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	<title>O Protagonista 2.0 &#187; Contos</title>
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		<title>Com grandes mulheres vem grandes prazeres</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 01:09:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
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		<description><![CDATA[- Reparou que a estagiária tá te dando mole, né?
A pergunta veio cheia de malícia. Rogério tinha acabado de sair da agência e estava no metrô, escolhendo no seu iPad o que ouvira até chegar em casa, quando foi interrompido por Guilherme, seu colega de setor. Ele suspirou com certo ar de desaprovação pela pergunta. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- Reparou que a estagiária tá te dando mole, né?</p>
<p>A pergunta veio cheia de malícia. Rogério tinha acabado de sair da agência e estava no metrô, escolhendo no seu iPad o que ouvira até chegar em casa, quando foi interrompido por Guilherme, seu colega de setor. Ele suspirou com certo ar de desaprovação pela pergunta. Sim, já tinha reparado que a menina sempre fazia questão de cumprimentá-lo, sempre perguntava se precisava de alguma coisa, sempre estava sorrindo em sua direção.</p>
<p>- E você lembra que eu namoro, né? &#8211; retrucou Rogério. &#8211; Além do mais, não curto gordinhas&#8230;</p>
<p>Guilherme puxou um dos fones de ouvido de seu colega para poder falar mais baixo:</p>
<p>- Eu sei que você namora. Vive reclamando da sua namorada pra mim. Que tal variar um pouco o cardápio? Nada contra arroz e feijão, mas uma macarronada de vez em quando não mata ninguém. Além do mais, tá na cara que você nunca pegou uma gordinha. Senão não desperdiçaria a oportunidade.</p>
<p>Rogério pensava em algo para retrucar, mas a estação onde Guilherme desceria chegou e ele se despediu com aquela expressão de “pense no que te falei”. Resolveu não dar bola, colocou seus fones de ouvido e foi alegremente ouvindo Franz Ferdinand até chegar em casa.</p>
<p><img class="alignright size-medium wp-image-928" title="crumbmulheres2" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2012/01/crumbmulheres2-480x711.jpg" alt="crumbmulheres2" width="291" height="429" />Ao chegar em casa havia um pacote do Correio em cima da sua cama, provavelmente deixado pela sua mãe. O rapaz abriu avidamente e empolgou-se quando viu que o tão aguardado “Meus problemas com as mulheres” de Robert Crumb havia finalmente chegado. Sentou-se na cama e começou a folhear. Então percebeu como todas as mulheres que Crumb desenhava eram “volumosas”, por assim dizer&#8230; Seios fartos, com bicos salientes. Pernas grosas. Bundas enormes. Tudo muito grande, mas nada sobrando. Em mais de uma ocasião Crumb estava trepando com elas de diversas maneiras. Maneiras que Rogério nunca havia sequer cogitado que existissem. Quando deu por si já estava excitado vendo tudo aquilo.</p>
<p>“Além do mais tá na cara que você nunca pegou uma gordinha. Senão não desperdiçaria a oportunidade”.</p>
<p><span id="more-927"></span></p>
<p>A idéia de que o tipo físico de uma pessoa determina se ela é melhor na cama era algo idiota, mas Rogério de repente se deu conta de que só havia ficado, namorado e transado com meninas mais magras. A única explicação plausível para isso era ter lido Sandman na adolescência e ficado fascinado com a versão da Morte que Neil Gaiman fez: baixinha, ligeiramente magra, gótica, cabelos negros, pele clara. E isso pareceu tão estúpida quanto à teoria de Guilherme. Sem contar que o namoro não andava bem mesmo. Mais brigavam que se beijavam. Até as transas de reconciliação estavam ficando mecânicas, com os dois dormindo ou vendo TV logo em seguida. Mais de uma vez dormiram juntos sem se tocarem. Resolveu jantar com seus pais para não ficar pensando muito nestas besteiras.</p>
<p>Quando acordou no dia seguinte e pegou o jornal, uma notícia sobre modelos plus-size estampada logo na capa chamou imediatamente a atenção de Rogério. E ainda tinha uma foto de uma modelo bem “cheinha” em um biquíni. Notou o quanto ela era bonita e que, apesar de todo o conteúdo dela, não dava para negar que a moça era incrivelmente gostosa. Quando deu por si já estava procurando a matéria no caderno de cultura e ficou surpreso com as beldades estampadas. Como não tinha reparado em meninas deste tipo antes? Só então percebeu que no dia anterior sequer tinha lembrado de ligar para a namorada. Mas ficou ligeiramente irritado ao constatar que ela também não havia ligado. “Foda-se. Assim que chegar na agência eu ligo”, pensou.</p>
<p>Mas foi colocar o pé em seu andar e deu de cara com a estagiária. Ela olhou para Rogério e abriu seu sorriso habitual, mas hoje ele se permitiu prestar mais atenção nela e viu que a garota era mais bonita do que ele pensava. Perguntou para ele se queria café e o rapaz respondeu que sim. Acompanhou o andar da moça até a copa e notou que ela poderia muito bem ser uma modelo plus-size. E que bunda era aquela! Parecia tão firme dentro daquela calça jeans que Rogério cogitou apertar pra ver se era aquilo tudo mesmo.</p>
<p>Quando ela voltou, abaixou-se e colocou o café em cima da mesa dele. Sem querer pode ver um pouco dos peitos dela pela gola um pouco larga da camiseta e viu que aquilo tudo poderia ser tão interessante quanto sua bunda. Como seria enfiar a cara ali no meio?</p>
<p>Tentou concentrar-se no trabalho para não ficar pensando muito nisso, mas parece que o destino não estava nem um pouco a fim de colaborar. Jogaram em cima de sua mesa a última edição de uma “revista masculina” onde foi publicada uma peça que haviam feito. Na capa estava Andressa Soares, popularmente conhecida como Mulher-Melancia. “Ali estava uma mulher que Crumb aprovaria de primeira”, pensou Rogério. Mas o choque foi quando ele percebeu que aquela mulher era realmente muito gostosa. Ficou indignado por estar “pagando-pau” para uma musa do funk, uma mulher cujo ofício era rebolar aquela&#8230; Aquela&#8230; Bunda enorme na maior velocidade possível. Realmente era uma bunda enorme&#8230; E ela sabia mexer aquilo muito bem&#8230; Como seria essa mulher na cama fazendo a velocidade cinco em cima dele? Quando deu por si já estava com a revista guardada na mochila.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-931" title="crumbmulheres1" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2012/01/crumbmulheres1-479x715.jpg" alt="crumbmulheres1" width="278" height="413" />Chegou em casa, jogou a mochila no canto e pegou o exemplar de “Meus problemas com as mulheres” de novo. Realmente Crumb teria dado em cima tanto da sua estagiária quanto da Mulher-Melancia. Começou a rever as barbaridades sexuais que o desenhista colocava em prática com sua fértil imaginação. E logo se imaginou fazendo algumas delas com a estagiária. Quando estava dolorosamente excitado, lembrou da revista da Mulher-Melancia e se acabou ali no quarto mesmo. Fez o serviço mais duas vezes antes de dormir sem sequer lembrar-se de ligar para a namorada&#8230;</p>
<p>No dia seguinte, assim que viu a estagiária dando bom dia, Rogério já estava doido para levar aquela menina para a cama. Viu a moça indo para a copa e foi atrás. Ela pareceu assustada quando viu o rapaz por lá. Ele sorriu e disse:</p>
<p>- Oi.</p>
<p>Ela pareceu ligeiramente sem graça e isso só deixou Rogério com mais vontade.</p>
<p>- Oi&#8230; – respondeu a garota.</p>
<p>- Você vai ter aula hoje? É que eu estou bastante adiantado no meu serviço e tava a fim de dar uma espairecida depois do expediente, sabe?</p>
<p>- Espairecida? – ela pareceu não entender.</p>
<p>- É. Sair, dar uma relaxada, beber alguma coisa&#8230;</p>
<p>A menina ficou desconfiada:</p>
