Arquivo

Projeto Matanza – Música Para se Maquiar – “O Caminho Da Vassoura e da Pá”

(cantar como “A Caminho da Escada e da Corda)

Música: Donida
Letra: Alessio

Chegou fim de semana, quero ir pra cama
Mas olho pra casa, tá desarrumada
Roupa pra todo lado, cabelo no ralo
Tudo cheio de pó, e eu em casa só

Cadê o meu marido, deve estar bebendo
Já a minha filha deve estar metendo
O nosso cachorro cagou na cozinha
Olha essa zona e eu aqui sozinha

Vou tirar a louça de cima da mesa
Avental no corpo, pano na cabeça
E antes que eu me esqueça
Tenho que colocar na máquina a roupa de vocês

Estou muita cansada, não sinto meus dedos
Já limpei a sala, limpei o banheiro
Todos os meus móveis já estão lustrados
Tô cheirando cândida, que insuportável

Mesmo acabando de limpar casa
Tenho plena certeza, não serviu de nada
Logo minha familia vai estar de volta
Vão sujar de novo, e ninguém se importa

Projeto Matanza – Música Para se Maquiar – “TPM Sem Fim”

(cantar como se fosse “Ressaca Sem Fim”)

Música: Donida
Letra: Alessio

Xiliquenta, mó sacal, puta insuportável
É o naipe da guria que acabou comigo
Eu tentando entender o inexplicável
Mas eu vou partir pro bar
Dessa eu desisto

TPM sem fim

Ela chora toda semana
Não consigo viver assim
E me fala “não” na cama

Maldita TPM sem fim

Dedê

A origem exata desta seita é desconhecida. Fala-se muito em um experimento Tremere ou Tzimisce, mas ambos os clãs negam isso com força total. Também pode ser uma linhagem desgarrada dos Toreador, mas diga isso a um deles e verá um artista em frenesi. Isso somado ao fato de todos os seus membros serem mentirosos notórios e compulsivos torna a tarefa de pesquisa acerca deste tópico praticamente impossível.

O que se sabe de concreto é que os Dedê apareceram para a Família na América do Sul (em especial no Brasil) no fim dos anos 80 e desde então esta peculiar seita tem crescido em número e fama. Má-fama, para ser bem claro. Seus membros são todos baladeiros e parecem achar que a não-vida se resume a uma busca pela festa perfeita. Talvez por isso raramente sejam vistos fora de grandes centros urbanos, exceto quando vão para alguma festa rave (nesse caso festas mortais, não as reuniões dos Brujah).

A maioria dos clãs e seitas considera os Dedê uma afronta à suas crenças, alguns inclusive os citando como um dos sinais da Gehenna. A seita é oficialmente independente, com pouquíssimos membros aceitos na Camarilla. Como costumam ficar fora dos jogos de politicagem e intriga dos Membros, não são levados muito a sério e gozam de certa liberdade, a não ser quando se empolgam demais em alguma balada e colocam a Máscara em perigo, ocasião em que são mortos ou por vampiros ou por caçadores atrás de seus rastros nada sutis.

A seita tem esse nome por causa de seu mais antigo e notório fundador, que atende pelo apelido de Dedê. Seu paradeiro atual é desconhecido, mas a versão mais comentada diz que ao sugar mortais drogados em uma rave no interior de São Paulo, acabou saindo do sítio onde a mesma se realizava e se infiltrando no meio da mata, onde foi morto por lobisomens. Outra versão diz que foi para Amsterdã para saber mais sobre as lendárias festas locais e nunca mais voltou. Talvez esteja em torpor em algum banheiro da Vila Madalena, notório bairro da cidade de São Paulo. Como se trata do Elder de uma seita de vampiros mentirosos, nunca se sabe…

Continuar lendo ‘Dedê’

Os Invisíveis – Dia de Treinamento – Parte Final

Na Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, Noname se encontra ajoelhado em frente ao pároco do templo, em cima do altar. Neste exato momento ele está recebendo o título de missionário pela Ordem dos Sagrados Estigmas em breve vai realizar um trabalho em Itararé, interior de São Paulo. Enquanto faz seus votos e recebe suas bençãos, o coral paroquial entoa um hino de louvor.

