas Estrelas era um beco sem saída. Se o cara gosta de Guerra nas Estrelas não significa que ele vai necessariamente jogar um RPG disso. Agora, se ele não gostar de Guerra nas Estrelas, ele não vai jogar nunca. Então se agente começasse com uma coisa muito marcada assim, uma coisa muito conhecida, ia limitar muito as chances que eu tinha. Então a gente preferir justamente um caminho mais difícil, aparentemente, que é cenário nenhum, mas que deixasse muito aberto pra todo mundo que quisesse, tanto que dava pra pegar qualquer área. O cara que gostava de ficção científica tinha possibilidade, que gostava de faroeste tinha possibilidade, o que gostava de mundo moderno tinha possibilidade.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E de onde surgiu a idéia de se criar o EIRPG?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; O Tadeu trabalhava coma gente e desde de o começo ele queria organizar alguma coisa, achava que a gente tinha que ter uma festa pra reunir as pessoas. De fato, isso é importante, né? Muita gente vem aqui não exatamente pra jogar, vem pra ver os amigos e acho que essa interação é importante pro próprio hobby. O fato de reencontrar amigos que joguem faz com que eu continue jogando. Então a gente achava que tinha que ter uma festa, foi só uma questão de achar um local e um grupo que tivesse com vontade de organizar! Isso é uma coisa bastante trabalhosa.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Do 1o encontro pra cá, ouve uma mudança no público que o frequenta? Você consegue apontar essas mudanças?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Mudou, claro. Tem muita gente nova. O primeiro encontro tinha 6.000 pessoas e o último teve 12.000. Tem muita gente nova que não tava no começo. Exatamente porque ele foi crescendo no abrangência. O último encontro que teve a gente dividiu em estados diferentes. O primeiro dia foi basicamente São Paulo, 430 cidades, né? Então isso foi modificando o público, porque tinha gente nova, que começou a jogar recentemente e também porque tá vinda gente de cada vez mais longe pra participar do encontro, então mudou bastante, muito embora uma boa parte das pessoas que foram no primeiro continuem vindo. Aqueles que ainda têm alguma ligação com o RPG continuam vindo, o que é muito legal. Mas é interessante que o público daqui também é muito diferente do público do EIRPG. Um monte de gente que vem aqui não vai no encontro e vice-versa.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E saberia dizer o por quê disso?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Não sei&#8230; O encontro internacional é como ir à Roma, né? Assim é uma coisa grande que as pessoas que as pessoas dão uma importância, tem convidado internacional, é como um ápice. Muita gente se prepara pro encontro, monta aventura, eu acho uma maravilha. Aqui é uma coisa mais descompromissada. O cara fala &#8220;Ah! Não tenho onde ir!&#8221; o cara acorda sábado, meio-dia &#8220;Ah, vou lá no sampa ver se o pessoal tá lá&#8230;&#8221;.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Você acredita que os jogos publicados por vocês acabem determinando o público RPGista?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Ah, claro. Por exemplo, o Vampiro provocou duas mudanças importantes. Primeiro, mudou o foco de fantasia medieval pra horror, trocou o foco no sentido de, por exemplo, muita regra numa coisa mais livre, que é mais de acordo com o espírito brasileiro, né? O brasileiro não gosta muito de obedecer regra, nem lei, nem nada, ele vai fazendo. O Vampiro, quando apareceu, dava essa impressão do &#8220;você vai fazendo&#8221;, né? Dava muito mais liberdade que os outros, que eram muito mais rígidos, então isso foi importante. A outra mudança é que horror atrai muito mais mulher do que fantasia medieval. Pra se ter uma idéia, o maior público de leitor de literatura de horror é mulher, quase 70%. O horror atrai mais as mulheres. Antes o RPG era um &#8220;Clube do Bolinha&#8221; e o Vampiro teve esse mérito de trazer mais mulher pro RPG. O Dungeons &amp; Dragons, quando ele mudou pro D20, mudou outra vez, levou outra vez à direção da fantasia medieval. E por coincidência, apareceu também Harry Potter e o filme de Senhor dos Anéis contribuíram pra isso, esse foco na fantasia.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Quando houve aquele recesso no mercado RPGista, com a Abril e a Ediouro saindo do mercado, dizem que o que salvou a Devir na época foi o Magic. Você concorda com isso?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Na verdade, o RPG não caiu naquela época, as editoras caíram. Isso não significa que o mercado tenha diminuído ou que o número de jogadores tenha diminuído. As editoras chegaram a conclusão de que aquilo não era um bom negócio pra elas, certo? Mas pra nós, nossa venda de RPG não diminuiu naquela época.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Não o que tenho visto nos trabalhos em que tenho pesquisado, a maioria deles dizem que todo mundo quebrou&#8230;<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Não, imagina! A Ediouro nunca quebrou, nem a Abril.