Arquivos de tag para 'crônicas'

À deriva

Não pise na grama

Não pise na grama

Acordei e ainda estava escuro. Mesmo considerando o Horário de Verão, fazia tempo que não acordava cedo assim. Por mais que eu já tenha chegado de balada neste período da matina. O cenário não é o mesmo de quando você acabou de despertar. Talvez seja a ausência de álcool e de cansaço, mas é diferente.

A primeira coisa que me impressionou foi a quantidade de pássaros cantando. Existem vários animais que o barulho e o movimento da cidade escondem. E é interessante também o quanto muda o cenário de uma rua quando tudo está fechado. Experimente um dia ir na Rua Augusta durante o dia e volte lá à noite. Parece um outro universo.

Eu tinha uma consulta médica de rotina e resolvi marcar o mais cedo possível, assim aproveitava o dia. Como marquei para às 07h12, acordei à 05h40. Já havia visto todo o trajeto no Google Maps e sabia que teria que pegar um ônibus e andar cerca de meia hora. Achei que compensaria mais do que perder tempo esperando dois ônibus.

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O Lado Negro de uma Comic Shop

Ilustração – Camaleão

Ilustração – Camaleão

(Publicado originalmente no Contraversão)

Toda vez que me perguntam qual foi o pior emprego que tive na minha vida, a resposta vem de bate e pronto: ter trabalhado em uma comic shop.

Não que o emprego não tenha me trazido nada de útil. Além de poder ler praticamente todas as HQs de graça, pude conhecer grandes nomes do cenário editorial / autoral nacional de quadrinhos. Percebi que era um nerd socialmente aceitável e até mesmo tive uma transa no estoque da loja.

Mas é fato que minha resposta surpreende todo mundo, já que para muitos que me conhecem minimamente esse seria meu emprego dos sonhos. O problema é que a realidade se mostrou mais sombria do que uma edição de “Contos da Cripta”…

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Sexo, Suor e Samba (e Rock´n Roll!)

 

“Esse ano eu vou sair de diabo
Já tenho o chifre
Só falta o rabo
Mas se você me der o rabo
Vou de diabo pra curtir o Carnaval”
- Velhas Virgens, “A Marcha do Diabo”

Parecia mais uma noite comum no Inferno, balada rocker na Rua Augusta, mas na fila já temos sinais de que algo está… diferente, por assim dizer. Podemos ver um cara fantasiado de Chapolin, uma guria com um daqueles colares de flores. Entrando no no local, tudo parece normal, mas após algum tempo começa a tocar algumas marchinhas de Carnaval antigas. É “alalaô” pra cá, “se você pensa que cachaça é água” pra lá. Então finalmente sobe ao palco a atração da noite, a banda Velhas Virgens. O vocalista Paulão está fantasiado de diabo e o resto da banda parece q fugiu de algum baile do Havaí. Então eles começam a tocar MAIS MARCHINHAS DE CARNAVAL!

O que está acontecendo? Estamos em um universo paralelo? É um episódio do Twiligth Zone? Não. É pura e simplesmente o Carnavelhas, uma singela homenagem da banda Velhas Virgens aos sambas sacanas e aos bailes das antigas. Mais que isso, é um verdadeiro baile de Carnaval, com confete, serpentina, gente sambando de indicador levantado, gente passando mal porque bebeu demais, e por aí vai. São roqueiros curtindo o carnaval mais que muito sambista por aí.

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Imparcialidade de cu é rola!

“Sinto uma matéria vindo. Sinto nos meus testículos de jornalista…”
- Warren Ellis, Transmetropolitan

Como assessor de imprensa, é meu dever assistir o show da banda que me contratou e fazer uma matéria sobre o que vi e ouvi. Mas meu lado jornalista-idealista se nega e fazer uma simples resenha de show falando bem de uma banda e dane-se o resto. Porra, o show costuma rolar em um lugar que tem história, as pessoas que foram ver esse show estão lá por vários motivos além da banda em si. E quase sempre a banda que você vai cobrir divide o palco com pelo menos outra banda. Não vejo porque deixar tudo isso de fora de uma matéria só porque você é assessor de imprensa.

