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Energia Suja – Parte I

FAZENDA SOLAR ATACADA NO INTERIOR DA PARAÍBA

Situação nas cidades próximas é cada vez mais tensa

Da reportagem local

Diversos painéis solares foram destruídos na noite passada nas proximidades da cidade de Boqueirão, no interior da Paraíba. Segundo testemunhas, um grupo armado invadiu a fazenda durante a madrugada, destruiu cerca de 15 painéis e fugiu antes da polícia chegar. Houve troca de tiros entre os invasores e a segurança da fazenda. Um dos seguranças foi baleado e encontra-se no hospital, seu estado é grave.

Apesar de não haver provas concretas, a polícia acredita que este ataque tenha sido feito pelo mesmo grupo que tem atacado outras fazendas solares da região. Segundo o coronel Danilo Mainardi ‘é um grupo descontente com as desapropriações de suas famílias para a implantação das fazendas e querem fazer valer sua opinião à força’.

Na região, o único município ainda sem prazo para ser desapropriado é Cabaceiras, próximo de onde os ataques tem ocorrido. Apesar da prefeitura estar de acordo com os governos federal e estadual para que todos os seus moradores sejam alocados no município de Campina Grande, a população tem sistematicamente recusado as ofertas, preferindo permanecer em seu local de origem. Questionado sobre esta situação, o prefeito Horácio Novaes afirma que ‘é questão de tempo até a população perceber que o melhor é mudar-se’.

Líder informal da população de Cabaceiras, José Gomes, quando foi perguntado sobre a crescente onda de ataques na região, respondeu ‘Não sei quem está fazendo isso e com qual interesse, mas garanto que nenhum dos cidadãos de Cabaceiras tem algo a ver com isso. Não queremos abandonar nossa cidade, mas iremos garantir nossa permanência aqui dentro da Lei’.

Mesmo com a declaração de Gomes, a situação é tensa, com aumento do policiamento na cidade. Mainardi afirma que ‘isso visa garantir tanto a segurança dos munícipes quanto a integridade das fazendas’.

As fazendas solares da região são mantidas por uma Parceria Público-Privada, onde o governo cede as terras para que empresas instalem a façam a manutenção os painéis solares. Atualmente a empresa Helio Center é a responsável pelas fazendas da região. Através de sua assessoria de imprensa, Marcos Tavares, o presidente da empresa, declarou: ‘Estou chocado que a situação tenha tomado este rumo. Conto com o Poder Público para que as leis sejam cumpridas e os responsáveis por estes atos de vandalismo sejam exemplarmente punidos’”.

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- Conta mesmo com o Poder Público, Tavares?

Em uma mesa nos fundos de um café, Marcos Tavares, fechou seu jornal e olhou para o homem em pé em frente à sua mesa, visivelmente irritado.

- Já pedi mais de uma vez para não dizer meu nome quando nos encontramos publicamente. – comentou e apontou para uma das cadeiras. – Sente-se.

O sujeito sentou-se e disse, sorrindo sarcasticamente:

- Preciso te chamar de alguma coisa. Como não inventamos “codinomes”, vai ser pelo nome mesmo.

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Com grandes mulheres vem grandes prazeres

- Reparou que a estagiária tá te dando mole, né?

A pergunta veio cheia de malícia. Rogério tinha acabado de sair da agência e estava no metrô, escolhendo no seu iPad o que ouvira até chegar em casa, quando foi interrompido por Guilherme, seu colega de setor. Ele suspirou com certo ar de desaprovação pela pergunta. Sim, já tinha reparado que a menina sempre fazia questão de cumprimentá-lo, sempre perguntava se precisava de alguma coisa, sempre estava sorrindo em sua direção.

- E você lembra que eu namoro, né? – retrucou Rogério. – Além do mais, não curto gordinhas…

Guilherme puxou um dos fones de ouvido de seu colega para poder falar mais baixo:

- Eu sei que você namora. Vive reclamando da sua namorada pra mim. Que tal variar um pouco o cardápio? Nada contra arroz e feijão, mas uma macarronada de vez em quando não mata ninguém. Além do mais, tá na cara que você nunca pegou uma gordinha. Senão não desperdiçaria a oportunidade.

