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Os Invisíveis – E.S.P. – Parte III

Metrô Trianon-Masp. Domingo a tarde. Estão reunidos Leósias, Dante, Camis e Drafenna. A primeira delas é morena, tem cabelos encaracolados e curtos, piercing no nariz, está com um vestido estilo indiano, sandálias e um violão a tiracolo. A outra possui pela clara, é magra, cabelos castanho claro raspados, camisa regata rosa, calça jeans e tênis. Dante reclama:

- Porra, o Noname vai atrasar de novo?

- Caralho Dante, ele vai vir mais tarde com os Ice Knigths. Eles não sabem da missão. – responde Leósias.

Drafenna pergunta:

- Então podemos ir né?

E todos vão para o parque. O encontro rola próximo a uma fonte que existe lá dentro, mas agora está desativada. Conforme combinado, Noname chega meia hora depois com os seus amigos. Até agora tudo parece relativamente normal. Pessoas vestidas como no dia a dia, alguns com pinta de gótico, outros com seus tradicionais símbolos pendurados ao pescoço. A maioria é jovem, mas temos um casal já chegando na meia-idade. As organizadoras são duas jovens, Bela e Abelhinha, simpáticas e atenciosas. Todos procuram algum sinal de algo errado, mas nada. Leósias comenta com Noname:

- Tem certeza que é esse o encontro? Só tem um monte de gente metido a wicca, pseudo-góticos…

- Tenho, mas estou estranhando também. De qualquer jeito, vamos ver no que dá.

Acontece uma roda de apresentação, onde vemos que ali temos wiccans, bruxos naturais, xamãs, umbandistas e alguns curiosos. Depois uma palestra sobre tarô e uma discussão sobre o assunto. Quando o encontro está quase no fim, as organizadoras passam uma lista pedindo nome, telefone e e-mail “para mandar as datas de futuros encontros”. Por precaução, todos colocam dados falsos. Quando todos já estão para ir embora, uma das organizadoras chega em Dante Sólon e convida para uma festinha que vai ter na casa de uma delas depois daqui. Ele estranha e pergunta:

- Hã, mas não vai todo mundo?

Bela responde sorrindo e com uma leve piscada:

- Na verdade nessa parte a gente só chama quem nós gostamos e vocês e seus amigos parecem legais.

Dante passa a notícia para seus amigos. Drafenna pergunta:

- Gente, se até agora não pegou nada, não vai ser em uma festinha que vai dar problema. Os Rosacruzes e Maçons nem vieram hoje…

Todos ficam pensativos. Leósias fala:

- Bem, de qualquer maneira, não teremos embates físicos. Os Ice Knigths podem ser dispensados, mesmo porque eles não podem saber de muito também. Não agora. Vamos para a festa, mas todos nós devemos estar com nossas defesas no máximo. Vamos evitar beber e coisas do tipo.

E todos partem a tal festa.

(continua…)

Os Invisíveis – E.S.P. – Parte II

Dante Sólon entra na sala

Leósias entra na sala

Noname entra na sala

Dante Sólon fala para todos: Ice!

Leósias fala para todos: Chaos!

Noname fala para todos: Chaos! E aí, quais as informações que vocês conseguiram?

Leósias fala para todos: Bem, o encontro que vai rolar domingo agora é o ESP, Encontro Social Pagão. Quem organiza é uma lista de discussão chamada Gaia-Paganus, que existe faz uns anos já e tem membros do Brasil inteiro. Esses encontros rolam aqui em Sampa, no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Porto Alegre e estão organizando pra começar um em Lisboa, Portugal.

Dante Sólon fala para todos: Portugal? Eita porra! O bagulho não é pequeno não!

Leósias fala para todos: Essa lista não é nenhuma ordem ou coisa do tipo. Quem fundou a parada é uma bruxa natural que atende pelo nick de Freya e ela é do Rio. Até onde pude ver, não trabalha pro outro lado. Ela até ajuda a gente meio que sem querer…

Noname fala para todos: Então por que a Mamãe nos mandou dar uma olhada?