Assim que os ritos são cumpridos, ele se volta para assembléia e reconhece em pé na porta da igreja Leósias e o novo recruta. Noname tenta disfarçar seu espanto ao ver o novo recruta, uma vez que está em cima do altar. O espanto não é pela presença do recruta em si, mas sim porque há algo diferente nele. Aquele olhar, aquela postura e aquela presença de quando o que chamamos de realidade se desmancha diante do “Nada é verdadeiro, tudo é permitido”. Todos os membros da Associação Filhos do Caos haviam passado por isso e como um de seus primeiros a fazer parte do grupo, Noname já havia visto esse “algo diferente” muitas vezes. Sempre era perceptível quando alguém passava pela mudança, mas ela nunca era igual. Nunca. Ele se permite um leve sorriso.

A missa acaba e Noname recebe os parabéns dos paroquianos, ele se dirige aos seus companheiros. Leósias está trajando roupas mais comuns: uma camisa vermelha e calças jeans. Já Bruno ainda está com a roupa da balada do dia anterior, cheirando a suor e cigarro. Noname sorri:

- Já que estão aqui e pela cara marota dos dois, deu certo, não?

Leósias retribui o sorriso e diz:

- Noname, esse é Darth Gelidus, o mais novo membro de nossa célula.

Os três se dirigem ao boteco do outro lado da rua para comemorar o acontecimento e tentar colocar o recruta a par de onde ele estava se metendo, como se isso fosse possível.

Os Invisíveis – Dia de Treinamento – Parte II

Paredes escuras. Candy. O estrobo piscando sem parar. Ask Me. Gritos ensandecidos. Boys Don´t Cry. Cigarro. Killing Moon. Bruno vai se envolvendo e repara que, realmente, dançar é muito mais fácil do que imaginava. Tainted Love. Sombras se movendo ao ritmo cadenciado. Sweet Dreams. Suor. Personal Jesus. Ele se empolga cada vez mais e parece esquecer que está em um local lotado. Grove Is In The Heart. Gelo seco. Ligth My Fire. Sente-se como quando era pequeno e ficava sozinho na sala de casa dançando sabendo que não havia ninguém para rir dele. Lips Like Sugar.

- AAAAAAÊÊÊÊÊÊ!

O grito traz Bruno de volta a consciência e ele repara que seus companheiros de pista estão comemorando. Sem entender direito, olha ao redor e então um calafrio o atinge como um soco no estômago. Eles estavam cercados por garotas! Mas isso não era nada demais. Elas pagam mais barato para entrar, lógico que teria mais mulheres que homens. Isso não queria dizer que os caras fizeram algo e…

Continuar lendo ‘Os Invisíveis – Dia de Treinamento – Parte II’

Os Invisíveis – Dia de Treinamento – Parte I

- Alô.

- Leósias? É o Noname.

- Eu sei…

- Tá ocupado?

- Eu TAVA no meio de uma consagração à Onan, mas acho que pode esperar. Manda.

- É que hoje é dia de levar o recruta pro teste de campo.

- Porra, por que sempre eu que pego os novos membros?

- Você lembra o que aconteceu quando EU tentei treinar alguém, né? Desculpa cara, mas você é quem faz isso melhor. E alguém tem que fazer.

- Tá, tá… Vou levar o moleque no Madame. Se me ver com ele de amanhã de manhã, é porque se saiu bem. Vou levar Henri e o Zloth.

- A boa e velha maldição?

