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	<title>O Protagonista 2.0 &#187; feriados</title>
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		<title>20 de Novembro: Dia da Hipocrisia Branca</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 17:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alessio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas do Caostidiano]]></category>
		<category><![CDATA[crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[estereótipos]]></category>
		<category><![CDATA[feriados]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>

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		<description><![CDATA[“Negro rico, no Brasil, é branco.
Branco pobre, no Brasil, é negro.”
- Elza Soares, “A Carne”
(AVISO: se por um infeliz acaso você é uma pessoa que se julga “politicamente correta”, passe longe desse texto.)
Tenho sérios problemas com feriados/ datas comemorativas dedicados às minorias. A impressão que me passam é que nós brancos-machos-capitalistas-heterossexuais-cristãos somos tão legais que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>“Negro rico, no Brasil, é branco.<br />
Branco pobre, no Brasil, é negro.”<br />
- </em><a title="Mais sobre Elza Soares." href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/elza.soares/" target="_blank"><em>Elza Soares</em></a><em>, “A Carne”</em></p>
<p>(AVISO: se por um infeliz acaso você é uma pessoa que se julga “politicamente correta”, passe longe desse texto.)</p>
<p>Tenho sérios problemas com feriados/ datas comemorativas dedicados às minorias. A impressão que me passam é que nós brancos-machos-capitalistas-heterossexuais-cristãos somos tão legais que até damos um dia pra vocês, tá? E parece que isso resolve tudo e todo mundo fica feliz.</p>
<p>Hoje por exemplo é o “Dia da Consciência Negra”. O primeiro fato estranho é que esse feriado só rola aqui na capital paulista. O resto do estado ou do país não tem essa mesma consciência? Por que esse feriado foi aprovado aqui em São Paulo e em outros lugares não? Temos um ministério só para esse assunto e mesmo assim nada?</p>
<p><span id="more-356"></span></p>
<p>Aí fui almoçar com a Aline no centro e nosso benevolente governo estadual promoveu um show gratuito para celebrar esse dia. Fui dar uma conferida na programação e só vi bandas / grupos de rap, hip-hop, samba, reggae e pagode. E se eu sou negro e curto rock, eletrônico ou música clássica?</p>
<p>O que dizer do público? Tirando os moradores de rua (esses em sua maioria negros, infelizmente), o que eu mais vi foram brancos com “roupas-afro” de grife bebendo cerveja e dançando e universitários maconheiros metidos a regueiros. Honrosa exceção a hora em que rolou rap e hip-hop e o público cativo compareceu, mas por uma estranha coincidência, a maioria dos branquelos sumiu. Não foi a toa que me peguei rindo com os trombadinhas fazendo a festa.</p>
<p>Até o staff do show era composto em sua maior parte por pessoas cujo fenótipo não era nem classificável como mulato. Mas as bandas que tocavam eram todas formadas por negros. Só eu vejo algo errado aí?</p>
<p>Então chego em casa e o<a title="Site oficial da rádio." href="http://radiobandeirantes.terra.com.br/sobre.asp?PDT=36&amp;ID=116" target="_blank"> Rádio Band </a>está promovendo um debate sobre preconceito e racismo com&#8230; <a title="Site oficial do artista." href="http://www2.uol.com.br/chicocesar/" target="_blank">Chico César</a>(?). Colocar o Chico César para debater sobre racismo é que nem me chamar para debater sobre miopia só porque uso óculos. E me pego ouvindo as mesmas coisas que ouvi quando participei da “Semana da Consciência Negra” na <a title="Site do Universidade Estadual Paulista, Câmpus de Bauru." href="http://www.bauru.unesp.br/" target="_blank">Unesp de Bauru</a>. O problema foi que ouvi isso há 7 anos atrás.</p>
<p>Há quantos anos elite branca dá um feriado para os negros e promove uma série de eventos e debates? E quais os avanços concretos de lá pra cá? O grande equívoco é justamente esse: brancos querendo pensar como negros. Não deveria existir essa coisa de “pensar como eles pensariam”. O resultado acaba sendo esse “Dia da Caricatura Negra”. Onde se finge debater um assunto quando na verdade se reafirma uma série de estereótipos. E estereótipos são a principal fonte do preconceito.</p>
<p>O pior é a imagem de tolerância que essa simples data trás. O pior é quem tem gente que se preocupa com a causa nesse dia, mas a esquece no resto do ano. Vai aos shows, participa de debates e o caralho a quatro, mas de efetivo não faz nada.</p>
<p>Até quando vamos tapar os olhos para o fato do problema aqui no Brasil ser econômico e não étnico? Dando melhores condições de vida (educação, saúde e trabalho, pra ficar no mínimo) para população em geral irá produzir um efeito muito mais benéfico do que cotas, feriados e debates. Olhe para o seu ambiente de trabalho ou para a sala de aula da sua faculdade e conte quantos negros estão lá. Aí passe pelo setor de manutenção e faxina e vejam quantos negros estão lá. Entendem o que eu quero dizer?</p>
<p>Mas não, é muito mais bonito fazer toda essa festa e depois voltar para casa achando que fizemos nossa parte pela “tolerância racial” no país. E o que me deixa realmente preocupado é o fato dos próprios negros apoiarem esse tipo de iniciativa. É que nem os metaleiros que pagam pra ver um show do <a title="Massacration no Wikipedia." href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacration" target="_blank">Massacration</a>. Estão tirando sarro de cara de todo mundo, pagamos por isso e ainda achamos o maior barato! E assim caminha a humanidade&#8230;</p>
<p><em>(Agora só falta algum idiota ficar ofendido com meu texto e me chamar de elitista, preconceituoso e racista. Pelo menos abram um processo contra mim e me deixem famoso.)</em></p>
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