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Que elas quebraram nessa área de RPG e que a Devir quase quebrou também&#8230;<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; A gente quase quebrou um monte de vezes, mas por outros motivos. Plano econômico, governo cata o dinheiro e aí já é outra história, não tem nada a ver. A gente já passou por dificuldades, claro. Quando tem recessão, como agora, é uma dificuldade, a gente luta pra sobreviver, o pessoal não tem dinheiro pra comprar, mas&#8230; Naquele momento em que as editoras saíram, acho que saíram porque sentiram que era um negócio que dava muito trabalho, tem que estar muito em contato com jogador e com o grupo, isso pro tamanho do padrão delas, então elas saíram fora. Por coincidência, o Magic tava chegando naquela época e pra gente foi uma maravilha, né? O Magic junto com o RPG. Mas a Abril saiu 1 ano depois do Magic, já tinha o jogo há 1 ano no Brasil ou mais quando a Abril saiu. Então uma coisa não tema ver com a outra. O Magic ajudou bastante, porque tudo que dá dinheiro, gera mais dinheiro, quer dizer, Magic dá muito mais dinheiro do que RPG, então gera capital pra gente fazer mais coisa. Não adianta eu&#8230; se eu tô publicando um livro, um livro por ano, igual a gente fazia no começo e isso for dando um lucrinho pra gente ir vivendo, não tem como eu dobrar. Precisa de capital pra dobrar. Precisa pagar a gráfica pra depois vender o livro. E nisso o Magic ajudou, mas dizer que sem ele a gente quebrava é exagero.</p>
<p><strong>Alessio </strong>- Quais são os critérios que a Devir usa para escolher os livros publicados? Preferências pessoais, tendências internacionais, sugestões do público&#8230;<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; As três coisas. A gente conversa com o resto do mundo pra saber o que está acontecendo. Por exemplo, agora a gente não pode ignorar que o Mundo das Trevas vai chegar no Apocalipse, então a gente tá se preparando pra isso, tá planejando uma série grande de livros pro encontro de 2005 pra acontecer o fim do Mundo das Trevas. Então a gente olha pro mercado e vê o que tá acontecendo, primeiro. Segundo, a gente publica aquilo que a gente gostaria mesmo! Acho importante publicar porque a gente gosta desse autor e terceiro a gente ouve o público. Eu recebo de 30 a 40 e-mails por dia de gente que entra no site e fala assim &#8220;Ah, quando vocês vão publicar isso&#8221;, &#8220;Por que você não publica aquilo&#8221;, &#8220;Pelo amor de Deus publica isso&#8221;, &#8220;Pelo amor de Deus não publica isso&#8221; e a gente vai ouvindo e tirando uma média por aí, né?</p>
<p><strong>Alessio </strong>- Por que o GURPS Espada da Galáxia não saiu pela Devir e foi lançado gratuitamente na Internet?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Porque o Marcelo Cassaro entregou isso pra gente fazer, aí a gente tinha um milhão de coisas pra fazer, ele decidiu preparar o livro a tempo e um dia aí ele cansou de esperar e ele colocou no site, disponibilizou no site e, sei lá, depois disso a gente nunca mais se falou.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; O trabalho da Dragão Brasil com o sistema 3D&amp;T conseguiu suprir uma lacuna que a Devir não supria? Vocês tinham em mente algo para trazer essa molecada que curte anime/manga para o RPG?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Eu acho que o 3D&amp;T e mesmo a Dragão são importantes no sentido de publicar uma série de coisas prontas que o público mais novo precisa. Se a Trama não tivesse fazendo isso, a gente ia ter que fazer, que é publicar coisas prontas, relativamente simples e baratas que o público pega aquilo e vai jogar. Não tem experiência em criar aventuras, vai lá e pega a aventura e cenários prontos, isso é uma maravilha. Então é um trabalho importante, se eles não estivessem fazendo, alguém teria que fazer. Então é bom que eles fazem.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; O caso de Ouro Preto já se encerrou? O que resultou dele?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Ainda não acabou. Então a situação é assim: o procurador fez um pedido, pediu uma liminar, o juiz concedeu liminar pra classificação etária, não concedeu a liminar pra proibição. Então a gente tá fazendo classificação etária, mandando livro lá pra Brasília, pro Ministério da Justiça, que escreve lá &#8220;Acho que isso aqui é pra menor de 12, 14&#8243;, sei lá o que passa na cabeça deles. Mas o processo continua em Belo Horizonte, a gente continua reunindo material, mandando pra lá, a gente contratou uma psicóloga, na verdade doutora em psicologia e a gente conseguiu que o juiz nomeasse um profissional habilitado pra julgar o caso. O Estado, a Federação tá contratando uma psicóloga que vai avaliar o caso, a gente teve a possibilidade de contratar um interlocutor pra discutir com essa psicóloga. Então foi mandado uma série de documentos na área de psicologia pra lá e, no momento, o processo tá parado no sentido que a gente tá pedindo que seja anexado a esse processo os autos do processo de Ouro Preto, afinal de contas, o fato gerador é aquele então toda informação que existe sobre aquilo tem que estar anexada, par que se possa tomar uma decisão com base em fatos e não em fantasias.