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Os Invisíveis – Dia de Treinamento – Parte Final

Na Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, Noname se encontra ajoelhado em frente ao pároco do templo, em cima do altar. Neste exato momento ele está recebendo o título de missionário pela Ordem dos Sagrados Estigmas em breve vai realizar um trabalho em Itararé, interior de São Paulo. Enquanto faz seus votos e recebe suas bençãos, o coral paroquial entoa um hino de louvor.

Assim que os ritos são cumpridos, ele se volta para assembléia e reconhece em pé na porta da igreja Leósias e o novo recruta. Noname tenta disfarçar seu espanto ao ver o novo recruta, uma vez que está em cima do altar. O espanto não é pela presença do recruta em si, mas sim porque há algo diferente nele. Aquele olhar, aquela postura e aquela presença de quando o que chamamos de realidade se desmancha diante do “Nada é verdadeiro, tudo é permitido”. Todos os membros da Associação Filhos do Caos haviam passado por isso e como um de seus primeiros a fazer parte do grupo, Noname já havia visto esse “algo diferente” muitas vezes. Sempre era perceptível quando alguém passava pela mudança, mas ela nunca era igual. Nunca. Ele se permite um leve sorriso.

A missa acaba e Noname recebe os parabéns dos paroquianos, ele se dirige aos seus companheiros. Leósias está trajando roupas mais comuns: uma camisa vermelha e calças jeans. Já Bruno ainda está com a roupa da balada do dia anterior, cheirando a suor e cigarro. Noname sorri:

- Já que estão aqui e pela cara marota dos dois, deu certo, não?

Leósias retribui o sorriso e diz:

- Noname, esse é Darth Gelidus, o mais novo membro de nossa célula.

Os três se dirigem ao boteco do outro lado da rua para comemorar o acontecimento e tentar colocar o recruta a par de onde ele estava se metendo, como se isso fosse possível.

Os Invisíveis – Dia de Treinamento – Parte II

Paredes escuras. Candy. O estrobo piscando sem parar. Ask Me. Gritos ensandecidos. Boys Don´t Cry. Cigarro. Killing Moon. Bruno vai se envolvendo e repara que, realmente, dançar é muito mais fácil do que imaginava. Tainted Love. Sombras se movendo ao ritmo cadenciado. Sweet Dreams. Suor. Personal Jesus. Ele se empolga cada vez mais e parece esquecer que está em um local lotado. Grove Is In The Heart. Gelo seco. Ligth My Fire. Sente-se como quando era pequeno e ficava sozinho na sala de casa dançando sabendo que não havia ninguém para rir dele. Lips Like Sugar.

- AAAAAAÊÊÊÊÊÊ!

O grito traz Bruno de volta a consciência e ele repara que seus companheiros de pista estão comemorando. Sem entender direito, olha ao redor e então um calafrio o atinge como um soco no estômago. Eles estavam cercados por garotas! Mas isso não era nada demais. Elas pagam mais barato para entrar, lógico que teria mais mulheres que homens. Isso não queria dizer que os caras fizeram algo e…

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Os Invisíveis – Dia de Treinamento – Parte I

- Alô.

- Leósias? É o Noname.

- Eu sei…

- Tá ocupado?

- Eu TAVA no meio de uma consagração à Onan, mas acho que pode esperar. Manda.

- É que hoje é dia de levar o recruta pro teste de campo.

- Porra, por que sempre eu que pego os novos membros?

- Você lembra o que aconteceu quando EU tentei treinar alguém, né? Desculpa cara, mas você é quem faz isso melhor. E alguém tem que fazer.

- Tá, tá… Vou levar o moleque no Madame. Se me ver com ele de amanhã de manhã, é porque se saiu bem. Vou levar Henri e o Zloth.

- A boa e velha maldição?

- Exatamente…

*************

Estação São Joaquim. Mais um cigarro é aceso. Ainda faltam cinco minutos para o horário combinado, mas mesmo assim o rapaz parece impaciente. Estava com um casaco preto, cabelos cuidadosamente espetados com gel, coturno e óculos escuros. Tinha feito dezoito anos semana passada e pela primeira vez iria ao Madame Satã, uma das baladas góticas mais tradicionais de São Paulo. Mas não era isso que o deixara tenso. Pelo menos não só isso. Tinha tomado um pé na bunda da namorada e ainda não havia engolido a idéia de voltar a ser solteiro. E também havia conhecido uns caras bem estranhos, para dizer o mínimo. Tinham algumas idéias diferentes acerca de religião, política, filosofia, enfim, sobre a realidade. Diziam que tudo não passava de construção coletiva e que por isso mesmo poderia ser desconstruído. Mais de uma vez falaram que mais dia menos dia iriam mostrar como. Aí o chamam pra ir numa… balada? Bem, ele queria ir nesse tal de Madame fazia um tempo já e…

- Bruno?