Leósias fala para todos: Porque aqui em Sampa esse encontro virou alvo de disputa de algumas facções do paganismo. Parece que a Associação Brasileira de Bruxos (Abrabru) está tentando tomar o controle do evento, que se diz independente de qualquer ordem. Além disso parece que as organizadoras daqui estão tretadas com a tal Freya e pra piorar, temos maçons e rosacruzes comparecendo ao encontro.

Noname fala para todos: Será influência deles a briga?

Leósias fala para todos: Não dá pra saber… A questão é que é quase certeza que o próximo encontro vai ser o último que essas minas vão organizar e aí teremos uma brecha na organização e um monte de gente babando pra pegá-la. A tal de Freya parece que até tenta escolher quem organiza a parada aqui, mas como ela tá no Rio, nada é certo.

Dante Sólon fala para todos: Tá, vamos ter que ir para lá. Além de nós, alguém mais para chamar?

Leósias fala para todos: Bem, acho bom chamar a Drafenna e a Camis para termos o toque feminino na parada. E Noname, não rola chamar uns Ice Knigths pro caso de rolar alguma treta?

Noname fala para todos: Rola sim. Chamo o Ogrinho e o Lord Gustaf.

Dante Sólon fala para todos: Belesma então. Nos encontramos no domingo no horário e local combinado. Leósias avisa os outros e Noname chama os Ice.

Noname responde para todos: Certo então! ICE!

Dante Sólon fala para todos: CHAOS!

Leósias fala par todos: CHAOS!!

Noname sai da sala.

Dante Sólon sai da sala.

Leósias fala para todos: Por que eu sou sempre o último a sair?

Leósias sai da sala.

(continua…)

Os Invisíveis – E.S.P. – Parte I

Praça Sílvio Romero, bairro Tatuapé, cidade de São Paulo, Brasil. No coreto estão sentados um sujeito cabeludo, barba por fazer, sobrancelhas grossas, camisa xadrez, calça jeans, sapatos e uma bolsa preta a tiracolo e um outro de cabelos pretos penteados para trás, suíças, óculos vermelhos e camiseta e calça jeans pretas. Ambos estão fumando e parecem impacientes. O cabeludo pergunta:

- Caceta, o Noname nunca é pontual.

O de óculos responde:

- Isso não é novidade, Dante. Ele vindo tá bom. Mesmo porque é ele quem sabe da missão.

- Certo… É que eu trouxe umas brejas e não queria que elas esquentassem, Leósias, só isso…

Então se aproxima um sujeito de cabelos encaracolados, óculos, barba por fazer, camiseta do Blind Guardian, calça jeans, tênis adidas e mochila nas costas. Os dois na praça sorriem ao vê-lo:

- Aleluia!

Noname sorri de volta e fala:

- Tentei vir na hora, mas minha mãe queria que eu comesse antes de sair e…

- Tá bom, tá bom! – interrompe Dante. – Vamos ao que interessa!

Ele tira umas cervejas da bolsa, todos abrem, brindam e dão o primeiro gole. Noname começa:

- Recebi uma mensagem da Mamãe Caos. Temos uma nova missão. – gole na cerveja. – Parece que tem uma nova egrégora se formando aqui em Sampa e temos que checar se tá tudo rolando bem.

- Tipo, qual é a egrégora? – pergunta Leósias.

- Basicamente tão rolando diversos encontros pagãos no Parque Trianon, lá na Paulista. Quase todo fim de semana algum tipo de pagão, neo-pagão ou qualquer merda do tipo está se reunindo lá a tarde.

Dante não entende:

- Eita porra! Mas isso não é bom? Não enfraquece a egrégora cristã?

- Mais ou menos… – explica Noname. – Parece que quem está puxando isso é um pessoal da wicca meio dogmático. Existe um receio de se substituir um padrão por outro. E, tipo, imaginem adolescentes querendo usar magia para catar seus amores ou se vingar de qualquer merdinha!