<p>- O pessoal tá marcando algo?</p>
<p>- Nem sei&#8230; Estava pensando em sair com você, sabe?</p>
<p>- Comigo?</p>
<p>Ele se aproxima um pouco:</p>
<p>- É. Você já está aqui há seis meses e nunca conversamos fora da agência. Isso tá muito errado, não?</p>
<p>Finalmente a menina baixou a guarda:</p>
<p>- Que tal uma cerveja?</p>
<p>- Perfeito!</p>
<p>E conforme o dia foi passando ela olhava para ele, cada vez disfarçando menos o quando havia ficado feliz com o convite. Estaria apaixonada? Mas o corpo dela estava feliz também. Ela estava andando de maneira sensual, desfilando aquela bunda convidativa para ele. Lembrou-se do livro “O Cheiro do Ralo”, de Lourenço Muterelli, onde um sujeito tinha uma fixação tão doentia pela bunda de uma balconista do bar onde comia que sequer lembrava o rosto dela. Mas Rogério lembrava o rosto, do nome e não queria só a bunda dela e sim todo o resto. Será que estava sendo tão doentio quanto o personagem do livro? Estaria transformando a menina em um objeto?</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-936" title="crumbmulheres3" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2012/01/crumbmulheres31.jpg" alt="crumbmulheres3" width="298" height="384" />Assim que Rogério saiu do prédio da agência a garota estava esperando por ele. Foi beijar o rosto de menina para cumprimentá-la e subitamente os dois se beijaram. Afastarem-se tão rapidamente quanto se encostaram, mas a vontade falou mais alta e deram outro beijo, desta vez bem mais quente e demorado. Assim que acabou a garota disse:</p>
<p>- Você não namora?</p>
<p>- Quer realmente falar disso? – ele retruca.</p>
<p>Inesperadamente, a menina sorri:</p>
<p>- Não, só acho que deveríamos ir para um lugar mais reservado para não sujar pro seu lado, sabe?</p>
<p>Por essa ele não esperava! E ele achando que a menina estava apaixonada. Pegou-a pela mão e dirigiu-se a um motel perto dali. Mal haviam entrado no quarto e ela já o jogou na cama, abrindo sua calça. Quando deu por si, estava tendo a melhor chupada que já havia levado em toda sua vida e poderia gozar a qualquer momento, mas ela parou, virou de costas e começou a tirar a roupa bem devagar. Peça por peça, dançando ao som de uma música que não existia.</p>
<p>Rogério estava louco de tesão. Levantou-se, arrancou o que restava das roupas de menina, quase rasgando tudo, e a empurrou na cama, de costas para ele. Só lembrou-se de colocar a camisinha, abriu aquele imenso par de pernas e foi com tudo. Ela gritou, mas ele sabia que era mais prazer do que dor. Ia cada vez com mais força e ela empinava cada vez mais aquela bunda enorme, acompanhando o ritmo dele. Foi puxar os cabelos dela, mas quando deu por si estava com as mãos em volta do pescoço da menina.</p>
<p>- Isso&#8230; Vai&#8230; Me enforca&#8230; Não&#8230; Para&#8230;</p>
<p>Prontamente atendeu ao pedido e prosseguiu naquela fúria sexual, gemendo junto com a menina, cada vez mais rápido e mais forte. Olhava tudo aquilo balançando e não acreditava que não tivesse feito isso antes. Gozou como nunca havia gozado antes, teve até receio de ter estourado a camisinha.</p>
<p>Caiu em cima dela, praticamente desmaiado, e ficou arfando por um bom tempo. Voltou a si quando ouviu seu celular tocando. Pensou em atender, mas a estagiária virou de lado, jogou Rogério na cama e logo ele já estava ocupado demais tentando respirar em meio aquele par de seios enormes para se preocupar com qualquer outra coisa&#8230;</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-939" title="crumbmulheres7" src="http://oprotagonista.com/wp-content/uploads/2012/01/crumbmulheres7-480x359.jpg" alt="crumbmulheres7" width="480" height="359" /></p>
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		<title>Maldito Irlandês &#8211; Final</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 03:55:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Cassidy]]></category>
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		<description><![CDATA[O sujeito continua esmurrando a porta do banheiro e parece impaciente. Jonh Constantine volta-se para o vampiro:
- Que tal terminarmos nosso papo em uma mesa bebendo algo?
Cassidy não acredita no que está ouvindo:
- Tá achando que sou otário? Na primeira oportunidade vai querer fugir e cê não sai daqui sem me responder tudo sobre a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O sujeito continua esmurrando a porta do banheiro e parece impaciente. Jonh Constantine volta-se para o vampiro:</p>
<p>- Que tal terminarmos nosso papo em uma mesa bebendo algo?</p>
<p>Cassidy não acredita no que está ouvindo:</p>
<p>- Tá achando que sou otário? Na primeira oportunidade vai querer fugir e cê não sai daqui sem me responder tudo sobre a morte do Brendan!</p>
<p>Do lado de fora continuam esmurrando a porta. O inglês suspira:</p>
<p>- Escuta, daqui a pouco a porta vai abrir de qualquer jeito e acredito que quanto menos chamarmos a atenção é melhor para nós dois, certo?</p>
<p>O vampiro parece pensar sobre o assunto e John continua:</p>
<p>- Além disso, você já me viu, sabe onde moro. Nada te impede de me encontrar de novo. Eu só quero sair desse banheiro imundo e desfazer esse mal-entendido de maneira mais civilizada.</p>
<p>Realmente as palavras do mago tinham certo sentido. Cassidy havia captado o cheiro dele e poderia rastreá-lo facilmente. Teria suas respostas de um jeito ou de outro, portanto a idéia de resolver isso sentado e bebendo não era tão ruim. Caminha até a porta do banheiro e a abre. Um homem grande, careca e barbudo parece bem irritado.</p>
<p>- As duas bichas já acabaram de se chupar pra eu poder usar o banheiro, porra?</p>
<p>Cassidy agarra o sujeito pelo colarinho e o puxa para dentro do banheiro.</p>
<p><span id="more-790"></span></p>
<p>Alguns momentos depois John Constantine sai apressado, seguido por Cassidy, que está com um sorriso satisfeito no rosto. Eles sentam em uma mesa nos fundos do bar e o mago nervosamente acende um cigarro:</p>
<p>- Precisava ter enfiado a cara dele na privada até o sujeito desmaiar?</p>
<p>- Não, mas eu tava puto e precisava descontar em algo. &#8211; responde Cassidy ainda sorrindo. &#8211; E melhor nele que em você, não?</p>
<p>O inglês se viu obrigado a concordar:</p>
<p>- É, há males que vem para o bem. Vai beber o que?</p>
<p>- Uma cerva pra mim tá de bom tamanho. Quero ficar sóbrio, sabe?</p>
<p>Constantine levanta-se e retorna com um copo de whisky e uma cerveja. Senta-se, e comenta:</p>
<p>- Nunca tinha visto um vampiro bebendo algo que não fosse sangue&#8230;</p>
<p>O vampiro dá um belo gole e retruca:</p>
<p>- Foda-se. Não estamos aqui pra falar de mim, certo?</p>
<p>O mago dá uma longa tragada no cigarro, parece pensar e então começa:</p>
<p>- Certo&#8230; Na época eu fui diagnosticado com câncer terminal. Nos pulmões. A proximidade da morte me fez repensar um monte de coisa e então me lembrei do velho Brendan. Talvez no meio das tralhas dele ou dos livros houvesse algo que pudesse me ajudar. E ele tinha os contatos dele também&#8230; Bom, me pareceu uma ótima opção. Mas chegando na casa dele descubro que o filho da puta está com uma cirrose fodida de tanto beber e que também estava morrendo. Pior, ele estava pensando em me procurar para pedir ajuda!</p>
<p>- Hum&#8230; – Cassidy parece pensativo. – Então vocês são amigos de longa data, é isso?</p>
<p>- Exato chefe. Um dos poucos que tenho. – responde o inglês sem nem pensar. – Fizemos vários golpes juntos, tanto aqui quanto nos EUA. Tivemos que aprender a confiar um no outro ou estaríamos mortos a essa altura.</p>
<p>- Golpes nos EUA? – interrompe o vampiro. – Quando o conheci ele estava lá e reclamando sobre um golpe que deu errado&#8230;</p>