O rapaz leva um susto! Estava tão absorto em seus pensamentos que não percebeu eles se aproximando. Eram três e desses ele só reconhecia o do meio. Cabelos ligeiramente revoltos penteados para trás, usando suíças e óculos vermelhos. Vestia roupa social preta, um sobretudo bege e uma bengala de madeira. Era ele quem o tinha chamado. Bruno o conhecia apenas como Leósias. O sujeito sorri e diz:

- Bem cara, esses aqui são Zloth e Henri.

O primeiro era um cabeludo enorme vestido de preto da cabeça ao pés, com pinta de metaleiro. Já o segundo era um cabeludo de óculos, ar de intelectual. Estava com uma camiseta do filme “Laranja Mecânica” e calça de couro. Todos se cumprimentam, “muito prazer” de um lado, aperto de mãos do outro e começam o caminho. Cigarros são acesos, alguns comentários surgem sobre uma gostosa que estava no metrô… Bruno relaxa, afinal, não parecia muito diferente de uma balada comum, como qualquer outra que ouviu falar por aí. Mas então Zloth solta:

- Bruno, você tá a par da maldição que ronda quando se sai com o Leósias, né?

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Quando Surgem as Dúvidas – Palavras na Areia

Essa história demorou uns quatro anos (se bobear até mais) desde a idéia inicial até ficar pronta. O número de páginas não justifica todo esse tempo, mas fazer o que…

Tudo começou com a Aline. Em geral, as mulheres usam muito a frase “não sei”, mas ela era campeã. E, de tanto falar “não sei”, acabamos a apelidando de Dúvida. O fato dela parecer com a Morte só reforçou a idéia da Aline ser um Perpétuo. Sem contar que, em inglês, dúvida é doubt e os nomes de todos os Perpétuos em inglês começam com a letra “d”.

Um belo dia um camarada chamado Thiago chegou em mim com um desenho da Dúvida e falou “Por que você não faz a história dela? Podia ser dentro da cronologia do Sandman”. Como eu não tinha porque não fazer, comecei a esboçar alguma coisa. Tinha que ser uma história sobre pessoas e sentimentos. Haveria um conflito cósmico, afinal, estamos falando dos Perpétuos! Mas também tinha que ter um conflito humano, mundano. E em cima disso foram criados Jacó, Fabiana, André e Rômulo. Como imaginei uma saga cósmica, escalei boa parte do panteão da DC/Vertigo: Constantine, Vingador Fantasma e o resto da cambada. Fiz questão de incluir John Constantine, ele é um dos meus personagens favoritos e não podia deixar passar uma oportunidade de trabalhar com ele. E a história tinha que se passar em São Paulo, no Brasil, afinal, eu moro aqui!

Mas ainda faltava algo: um antagonista. Peguei então uma personagem super-mal-e-inescrupulosa do Thiago, dei uma modificada e voilá! Tinha todos os elementos necessários para uma boa história!

Demorei todo esse tempo para terminar minha mini-saga porque, para escrever, eu tenho que ter tesão. E o perdi várias vezes. Também rescrevi essa história milhares de vezes (espero que não tenha nenhum furo de continuidade…) e isso contribuiu para a demora.

Originalmente, era para ser um roteiro de uma história em quadrinhos, mas, como a desenhista que eu queria (por sinal a Aline) andava meio atarefada, desencanei e fiz em forma de novela mesmo.

(Mas ainda penso em vê-la quadrinizada, viu Aline?)

Não esperem encontrar durante aqui milhares de referências como vemos nas histórias do Gaiman. Mas temos algumas brincadeiras sim irei explicá-las:

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Quando Surgem as Dúvidas – Final

Reino de Destino. Estão todos sentados em seus lugares em volta de uma enorme mesa redonda. Quando finalmente a Morte chega, Destino comenta:

- Demorou, irmã.

- Mil desculpas. – ela responde. – Tive que fazer uns servicinhos de última hora. – se volta para Aline. – E como ela está?

