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Dogma 2009

(Publicado originalmente por Eduardo Nasi no Universo HQ)

Dogma 2009

Dogma 2009

Os quadrinhos, frequentemente, são considerados uma forma de arte vulgar ou infantil. Seus leitores são vistos como portadores de alguma debilidade. Na melhor das hipóteses, chamam-nos de nerds.

Não são poucos os relatos de gente que se sente perseguida no trabalho, na escola e até mesmo no ônibus por ler HQs. Quando a imprensa em geral vai falar de quadrinhos, muitas vezes se sente na obrigação de alertar seu leitor de que gibi nem sempre é coisa de criança.

Dizem até que fã de quadrinhos não “pega” ninguém.

Diante de uma situação dessas, os leitores não se cansam de listar bodes expiatórios. O preconceito, o desconhecimento e a falta de cultura da população são os culpados costumeiros. Mas há outros: o péssimo trabalho de marketing das editoras, a ausência de uma disciplina de quadrinhos nos currículos escolares e por aí vai.

Quem escapa, sempre, é o umbigo do próprio leitor, imune à autocrítica.

Muitos leitores esquecem que são eles mesmos – e as porcarias que leem – que reforçam dia após dia essa perseguição.

São eles que alimentam um mercado tomado por lixo, que compram mês a mês as piores revistas e que, muitas vezes, olham o que é novo e diferente com desdém.

Ainda que as editoras sejam verdadeiras caixas pretas no que diz respeito a números de venda, não é preciso ser nenhum Einstein para estimar que qualquer edição de X-Men vende mais que qualquer álbum da Zarabatana.

Encaremos a verdade: a situação dos quadrinhos é medonha.

Por isso, decidi fazer uma proposta: a criação de um Dogma para salvar os quadrinhos.

Tenho certeza de que se cada leitor deste Dogma se propuser a cumprir à risca todos os itens a partir do momento da leitura, em cinco anos teremos um mercado completamente diferente: mais arejado, leve e divertido.

Além disso, estou certo de que a percepção dos não leitores vai se transformar completamente, acolhendo as HQs como uma forma válida de expressão, arte e entretenimento.

Ao Dogma, portanto:

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Douglas Quinta Reis

Douglas Quinta Reis é um dos sócios da Devir Editora. Essa entrevista foi realizada em 2003 durante o Sampa RPG.

Alessio – Primeiramente, como você conheceu o RPG?
Douglas – Bom , a gente importava histórias em quadrinhos, né? E umas das empresas com que a gente trabalhava distribuía também revistas de RPG, Dungeons & Dragons e… alguns jogos. Então a gente começou a exportar essas coisas mais como experiência, não tinha a menor idéia do que acontecia, né? E nisso eu descobri que tinha um cara na banca Domingos de Morais que comprava a Dragon, no Rio de Janeiro tinha não sei quem que comprava Dungeon e fui descobrindo que tinha alguma coisa que poucas pessoas no Brasil conheciam. E simultaneamente, a gente tinha um boletim publicado sobre histórias em quadrinhos e tava sendo lançada uma séria chamada Wild Cards e eu precisava escrever sobre aquilo e fui buscar informação e descobri que tinha sido publicado um jogo baseado na mesma série, aí fui atrás do jogo e descobri a Steve Jackson Games, aí eles me mandaram um monte de informação e eu pensei “isso aqui é legal”. Começamos a trabalhar com RPG.

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