Rogério pensava em algo para retrucar, mas a estação onde Guilherme desceria chegou e ele se despediu com aquela expressão de “pense no que te falei”. Resolveu não dar bola, colocou seus fones de ouvido e foi alegremente ouvindo Franz Ferdinand até chegar em casa.

crumbmulheres2Ao chegar em casa havia um pacote do Correio em cima da sua cama, provavelmente deixado pela sua mãe. O rapaz abriu avidamente e empolgou-se quando viu que o tão aguardado “Meus problemas com as mulheres” de Robert Crumb havia finalmente chegado. Sentou-se na cama e começou a folhear. Então percebeu como todas as mulheres que Crumb desenhava eram “volumosas”, por assim dizer… Seios fartos, com bicos salientes. Pernas grosas. Bundas enormes. Tudo muito grande, mas nada sobrando. Em mais de uma ocasião Crumb estava trepando com elas de diversas maneiras. Maneiras que Rogério nunca havia sequer cogitado que existissem. Quando deu por si já estava excitado vendo tudo aquilo.

“Além do mais tá na cara que você nunca pegou uma gordinha. Senão não desperdiçaria a oportunidade”.

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Maldito Irlandês – Final

O sujeito continuou esmurrando a porta do banheiro e parecia impaciente. John Constantine voltou-se para o vampiro:

- Que tal terminarmos nosso papo em uma mesa, bebendo algo?

Cassidy não acreditava no que estava ouvindo:

- Tá achando que sou otário? Na primeira oportunidade, vai querer fugir! E cê não sai daqui sem me responder tudo sobre a morte do Brendan!

Do lado de fora continuavam esmurrando a porta. O inglês suspirou antes de dizer:

- Escuta, daqui a pouco a porta vai abrir de qualquer jeito, e acredito que quanto menos chamarmos a atenção é melhor para nós dois, certo?

O vampiro pareceu pensar sobre o assunto e John continuou:

- Além disso, você já me viu, sabe onde moro. Nada te impede de me encontrar de novo. Eu só quero sair desse banheiro imundo e desfazer esse mal-entendido de maneira mais civilizada.

Realmente, as palavras do mago tinham certo sentido. Cassidy havia captado o cheiro dele e poderia rastreá-lo facilmente. Teria suas respostas de um jeito ou de outro, portanto a idéia de resolver isso sentado e bebendo não era tão ruim. Caminhou até a porta do banheiro e a abriu. Um homem grande, careca e barbudo parecia bem irritado.

- As duas bichas já acabaram de se chupar pra eu poder usar o banheiro, porra?

Cassidy agarrou o sujeito pelo colarinho e o puxou para dentro do banheiro, fechando a porta novamente.

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Maldito Irlandês – Parte IV

Por essa Cassidy não esperava. Achava que iria pegar o sujeito de surpresa e  ele quem foi surpreendido! Subitamente, lembrou-se de tudo o que ouvira a respeito de Constantine, e passou pela sua mente a ideia de que algumas histórias poderiam ser verdadeiras… Besteira. Já havia visto muito picaretas por aí enganando pessoas com a postura e papo certos. Realmente, a entrada do inglês havia sido um tanto quanto impressionante, mas seria necessário mais do que isso para impedir Cassidy de saber a verdade sobre a morte de Brendan Finn.  Não se deixou intimidar e retrucou:

- E que caralho cê sabe sobre o que estou fazendo aqui?

Estava óbvio que o vampiro fora pego de surpresa e sem saber como agir. Constantine permitiu-se sorrir por dentro.  De presa havia passado para predador. Talvez o deixasse sair daqui inteiro, para poder avisar os outros e assim não ser mais incomodado. Mas precisava continuar o jogo até ter certeza disso. Deu mais uma tragada no cigarro antes de responder:

- Sei muito mais do que pensa. E realmente não vale a pena. Sei que está me culpando pelo que houve, mas acredite, tudo foi conseqüência dos atos dele.

Então o inglês sabia o que realmente houve com Brendan! Cassidy cerrou os dentes e os punhos:

- Escuta aqui, seu punheteiro filho da puta: os outros podem ter caído nesse seu papinho de merda, mas comigo não vai funcionar. Cê pode falar a verdade agora enquanto está com todos os dentes, ou tentar depois com a porra do maxilar quebrado. Cê que sabe.