Desejo responde, entediado(a):

- Você sabe muito bem que ela só despertará quando estivermos todos presentes.

Então Desespero abre um sorriso e fala:

- Mas como chamaremos Destruição?

- Nossa irmã quis dizer que devem estar presentes todos os que ainda estão com seus respectivos reinos e responsabilidades. – esclarece Destino para sua tristeza.

- Ah…

- Chega de embromação! – interrompe Morte. – Vamos ao que interessa!

Todos estão sentados. Destino abre seu livro, olha para Aline e pergunta:

- Cara irmã, você já se deu consciente de quem é e de qual é o seu papel na Família?

Aline sai do transe:

- Sim… Eu acho.

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Quando Surgem as Dúvidas – Parte 21

Todos os Perpétuos mais seus servos partem e levam Aline, somente a Morte fica. Ela se aproxima de Constantine, abaixa e, com a mão em seu ombro, fala:

- John? Acabou. Está tudo bem.

Ele se recupera. Ainda sentado no chão, pega um cigarro e acende.

- Valeu. Acho que ainda não me acostumei com a perda.

- Eu sei… – ela se vira para Tim. – Você se saiu bem. Parabéns! E a você também, Jacó.

Ambos ficam sem graça. Jacó pergunta:

- E Abel? Ele morreu mesmo?

- Não. O seu papel é o de eterna vítima, assim como o de seu irmão é o de eterno algoz. Ele vai voltar para sofrer de novo. Sempre foi assim e sempre será.

Fabiana então se lembra:

- Meus Deus! O André!

- Não se preocupe. – diz Morte. – Ele está machucado, mas está bem.

Mesmo assim Fabiana sai correndo e deixa todos para trás.

- Dane-se! Eu preciso ver!

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Quando Surgem as Dúvidas – Parte 20

Santyago pega Aline novamente pelo braço e começa a andar. Rômulo, vendo isso, diz:

- Desculpe Dona Morte, mas não posso ver isso e não fazer nada.

A Perpétuo tenta impedir:

- Rômulo, não!

Mas ele sai correndo para cima do vampiro que, diante de tamanha ousadia, fica sem reação e toma um soco no rosto, o que o leva ao chão. Após ver o que fez, o homem diz, segurando a mão:

- Ai… Essa doeu até em mim…

Santyago finalmente perde o controle:

- PELO TÁRTARO! AGORA IREI MANDAR TODOS VOCÊS DIRETO PARA LÁ!

Ele se levanta e avança na direção de um assustado Rômulo, mas é interrompido por um grito de Tim e Jacó:

- Agora!

O vampiro se vira na direção deles e vê que estão apontando para o céu. Ele olha para cima e vê um clarão crescendo. Os dois jovens apontam em sua direção e só então ele percebe.

- NÃO!

Mas já não há mais tempo. Um raio de Sol incide sobre Santyago e começa a queimá-lo. Suando, Tim diz:

- Vai Fabiana!

E ela vai, apavorada:

- Aimeudeus, aimeudeus…

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Os Invisíveis – E.S.P. – Parte Final

Um mês depois…

de: noname@fdc.com

para: mcaos@fdc.com

cc: Associação Filhos do Caos

Querida Mamãe,

Depois da merda que fizemos no ESP passado, é com muito orgulho que anuncio a eliminação elementos nocivos do encontro e, mais ainda, tomamos posse dele!! Isso mesmo que você entendeu, o encontro agora é NOSSO!!

A estratégia foi simples e sutil. Resolvemos que era besteira ir para o confronto direto. Não queríamos chamar a atenção. Tiramos nossos diplomas das gavetas e usando de jornalismo, publicidade, psicologia e letras (com um pouco da mágika para potencializar tudd, é óbvio) minamos a força de Bela, Abelhinha e seus asseclas.

Mandamos um release para a Folha falando sobre os encontros, indicando quem organizava a coisa. O jornal apareceu lá, entrevistou todo mundo e a matéria foi capa do Folhateen. Imediatamente usamos e-mails fakes na lista Gaia-Paganus e nos mostramos indignados com o fato das meninas de Sampa saírem no jornal sem sequer citarem a organização nacional/mundial lá no Rio. A tal de Freya engoliu a isca, ficou mordida e foi tirar satisfação, afinal as meninas deveriam ser subordinadas a ela, pelo menos em tese.