<p>Constantine fecha a cara:</p>
<p>- Ah&#8230; O Ás dos Matadores&#8230; Era uma arma rara que iríamos repassar para um colecionador inglês. Mas deu tudo errado e um dos nossos acabou morto. – ele acende outro cigarro. &#8211; Mas não viemos falar disso&#8230;</p>
<p>Cassidy se levanta:</p>
<p>- Vou pegar mais uma breja e na volta você continua.</p>
<p>Ele volta momentos depois e senta-se sem falar nada. O inglês prossegue:</p>
<p>- O problema é que a cirrose do Brendan estava muito pior que meu câncer. Ele estava para morrer a qualquer momento, mal se agüentava. Então fizemos a única coisa possível naquele momento irônico: descemos para a adega secreta dele e tomamos um porre do que ele tinha de melhor lá. Bebi até desmaiar. Quando acordei ele tava morto. Cambaleei até encontrar o primeiro táxi e voltei pra a Terra da Rainha.</p>
<p>Cassidy encara Constantine por alguns momentos. Faltava muita coisa nesta história. O sujeito que visitou a casa depois, por exemplo. Mas aparentente o inglês estava contando tudo o que podia contar e não parecia que iria conseguir arrancar nada dele. Então o vampiro pega um cigarro e acende:</p>
<p>- Mas peraí&#8230; Cê disse que te deram câncer de pulmão terminal&#8230; Como tá vivo ainda?</p>
<p>Constantine amassa a ponta do cigarro no cinzeiro e retoma seu ar de desdém. Sorrindo, responde</p>
<p>- Desculpe meu chapa, mas os mágicos não revelam todos os seus truques, só alguns para ganhar a confiança da platéia.</p>
<p>O vampiro não acredita na ousadia da resposta, mas antes que possa pensar em uma reação, ouve um murmurinho perto do banheiro. Olha e vê que estão carregando o sujeito que ele afogou. Parece que está semi-acordado e procura algo. E então aponta para Cassidy:</p>
<p>- Ali! De óculos escuros! Foi ele o filho da puta que me afogou na privada!</p>
<p>Então quatro sujeitos que parecem ser amigos dele começam a se aproximar. Constantine nem se mexe:</p>
<p>- Eu sabia que a merda ia feder&#8230;</p>
<p>- Cê se acha muito engraçado, né? – retruca Cassidy. – Mas veja um profissional em ação&#8230;</p>
<p>O inglês sabe que vampiros são mais resistentes e rápidos que simples seres humanos, mas antes que John sequer entendesse a sequência dos eventos um dos rapazes já havia levado um soco e desmaiado, com uma fonte de sangue jorrando de onde deveria ser o seu nariz. Logo outro é agarrado e alça vôo até a parte de trás do balcão. E Cassidy parecia estar se divertindo com tudo isso&#8230;</p>
<p>Após colocar o sujeito que estava na privada de volta ao seu devido lugar. Cassidy resolve sentar na mesa, mas John Constantine não estava lá!</p>
<p>- FILHO DA PUTA! – grita Cassidy esmurrando uma mesa, que se parte.</p>
<p>O mago disse o que ele precisava saber, sabia que Brendan havia morrido em paz&#8230; Mas queria saber alguns detalhes ainda&#8230; Subitamente o som de sirenes se aproximando indicam que é hora dele cair fora do bar. Ele deixa o dinheiro em cima da mesa e sai pelos fundos, xingando Constantine por ter que pagar toda a conta.</p>
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		<title>Maldito Irlandês &#8211; Parte IV</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 15:44:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por essa Cassidy não esperava. Achava que iria pegar o sujeito de surpresa e de repente ele é quem é surpreendido! Subitamente ele se lembra de tudo o que ouviu a respeito de Constantine e passa pela sua mente a idéia de que algumas histórias poderiam ser verdadeiras&#8230; Besteira. Já tinha visto muito picaretas por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por essa Cassidy não esperava. Achava que iria pegar o sujeito de surpresa e de repente ele é quem é surpreendido! Subitamente ele se lembra de tudo o que ouviu a respeito de Constantine e passa pela sua mente a idéia de que algumas histórias poderiam ser verdadeiras&#8230; Besteira. Já tinha visto muito picaretas por aí enganando pessoas com a postura e papo certos. Realmente a entrada do inglês havia sido um tanto quanto impressionante, mas seria necessário mais do que isso para impedir Cassidy de saber a verdade sobre a morte de Brendan Finn.  Não se intimida e retruca:</p>
<p>- E que caralho cê sabe sobre o que estou fazendo aqui?</p>
<p>Estava óbvio que o vampiro fora pego de surpresa e sem saber como agir. Constantine se permite sorrir por dentro.  De presa havia passado para predador. Talvez o deixasse sair daqui inteiro para poder avisar os outros e assim não ser mais incomodado. Mas precisava continuar o jogo até ter certeza disso. Dá mais uma tragada antes de responder:</p>
<p>- Sei muito mais do que pensa e realmente não vale a pena. Sei que está me culpando pelo que houve, mas acredite que tudo foi conseqüência dos atos dele.</p>
<p>Então o inglês sabia o que realmente houve com Brendan! Cassidy cerra os dentes e os punhos:</p>
<p>- Escuta aqui seu punheteiro filho da puta: os outros podem ter caído nesse seu papinho de merda, mas comigo não vai funcionar. Cê pode falar a verdade agora enquanto está com todos os dentes ou tentar depois com a porra do maxilar quebrado. Cê que sabe.</p>
<p>John não poderia dizer a verdade ou saberiam que só havia matado o Rei dos Vampiros em um golpe de sorte e passariam a caçá-lo. Por outro lado, o sujeito à sua frente realmente parecia disposto a cumprir a ameaça, o que também era um tanto estranho. Nada de efeitos especiais, tentativas de hipnose, demonstrações de poder ou discursos enfadonhos. O papo era curto e grosso e isso soou tão peculiar que pedia mais atenção. Pensa um pouco antes de dizer:</p>
<p>- Isso vai fazer diferença depois desse tempo todo? E o que garante que depois que eu dizer o que sei você não vai querer me matar? Esquece isso e vai viver sua “vida”, meu chapa. É melhor pra todo mundo.</p>
<p>A palavra “vida” foi dita com um tom diferente, quase de deboche. O que mais John sabia sobre Cassidy para falar desse jeito? Estava tirando sarro da cara dele por que queria saber o que houve com Brendan mesmo após tanto tempo? Mas esse não era o ponto principal. O inglês quis garantias de que não seria morto. Isso só poderia significar que ele tinha alguma culpa pela morte de seu amigo e não queria contar. Pois se não contaria por bem, contaria por mal. Antes que pudesse sequer pensar no passo seguinte, Constantine estava sendo erguido pelo colarinho por Cassidy!</p>
<p><span id="more-788"></span></p>
<p>- Seu cuzão! – grita o irlandês. – Que merda cê fez com Brendan Finn?</p>
<p>- Hã? Brendan Finn? – pergunta John.  – Você conhecia o Brendan?</p>
<p>- Não vem dar uma de burro agora não, porra! – retruca o irlandês. – Sei que ele morreu faz tempo e a última pessoa vista com ele foi você. Tô sabendo que falam que ele morreu de porre, mas tem algo podre nisso tudo e quero saber agora!</p>
<p>Cassidy força John contra a parede e ele perde o fôlego. Como assim o vampiro conhecia Brendan e queria saber o que houve com ele? O sanguessuga não queria vingança contra a morte de seu mestre?  Precisava ganhar tempo para saber o que realmente estava acontecendo e resolve apelar:</p>
<p>- Chefe, acho que está havendo um grande mal-entendido aqui. Posso te fazer uma pergunta antes de te contar o que quer saber?</p>
<p>O irlandês permanece em silêncio e John entende isso como um sim. Então manda:</p>
<p>- Então não sabe que eu sei que você é um vampiro?</p>
<p>Imediatamente Cassidy solta Constantine, que vai ao chão.</p>
<p>- Porra, como cê sabe disso?- pergunta o irlandês.</p>
<p>Então o vampiro realmente não estava querendo se vingar pelo seu mestre. Isso mudava tudo. John levanta-se, acende um cigarro e responde:</p>