Dante e Leósias ficam pensativos. O segundo diz:

- Verdade, verdade… Quais os procedimentos?

- Os de sempre. Vamos fazer nossas pesquisas usuais e chegar como quem não quer nada. O encontro é no domingo que vem. Então proponho um encontro sexta a noite no nosso canal do MIRC para trocarmos o que conseguimos, beleza?

- Belesma! – respondem os dois.

(continua…)

Maldito Irlandês – Final

O sujeito continua esmurrando a porta do banheiro e parece impaciente. Jonh Constantine volta-se para o vampiro:

- Que tal terminarmos nosso papo em uma mesa bebendo algo?

Cassidy não acredita no que está ouvindo:

- Tá achando que sou otário? Na primeira oportunidade vai querer fugir e cê não sai daqui sem me responder tudo sobre a morte do Brendan!

Do lado de fora continuam esmurrando a porta. O inglês suspira:

- Escuta, daqui a pouco a porta vai abrir de qualquer jeito e acredito que quanto menos chamarmos a atenção é melhor para nós dois, certo?

O vampiro parece pensar sobre o assunto e John continua:

- Além disso, você já me viu, sabe onde moro. Nada te impede de me encontrar de novo. Eu só quero sair desse banheiro imundo e desfazer esse mal-entendido de maneira mais civilizada.

Realmente as palavras do mago tinham certo sentido. Cassidy havia captado o cheiro dele e poderia rastreá-lo facilmente. Teria suas respostas de um jeito ou de outro, portanto a idéia de resolver isso sentado e bebendo não era tão ruim. Caminha até a porta do banheiro e a abre. Um homem grande, careca e barbudo parece bem irritado.

- As duas bichas já acabaram de se chupar pra eu poder usar o banheiro, porra?

Cassidy agarra o sujeito pelo colarinho e o puxa para dentro do banheiro.

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Maldito Irlandês – Parte IV

Por essa Cassidy não esperava. Achava que iria pegar o sujeito de surpresa e de repente ele é quem é surpreendido! Subitamente ele se lembra de tudo o que ouviu a respeito de Constantine e passa pela sua mente a idéia de que algumas histórias poderiam ser verdadeiras… Besteira. Já tinha visto muito picaretas por aí enganando pessoas com a postura e papo certos. Realmente a entrada do inglês havia sido um tanto quanto impressionante, mas seria necessário mais do que isso para impedir Cassidy de saber a verdade sobre a morte de Brendan Finn.  Não se intimida e retruca:

- E que caralho cê sabe sobre o que estou fazendo aqui?

Estava óbvio que o vampiro fora pego de surpresa e sem saber como agir. Constantine se permite sorrir por dentro.  De presa havia passado para predador. Talvez o deixasse sair daqui inteiro para poder avisar os outros e assim não ser mais incomodado. Mas precisava continuar o jogo até ter certeza disso. Dá mais uma tragada antes de responder:

- Sei muito mais do que pensa e realmente não vale a pena. Sei que está me culpando pelo que houve, mas acredite que tudo foi conseqüência dos atos dele.

Então o inglês sabia o que realmente houve com Brendan! Cassidy cerra os dentes e os punhos:

- Escuta aqui seu punheteiro filho da puta: os outros podem ter caído nesse seu papinho de merda, mas comigo não vai funcionar. Cê pode falar a verdade agora enquanto está com todos os dentes ou tentar depois com a porra do maxilar quebrado. Cê que sabe.