Como o clima não andava lá muito bom, com isso explodiu uma briga de egos sobre quem manda em quem, qual tipo de satisfação deveria ser dada, um lado acusando o outro de usar os encontros para se promover e tudd sendo cuidadosamente aumentado pelos nossos mails fakes. Ao mesmo tempo o Leósias e Dante começaram a participar de lista tentando apaziguar as coisas, num diálogo para reconciliar os lados.

O resultado foi que as meninas xingaram tanto a Freya q foram expulsas da organização do ESP e como os únicos em Sampa dispostos a segurar a barra eram os nossos (que se mostraram “cordiais”, “sensatos”, “bem humorados” e blábláblá), eles foram prontamente aceitos como os novos organizadores do evento em São Paulo.

Imediatamente fomos ao Parque Trianon realizar um ritual para limpar o lugar energicamente e marcá-lo como nosso. Também fizemos uma petição para religar a fonte (que estava desativada), assim teríamos REALMENTE um novo clima lá. Conseguimos mais de 200 assinaturas em um único fim de semana (nada como usar glamour!) e graças ao nosso empenho o ESP é agora um evento RECONHECIDO OFICIALMENTE pela prefeitura. Sim, eu sei que isso nos aproxima da boca do lobo, mas você bem sabe q gostamos de viver no limite, né?

Parece que as meninas vão tentar fazer outro encontro pagão por lá em algum outro dia, mas nossos rituais vão garantir que o evento delas morra de inanição.

Segue anexo a cópia do novo convite do evento, devidamente modificado com mensagens subliminares para que outros Invisíveis saibam quem manda no ESP agora.

ICE!!

Noname

PS: Estamos observando dois agentes em potencial. O primeiro é um garoto de 18 anos da zona norte. Ele ainda está muito impregnado de merda wiccana, mas iremos começar a desfoder a cabeça dele. Outro é um sujeito de 24 anos que mora em Taboão. Parece que já tem uma caminhada mágica bem eclética e por isso mesmo estudaremos o cara com certo cuidado antes de iniciarmos os testes. Drafenna, Dante e Leósias foram designados para ficar de olhos neles.

Os Invisíveis – E.S.P. – Parte V

Quando todos acordam, estão em uma van. Na frente deles estão outros companheiros que não haviam sido convocados para esta missão: Lesma, Rocco, Safires e Lilith. Dante é o primeiro a se manifestar:

- Eita porra… O que aconteceu?

Quem responde é Safires enquanto dirige:

- Mamãe tentou falar com vocês via celular e não conseguiu. Tentou o elo psíquico e nada também. Então fomos convocados para o resgate.

Noname parece transtornado:

- Poutz… E como vocês conseguiram?

- O único cara que poderia me encarar estava desmaiado no quarto. – diz Lesma sorrindo. – As minas não quiseram encarar minha boken e o Rocco aqui quebrou o rádio com um chute para mostrar que não estávamos brincando. Sem o som a energia lá baixou legal.

- Isso não muda o fato de que caímos como amadores na porra da armadilha delas. – diz Leósias. – Não sei vocês, mas não estou a fim de deixar isso barato. Subestimamos as garotas, mas saquei o ponto fraco delas: tiram suas energias dos outros e para isso precisam de muita gente. A questão agora é fazer essa porra de encontro virar um caos, no sentido pejorativo mesmo.

Noname comenta:

- E você já tem um plano em mente, certo?

Leósias sorri:

- Não. Mas vou ter. E aí juro que fodo com aquela Bela, e não é no sentido sexual.

- Tem algum outro? – Lesma pergunta.

O interior da van explode em gargalhadas

(a seguir: o final!)

Os Invisíveis – E.S.P. – Parte IV

A confraternização é em um apartamento próximo ao parque, durante o caminho, Dante fala para todos:

- Galera, a casa delas é exatamente em cima da Linha de Ley que passa pelo Parque Trianon e pelo MASP, queria acreditar que é coincidência, mas…

- “Coincidências não existem”. – dizem todos meio que rindo.

Todos entram no prédio, sobem pelo elevador e chegam ao apartamento. Um pentagrama vermelho pintado no teto, estátuas de bruxas, pôsteres de lobos, uns cinco gatos circulando e uma enorme espada de duas mãos pendurada atrás da porta. Leósias chega próximo a Noname:

- Caralho, cê viu aquela espada? Acho que não devíamos ter dispensado os Ice Knigths. E outra coisa, essa casa era pra emanar energia negativa. O pentagrama mais os gatos estão dando uma amenizada, mas mesmo assim eu consigo sentir. Vamos erguer um Círculo Branco em torno de nós.