Então eu faço questão de ser um dos primeiros a chegar ao local, assim eu “sinto” o ambiente e as pessoas que estão nele. Bebo um pouco, interajo, observo. E faço questão também de ver todos os shows do dia e comentá-los na matéria. Essas bandas não estão juntas a toa, nenhum produtor que se preze é burro de fazer isso. Tudo ali faz parte de um mesmo conjunto de obra, de uma mesa idéia. Portanto me vejo na obrigação profissional de relatar tudo isso. Como minha chefa até agora não fez objeção aos meus textos, sigo assim enquanto puder.

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20 de Novembro: Dia da Hipocrisia Branca

“Negro rico, no Brasil, é branco.
Branco pobre, no Brasil, é negro.”
-
Elza Soares, “A Carne”

(AVISO: se por um infeliz acaso você é uma pessoa que se julga “politicamente correta”, passe longe desse texto.)

Tenho sérios problemas com feriados/ datas comemorativas dedicados às minorias. A impressão que me passam é que nós brancos-machos-capitalistas-heterossexuais-cristãos somos tão legais que até damos um dia pra vocês, tá? E parece que isso resolve tudo e todo mundo fica feliz.

Hoje por exemplo é o “Dia da Consciência Negra”. O primeiro fato estranho é que esse feriado só rola aqui na capital paulista. O resto do estado ou do país não tem essa mesma consciência? Por que esse feriado foi aprovado aqui em São Paulo e em outros lugares não? Temos um ministério só para esse assunto e mesmo assim nada?

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Eleições – O Maior Espetáculo da Terra!

“Você quer saber sobre eleição. Eu tô aqui pra falar sobre eleição.

Faz de conta que você tá em uma imensa boate subterrânea cheia de pecadores, putas, malucos e coisas inomináveis que estupram pit-bulls só de farra. E você não pode sair, não até que todo mundo vote no que vocês vão fazer esta noite.

VOCÊ que pôr os pés pra cima e assistir a reprise do seu seriado favorito. ELES querem trepar com uma pessoa normal usando facas, revólveres e novos órgãos sexuais que você nem sabia que existiam. Então você vota na TV, e o resto, até onde você consegue enxergar, vota em te comer com canivetes.

Isso é eleição. Bem-vindo.”

- Spider Jerusalém, Transmetropolitan

Warren Ellis disse uma vez: “Não sou maluco por política. Acontece que a política é um dos poucos esportes de arena para o qual eu tenho tempo”. Concordo com ele, com a exceção de que sou maluco por política sim. Grande parte da população mundial vibra a cada 2 anos com a Copa do Mundo e com as Olimpíadas. Eu vibro a cada 2 anos com as Eleições Municipais e Federais.

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Manifesto em Defesa do Verdadeiro Movimento Emo (seja lá o que ele for…)

“Qual a diferença entre um emo e um clubber?
Coloque os dois em um quarto escuro.
Se brilhar, é cluber.
Se chorar, é emo”
- Autor Desconhecido

(Texto escrito em momento meio a uma Tempestade Cerebral. Tenham noção de que autor optou por escrever ao invés de almoçar, fumar ou bater punheta)

Lembre-se dos “punks” que vemos ao ir ao Cervejazul. Dos “góticos” que lotam o Theatro dos Vampiros e o Madame Satã. Ou dos “hippies” que infestam as faculdades. E por que não dos “wiccans” que fazem rituais no Parque Trianon?

Alguns de nós sentem pena dos “entre aspas” acima. Outros acham engraçado e tiram sarro deles. Alguns realmente os acham desprezíveis. Poucos os odeiam com todo o âmago do seu ser. Mas todos adoramos falar mal deles.

E por que?

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Etiqueta, ter ou não ter?

“De fim a fim com trabalho árduo;
E aqui, pobre imbecil, com todo meu saber
Eu não sou mais sábio do que antes.”
- Johann Wolfgang von Goethe, “Fausto

Dizem por aí que a educação nos torna pessoas melhores. Até acho que tendo acesso a uma educação formal (que usa moldes pra lá de ultrapassados, mas isso é uma outra história) lhe permite ter acesso a mais coisas e lhe abre mais oportunidades. Mas daí a dizer que as pessoas escolarizadas são melhores que as menos escolarizadas eu acho um absurdo.

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