- Exatamente…

*************

Estação São Joaquim. Mais um cigarro é aceso. Ainda faltam cinco minutos para o horário combinado, mas mesmo assim o rapaz parece impaciente. Estava com um casaco preto, cabelos cuidadosamente espetados com gel, coturno e óculos escuros. Tinha feito dezoito anos semana passada e pela primeira vez iria ao Madame Satã, uma das baladas góticas mais tradicionais de São Paulo. Mas não era isso que o deixara tenso. Pelo menos não só isso. Tinha tomado um pé na bunda da namorada e ainda não havia engolido a idéia de voltar a ser solteiro. E também havia conhecido uns caras bem estranhos, para dizer o mínimo. Tinham algumas idéias diferentes acerca de religião, política, filosofia, enfim, sobre a realidade. Diziam que tudo não passava de construção coletiva e que por isso mesmo poderia ser desconstruído. Mais de uma vez falaram que mais dia menos dia iriam mostrar como. Aí o chamam pra ir numa… balada? Bem, ele queria ir nesse tal de Madame fazia um tempo já e…

- Bruno?

O rapaz leva um susto! Estava tão absorto em seus pensamentos que não percebeu eles se aproximando. Eram três e desses ele só reconhecia o do meio. Cabelos ligeiramente revoltos penteados para trás, usando suíças e óculos vermelhos. Vestia roupa social preta, um sobretudo bege e uma bengala de madeira. Era ele quem o tinha chamado. Bruno o conhecia apenas como Leósias. O sujeito sorri e diz:

- Bem cara, esses aqui são Zloth e Henri.

O primeiro era um cabeludo enorme vestido de preto da cabeça ao pés, com pinta de metaleiro. Já o segundo era um cabeludo de óculos, ar de intelectual. Estava com uma camiseta do filme “Laranja Mecânica” e calça de couro. Todos se cumprimentam, “muito prazer” de um lado, aperto de mãos do outro e começam o caminho. Cigarros são acesos, alguns comentários surgem sobre uma gostosa que estava no metrô… Bruno relaxa, afinal, não parecia muito diferente de uma balada comum, como qualquer outra que ouviu falar por aí. Mas então Zloth solta:

- Bruno, você tá a par da maldição que ronda quando se sai com o Leósias, né?

Continuar lendo ‘Os Invisíveis – Dia de Treinamento – Parte I’

Quando Surgem as Dúvidas – Palavras na Areia

Essa história demorou uns quatro anos (se bobear até mais) desde a idéia inicial até ficar pronta. O número de páginas não justifica todo esse tempo, mas fazer o que…

Tudo começou com a Aline. Em geral, as mulheres usam muito a frase “não sei”, mas ela era campeã. E, de tanto falar “não sei”, acabamos a apelidando de Dúvida. O fato dela parecer com a Morte só reforçou a idéia da Aline ser um Perpétuo. Sem contar que, em inglês, dúvida é doubt e os nomes de todos os Perpétuos em inglês começam com a letra “d”.

Um belo dia um camarada chamado Thiago chegou em mim com um desenho da Dúvida e falou “Por que você não faz a história dela? Podia ser dentro da cronologia do Sandman”. Como eu não tinha porque não fazer, comecei a esboçar alguma coisa. Tinha que ser uma história sobre pessoas e sentimentos. Haveria um conflito cósmico, afinal, estamos falando dos Perpétuos! Mas também tinha que ter um conflito humano, mundano. E em cima disso foram criados Jacó, Fabiana, André e Rômulo. Como imaginei uma saga cósmica, escalei boa parte do panteão da DC/Vertigo: Constantine, Vingador Fantasma e o resto da cambada. Fiz questão de incluir John Constantine, ele é um dos meus personagens favoritos e não podia deixar passar uma oportunidade de trabalhar com ele. E a história tinha que se passar em São Paulo, no Brasil, afinal, eu moro aqui!

Mas ainda faltava algo: um antagonista. Peguei então uma personagem super-mal-e-inescrupulosa do Thiago, dei uma modificada e voilá! Tinha todos os elementos necessários para uma boa história!

Demorei todo esse tempo para terminar minha mini-saga porque, para escrever, eu tenho que ter tesão. E o perdi várias vezes. Também rescrevi essa história milhares de vezes (espero que não tenha nenhum furo de continuidade…) e isso contribuiu para a demora.