John não poderia dizer a verdade ou saberiam que só havia matado o Rei dos Vampiros em um golpe de sorte e passariam a caçá-lo. Por outro lado, o sujeito à sua frente realmente parecia disposto a cumprir a ameaça, o que também era um tanto estranho. Nada de efeitos especiais, tentativas de hipnose, demonstrações de poder ou discursos enfadonhos. O papo era curto e grosso e isso soou tão peculiar que pedia mais atenção. Pensa um pouco antes de dizer:

- Isso vai fazer diferença depois desse tempo todo? E o que garante que depois que eu dizer o que sei você não vai querer me matar? Esquece isso e vai viver sua “vida”, meu chapa. É melhor pra todo mundo.

A palavra “vida” foi dita com um tom diferente, quase de deboche. O que mais John sabia sobre Cassidy para falar desse jeito? Estava tirando sarro da cara dele por que queria saber o que houve com Brendan mesmo após tanto tempo? Mas esse não era o ponto principal. O inglês quis garantias de que não seria morto. Isso só poderia significar que ele tinha alguma culpa pela morte de seu amigo e não queria contar. Pois se não contaria por bem, contaria por mal. Antes que pudesse sequer pensar no passo seguinte, Constantine estava sendo erguido pelo colarinho por Cassidy!

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Maldito Irlandês – Parte III

Algo desperta a mente de Constantine. Tinha alguma coisa estranha no local. Alguma coisa não humana. Com o tempo você aprende a sentir isso. É uma espécie de cheiro, mas não no sentido físico. É algo espiritual mesmo. Havia aprendido a técnica para perceber espíritos não visíveis, mas com a prática era possível ver e identificar qualquer coisa não humana. O problema não é que havia algo não humano no pub. O que realmente deixou o mago preocupado foi sentir esse algo olhando diretamente pra ele! Agora precisava saber quem e o que era e sem deixar o observador perceber que fora notado. Esfrega os olhos e finge pegar um cigarro enquanto se concentra no cheiro. É um vampiro.

John achava que não veria nunca mais um deles, não após ter conseguido matar o Rei dos Vampiros. Foi na época em que tinha terminado com Katherine. O baque foi tão grande que Constantine largou tudo e passou a beber pelas ruas de Londres. Após dias e dias bebendo é fácil esquecer seus problemas e quem você é. Quando sua maior preocupação é arrumar dinheiro para uma refeição decente e encontrar um lugar quente e seco pra dormir, você mal se lembra da pessoa amada que te deixou. E assim foi por quase um ano.

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Maldito Irlandês – Parte II

Constantine. Quanto mais Cassidy descobria sobre esse nome, mais irritado ficava. Fazia anos que não vinha para a Irlanda – sua terra natal – e quando resolve voltar para visitar seu velho amigo Brendan Finn descobre que o sujeito está morto. Seu corpo encontrado dias depois em sua velha adega subterrânea, seu corpo já em estado de decomposição, com um copo de cerveja vazio em mãos. Ficou sabendo que a causa oficial da morte foi cirrose, mas duas pessoas estiveram em sua casa perto da data estipulada do falecimento. Uma delas ele ainda não conseguiu descobrir quem foi, mas soube rapidamente que a outra era John Constantine. Perguntando aqui e ali, descobriu muito sobre ele. Parecia que vinha bastante para estes lados e todos os donos de bares e pubs lembram de terem visto ou ouvido falar nele, mas ninguém o conhecia profundamente. Muitos diziam que ele era um charlatão inglês que se passava por bruxo e ganhava a vida aplicando golpes em crédulos mundo afora. Outros diziam que era um trambiqueiro profissional que ganhava a vida comprando e vendendo objetos raros contrabandeados. Também disseram que vivia do dinheiro que ganhava jogando pôquer. Alguns poucos não chegavam a afirmar que ele realmente era um bruxo, mas diziam que coisas estranham sempre aconteciam com ele e com quem estava por perto. Porém uma informação era consenso: Constantine era um cara perigoso e andar com ele significava correr perigo. Mais de uma vez ouviu estórias de “um amigo de um amigo” que tinha morrido ao cruzar o caminho do inglês. Eram pessoas perfeitamente sãs que se matavam, assassinatos em circunstâncias misteriosas, internações em hospitais psiquiátricos, desaparecimentos nunca solucionados. Todo mundo tinha uma opinião sobre John Constantine e nenhuma era boa.