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; O episódio gerou alguma repercussão negativa ou algum prejuízo pra Devir?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Acho que ficou na mesma. Quem já sabe o que é, não é afetado. Quer dizer, aconteceu muito assim, o jogador sabe e o pai não sabia, então o filho fazia uma coisa que ele não sabia o que era, sabia que chamava RPG, então de repente ele vê lá &#8220;Jogo da Morte/ RPG&#8221;, houve muito problema no sentido de pai/filho que ele não sabia o que o filho fazia. Agora, os pais que acompanham, mesmo a uma certa distância, a atividade do filho, não tinha nada contra.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Você joga RPG ainda?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Jogo.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E o que você gosta mais de jogar?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Bom, eu não tenho grandes chances de jogar campanhas, nem grandes cenários, eu gosto de coisa rápida. Eu jogo algo mais simples ainda, que é o Mini-GURPS, jogo um 3D6.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; E tem algum jogo que você não gosta muito? Cenário, regras&#8230;<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Hahahaha&#8230; Acho que não. O que eu sinto é que vários jogadores têm uma característica, então pela vida que tenho, não dá par ficar preparando uma campanha grande, né? Então não dá pra fazer uma coisa tipo, jogar uma campanha de Dungeons &amp; Dragons com personagens de 3º nível pra chegar até o 18, nunca vou poder preparar isso. Então eu tenho uma tendência e me afastar dessas coisas e ficar mais perto das simples, jogar uma aventura de Chapeuzinho Vermelho Mini-GURPS ou Mulheres Machonas ou Toon, são coisas rápidas que eu sento aqui e falo &#8220;Vamos jogar?&#8221; &#8220;Vamos!&#8221;.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Como é trabalhar com RPG? Vale a pena, compensa, o hobby acaba enchendo&#8230;<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Ah, eu acho legal, eu sempre gostei de ler, passei minha vida lendo, então trabalhar com livros é meio que realizar um sonho. Agora a brincadeira RPG é ótima, ela dá possibilidade da gente usar a criatividade, rapidez de raciocínio, improviso, o trabalho em grupo, então é um prazer trabalhar com essas coisas e prazer maior é estar em contato com um monte de jovem. Trabalhar com RPG me ajudou em casa, porque trabalhando com essa garotada, acompanhando ela, ficou mais fácil eu me relacionar coma garotada que tenho em casa.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Então seus filhos jogam?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Jogam.Ficou mais fácil de se relacionar porque tem uma coisa em comum. Então o fato da gente ter começado jogando um dia fez com que ele tivesse abertura pra mostrar bandas de 1960 pra eles e eles me mostrarem o que tá acontecendo agora. A conversa começou lá no Magic ou no GURPS e agora tá na música que eles ouvem, ou ate me convidar &#8220;Ah, vamos assistir o show do Eric Clapton&#8221; ou vamos ver um gaitista de blues que ele gosta. Então acho que isso foi muito bom, criar essa possibilidade de diálogo que talvez não existisse se eu estivesse trabalhando com computador como eu estava, perdido lá no meio do mundo e só preocupado com memória RAM.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; A Devir tem filiais em Portugal e Espanha. Quais as diferenças entre os mercados brasileiro e europeu?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Bom, em Portugal praticamente não existe mercado. Já existiu, foi forte e aí as pessoas que tavam fazendo tiveram que parar por uma razão ou outra, então hoje praticamente não tem RPG em Portugal. O que existe em geral é material importado, mas não tem editora ativa em Portugal.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Os livros que vocês importam pra lá são os livros que vocês produzem aqui?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; Isso, aí tem muito problema de linguagem, porque eles não gostam do brasileiro e a gente tá se preparando par produzir livros em português de fato, mas ainda há muito trabalho a ser desenvolvido. Na Espanha o RPG é forte, são 6 ou 7 editoras, eles produzem alguns RPGs de lá, sobretudo na área de humor e na área histórica da Espanha, fantasia, muito boas e pelo menos 3 editoras publicam praticamente tudo que sai nos Estados Unidos. Então é um mercado bastante desenvolvido e muito duradouro. O que existe, eu acho, na Espanha é uma tendência um pouco adiante da gente no sentido de desenvolver cenários próprios, que é onde a gente vai chegar daqui a 1 ano. Estamos trabalhando bastante Mini-GURPS que ainda não foram publicados mas estão sendo desenvolvidos uma grande quantidade deles.</p>
<p><strong>Alessio</strong> &#8211; Então você acredita que a tendência do RPG no Brasil nos próximos anos é a criação de sistemas e cenários próprios?<br />
<strong>Douglas</strong> &#8211; A gente está caminhando muito rápido nessa direção, tá detectando muita gente que está disposta a escrever na direção de produzir bastante material daqui.</p>
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