Originalmente, era para ser um roteiro de uma história em quadrinhos, mas, como a desenhista que eu queria (por sinal a Aline) andava meio atarefada, desencanei e fiz em forma de novela mesmo.

(Mas ainda penso em vê-la quadrinizada, viu Aline?)

Não esperem encontrar durante aqui milhares de referências como vemos nas histórias do Gaiman. Mas temos algumas brincadeiras sim irei explicá-las:

Continuar lendo ‘Quando Surgem as Dúvidas – Palavras na Areia’

Quando Surgem as Dúvidas – Final

Reino de Destino. Estão todos sentados em seus lugares em volta de uma enorme mesa redonda. Quando finalmente a Morte chega, Destino comenta:

- Demorou, irmã.

- Mil desculpas. – ela responde. – Tive que fazer uns servicinhos de última hora. – se volta para Aline. – E como ela está?

Desejo responde, entediado(a):

- Você sabe muito bem que ela só despertará quando estivermos todos presentes.

Então Desespero abre um sorriso e fala:

- Mas como chamaremos Destruição?

- Nossa irmã quis dizer que devem estar presentes todos os que ainda estão com seus respectivos reinos e responsabilidades. – esclarece Destino para sua tristeza.

- Ah…

- Chega de embromação! – interrompe Morte. – Vamos ao que interessa!

Todos estão sentados. Destino abre seu livro, olha para Aline e pergunta:

- Cara irmã, você já se deu consciente de quem é e de qual é o seu papel na Família?

Aline sai do transe:

- Sim… Eu acho.

Continuar lendo ‘Quando Surgem as Dúvidas – Final’

Quando Surgem as Dúvidas – Parte 21

Todos os Perpétuos mais seus servos partem e levam Aline, somente a Morte fica. Ela se aproxima de Constantine, abaixa e, com a mão em seu ombro, fala:

- John? Acabou. Está tudo bem.

Ele se recupera. Ainda sentado no chão, pega um cigarro e acende.

- Valeu. Acho que ainda não me acostumei com a perda.

- Eu sei… – ela se vira para Tim. – Você se saiu bem. Parabéns! E a você também, Jacó.

Ambos ficam sem graça. Jacó pergunta:

- E Abel? Ele morreu mesmo?

- Não. O seu papel é o de eterna vítima, assim como o de seu irmão é o de eterno algoz. Ele vai voltar para sofrer de novo. Sempre foi assim e sempre será.

Fabiana então se lembra:

- Meus Deus! O André!

- Não se preocupe. – diz Morte. – Ele está machucado, mas está bem.

Mesmo assim Fabiana sai correndo e deixa todos para trás.

- Dane-se! Eu preciso ver!

Continuar lendo ‘Quando Surgem as Dúvidas – Parte 21′

Quando Surgem as Dúvidas – Parte 20

Santyago pega Aline novamente pelo braço e começa a andar. Rômulo, vendo isso, diz:

- Desculpe Dona Morte, mas não posso ver isso e não fazer nada.

A Perpétuo tenta impedir:

- Rômulo, não!

Mas ele sai correndo para cima do vampiro que, diante de tamanha ousadia, fica sem reação e toma um soco no rosto, o que o leva ao chão. Após ver o que fez, o homem diz, segurando a mão:

- Ai… Essa doeu até em mim…

Santyago finalmente perde o controle:

- PELO TÁRTARO! AGORA IREI MANDAR TODOS VOCÊS DIRETO PARA LÁ!

Ele se levanta e avança na direção de um assustado Rômulo, mas é interrompido por um grito de Tim e Jacó:

- Agora!

O vampiro se vira na direção deles e vê que estão apontando para o céu. Ele olha para cima e vê um clarão crescendo. Os dois jovens apontam em sua direção e só então ele percebe.

- NÃO!

Mas já não há mais tempo. Um raio de Sol incide sobre Santyago e começa a queimá-lo. Suando, Tim diz:

- Vai Fabiana!

E ela vai, apavorada:

- Aimeudeus, aimeudeus…

Continuar lendo ‘Quando Surgem as Dúvidas – Parte 20′