<p>- Já vi alguns dos seus. Você aprende a identificar. Mas nunca tinha visto um de vocês bebendo ou mijando ou algo do tipo, se é que me entende.</p>
<p>- Foda-se. –diz Cassidy. – Isso não é da sua conta.</p>
<p>27 de Abril de 1916. Uma data que Cassidy nunca iria esquecer. Ele e seu irmão mais velho Billy estavam em Dublin lutando pela independência da Irlanda contra a Inglaterra quando desertaram ao descobrir que os líderes da “revolução” planejavam a morte de todos os soldados. A idéia não era ganhar a luta armada e sim conseguir mártires e comoção para assim conquistar a tão sonhada república irlandesa. Billy não era nenhum idealista e estava ali somente para proteger seu irmão mais novo, portanto quando ouviu sem querer os verdadeiros planos de Patrick Pearse arrastou Cassidy para fora daquela armadilha sem pensar duas vezes.</p>
<p>Estavam a caminho de Cork quando aconteceu. Já era noite e Cassidy estava cansado por andar o dia inteiro, então quis descansar um pouco e beber água em um riacho à beira da estrada. Billy divagava sobre seus pais e quando se virou viu seu irmão sendo mordido por uma mulher decrépita que aparentemente havia saído do riacho. Instintivamente puxou seu revólver e atirou, acertando a criatura bem no olho. Ela urrou e voltou para as águas, arrastando Cassidy junto.</p>
<p>Já era dia quando ele recobrou sua consciência e ainda estava no fundo do riacho. Saiu sem entender nada e subitamente seu corpo começou a entrar em combustão espontânea! Pulou de volta na água e tentou sair pelo menos outras três vezes antes de resolver esperar pela noite. Agora em segurança, estava morrendo de fome e foi somente quando viu um carneiro ao atravessar uma fazenda que ele entendeu o que queria. Mas os donos da fazenda o abordaram e atiraram nele com uma espingarda. Cassidy levantou-se e saiu correndo. Demorou um pouco para ele entender como as coisas funcionariam dali para frente, mas se adaptou.</p>
<p>A Irlanda era uma ilha, mas mesmo assim Cassidy evitou reencontrar sua família. Billy viu seu irmão mais novo ser atacado e desaparecer no rio, devia acreditar que estava morto. Talvez isso fosse melhor do que aceitar que agora havia um vampiro na família. Porém Cassidy foi reconhecido algumas vezes por amigos de parentes e decidiu que era hora de partir. Em 1918 ele comprou uma passagem de navio para os Estados Unidos da América e nunca mais voltou.</p>
<p>Talvez por isso que era tão importante para ele descobrir a verdade sobre Brendan antes de voltar para a América. Estar Irlanda trazia muitas lembranças doloridas e queria partir sabendo que havia feito algo de bom. Tinha feito muita coisa ruim os últimos anos, precisava sentir-se bem consigo mesmo.</p>
<p>De volta ao presente, fecha novamente a cara e volta sua atenção à Constantine:</p>
<p>- Foda-se mesmo. Estamos falando do Brendan e não de mim. Me pegou de surpresa por saber o que sou, mas isso não livra tua cara, seu bosta.</p>
<p>Alguém bate ruidosamente na porta.</p>
<p>-CARALHO, TEM MAIS GENTE QUERENDO USAR O BANHEIRO, PORRA!</p>
<p>(a seguir&#8230; a conclusão!)</p>
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		<title>Maldito Irlandês &#8211; Parte III</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 14:37:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Algo desperta a mente de Constantine. Tinha alguma coisa estranha no local. Alguma coisa não humana. Com o tempo você aprende a sentir isso. É uma espécie de cheiro, mas não no sentido físico. É algo espiritual mesmo. Havia aprendido a técnica para perceber espíritos não visíveis, mas com a prática era possível ver e identificar qualquer coisa não humana. O problema não é que havia algo não humano no pub. O que realmente deixou o mago preocupado foi sentir esse algo olhando diretamente pra ele! Agora precisava saber quem e o que era e sem deixar o observador perceber que fora notado. Esfrega os olhos e finge pegar um cigarro enquanto se concentra no cheiro. É um vampiro.</p>
<p>John achava que não veria nunca mais um deles, não após ter conseguido matar o Rei dos Vampiros. Foi na época em que tinha terminado com Katherine. O baque foi tão grande que Constantine largou tudo e passou a beber pelas ruas de Londres. Após dias e dias bebendo é fácil esquecer seus problemas e quem você é. Quando sua maior preocupação é arrumar dinheiro para uma refeição decente e encontrar um lugar quente e seco pra dormir, você mal se lembra da pessoa amada que te deixou. E assim foi por quase um ano.</p>
<p><span id="more-783"></span></p>
<p>O Rei dos Vampiros foi o primeiro de sua raça e ele se alimentou do primeiro homem a caminhar sobre a terra. Seus filhos se multiplicaram e vivem nas sombras do mundo conhecido, ora nos tratando como gado, ora nos tratando como brinquedos. Mas ele queria aumentar seu poder e para isso precisava saber o que acontecia no Paraíso e no Inferno. E nenhum espião seria melhor que John Constantine. O Rei dos Vampiros procurou o mago e lhe ofereceu a vida eterna em troca de seus serviços. Constantine não só recusou como ainda fez desdém tanto da oferta quanto do pretenso contratante. E seres como o Rei dos Vampiros nunca ficam felizes ao ouvirem algo diferente do que queriam.</p>
<p>Qual foi a surpresa do primeiro dos sanguessugas ao encontrar o bruxo inglês como um pobre e imundo mendigo nas ruas da capital inglesa? Todo o seu orgulho, pompa e sarcasmo haviam morrido. O imortal então disse algumas verdades a Constantine e resolveu acabar com sua vida sugando todo o seu sangue. O que ele não sabia é que o bruxo inglês havia feito um pacto anos atrás e havia sangue de demônio em suas veias. E esse sangue não alimenta e sim destrói o vampiro que o consome. Foi então que a vingança definitiva do Rei dos Vampiros transformou-se em sua derrota definitiva.</p>
<p>John acende o cigarro e discretamente analisa o vampiro que o observa. Cabelos castanhos grosseiramente penteados para trás, óculos escuros, barba por fazer. Usa um colete jeans, camiseta surrada, calça jeans e botas. Era magro e pálido, como se estivesse doente. Não dava pra chutar a idade dele e nesse caso era irrelevante. Olhava para John com um certo ar de satisfação. Por fim o vampiro se levanta e vai em direção ao banheiro. O mago então pondera o que fazer. Poderia fugir, mas se o vampiro o encontrou na Irlanda o encontraria bem mais facilmente na Inglaterra. Porém John lembra a si mesmo que havia matado o primeiro dos vampiros, um ser mais velho que muitos deuses. Por que agora estava temendo um deles? Sem contar que com toda certeza o maldito tentaria sugá-lo e então seria destruído de vez. Afunda a ponta do cigarro no cinzeiro, acende outro e se dirige ao banheiro.</p>
<p>Cassidy havia acabado de se aliviar e assoviava calmamente. Foi quando ouviu alguém entrando e trancando a porta. Já ia xingar algum maldito viciado em cocaína que havia feito isso quando dá de cara com John Constantine encostado na porta! O inglês dá um trago no cigarro e friamente diz:</p>
<p>- Desiste, meu chapa. Não vale a pena, é sério.</p>
<p><em>(continua&#8230;)</em></p>
