Universitários homossexuais e bissexuais se sentem discriminados dentro do campus
(texto originalmente publicado em 2001)
“A primeira vez que beijei alguém do mesmo sexo foi meio que de brincadeira, há um ano atrás. Não estranhei e continuei beijando”. Foi assim que A.P.* 21 anos e aluno de jornalismo da Unesp, se descobriu homossexual. Assim como ele, muitos estudantes tiveram as primeiras relações com pessoas do mesmo sexo na universidade. Dos 5 entrevistados, 4 se descobriram homossexuais ou bissexuais após ingressarem na universidade. Para a também aluna de jornalismo P.Z., 20 anos e bissexual “Isso acontece por que aqui você esta longe dos pais, ninguém te conhece. As pessoas acabam se soltando mais”.
O fato das pessoas se assumirem na universidade dá a impressão de que nesse espaço elas são mais aceitas, mas não é bem isso o que acontece. C.F, 22 anos, aluna de psicologia e lésbica, conta que “As pessoas até admiram quem se assume gay ou lésbica, mas toda vez que beijo outra mulher em público, as pessoas olham de forma estranha ou zoam comigo”. Já A.P. que “Não fico em público não. Quando duas mulheres se beijam, tem cara até que gosta. Com homens não é bem assim”. Esses fatores fazem com que dos entrevistados, só 2 são homossexuais publicamente assumidos. Para B.T., 23 anos, “Demorou para as pessoas se acostumarem com o fato de eu ser gay. Rolou muito estranhamento no começo.