- Círculo Branco? – reclama Noname. – Porra, isso é técnica dos Rosa-Cruzes Áurea!

- Eu sei, mas é fácil e rápido de fazer, além de nos proteger dos ataques psíquicos e mentais mais óbvios. Passe para os outros.

Meio contrariado, ele vai falar com o resto do grupo. Então chega para falar com Leósias um rapaz alto, forte, careca, de bigode, cavanhaque e óculos escuros e pergunta:

- Lembro que você falou lá no ESP que lia tarô. Por acaso seu baralho tá aí?

- Tá sim.

- Tem como você ler pra mim?

Leósias pensa um pouco e diz:

- Claro, só vamos para um lugar mais reservado.

Os dois vão para um dos quartos para ler. Começa a tocar “Velhas Virgens” no rádio e garrafas de vinho e whisky são trazidas. No quarto, Leósias senta na cama, abre sua bolsa, tira uma caixa de madeira com uma estrela do caos feita em marchetaria e pega seu baralho. O rapaz parece impressionado ao vê-lo:

- Nossa, que tarô é esse?

- O da Vertigo, foi o capista do Sandman, Dave McKean, quem desenhou as cartas, vários personagens da Vertigo estão aqui: Constantine, Sandman, Tim Hunter…

Mas subitamente a porta se abre e surge Bela com um sorriso no rosto. Ela vê os dois e pergunta:

- Centaurus querido, posso propor um jogo ao nosso amigo?

- Claro! – ele responde sorrindo também.

Leósias estranha a situação e lembra que não teve tempo de erguer o Círculo Branco! Será que os outros lembraram? Ele acende um cigarro para manter o ar de calmo. Bela continua:

- Por que você não lê tarô pro pessoal lá da sala? Quem sabe adivinhe o que está rolando…

O tal de Centaurus era grande. Encará-lo era pedir para apanhar. E não sabia que tipo de poderes Bela tinha. O jeito era entrar no jogo. Calmamente ele estende um lenço com uma estrela do caos estilizada, embaralha as cartas se concentrando, dá uma tragada no cigarro e tira cinco cartas, as colocando em forma de cruz. Então vira uma a uma.

A Lua.

O Demônio.

O Louco.

A Carruagem.

A Torre.

Imediatamente coloca as cartas na caixa e levanta, mas Centaurus o empurra de volta na cama, sorrindo e estralando o dedos:

- Quem disse que vai sair daqui?

Precisava pensar rápido! Estava sentado na cama, com a caixa do tarô nas mãos e o sujeito em pé na sua frente. Imediatamente dá um soco no saco do cara e, no que ele arqueia de dor e surpreso, dá com a caixa na cabeça dele, o desmaiando. A garota sorri:

- Nossa, não esperava que soubesse brigar.

- Não sei brigar, mas a gente improvisa.

Ela começa a se aproximar, com seus olhos brilhantes, belo sorriso e abrindo o vestido:

- Não quer improvisar comigo? Garanto que vai ser bem divertido…

Leósias analisa a situação. Ela era bonita. Tinha um ar gótico: pela clara, longos cabelos negros, gostosa. Parecia boa de cama. Praticamente um fetiche ambulante. Até poderia tirar uma casquinha e depois ver como estavam os outros. Por que não? Bela coloca as mãos no peito dele, dizendo:

- Hum… Por trás dessa magreza aparente parece que temos alguém gostosinho…

Mas ele sai correndo e tranca a porta do quarto por fora. Com o som alto ninguém vai ouvi-la batendo. E a visão da situação na sala confirma as cartas. Todos estão se esfregando, se beijando. Dante está desmaiado em um sofá, provavelmente bêbado. Drafenna, Noname e Camis estão em canto se agarrando. Todos caíram na armadilha! Noname vê Leósias e diz, sorrindo:

- Olha quem tá aí! Ei cara, join us! Join us!

- Join us? – pergunta Leósias, indignado. – Saiam dessa! Fomos pegos! Temos que cair fora daqui!

Mas Camis o abraça pelo pescoço:

- Por que você não relaxa e aproveita?

E ela tasca um beijo em Leósias. Ela não estava pronto para ser atacado por um dos seus. Logo eles acham um espaço em um dos sofás e estão se agarrando também. Todos se entorpecem naquela ambiente de bebidas e luxúria…

(continua…)