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		<title>Maldito Irlandês &#8211; Parte II</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 12:43:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Constantine. Quanto mais Cassidy descobria sobre esse nome, mais irritado ficava. Fazia anos que não vinha para a Irlanda – sua terra natal – e quando resolve voltar para visitar seu velho amigo Brendan Finn descobre que o sujeito está morto. Seu corpo encontrado dias depois em sua velha adega subterrânea, seu corpo já em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Constantine. Quanto mais Cassidy descobria sobre esse nome, mais irritado ficava. Fazia anos que não vinha para a Irlanda – sua terra natal – e quando resolve voltar para visitar seu velho amigo Brendan Finn descobre que o sujeito está morto. Seu corpo encontrado dias depois em sua velha adega subterrânea, seu corpo já em estado de decomposição, com um copo de cerveja vazio em mãos. Ficou sabendo que a causa oficial da morte foi cirrose, mas duas pessoas estiveram em sua casa perto da data estipulada do falecimento. Uma delas ele ainda não conseguiu descobrir quem foi, mas soube rapidamente que a outra era John Constantine. Perguntando aqui e ali, descobriu muito sobre ele. Parecia que vinha bastante para estes lados e todos os donos de bares e pubs lembram de terem visto ou ouvido falar nele, mas ninguém o conhecia profundamente. Muitos diziam que ele era um charlatão inglês que se passava por bruxo e ganhava a vida aplicando golpes em crédulos mundo afora. Outros diziam que era um trambiqueiro profissional que ganhava a vida comprando e vendendo objetos raros contrabandeados. Também disseram que vivia do dinheiro que ganhava jogando pôquer. Alguns poucos não chegavam a afirmar que ele realmente era um bruxo, mas diziam que coisas estranham sempre aconteciam com ele e com quem estava por perto. Porém uma informação era consenso: Constantine era um cara perigoso e andar com ele significava correr perigo. Mais de uma vez ouviu estórias de “um amigo de um amigo” que tinha morrido ao cruzar o caminho do inglês. Eram pessoas perfeitamente sãs que se matavam, assassinatos em circunstâncias misteriosas, internações em hospitais psiquiátricos, desaparecimentos nunca solucionados. Todo mundo tinha uma opinião sobre John Constantine e nenhuma era boa.</p>
<p>Cassidy conheceu Brendan Finn nos Estados Unidos uns bons anos atrás, quando estava na pior por causa de seu vício em heroína. O dinheiro havia acabado fazia um tempo e sua companheira o abandonou após uma discussão que acabou com ele dando um tapa na cara dela. Estava difícil conseguir emprego e todos seus amigos ou conhecidos no momento não o emprestavam dinheiro sabendo que gastaria em drogas. Pensou em assaltar alguém, mas antes disso resolveu tentar conversar com seu fornecedor habitual. Bill era um sujeito mesquinho que sabia que o fato de ser o único fornecedor de heroína na região lhe dava poder sobre as outras pessoas e frequentemente abusava desse poder. Mas Cassidy o conhecia desde antes dele ser traficante e esperava que isso pesasse a seu favor para conseguir pelo menos a dose desse dia. Claro que não adiantou nada. Mas em nome da “amizade” deles, Bill o forneceria uma dose se Cassidy fizesse sexo oral nele. Até o fim. O irlandês precisava daquela dose. Quem sabe se fizesse tudo direito ele não ganhasse até um pouco a mais? Tentando pensar que isso era melhor que assaltar outras pessoas, ajoelhou e fez o que tinha que fazer, amaldiçoando mais a si mesmo que a seu fornecedor. Quando acabou, Bill o mandou ir embora, já que não gostava de andar com “viados viciados”. Cassidy teve um acesso de fúria e partiu pra cima dele, mas havia se esquecido dois capangas do traficante. Levou uma porretada nas costas e logo estava no chão sob uma avalanche de chutes, socos e porretes.</p>
<p><span id="more-779"></span></p>
<p>Exatamente neste momento que Brendan Finn passava por aquela viela e ao ver a cena correu pra cima para tornar a briga ao menos mais justa. Acontece que Finn era um sujeito um tanto quanto grande e estava ligeiramente bêbado, o que o tornava mais valente e inconseqüente que o usual. Bill e seus dois capangas foram pegos de surpresa pela visão do gigante irlandês em fúria e saíram correndo assustados. Foi uma agradável surpresa para Brendan descobrir que Cassidy também era irlandês. Aparentemente Brendan não estava bem devido há um golpe que deu errado e estava bebendo e lamentando o resultado desastroso de tudo. Bater em três covardes que estavam espancando uma pessoa parecia uma boa maneira de descontar suas frustrações, mas a fuga deles impediu seus planos, de modo que ajudou Cassidy a ficar apresentável e foram ao bar mais próximo. Várias confissões e garrafas de cerveja depois, Brendan precisava ir e deixou seu endereço na Irlanda para Cassidy, junto a uma quantia considerável de dinheiro. Ao questionar o que era aquilo, Brendan sorriu e disse que estava emprestando esse dinheiro para que seu conterrâneo conseguisse o que precisava, desde que se comprometesse a sair dessa e fosse visitá-lo quando conseguisse. Anos depois Cassidy estava limpo e longe de casa havia tempo demais. Seguro de que ninguém mais o reconheceria, finalmente foi visitar aquele que anos atrás o havia ajudado.</p>
<p>Agora Cassidy estava em um pub perto do aeroporto de Belfast lamentando seu maldito azar. Nunca mais iria poder agradecer Brendan Finn por tê-lo ajudado anos atrás. Talvez por isso estivesse atrás de John Cosntantine. Em sua cabeça descobrir o que realmente havia acontecido era uma maneira de honrar a dívida que tinha. Sabia que dependendo do que descobrisse a possibilidade de ter que quebrar uma cabeça ou duas era grande, mas não importava. Não iria voltar para os Estados Unidos sem saber a verdade. A próxima parada então era Londres ou Liverpool, atrás de mais pistas.</p>
<p>- Escuta, não era você que estava atrás de John Constantine?</p>
<p>Os pensamentos de Cassidy são interrompidos pelo dono do pub. Pego de surpresa, reponde:</p>
<p>- Hã&#8230; sou eu sim&#8230; Por quê?</p>
<p>O dono do pub aponta para uma mesa no fundo do bar:</p>
<p>- É aquele sujeito ali. Boa sorte.</p>
<p>Ele não acredita no que está acontecendo. Estava a dias atrás desse inglês e na hora em que está se preparando para viajar para a Inglaterra o encontra no mesmo pub em que está! Resolve observar a figura antes de fazer algo e nota que ele não parecia grande coisa. Loiro, olhos azuis, barba por fazer, parece ter quarenta e poucos anos. Veste um encardido sobretudo bege por cima de uma camisa azul, gravata preta frouxa e calça social. Pela quantidade copos vazios e pontas de cigarro no cinzeiro não era exatamente um sujeito saudável e estava aqui havia um tempo já. Olhando assim para ele não parecia o monstro que lhe haviam dito até agora, mas Cassidy sabia mais do que ninguém como as aparências enganavam. De qualquer maneira era perfeito. Vira sua cerveja e resolve ir ao banheiro antes de abordar o homem.</p>
<p><em>(continua&#8230;)</em></p>
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		<title>Maldito Irlandês &#8211; Parte I</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 15:34:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Constantine. A simples menção deste nome em certos círculos abria as portas para o Paraíso ou para o Inferno, seja metafórica ou literalmente falando. A família Constantine parecia carregar uma espécie de maldição e praticamente todos os seus membros se envolveram com o ocultismo, fossem como carrascos ou como vítimas. Mas o inglês John Constantine [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Constantine. A simples menção deste nome em certos círculos abria as portas para o Paraíso ou para o Inferno, seja metafórica ou literalmente falando. A família Constantine parecia carregar uma espécie de maldição e praticamente todos os seus membros se envolveram com o ocultismo, fossem como carrascos ou como vítimas. Mas o inglês John Constantine elevou a fama da sua família a níveis nunca antes alcançados. Diziam por aí que se aproximar demais dele era se aproximar da morte e essas histórias não eram nem em pouco exageradas. Se houvesse apenas inimigos mortos a situação não seria ruim, mas havia amigos e amantes entre a pilhas de cadáveres que se amontoava ao redor dele. E alguns contavam que até mesmo vampiros ancestrais, anjos e demônios pereceram ao medir forças com o mago inglês. Quando indagado pessoalmente sobre a veracidade dessas histórias, John Constantine se limitava a sorrir, soltar fumaça e dizer: “É o que dizem”, numa imitação sarcástica de outro sujeito com a iniciais JC.</p>