John não podia dizer a verdade, ou saberiam que só havia matado o Rei dos Vampiros em um golpe de sorte e passariam a caçá-lo. Por outro lado, o sujeito à sua frente realmente parecia disposto a cumprir a ameaça, o que também era um tanto estranho. Nada de efeitos especiais, tentativas de hipnose, demonstrações de poder ou discursos enfadonhos. O papo era curto e grosso. Isso soou tão peculiar que pedia mais atenção. Pensou um pouco antes de dizer:

- Isso vai fazer diferença depois desse tempo todo? E o que garante que depois que eu dizer o que sei você não vai querer me matar? Esquece isso e vai viver sua “vida”, meu chapa. É melhor pra todo mundo.

A palavra “vida” foi dita com um tom diferente, quase de deboche. O que John sabia sobre Cassidy para falar desse jeito? Estava tirando sarro da cara dele por que queria saber o que houve com Brendan, mesmo após tanto tempo? Mas esse não era o ponto principal. O inglês quis garantias de que não seria morto. Isso só podia significar que ele tinha alguma culpa pela morte de seu amigo e não queria contar. Pois se não contaria por bem, contaria por mal. Antes que pudesse sequer pensar no passo seguinte, Constantine estava sendo erguido pelo colarinho por Cassidy!

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Maldito Irlandês – Parte III

Algo despertou a mente de Constantine. Havia alguma coisa estranha no local. Alguma coisa não humana. Com o tempo você aprende a sentir isso. Era uma espécie de cheiro, mas não no sentido físico, mas espiritual mesmo. Tinha aprendido a técnica para perceber espíritos não visíveis, mas, com a prática, era possível ver e identificar qualquer coisa não humana. O problema não era que havia algo não humano no pub. O que realmente deixou o mago preocupado foi sentir que este algo estava olhando diretamente pra ele! Agora, precisava saber quem e o que era, sem deixar o observador perceber que fora notado. Esfregou os olhos e fingiu pegar um cigarro enquanto se concentrava no cheiro. Era um vampiro.

John achava que não veria nunca mais um deles, não após ter conseguido matar o Rei dos Vampiros. Isso aconteceu na época em que tinha terminado com Katherine. O baque havia sido tão grande que Constantine largou tudo e passou a beber pelas ruas de Londres. Após dias e dias bebendo é fácil esquecer seus problemas e quem você é. Quando sua maior preocupação é arrumar dinheiro para uma refeição decente e encontrar um lugar quente e seco pra dormir, você mal se lembra da pessoa amada que te deixou. E assim foi por quase um ano.

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Maldito Irlandês – Parte II

Constantine. Quanto mais Cassidy descobria sobre este nome, mais irritado ficava. Havia anos que não vinha para a Irlanda – sua terra natal – e, quando resolveu voltar para visitar seu velho amigo Brendan Finn, descobriu que o sujeito estava morto. O corpo havia sido encontrado dias depois de sua morte, em sua velha adega subterrânea. O cadáver já esteva em estado de decomposição, com um copo de cerveja vazio em mãos. Cassidy soube que a causa oficial da morte fora cirrose, mas também ouviu que duas pessoas estiveram na casa de seu amig,o perto da data estipulada do falecimento. Uma delas ele ainda não conseguiu descobrir quem foi, mas soube rapidamente que a outra era John Constantine.

Perguntando aqui e ali, descobriu muito sobre ele. Parecia que vinha bastante para estes lados, e todos os donos de bares e pubs lembram de ter visto ou ouvido falar nele, mas ninguém o conhecia profundamente. Muitos diziam que era um charlatão inglês que se passava por bruxo, e ganhava a vida aplicando golpes em crédulos mundo afora. Outros diziam que era um trambiqueiro profissional que ganhava a vida comprando e vendendo objetos raros contrabandeados. Também disseram que vivia do dinheiro que ganhava jogando pôquer. Alguns poucos não chegavam a afirmar que ele realmente era um bruxo, mas diziam que coisas estranham sempre aconteciam com ele ou com quem estava por perto. Porém, uma informação era consenso: Constantine era um cara perigoso e andar com ele significava correr perigo. Mais de uma vez, ouviu histórias de “um amigo de um amigo” que tinha morrido ao cruzar o caminho do inglês. Eram pessoas perfeitamente sãs que se matavam, assassinatos em circunstâncias misteriosas, internações em hospitais psiquiátricos, desaparecimentos nunca solucionados. Todo mundo tinha uma opinião sobre John Constantine, e quase nenhuma era boa.