Cassidy conheceu Brendan Finn nos Estados Unidos uns bons anos atrás, quando estava na pior por causa de seu vício em heroína. O dinheiro havia acabado fazia um tempo e sua companheira o abandonou após uma discussão que acabou com ele dando um tapa na cara dela. Estava difícil conseguir emprego e todos seus amigos ou conhecidos no momento não o emprestavam dinheiro sabendo que gastaria em drogas. Pensou em assaltar alguém, mas antes disso resolveu tentar conversar com seu fornecedor habitual. Bill era um sujeito mesquinho que sabia que o fato de ser o único fornecedor de heroína na região lhe dava poder sobre as outras pessoas e frequentemente abusava desse poder. Mas Cassidy o conhecia desde antes dele ser traficante e esperava que isso pesasse a seu favor para conseguir pelo menos a dose desse dia. Claro que não adiantou nada. Mas em nome da “amizade” deles, Bill o forneceria uma dose se Cassidy fizesse sexo oral nele. Até o fim. O irlandês precisava daquela dose. Quem sabe se fizesse tudo direito ele não ganhasse até um pouco a mais? Tentando pensar que isso era melhor que assaltar outras pessoas, ajoelhou e fez o que tinha que fazer, amaldiçoando mais a si mesmo que a seu fornecedor. Quando acabou, Bill o mandou ir embora, já que não gostava de andar com “viados viciados”. Cassidy teve um acesso de fúria e partiu pra cima dele, mas havia se esquecido dois capangas do traficante. Levou uma porretada nas costas e logo estava no chão sob uma avalanche de chutes, socos e porretes.

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Maldito Irlandês – Parte I

Constantine. A simples menção deste nome em certos círculos abria as portas para o Paraíso ou para o Inferno, seja metafórica ou literalmente falando. A família Constantine parecia carregar uma espécie de maldição e praticamente todos os seus membros se envolveram com o ocultismo, fossem como carrascos ou como vítimas. Mas o inglês John Constantine elevou a fama da sua família a níveis nunca antes alcançados. Diziam por aí que se aproximar demais dele era se aproximar da morte e essas histórias não eram nem em pouco exageradas. Se houvesse apenas inimigos mortos a situação não seria ruim, mas havia amigos e amantes entre a pilhas de cadáveres que se amontoava ao redor dele. E alguns contavam que até mesmo vampiros ancestrais, anjos e demônios pereceram ao medir forças com o mago inglês. Quando indagado pessoalmente sobre a veracidade dessas histórias, John Constantine se limitava a sorrir, soltar fumaça e dizer: “É o que dizem”, numa imitação sarcástica de outro sujeito com a iniciais JC.

Porém até um canalha como John Constantine as vezes precisa de um descanso, deixar a armadura de lado. Havia poucos lugares onde ele poderia fazer isso, poucas pessoas que mereciam tamanha confiança. E a casa de Brendan Finn era um desses lugares com uma dessas poucas pessoas. Era um casarão que mais parecia um castelo e ficava em um local isolado da Irlanda. Quando as coisas pesavam demais, ele passava alguns dias por aqui, longe de tudo e todos, deixando a magia e os engodos para trás. O irlandês era amigo de longa data de Constantine e eles haviam rodado boa parte do mundo, bebendo, brigando e aplicando golpes a torto e direito. Mas Finn cansou-se dessa vida, arrumou uma companheira e passou a viver por ali.

Venta muito em frente ao casarão e o mago inglês desiste de tentar acender o cigarro, guardando o maço e o isqueiro em seu velho e encardido sobretudo bege. O único som em quilômetros é o das ondas se despedaçando na encosta atrás da construção. O céu está carregado de tons de cinza e parece que vai chover , mas hoje a porta não vai se abrir. Brendam Finn não vai receber John Constantine com suas piadas sem graça e suas opiniões sempre certas sobre qualquer assunto. Hoje faz exatamente 1 ano que Finn morreu e John ainda não sabe o que veio fazer aqui.