<p>Porém até um canalha como John Constantine as vezes precisa de um descanso, deixar a armadura de lado. Havia poucos lugares onde ele poderia fazer isso, poucas pessoas que mereciam tamanha confiança. E a casa de Brendan Finn era um desses lugares com uma dessas poucas pessoas. Era um casarão que mais parecia um castelo e ficava em um local isolado da Irlanda. Quando as coisas pesavam demais, ele passava alguns dias por aqui, longe de tudo e todos, deixando a magia e os engodos para trás. O irlandês era amigo de longa data de Constantine e eles haviam rodado boa parte do mundo, bebendo, brigando e aplicando golpes a torto e direito. Mas Finn cansou-se dessa vida, arrumou uma companheira e passou a viver por ali.</p>
<p>Venta muito em frente ao casarão e o mago inglês desiste de tentar acender o cigarro, guardando o maço e o isqueiro em seu velho e encardido sobretudo bege. O único som em quilômetros é o das ondas se despedaçando na encosta atrás da construção. O céu está carregado de tons de cinza e parece que vai chover , mas hoje a porta não vai se abrir. Brendam Finn não vai receber John Constantine com suas piadas sem graça e suas opiniões sempre certas sobre qualquer assunto. Hoje faz exatamente 1 ano que Finn morreu e John ainda não sabe o que veio fazer aqui.</p>
<p><span id="more-777"></span></p>
<p>- Quando foi que você virou um babaca sentimental? – ele pergunta em voz baixa a si mesmo.</p>
<p>Por fim começa a chover e ele resolve voltar para o taxi. O motorista liga o motor e fica aguardando o anúncio de seu destino. John finalmente acende um cigarro, dá uma última olhada para o casarão e diz:</p>
<p>- De volta para&#8230; para&#8230; Merda. De volta pra Belfast, chefe.</p>
<p>O que John esperava vindo aqui? Algum tipo de redenção? Já havia salvo seu amigo das garras do Diabo em pessoa, não havia sido o suficiente? Ou será que essa data foi a desculpa perfeita para ele tentar rever Katherine Ryan?</p>
<p>A mera lembrança dessa mulher trazia sensações diversas para o mago inglês. Ela foi umas das mulheres que mais próximo chegou de ver o que havia atrás das milhares de máscaras que John usava. E por isso mesmo foi a que mais o machucou quando eles acabaram. Haviam se visto uma única vez em Londres anos após tudo dar estupidamente errado. Ele era orgulhoso demais para sequer ligar para ela para saber se tudo estava bem. Então veio a data, lembrou-se de seu velho amigo Finn e veio para a Irlanda “prestar uma homenagem”.</p>
<p>Por todo o caminho de volta ele amaldiçoa sua estupidez. Não se dera ao trabalho de avisar que vinha e esperava o que, um encontro ao acaso? Isso já havia acontecido duas vezes, era muito exagero contar com uma terceira, mesmo para um filho da mãe com a bunda virada para Lua como Constantine. Agora iria embarcar para Londres sem nem ter procurado por ela. Talvez tivesse receio de perceber que ela havia superado totalmente o que houve. Isso magoa qualquer um, seja por amor , seja por puro ego ferido. Ou talvez seu medo fosse justamente o contrário, que ela ainda o amasse e possa querer reatar, o que significaria se abrir de novo, tornar-se vulnerável de novo. Estava contando com a sorte e desta vez ela não estava ao seu lado. Quem sabe fosse melhor assim. Existem perguntas que não devem ser feitas, não se você não quer saber a verdade.</p>
<p>O carro para em frente ao aeroporto e John volta à realidade. A chuva agora não era mais do que uma fina garoa, daquelas que te levam a sair de casa sem guarda-chuva e te encharcam já na primeira esquina. Paga o taxista, desce e acende mais um cigarro. Então avista um pub ao longe, no fim da rua. Ele se pega sorrindo. Brendan Finn era um beberrão inveterado. Morreu de cirrose, dentro da sua adega, bebendo a melhor cerveja do mundo. Como John poderia ser tão tapado e ir lembrar seu velho amigo se lamentando em frente ao seu antigo lar em vez de encher a cara no primeiro local apropriado? Ninguém o esperava em Londres, ninguém que valesse a pena pelo menos. Levanta a gola do sobretudo para proteger-se do vento e vai em direção ao pub.</p>
<p><em>(continua&#8230;)</em></p>
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		<title>Um belo fim</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 16:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Madame Satã]]></category>
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		<description><![CDATA[Estava limpando o chão do bar quando vi um casal se beijando nas mesas do fundo e me lembrei dela. Apenas algumas horas antes ela havia estado por aqui na hora do meu intervalo para conversarmos. Estávamos nos pegando havia quase 1 mês e resolvemos acabar a coisa toda de comum acordo.
A relação não era [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava limpando o chão do bar quando vi um casal se beijando nas mesas do fundo e me lembrei dela. Apenas algumas horas antes ela havia estado por aqui na hora do meu intervalo para conversarmos. Estávamos nos pegando havia quase 1 mês e resolvemos acabar a coisa toda de comum acordo.</p>
<p>A relação não era ruim, de forma alguma. A química era maravilhosa, tanto nas idéias quanto na cama. Ela não só curtia muita coisa que eu curtia como também apresentamos muita coisa nova um para o outro. Literatura beat. Histórias em Quadrinhos. RPG. Filosofia. Ocultismo. Mas eu estava no auge da minha porra-louquice e ela também. Então eram noites mal-dormidas devido a baladas regadas a bebidas e drogas e pegação desenfreada.</p>
<p><span id="more-752"></span><!--more--></p>
<p>Nosso primeiro beijo foi num boteco um pleno meio-dia em uma quarta-feira bebendo cerveja e ouvindo Janis Joplin. Ela queimou meu braço com a ponta do cigarro durante o beijo. Nossa primeira pegação forte foi no After Dark, umas das baladas góticas mais podres que eu já tinha ido. Nossa primeira transa foi num domingo de manhã, íamos ver alguma exposição na FIESP e abortamos tudo no primeiro motel que vimos no caminho. Mas um dia fomos expulsos do Madame Satã bêbados às seis da manhã porque os caras queriam fechar e começamos a reclamar “que era open bar e só podia fechar depois que saíssemos”. Isso porque durante a noite nós dois perdermos a conta de quantas pessoas pegamos. Saímos de lá, atravessamos a rua e dormimos abraçados na calçada do outro lado.</p>
<p>Foi aí que comecei a questionar onde tudo isso estava me levando. Quer dizer, eu já faço muita merda sozinho, e agora esta com alguém que fazia tanta merda quanto eu. Ao invés de um conter o outro, um abraçava a idéia do outro e a coisa descambava sempre. Nós sabíamos que era uma relação de momento e nunca sequer cogitamos namoro. Mas creio que no dia do Madame extrapolamos em vários sentidos. Na segunda-feira ela iria dar uma passada no meu serviço e eu estava disposto a dar um fim na relação antes que nos afundássemos mais ainda.</p>
<p>Quando ela apareceu na porta do bar, vi em seus olhos que havia pensado a mesma coisa que eu. Falei pro meu chefe que ia fazer meu intervalo e fomos para uma praça fumar e conversar. E ela me disse as mesmas coisas em que eu estava pensando. “A gente junto é legal, mas não se controla”, “Estou numa fase em que preciso de alguém mais centrado”, “Realmente exageramos no fim de semana”, e por aí vai Foi tudo muito tranqüilo, muito calmo. Parecia que pela primeira vez estávamos sendo sensatos. Voltamos para o bar, bebemos uma cerveja, desejamos sorte um para o outro e ela se foi.</p>