Cassidy conheceu Brendan Finn nos Estados Unidos uns bons anos atrás, quando estava na pior por causa de seu vício em heroína. O dinheiro havia acabado fazia um tempo, e sua companheira o abandonou após uma discussão que acabou com ele dando um tapa na cara dela. Estava difícil conseguir emprego e todos seus amigos ou conhecidos no momento não o emprestavam dinheiro, sabendo que gastaria em drogas. Pensou em assaltar alguém, mas antes disso resolveu tentar conversar com seu fornecedor habitual. Bill era um sujeito mesquinho, que sabia que o fato de ser o único fornecedor de heroína na região lhe dava poder sobre as outras pessoas e ,frequentemente, abusava desse poder. Mas Cassidy o conhecia desde antes dele ser traficante e esperava que isso pesasse a seu favor para conseguir pelo menos a dose desse dia. Claro que não adiantou nada. Mas em nome da “amizade” deles, Bill forneceria uma dose se Cassidy fizesse sexo oral nele. Até o fim. O irlandês precisava daquela dose. Quem sabe se fizesse tudo direito ele não ganhasse até um pouco a mais? Tentando pensar que isso era melhor que assaltar outras pessoas, ajoelhou e fez o que tinha que fazer, amaldiçoando mais a si mesmo do que a seu fornecedor.

Quando acabou, Bill o mandou ir embora, já que não gostava de andar com “viados viciados”. Cassidy teve um acesso de fúria e partiu pra cima dele, mas havia se esquecido dos dois capangas do traficante. Levou uma porretada nas costas e logo estava no chão sob uma avalanche de chutes, socos e porretes.

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vaMaldito Irlandês – Parte I

Constantine. A simples menção deste nome em certos círculos abria as portas para o Paraíso ou para o Inferno, seja metafórica ou literalmente falando. A família Constantine parecia carregar uma espécie de maldição e praticamente todos os seus membros se envolveram com o ocultismo, fossem como carrascos ou como vítimas. Mas o inglês John Constantine elevou a fama da sua família a níveis nunca antes alcançados. Diziam por aí que se aproximar demais dele era se aproximar da morte e essas histórias não eram nem em pouco exageradas. Se houvesse apenas inimigos mortos, a situação não seria ruim. Mas havia amigos e amantes entre a pilhas de cadáveres que se amontoava ao redor dele. Alguns contavam que até mesmo vampiros ancestrais, anjos e demônios pereceram ao medir forças com o mago inglês. Quando indagado pessoalmente sobre a veracidade dessas histórias, John Constantine se limitava a sorrir, soltar uma baforada de fumaça e dizer: “É o que dizem”, em uma imitação sarcástica de outro sujeito com a iniciais JC.

Porém até um canalha como John Constantine as vezes precisa de um descanso, deixar a armadura de lado. Havia poucos lugares onde ele poderia fazer isso, poucas pessoas que mereciam tamanha confiança. E a casa de Brendan Finn era um desses poucos lugares com uma destas raras pessoas. Era um casarão que mais parecia um castelo e ficava em um local isolado da Irlanda. Quando as coisas pesavam demais, ele passava alguns dias por ali, longe de tudo e  de todos, deixando a magia e os engodos para trás. O irlandês era amigo de longa data de Constantine e eles haviam rodado boa parte do mundo bebendo, brigando e aplicando golpes a torto e direito. Mas Finn cansou-se dessa vida, arrumou uma companheira e passou a viver por ali.

Ventava muito em frente ao casarão e o mago inglês desistiu de tentar acender o cigarro, guardando o maço e o isqueiro em seu velho e encardido sobretudo bege. O único som em quilômetros era o das ondas se despedaçando na encosta atrás da construção. O céu estava carregado de tons de cinza e parecia que vai chover , mas hoje a porta não iria se abrir. Brendam Finn não vai receber John Constantine com suas piadas sem graça e suas opiniões sempre certas sobre qualquer assunto. Hoje era aniversário da morte de Finn e John ainda não sabia o que veio fazer aqui.