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Spider Jerusalem no Brasil?

Hunter Thompson

Hunter Thompson

Imaginem se o jornalista Hunter Thompson fosse arremessado centenas de anos no futuro. Um futuro onda a moda não tem limites. Você pode ter cara de cachorro, ser meio ET, virar uma nuvem de nano robôs, ter a cara do Brad Pitt e o corpo da Angelina Jolie. Um futuro onde ninguém sabe o que é viver fora das cidades porque o ar fora dela é tão menos poluído que você passaria mal. Um futuro onde ninguém sabe qual é o ano ou se importa com isso. Um futuro onde você pode ter um gato de duas cabeças fumante!

Pois este é o mundo em que vive Spider Jerusalem, um jornalista que tem sua aposentadoria interrompida e se vê obrigado a voltar para a Cidade para ter que escrever e pagar as dívidas que deixou para trás. Ele conhece bem a Cidade, suas pessoas e seus vícios e por isso mesmo a odeia profundamente, coisa que faz questão de deixar mais do que claro em suas colunas diretas e mal-educadas.

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Quando Surgem as Dúvidas – Parte 19

A realidade retorna. Vendo Santyago, o mago fala:

- Vai ser preciso mais para me derrubar, palhaço.

- É mesmo? Vamos tentar novamente!

Mathew, observando tudo do topo da pilha de destroços, vira-se para Timothy e diz:

- Bem-vindo a platéia.

- Devíamos fazer algo. – responde o garoto.

Jacó comenta:

- Brilhante dedução. Mas fazer o quê?

- Aí é o que ninguém sabe… – lamenta-se Barnabás.

Tudo fica negro ao redor de Constantine novamente. E mais uma vez ele ouve uma voz:

- John, você não nunca parar com isso?

Quando ele se vira para a dona da voz, sua espinha gela: é Kity! Mas é tudo ilusão, ele não pode cair no jogo daquele maldito! Ela se aproxima:

- Você continua mexendo com isso. Me perdeu por causa disso e continua fazendo.

Ele tem que resistir. Mas ela está tão linda! Sua pele clara, seus longos cabelos negros e cacheados. Até seu perfume ele consegue sentir… Não! É tudo ilusão! Ela põe a mão em seu rosto:

- Você não me ama?

Timothy, Jacó, Mathew e Barnabás observam tudo, apreensivos. Súbito, Fabiana desperta:

- O… o que está acontecendo?

- Sabemos tanto quanto você… – Jacó responde.

Então Timothy pára e se concentra. O cão pergunta:

- O que foi?

- Espera… Estão sentindo algo?

-Algo o quê? – pergunta Mathew.

- Uma coisa se aproximando…

Jacó se concentra:

- Realmente… Tem algo chegando… O que será?

Surge então uma imagem no meio deles, para o desespero de Fabiana. A figura diz:

- Timothy Hunter! Jacó dos Santos!

- Aimeudeus! Quem é esse cara? – pergunta Fabiana, apavorada.

- Eu estou reconhecendo! – diz Tim. – Ele tava junto com a Morte no fim de tudo! Você é o Destino!

- Sua afirmação é correta, Timothy Hunter. – ele responde. – Estou aqui para ajudá-los, falando de sua tarefa nesse episódio do grande livro da existência. É missão de vocês derrotar Santyago.

Todos se espantam e Tim pergunta:

- Nós?! Mas e John e os outros?

- Todos eles serão derrotados. Somente vocês podem salvar o novo membro da Família.

Jacó e o garoto se entreolham e perguntam:

- Mas como?

- Isso cabe a vocês mesmos descobrirem. – e Destino desaparece.

Tim e Jacó ficam se olhando, sem saber o que fazer.

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