<p>E agora estava eu vendo aquele casal se pegando no fundo do bar e me dando conta de que pelo menos com ela eu não teria mais isso. Foi quando começou a tocar alguma música da Marisa Monte. Peço a vocês que visualizem a cena, com a trilha sonora rolando e a câmera se afastando lentamente até ficar tudo escuro. Eu mesmo visualizei isso, me peguei sorrindo e achei um final digno. Tanto que disse em voz baixa: “Valeu, roteirista. Valeu, diretor”.</p>
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		<title>Tequila, Tatuagens &amp; Traição</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 09:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu realmente não estava a fim de sair de casa, mas meu camarada insistiu pra porra, vinha me pegar de carro, me deixava em casa na volta, de modo que acabei topando. No caminho pergunto a ele qual é o &#8220;brieffing&#8221; da missão. Ele parece irritado:
- Porra, já te falei três vezes! Ela divorciou e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu realmente não estava a fim de sair de casa, mas meu camarada insistiu pra porra, vinha me pegar de carro, me deixava em casa na volta, de modo que acabei topando. No caminho pergunto a ele qual é o &#8220;brieffing&#8221; da missão. Ele parece irritado:</p>
<p>- Porra, já te falei três vezes! Ela divorciou e tá fazendo uma festinha na casa dela, só.</p>
<p>Aí os convidados levavam as bebidas e ela cuidaria das comidas. Como anfitriã faz gastronomia, acreditava que não teria do que reclamar. Paramos em um posto para comprar duas caixas de cerveja e finalmente chegamos ao local. Parece que somos uns dos últimos a chegar. A casa é grande e mesmo assim está relativamente cheia. Cumprimento nossa colega, fazia um bom tempo que não a via. Passo então o olho pela sala&#8230;</p>
<p>Putaqueopariu. Que morena era aquela? Cabelos pretos lisos até a cintura, olhos azuis, seios fartos e bunda idem. Me lembra na hora a Priscila do BBB. Meu número, pelamor. Perfeita&#8230; exceto pela aliança dourada na mão. Suspiro entristecido, era bom demais para ser verdade. Não que eu fosse efetivamente tentar algo, mas sonhar não custa nada, né?</p>
<p>De volta à realidade, a anfitriã chama meu camarada para ver um problema no PC dela, de modo que logo estou sozinho na sala com os outros convidados. O pessoal parecia simpático, mas aparentemente todos se conheciam, de modo que algum papo rolava solto. Resolvo ocupar as mãos para parecer menos deslocado e pego um copo de wiskhey sem gelo. Então finjo ver a coleção de CDs da casa enquanto pesco o papo deles a procura de uma brecha para poder participar. Mas uma das meninas pergunta, entusiasmada:</p>
<p>- Mais uma rodada de tequila?</p>
<p><span id="more-662"></span></p>
<p>A maior parte do pessoal se dirige para a cozinha. Então uma garota magra me nota:</p>
<p>- Quer participar?</p>
<p>- Como não? É tequila, pô! &#8211; respondo num acesso de entusiasmo, ao mesmo tempo em que lembro que ainda tenho um bom tanto de whisky no copo. Não tenho noção do quanto posso ficar bêbado aqui.</p>
<p>Um corta o limão, outro coloca sal em pires, copos são distribuídos e enchidos. Então a magrinha solta:</p>
<p>- Não sei se tomo mais essa&#8230; Vai ser a terceira rodada já&#8230;</p>
<p>Tento me enturmar e digo ironicamente:</p>
<p>- Cuidado, mulher e tequila é problema&#8230;</p>
<p>- Não, não. Mulher e tequila é solução.</p>
<p>Essa frase sapiencial foi emitida por ninguém mais, ninguém menos que a morena. Ela está olhando pra mim e sorrindo. Tento deixar de ser idiota, ela só foi simpática e comentou minha frase de maneira inteligente. Não é hora de começar a viajar em fantasias egocêntricas. Todos brindam e viram os copos. Assim que retomo meu copo de whisky, a morena se aproxima:</p>
<p>- Adorei sua camiseta.</p>
<p>Da origem da minha camiseta, o papo vai para de onde conhecemos nossa amiga em comum. Daí estamos falando de faculdade e baladas. Cacete, tudo aquilo na minha frente, e ainda era simpática e inteligente pacas. Bom, se o máximo de contato que eu teria com ela seria esse, iria aproveitar. Bem ou mal, esse mulherão tava me dando a maior atenção e isso não era nem um pouco ruim. Então uma das meninas a chama pra conversar. A morena pede licença e sai. Meu camarada se aproxima com um sorriso maroto:</p>
<p>- Vai pegar, tigrão?</p>
<p>- Nem. &#8211; respondo desanimado. &#8211; A guria é casada. O papo ta bem legal, mas parece que vai ficar nisso só.</p>
<p>Ele parece surpreso:</p>
<p>- Sério? Pra mim tava o maior clima já.</p>
<p>Faço cara de quem não ta entendendo nada e resolvo acender um cigarro. Como não tem ninguém fumando lá dentro, vou até a lavanderia bronzear os pulmões. Logo estou pensando no que meu camarada disse. Porra, será que ela tava dando mole? Recapitulo nosso papo e noto que em nenhum momento ela citou que era casada ou sequer comprometida. Mas também não tinha dado nenhuma indireta e era normal as pessoas em volta confundirem um papo animado com &#8220;clima&#8221;. Concluo que é melhor eu ficar na minha pra evitar problemas.</p>
<p>- Me arruma um cigarro?</p>
<p>Putaqueopariu de novo. Era ela. Sorrindo. Olhando nos meus olhos. E agora só eu e ela sozinhos nessa maldita lavanderia. Pego um cigarro e dou a ela. Ela coloca naquela boca perfeita e no que vou acender, noto que a aliança que deveria estar lá não está! Hora de reavaliar tudo. Ela passa por mim e se apóia no muro. Noto que ela tem um pedaço de um desenho de tatuagem descendo pela nuca. Parece uma planta. Vai ser esse o papo usado pra ganhar tempo.</p>
<p>- Quer dizer que você tem uma tatuagem?</p>
<p>Ela se vira para mim:</p>
<p>- Sim, sim. Quer ver?</p>
<p>A morena se vira se costas novamente e desce pelos ombros a blusa até o meio das costas. Era como se fosse uma trepadeira desenhada em estilo tribal. Muito bem feito. Mas logo minha tara por costas começa a tornar a situação um tanto quanto tensa para mim. Após alguns segundos que parecem uma eternidade, ela arruma blusa:</p>
<p>- Você tem alguma?</p>
<p>Respondo que sim e ela pede pra ver. Mostro pra ela a do meu braço e digo que as outras estão no peito. Ela insiste que quer ver. Ligeiramente sem graça, levanto a camiseta pra mostrar. Ela olha e dá uma mordida leve no lábio:</p>
<p>- Posso mexer?</p>
<p>Então sou atingido por um satori, nirvana, epifania ou qualquer nome que você para a maldita iluminação momentânea. Me pego sorrindo e respondo:</p>
<p>- Isso tá ficando perigoso, não?</p>
<p>- Adoro perigo. &#8211; ela responde sorrindo.</p>
<p>Nos agarramos ali mesmo. Foda-se que ela era casada. Foda-se que alguém dentro da casa poderia ver. Beijos, mordidas, arranhadas de leve, mãos aqui e ali&#8230; Paramos um tempo para dar uma respirada e aproveitamos para outro cigarro. Falamos algumas amenidades, trocamos telefones. Então ela me dá um beijo leve e diz que vai falar com as meninas um pouco. Acho que ela resolveu dar uma disfarçada. Podia ter tirado a aliança, mas ainda era casada. Entro também para encher meu copo de novo e parece que ninguém notou nada. Quer dizer, meu camarada ta me olhando com aquela expressão de &#8220;Tô ligado, viu?&#8221;, mas acho melhor deixar pra contar os detalhes pra ele mais tarde.</p>
<p>De repente reparo que a morena atende o celular, conversa baixo com alguém e quando desliga disfarçadamente coloca a aliança de novo. Depois de uns 20 minutos toca a campainha e entra um rapaz que ela vai correndo cumprimentar com um beijo na boca. Caceta, era o marido dela!</p>
<p>Ela ainda me apresenta o cara. Deveria me sentir mal com isso, mas na verdade e quero mesmo é rir da cara dele. Todo se achando ao lado dela, praticamente falando &#8220;podem pagar pau, mas é meu&#8221; e mal sabe ele. Eles ficam na festa mais uns 15 minutos e vão embora. Já estou lamentando não ter podido dar um malho de despedida, mas meia hora depois recebo um SMS:</p>