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Um belo fim

Estava limpando o chão do bar quando vi um casal se beijando nas mesas do fundo e me lembrei dela. Apenas algumas horas antes ela havia estado por aqui na hora do meu intervalo para conversarmos. Estávamos nos pegando havia quase 1 mês e resolvemos acabar a coisa toda de comum acordo.

A relação não era ruim, de forma alguma. A química era maravilhosa, tanto nas idéias quanto na cama. Ela não só curtia muita coisa que eu curtia como também apresentamos muita coisa nova um para o outro. Literatura beat. Histórias em Quadrinhos. RPG. Filosofia. Ocultismo. Mas eu estava no auge da minha porra-louquice e ela também. Então eram noites mal-dormidas devido a baladas regadas a bebidas e drogas e pegação desenfreada.

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Tequila, Tatuagens & Traição

Eu realmente não estava a fim de sair de casa, mas meu camarada insistiu pra porra, vinha me pegar de carro, me deixava em casa na volta, de modo que acabei topando. No caminho pergunto a ele qual é o “brieffing” da missão. Ele parece irritado:

- Porra, já te falei três vezes! Ela divorciou e tá fazendo uma festinha na casa dela, só.

Aí os convidados levavam as bebidas e ela cuidaria das comidas. Como anfitriã faz gastronomia, acreditava que não teria do que reclamar. Paramos em um posto para comprar duas caixas de cerveja e finalmente chegamos ao local. Parece que somos uns dos últimos a chegar. A casa é grande e mesmo assim está relativamente cheia. Cumprimento nossa colega, fazia um bom tempo que não a via. Passo então o olho pela sala…

Putaqueopariu. Que morena era aquela? Cabelos pretos lisos até a cintura, olhos azuis, seios fartos e bunda idem. Me lembra na hora a Priscila do BBB. Meu número, pelamor. Perfeita… exceto pela aliança dourada na mão. Suspiro entristecido, era bom demais para ser verdade. Não que eu fosse efetivamente tentar algo, mas sonhar não custa nada, né?

De volta à realidade, a anfitriã chama meu camarada para ver um problema no PC dela, de modo que logo estou sozinho na sala com os outros convidados. O pessoal parecia simpático, mas aparentemente todos se conheciam, de modo que algum papo rolava solto. Resolvo ocupar as mãos para parecer menos deslocado e pego um copo de wiskhey sem gelo. Então finjo ver a coleção de CDs da casa enquanto pesco o papo deles a procura de uma brecha para poder participar. Mas uma das meninas pergunta, entusiasmada:

- Mais uma rodada de tequila?

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Lei Natural

A fila pra entrar na balada já está na esquina. Aqui não costuma lotar muito, mas fiquei sabendo na hora em que cheguei que hoje vai ter show do Copacabana Club, a banda indie do momento. Dizem que é um Cansei de Ser Sexy mais sério, mas eu ficaria extremamente puto se fosse do Copacabana Club e me comparassem com aquela merda de banda.

Meia hora de fila depois, finalmente minha garota consegue sair de lá para me fazer companhia. Graças aos deuses, porque o papo dos moderninhos na fila está de dar no saco. Estou com uma garrafa de Jose Cuervo na mochila, resolvi dar uma de patrão hoje. Saímos um pouco da fila e damos uns goles de canto, para evitar os tradicionais pidões. Quando voltamos pra fila, o rapaz deixa a gente voltar aonde estávamos. Gente boa. Quem sabe mais tarde lhe ofereça um gole de tequila.

Duas horas depois estamos na escada que dá acesso a porra da balada. E umas seis gurias resolvem furar fila na minha frente. Me manifesto:

- Na minha frente você não entra, querida.

- Mas nós tamo com ele aqui.

- Não tão não. Tô aqui desde as onze e meia e esse cara tava sozinho. Nem vem que não tem.

O “cara que tá com elas” finge que o papo não o envolve. A líder das fura-fila tenta argumentar:

- Mas um monte de gente entrou na frente.

- Na minha frente ninguém passou. Se teve otário que fez isso, eu não vou fazer. Você pode ver com o pessoal atrás de mim se deixam você passar, mas na minha frente não.

- Cara , é a lei natural.

Eu não acredito que ouvi uma merda dessas. A resposta sai sem pensar:

- Lei natural é o caralho.

Realmente tem coisas que só o palavrão expressa. Parece que elas entendem o recado e vão para o fim da fila.