<p>&#8220;Sexta tem bar depois da faculdade. Quero você lá.&#8221;</p>
<p>É, acho que tá na hora de explicar o que aconteceu pro meu camarada e agradecer imensamente a insistência dele em me trazer aqui.</p>
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		<title>Lei Natural</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 04:15:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[balada]]></category>
		<category><![CDATA[briga]]></category>

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		<description><![CDATA[A fila pra entrar na balada já está na esquina. Aqui não costuma lotar muito, mas fiquei sabendo na hora em que cheguei que hoje vai ter show do Copacabana Club, a banda indie do momento. Dizem que é um Cansei de Ser Sexy mais sério, mas eu ficaria extremamente puto se fosse do Copacabana [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A fila pra entrar na balada já está na esquina. Aqui não costuma lotar muito, mas fiquei sabendo na hora em que cheguei que hoje vai ter show do Copacabana Club, a banda indie do momento. Dizem que é um Cansei de Ser Sexy mais sério, mas eu ficaria extremamente puto se fosse do Copacabana Club e me comparassem com aquela merda de banda.</p>
<p>Meia hora de fila depois, finalmente minha garota consegue sair de lá para me fazer companhia. Graças aos deuses, porque o papo dos moderninhos na fila está de dar no saco. Estou com uma garrafa de Jose Cuervo na mochila, resolvi dar uma de patrão hoje. Saímos um pouco da fila e damos uns goles de canto, para evitar os tradicionais pidões. Quando voltamos pra fila, o rapaz deixa a gente voltar aonde estávamos. Gente boa. Quem sabe mais tarde lhe ofereça um gole de tequila.</p>
<p>Duas horas depois estamos na escada que dá acesso a porra da balada. E umas seis gurias resolvem furar fila na minha frente. Me manifesto:</p>
<p>- Na minha frente você não entra, querida.</p>
<p>- Mas nós tamo com ele aqui.</p>
<p>- Não tão não. Tô aqui desde as onze e meia e esse cara tava sozinho. Nem vem que não tem.</p>
<p>O &#8220;cara que tá com elas&#8221; finge que o papo não o envolve. A líder das fura-fila tenta argumentar:</p>
<p>- Mas um monte de gente entrou na frente.</p>
<p>- Na minha frente ninguém passou. Se teve otário que fez isso, eu não vou fazer. Você pode ver com o pessoal atrás de mim se deixam você passar, mas na minha frente não.</p>
<p>- Cara , é a lei natural.</p>
<p>Eu não acredito que ouvi uma merda dessas. A resposta sai sem pensar:</p>
<p>- Lei natural é o caralho.</p>
<p>Realmente tem coisas que só o palavrão expressa. Parece que elas entendem o recado e vão para o fim da fila.</p>
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		<title>Eu devia parar de ler Bukowski</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 03:56:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[bebida]]></category>
		<category><![CDATA[Bukowski]]></category>
		<category><![CDATA[crentes]]></category>
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		<description><![CDATA[É sério. O título acima não é brincadeira. Toda vez que leio algum livro do Velho Safado a merda se acumula ao meu redor. Da outra vez eu tinha lido &#8220;A garota mais bonita da cidade&#8221;. Larguei meu curso de Administração de Empresas no último semestre para trabalhar de assessor de imprensa em uma loja [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É sério. O título acima não é brincadeira. Toda vez que leio algum livro do Velho Safado a merda se acumula ao meu redor. Da outra vez eu tinha lido &#8220;A garota mais bonita da cidade&#8221;. Larguei meu curso de Administração de Empresas no último semestre para trabalhar de assessor de imprensa em uma loja de artigos esotéricos nos fins de semana e em um barzinho perto da Faculdade São Judas durante a semana.</p>
<p>Havia várias festas pagãs nessa loja em que eu trabalhava. No final de quase todas eu estava um uma das salas de Ioga transando com a dona da lugar. Ainda tenho nas costas as cicatrizes das chicotadas que ela me deu na época. Já quando o bar fechava o dono sentava com os funcionários e ficávamos bebendo até altas horas da madrugada. Praticamente chegava em casa quase toda noite bêbado.</p>
<p>Em casa eu ficava ouvindo música, tomando café, fumando e escrevendo. Desse período saíram dois livros não publicados e algumas poesias que fariam parte de uma antologia anos depois. A editora dessa antologia eu conheci em um sarau gótico onde eu declamava letras de músicas do Rogério Skylab e de desenhos infantis dos anos 80. Também declamava minhas poesias, mas só as piores.</p>
<p><span id="more-613"></span></p>
<p>Eu não tinha muito dinheiro, apesar dos dois serviços. Meus amigos bancavam meus porres, que não foram poucos. Fiquei quase 1 ano nessa vida, mas comecei a namorar uma mulher mais velha, advogada e thelemita e acabei voltando a uma vida mais normal. Assim que arrumei um trampo minimamente decente e comecei a entrar nos eixos, o namoro acabou por causa de uma discussão sobre uma viagem de carnaval. O pior é que foi uma viagem onde não comi ninguém.</p>
<p>Agora voltei a ler Bukowski. Um amigo me emprestou 3 livros dele e estou lendo a coletânea de contos &#8220;Numa Fria&#8221;. E de novo a merda começa a escorrer. Era pra ser uma simples visita a uma amiga no interior de Sampa. Mas no dia seguinte ao da minha chegada, acordo as duas horas da tarde e antes de ir pro bar ver o jogo do São Paulo e Palmeiras já tinha  bebido dois copos de whisky, uma dose de tequila e outra de arak. Sem ter comido nada ainda.  Durante o jogo no bar perco as contas de quantas cervejas tomei, mas foram pelo menos mais três doses de conhaque. A noite acaba comigo transando com ela e um amigo nosso olhando, depois ele entra na brincadeira e por fim fico fumando enquanto olho os dois transando.</p>
<p>No dia seguinte estou no ônibus lendo o resto do livro tentando não pensar nas conseqüências do que rolou em minha viagem. Todos dormem e só a minha luz de leitura está acesa. Até que dois malditos evangélicos resolvem bater papo. Não seria problema se eles não falassem alto e dessem a impressão de que a conversa deles era uma tentativa de converter todos os passageiros do ônibus. Estavam sentados bem atrás de mim e a conversa começou a interferir na minha leitura. A gota d água foi quando eles resolveram ligar o rádio do celular de um deles. Parece que um conhecido ia ser entrevistado em um programa de uma rádio evangélica naquele momento. Era o maldito celular ligado e eles comentando em alto e bom som o quanto aquilo era abençoado e coisas do gênero.</p>
<p>A essa altura eu já queria ter uma Taurus para descarregar na cara dos dois. Mas resolvo pegar a garrafa de conhaque que minha amiga me deu e abrir. Tomo um gole, permitindo que o cheiro da bebida se espalhe um pouco. Então me viro para o banco de trás:</p>
<p>- Aceitam uma dose de conhaque?</p>
<p>Os dois estranham e um deles responde:</p>
<p>- Nós não bebemos.</p>
<p>- Engraçado. &#8211; comento. &#8211; Eu não sou crente e mesmo assim estou sendo obrigado a ouvir esse programa de rádio. Ou vocês desligam isso ou colocam um fone de ouvido, senão vou falar com o motorista acho que nossa chegada em São Paulo pode atrasar.</p>
<p>O filho da puta abaixa o volume do celular e então pega o fone de ouvido. O resto da conversa deles durante a viagem se desenvolve num tom que não me incomoda. Mais dois livros do Buk me esperam assim que eu chegar em Sampa.</p>
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